7 Vidas

3 Pacto?


CAPÍTULO 3

Seu tom de voz me fez sentir idiota por ter zombado de seu sotaque. A criatura que acabo de descobrir ser um homem/demônio, era a personificação do medo, e cada vez que eu o olhava uma onda de náusea me atingia. Era como se meu cérebro se recordasse das imagens que ele me obrigou a assistir através de seus olhos, e tentasse expelir aquilo que me trouxe aquele sentimento de volta. Ele era completamente calmo e isso me irritava profundamente.

− Acho que o que você mais quer é saber a razão de estar aqui, certo Amber?− Disse ele se sentando novamente em sua cadeira de escritório, mas dessa vez estava virado para mim. Não sei se ele estava fazendo isso para me acalmar ou para me irritar. Mas ele não estava conseguindo nenhum dos dois, eu só fiquei ali, parada como se estivesse em estado de choque, e eu de fato estava.

Quando eu finalmente pude me mexer, fui até sua mesa, pude avistar ao lado esquerdo da mesma uma poltrona branca, em que eu instantaneamente me sentei. Decidi não fazer perguntas como: “Como essa poltrona veio parar aqui?” “Como EU vim parar aqui?” “Qual a razão de você ser tão perturbador?”. Então optei pelo mais seguro.

− O que você quer de mim?− Perguntei sem hesitar, e isso me fez sentir orgulho de mim mesma. Com o tempo percebemos que se encolher e chorar não são a melhor saída (por mais que pareça), e sim lutar, persistir e acreditar.

− Preciso de um mortal para algo que venho planejando há algum tempo, e você me parece a mortal perfeita para o trabalho. Sua coragem a matou, e a salvou ao mesmo tempo... Não sei se lhe acho inteligente ou extremamente estúpida. ─ disse ele enquanto levantava a sobrancelha sugestivamente, como se estivesse me desafiando a dizer algo. Mas ainda não tinha nada a dizer, então eu não o fiz. ─ Quero que me ajude a pegar algo que foi me roubado há vários séculos atrás.

─ E o que lhe faz pensar que o ajudarei com isso? – Minha sobrancelha se levantou instintivamente, imitando o movimento que ele acabara de fazer. Segurei um sorriso debochado que insistia em brotar nos meus lábios, mas me senti vitoriosa por dentro.

─ Você realmente acha que tem escolha? Acha que isso aqui é sua punição? – disse ele apontando para a sala branca em que nos encontrávamos. ─ Se você acha que aquilo que viu foi assustador, você não faz ideia do que está a lhe esperar caso não aceite o que tenho a oferecer. Eu não quero que você faça favores a mim, Amber. Eu apenas quero lhe propor um acordo.

─ Que tipo de acordo?− disse enquanto meu coração martelava descontroladamente em meu peito.

─ Se você conseguir pegar algo que me foi roubado há vários séculos atrás eu...− ele me olhou enquanto franzia sua boca em sinal de indecisão, mas eu podia ver em seus olhos que ele sabia exatamente o que iria me propor. ─ Eu a deixo voltar à vida, mas dessa vez você terá paz. Não terá abuso, espancamento ou qualquer outra coisa parecida.

Esperança me preencheu até a borda quando pensei que poderia ver Jared novamente, ele era o único que fazia os dias ficarem suportáveis, e eu realmente odiei ter que deixa-lo. Sei que foi necessário e que eu não tinha mais ao que recorrer, mas isso não fazia doer menos, não evitava que meu coração falhasse uma batida só de imaginar como ele ficaria ao descobrir o que eu havia feito a mim mesma, a decepção em seus olhos ao ver que não fui tão forte quanto prometi que seria. Eu também não conseguia parar de pensar em quanto a sua vida poderia ser melhor sem mim, sem que ele tenha que se preocupar com ataques, crises ou coisas do tipo. Ás vezes o amor não é o suficiente para curar nossas feridas, nos fazer esquecer os traumas e melhorar as situações, por mais que eu o ame seria muito egoísmo voltar para sua vida mesmo sabendo que ele provavelmente é uma pessoa melhor sem mim. E eu também tenho que lembrar-me do fato de que estou fazendo um acordo com um demônio, e que a probabilidade dele cumprir esse acordo é um tanto pouca. Mas parece que sou egoísta e burra o suficiente para tentar mesmo assim. ─ E o que me garante que você cumprirá o acordo?− era isso que me preocupava por qual razão eu confiaria em um demônio que exalava medo? Por qual razão eu confiaria em um demônio?!

─ Porque teremos um contrato, Amber.− disse ele

─ Como um pacto com o demônio?− aquilo soava tão absurdo que eu ri antes que conseguisse me controlar.

─ Sim Amber, nós faremos um pacto.

Eu me odiava mais a cada instante, eu não parava de me perguntar como eu pude fazer este tipo de coisa ou como eu pude ser tão covarde ao ponto de acabar com minha vida assim. Eu sabia que não adiantava de nada me martirizar por isso agora, sabia que eu tinha que me manter calma e focada no que deveria fazer, Agramon me fez essa proposta absurda e ela parecia mais interessante a cada segundo que eu permanecia naquele lugar.

Ele ainda me encarava, mesmo que eu tenha dito que precisava de um tempo sozinha para pensar á 20 minutos atrás. Ele finalmente se levantou de sua cadeira e veio andando em minha direção, lentamente, assustadoramente, meu coração batia descontrolado em meu peito a cada passo que ele dava em direção a mim, meus dedos agarraram fortemente a poltrona branca em que estava sentada, fazendo que os nós dos meus dedos ficassem brancos com o esforço, gotas de suor desciam em meu rosto e caiam em disparada ao meu vestido branco. Ele estava tão perto que eu era capaz de sentir sua respiração lenta e tranquila, então ele se virou, caminhou em direção a grande porta e se perdeu na escuridão, me deixando ali, sozinha naquele lugar imenso e desconhecido assim como eu havia pedido, e eu nunca desejei tanto ter calado a minha maldita boca.

Notas finais
Espero que tenham gostado
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.