90 Dias Com Ela
9 90 dias com ela.
Notas iniciais
Bella o olhou.
–Edward, você tem certeza que quer que eu vá? –ela perguntou hesitante.
–Por favor, Bella. Vá para casa, descanse um pouco. Eu não vou a lugar nenhum mesmo. –ele argumentou.
Bella sabia que Edward estava escondendo alguma coisa dela.
Desde a visita de James que Edward insistia para Bella sair do hospital várias vezes ao dia.
Ela o observou mais uma vez.
Ele evitava olhar nos olhos dela e fica se arrumando na cama, inquieto.
–Edward, o que está acontecendo? Você não quer mais casar comigo, é isso?
Finalmente, ele olhou nos olhos dela.
E o que viu, deixou Bella assustada.
–Eu te amo, Bella. Te amo com todas as minhas forças, NUNCA se esqueça disso. Mas agora eu preciso ficar sozinho.
E Bella finalmente entendeu.
Edward estava se despedindo.
–Eu não vou sair daqui Edward. –ela disse, firme.
Edward suspirou, exasperado.
–Eu preciso ficar sozinho. Você pode entender isso, ou não? –perguntou rude.
Bella abaixou a cabeça e, após soltar um “esta bem” sussurrado, saiu do quarto.
Estranhou não encontrar ninguém da família de Edward no caminho até a saída, mas deu de ombros.
Bella passou a tarde inteira sentada em um parque próximo ao hospital e em certo momento, sentiu um vazio tão grande no peito que precisou abraçar os joelhos de encontro ao peito.
O que estava acontecendo? Por que Edward fora tão frio com ela?
Já estava anoitecendo quando Bella decidiu voltar para o hospital.
Talvez ele estivesse apenas com medo.
Pode perceber que, conforme ia se aproximando do quarto de Edward, algumas pessoas a olhavam e sussurravam coisas inaudíveis.
Girando a maçaneta, Bella empurrou a porta.
Tinha pessoas encarregadas pela limpeza do quarto. Passavam pano no chão e trocavam a roupa de cama.
Viu o Médico de Edward (e seu chefe) sentado no sofá com a cabeça entre as mãos.
–Doutor? Onde está Edward? Ele mudou de quarto? – ela perguntou, abrindo um pequeno sorriso.
O médico a olhou, seus olhos estavam vermelhos.
–Laurant, onde está meu Edward? – sua voz começava a ficar embargada.
–Bella... –ele começou.
–Onde está Edward?! –ela falou mais alto.
–Bella, ele... – ele parecia ter dificuldade para pronunciar as palavras.
Ela não o deixou terminar.
–Não... –sussurrou.
E então saiu correndo.
POV Bella
Ouvi Laurant gritar meu nome e dizer alguma coisa, porém nada mais me importava.
Eu não conseguia enxergar nada, tudo parecia um borrão.
Minha mente estava confusa.
Edward estava melhorando.
Eu havia ouvido o médico dizer que ele estava bem. Sim, tinha ouvido!
Parei de correr quando senti as primeiras gotas de chuva cair em meu corpo.
Peguei o celular e disquei o numero de Alice.
Caixa postal.
Tentei a casa, nada.
Liguei para Esme, porém ela também não atendia.
Por que não atendiam?
Andando lentamente, fui até a cobertura que dividia com Edward.
Minhas mãos tremiam tanto que levei algum tempo até conseguir abrir a porta da frente.
Fui até o armário de Edward e segurei uma de suas camisas.
Seu cheiro impregnava o local.
Olhei para a cama e nossas memórias vieram com força total.
Edward me tocando, dizendo que me amava.
Fui até a porta de entrada e fiquei a olhando por muito tempo, esperando Edward entrar pela porta e me dizer que tudo não passava de um engano. Que ele realmente estava melhor e vivo.
Foi quando notei um pedaço de papel no chão.
Parecia ter caído da mesa perto da porta.
Desdobrando-o, reconheci a letra de Alice.
“Bella, minha querida,
Sabemos o quanto você fez Edward feliz em seus últimos dias, o quanto você o amou e o quanto lhe proporcionou.
Agradecemos profundamente por você ter apresentado a Edward algo que ele não queria acreditar que existia: esperança.
Mas é por esse mesmo motivo, que não queremos você por perto.
Edward te amou, te respeitou, e olhar para você nos faz lembrar ainda mais de que ele não está mais aqui.
Nós pedimos perdão,
Eu, Jasper, Esme, Carlisle e Emmet sentimos muito.
Adeus, A família Masen. “
Meu coração não podia estar mais despedaçado.
Eu estava sozinha.
Eles sentiam muito?
Eles tinham um aos outros.
Mas eu...
Eu havia perdido tudo.
Edward, meu Edward, estava morto.
Meu coração foi acelerando conforme a ideia se aprofundava em meu peito.
Ele estava morto e embora eu já estivesse “preparada” para isso, a dor não foi menor ou menos intensa.
Na verdade, foi pior, muito pior.
Porque eu já sabia e mesmo assim me deixei envolver.
Passei os braços em volta da minha barriga e me permiti escorregar na parede até o chão, encolhendo-me.
Depois de alguns minutos olhando para o nada sem nenhuma reação, senti minha garganta arder.
Finalmente, as lagrimas vieram...
E com elas, o meu grito de desespero.
FIM DO POV BELLA
O grito pode ser ouvido da rua.
E, ao ouvi-lo, ele abriu um grande sorriso.
–Podemos ir. –disse ao motorista.
O carro entrou em movimento.
Discando o número memorizado, ele aproximou o telefone dos lábios.
–Muito bem. – ele gargalhou.
Ouviu algo sendo quebrado do outro lado da linha e desligou.
Suspirando, feliz, ele indicou para o motorista parar no bar mais próximo.
Afinal, tinha que comemorar.
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