Não demorei muito a cair num sono profundo, abrir os olhos e dar de cara novamente com o jardim, a mesa de chá e Afrodite me encarando sorridente. Ainda precisava me acostumar com tudo aquilo. Afrodite foi logo se adiantando e dizendo que não tínhamos tempo a perder. “Agora que você está a par do mundo grego e da sua parte divina, temos muito a discutir.”

Olhei para ela ainda um pouco atordoada com a mudança repentina de cenário. “Calma, calma. Antes de qualquer assunto, eu ainda preciso esclarecer minhas dúvidas.”

Afrodite não fez nada a não ser esperar que eu continuasse. Durante o tempo que fiquei no trem, após a apresentação de Caesar, fiquei pensando em muita das coisas que precisava refletir. Reli a carta da minha mãe a procura de respostas. Curiosidade é que, quanto mais vezes lia, mais acreditava naquele mundo fantástico.

Respirei fundo, pensando nas perguntas que faria. “Em primeiro lugar” comecei “por que aparecer só agora? Como você sabia que eu iria para os Jogos?”

Afrodite pensava. Acariciava as penas de um passarinho que assobiava uma canção de preguiça. “Deve lembrar que eu sempre estive com vocês, mesmo quando vocês não me viam. A prova disso é a pequena pomba que lhe dei. Foi um sinal simbólico. Mas Zeus proíbe o contanto com os filhos. É preciso muita cautela para fazê-lo. Só que a situação mudou. Você sabe, falei na carta que essa nova era não precisa de deuses ou mitologia, e estamos perdendo nossas forças.” Fez uma pequena pausa, essas palavras lhe doíam. “Mas as Parcas e o espirito dos Delfos revelaram um vestígio de esperança que talvez nos salve, de qualquer modo.”

”Nós deuses, conseguimos ver alguns vestígios do futuro, mas sua ida para os Jogos, quando descobri, foi uma fatalidade e uma surpresa de certo modo. É meu dever te ajudar.” Disse, pareceu anciosa ao dizer isso, mas então lembrei de outros pequenos mistérios que ainda me intrigavam e que queria saber, teríamos tempo para detalhar os assuntos importantes depois. “A pomba que vi no dia da Colheita. Era você, não era?”

Afrodite assentiu. “Foi meu primeiro sinal de que estava por perto. Assim como o barulho de asas que escutou antes de desmaiar, ou a pomba que jurou ver antes do nosso primeiro encontro.”

”Bem, da próxima vez, como futura referência, se quiser avisar a seu filho que está por perto, faça isso diretamente, ou só ajudará seu filho a achar que está enlouquecendo.”

Afrodite sorriu. “Falando em meus filhos, mexi alguns pauzinhos, e vejo que fiz o certo. Está linda, filha! Deveria dar mais valor a sua beleza também. Mas espero que tenha gostado do casal que destinei para cuidar de você. Fath é minha filha.”

Tentei não dar atenção ao elogio, apesar de ter gostado, mas engasguei no última parte. “Minha irmã? Ela, ela sabe de você também?” Afrodite negou. “Nem todos os meus filhos sabem da minha existência. Foi-se o tempo para isso.” Seu tom de voz indicava uma certa amargura.

“Mas ela não tem esse negócio de mudança de cor de olho, ou cabelo ou qualquer coisa assim.” Argumentei. Afrodite assentiu, pensativa.

“Não. Mas ela tem um ótimo senso de moda. Existe uma variável impressionante de dons para os meus filhos e cada filho meu, nasce com algum dom, mas nem todos possuem o mesmo.” Disse em resposta.

Assenti, pensando em Fath. A mulher parecia ter gostado de mim, e eu havia simpatizado com sua pessoa apesar no primeiro comentário desagradável, mas não sei se conseguiria vê-la como parte de minha família. “Eu tenho outros irmãos? Vou enfrentar algum na Arena?”

”Sim e mais ou menos. Você tem muitos irmãos espalhados por esse mundo, querida, mas não terá que matar nenhum na Arena. Mas não significa que não haverá outros semideuses. Há mais um além de você. Ares selecionou um de seus filhos para provar sua força. Ele acha que é uma boa maneira de mostrar que seus filhos são os melhores.”

Ares era o deus da guerra o que significava que iria enfrentar alguém com grande potencial de violência. “É o garoto do Quatro, se quiser saber.” Disse Afrodite.

Claro… O garoto com o físico de um enorme animal assassino, não poderia ser ninguém melhor. “Ares também irá ajudá-lo?” Perguntei.

De repente Afrodite ficou muda, o que indicava que havia algo errado. “Sobre isso, filha. Ele não poderá ajudá-lo." Fez uma pausa e esperou minha reação, ou se preparava para falar da melhor maneira possivel suas seguintes palavras. "Assim como eu também não poderei ajudá-la." Encarei-a na dúvida se aquilo era sério ou queria apenas me ver fazer minha melhor expressão de confusa. "Seria injusto, querida, se os ajudarmos, estaríamos interferindo diretamente no destino de vocês, e não podemos fazer isso.”

"Como se fosse muito justo ser jogada numa arena, para brincar de morte." Disse, Afrodite tentou continuar, mas comecei a falar em seguida. "Então, você apareceu para mim simplesmente para dizer que eu tenho um parentesco divino, pedir para ser forte e me desejar boa sorte na hora matança?" Perguntei.

Afrodite, tomara um pequeno gole de seu chá. "Também não é bem assim, querida. Cada deus, tem um jeito de lidar com os filhos, sem falar que são ordens de Zeus. Não podemos de jeito nenhum interferir em seus destinos, isso tem consequências horríveis." Falou a última parte como se soubesse por experiência própria antes de prosseguir. "Mas isso não significa que não iremos ajudar." Disse, complicando meus pensamentos.

Esperei pelo resto da explicação. “Você não deve se esquecer, que, apesar de deuses, nós ainda somos pais, e, como qualquer pai, queremos o melhor para os filhos. Alguns, como Ares acham que o melhor é os jogando numa Arena para provar que são bons; outros ainda, gostam de trancar os filhos em ilhas mágicas para não ameaçar o destino dos outros. Mas nenhum realmente deixa seus filhos de lado. Assim como eu fiz para Fath estar ao seu lado, nós damos sempre um jeito e estarmos tentando ajudar nossos filhos.”

”Ah!” Disse, "isso realmente me ajudou a se sentir mais tranquila, agora, saber que ao invés de contar com a ajuda divina, posso coletar dicas de moda e boa aparência". Me arrependi um pouco pela minha frieza, mas não pude deixar de me imaginar na capa de uma revista de Capitol com um uma legenda de Como Arrasar na Hora da Morte veja dicas da fashionista Fath, escrita. Afrodite parecia se esforçar em me mostrar delicadeza, bondade e confiança. “Mas como pretende me ajudar?” Perguntei, depois de deixar minha últimas palavras morrerem. Afrodite sorriu.

“Agora estamos tomando o rumo certo da conversa. Não posso fazê-lo diretamente como expliquei, mas posso lhe dar conselhos.” Disse, sorrindo ainda mais.

”Conselhos que seriam…” Disse esperando Afrodite completar.

”Bem, a primeira dica na verdade veio com aquele Blight. Você, sendo minha filha, sempre terá um traço na beleza que encantará qualquer um, independentemente do que este considerará belo. O seu são seus olhos. Você deverá usar isso a seu favor sempre.”

"Hm, tudo bem. Mas como exatamente meus olhos ajudarão em alguma coisa", perguntei. Afrodite pareceu impaciente, mas disse com sua delicadeza polida. "Você ainda não entendeu, querida. Seus olhos encantam qualquer um. Faça qualquer um encará-los e terá sua completa atenção."

Só pude lembrar de como consegui todas as atenções para mim assim que sai do trem, olhando para todos. “Faz sentido ” falei.

"O próximo conselho não é muito diferente disso. Combine com os olhos e terá um ótimo resultado! A maioria dos meus filhos possui um poder em comum. Em alguns isso manifesta com mais força que em outros. Chama-se charme, e, se você souber como dizer as coisas, todos lhe obedecerão."

"Um nome muito delicado para dizer manipulação pela voz" disse. "Eu o tenho?"

Afrodite assentiu. “Precisa treiná-lo. Mas você sempre fez bom uso desse poder, mesmo sem saber.” Lembrei da pobre criatura de Mair, em como o encarei e lhe falei para parar de chorar e ser mais forte, em como havia obedecido essa ordem. Suspirei. “E, como faço para melhorá-lo?, perguntei.

"Bem, isso você só consegue conversando com as pessoas, ordenando-as. Mas também é preciso um quê de vontade. Como se em cada palavra houvesse um grande peso para tornar-se real." Pensei em como Afrodite dizia tudo aquilo como se estivesse me ensinando a receita de algum doce.

Ouvia tudo aquilo pensativa. Todas as dicas seriam bem-vindas, me dariam uma boa vantagem em relação aos outros e nunca me senti tão grata por ter essa parte incompreesível da minha familia.

"A última dica, por hora, veio com Fath e Nero." Disse. "Num mundo como os das pessas de Capitol, vestir-se bem, de modo extravagante é algo de grande importância, é realmente visto como algo importante. Então, uma boa aparência, lhe ajudará e muito." disse.

Pensei naquilo por um instante. Aos poucos, minha estratégia para ter chances ia se formando. Sabia que não tinha forças, não sabia lutar ou usar um arco e flechas, uma lança ou qualquer objeto afiado que não fosse para cortar legumes. Minhas chances de ganhar os jogos por esses meios eram nulas e precisava encarar esse fato. Minha melhor chance era tornando-se alguém amavável aos olhos de Capitol, isso poderia me render patrocinadores e o apoio das pessoas de lá. Havia o detalhe de que não coseguiria ganhar o jogo só assim, mas as experiências de luta, teria que aproveitar e muito os dias de treinamento que era nos dado antes da Arena.

"Entendi" disse por fim. Afrodite também assentiu. Ficamos em silêncio por um tempo, Fiquei pensando nas dicas e repassando nossa conversa. Um pequeno detalhe veio em minha mente.

"Você comentou algo sobre o mundo de hoje e como estão enfraquecendo, mas que agora há uma nova esperança" comecei. "O que isso significa?"

Toda a expressão alegre de seu rosto desapareceu com a pergunta. É impressionante como todos nós temos uma realidade que queremos fugir, e nem mesmo os deuses escaparam dessa. Afrodite mexeu-se desconfortável antes de me contar a história.

"Como disse, tanto hoje como na carta, este novo mundo destruiu nossa ancestralidade e aos poucos nossa mitologia. Eu sou imortal Amery, o que significa que não morro." Assenti e esperei o resto. "Mas não é bem assim. Quando todos os eventos que levaram aos dias de hoje aconteceram, foi nos revelado, através de uma profecia, que aquele era o inicio do nosso fim. Por anos, ficamos preocupados, tentando fazer algo para reverter, mas acabamos piorando a situação de qualquer jeito. Ou era só o destino revidando cada vez mais. Assim, aos poucos, seu mundo foi ganhando força, criando os traços para uma nova fase humana, fase sem espaço para seres mitológicos. O passado tornara-se algo repudiado por vocês e precisava ser esquecido."

“E está sendo, a cada ano que passa, mais somos esquecidos. Amery, somos imortais, mas não somos os primeiros a morrerem. Sempre existiu uma maneira, usada por deuses antigos, para morrerem, por assim dizer.” Fez uma pausa, pensando na melhor maneira de prosseguir.

"Amery, há muitos anos atrás, existiu um escritor, não me recordo seu nome, que em um de seus livros dissera, que, a melhor maneira de não deixar uma pessoa morrer é sempre se lembrando dela, que é assim que a mantemos viva. E esse fato, se estende para nós deuses, talvez ainda mais que para vocês humanos, uma vez que enquanto vocês se lembram de nós, nós nos mantemos vivos." Disse.

Ficou calada e o resto foi questão de observação. Eles estavam morrendo. Ela estava morrendo. O novo mundo, esquecendo sobre mitologia, estaria esquecendo deles, e assim, eles estariam morrendo. Olhei para ela, sem saber o que fazer em seguida. Queria abraçá-la, mas receava que não devia, não estavámos tão intimas para um momento família.

"Então aos poucos estamos morrendo. Isso se estente há centenas de anos, também não é tão fácil assim esquecer algo que influênciou tanto a história humana. Os deuses menores ou com uma divindade desconhecida foram os primeiros a sofrer, junto com muitos dos monstros. Depois veio a vez dos deuses maiores. Estamos perdendo as forças. Apolo e Ártemis, deus da profecia, do sol e a deusa da caça, estão enfraquecendo cada vez mais. Perdendo sua relevância na história a ser lembrada." Tomou um gole de seu chá, que por curiosidade, continuava a fumegar, antes de prosseguir. "Eu conto com a sorte de ser a deusa da beleza, mas também sou principalmente ligada ao amor. O amor é um sentimento primordial, talvez eu seja uma das poucas a sobreviver ou uma das últimas a sumir. Enquanto acreditarem que minha imagem está ligada ao amor e a beleza, continuarei forte." disse, tinha os olhos perdido no seu interior. Tudo estava em silêncio. O pássaro em seu colo há muito tempo havia voado e levado as vozes da natureza com ele.

"Mas eu não entendo uma coisa." Comecei a dizer. "Se vivem porque são lembrados, não seria mais fácil contar a verdade a seus filhos e fazê-los continuar esse negócio de mitologia?"

Afrodite voltou a prestar atenção na minha existência, deu-me meio sorriso. “As coisas não são tão simples assim, filha. Zeus é um deus muito orgulhoso e foi o primeiro a cortar os laços com o mundo mortal, nos negando terminantemente o contanto com nossos filhos e de o reconhecerem como semi-deuses. Mas nem todos concordaram, então o Olimpo de dividiu, começando pequenas guerras. Essas guerras contribuiram ainda mais para sermos esquecidos.”

"Mas se você está aqui, me contando sobre tudo isso, é que algo mudou." disse. Seu meio sorriso afroxou-se ainda mais.

"Eu me arrisquei muito quando contei a verdade para o seu pai e fui punida por isso quando descobriram, tentei mudar essa punição, mas pouco tempo depois disso, as três Parcas e o espirito dos Delfos voltaram a nos procurar. Havia nascido uma esperança. Anunciava uma guerra, mas que dessa guerra nasceria nossa esperança. Os deuses seriam deixados de lado e veriam seus filhos e mortais lutarem lado à lado, a fim de reorganizar o mundo. Fazê-lo voltar a como era antes, mas que para isso, era inevitável que as punições como a que sofri, se realizassem."

Afrodite já não sorria. Perguntei-me qual seria sua punição, mas não custou muito para que ligasse os fatos. Afrodite dissera que havia sido punida por contar a meu pai a verdade, o que significava que meu pai, e eu, estávamos ligado a punição. Suspirei fundo. Sabia que o lugar era protegido para não sentirmos medo, mas podia sentí-lo em mim, aquela mão invísivel que os afastava de mim e daquele lugar, podia sentí-la sendo empurrada para deixar o medo chegar até mim.

"A punição? Qual era a punição?" Perguntei escondendo naquela pergunta a pouca esperança de haver outra resposta.

Afrodite vacilou antes de responder. “É-é você a punição.” disse, completando com “Quando Zeus nos proibiu de ver nossos filhos, disse que quem desobedesse seria punido. O filho seria obrigado a disputar os Jogos.” Falou.

Engolhi em seco, fechei os olhos tentando vizualizar melhor meu quadro, percebi que tremia, sentia o medo quebrando as barreiras e vindo até mim. Sabia que quando viesse, eu também acordaria expulsa do lugar. Tentei me controlar.

"Mas, mas se você sabia que eu poderia ser punida. Por que contar a verdade a meu pai?" soltei. Afrodite olhou para mim, incrédula.

"Porque eu e mais alguns deuses éramos contra isso. Sempre fomos contra cortarmos o vínculo com os mortais, é loucura. Mas Zeus não permitiu e decretara isso como um recado. O Jogos foi resultado de uma guerra entre vocês humanos, mas nada impediu de Zeus, junto de mais alguns deuses, se aproveitarem dessa banalidade. Só que muitos dos filhos de todos os deuses souberam da verdade, sempre tomamos o cuidado para que Zeus ou seus aliados não descobrissem, mas alguns poucos casos foram descobertos de qualquer jeito. O seu, por fatalidade foi um deles."

Afrodite parecia segurar lágrimas. Nos encarávamos agora, Afrodite envergonhada, eu, incrédula com essa última verdade. “Nunca é fácil mandar os filhos para a Arena. Me desculpe, querida, eu realmente sinto muito mesmo.” Falava com dor, encarei a possibilidade de ser seu charme em ação, mas parecia ser sincera com suas desculpas.

A muito custo, engolhi o nersovismo. E aos pouco nós duas fomos nos acalmando. Afrodite então se aproximava e tomara a palavra novamente. Tentou segurar minhas mãos, mas as desvencilhei “As três Parcas anunciaram que vocês irem para Arena era fundamental para a nossa volta. Eu sei que você pensa que isso significa que você irá morrer, mas não é bem assim. Isso não estava no decreto de Zeus ou na profecia do Delfos. O semideus que sobreviver, vive também para contar sua história. E filha, eu sei que fui eu que lhe meti nessa, e sei que é minha obrigação te tirar também. E eu não vou te abandonar.”

Nos encarávamos intensamente, mas sentia sua imagem tremeluzir. Estava acordando. Afrodite continuava a dizer coisas, mas aos poucos suas palavras tornavam-se incompreensíveis e se misturavam à voz de Etha, até que esta última conseguiu tirar-me do inconsciente para acordar de vez.

Abri os olhos de uma vez e senti Etha se afastando num pulo. “Que susto, garota! Ande, levante ou irá se atrasar” escutei sua voz falando. Suava frio e me sentia cansada, como se tivesse passado uma boa parte na noite acordada, gastando toda a energia que deveria repor dormindo.

Levantei e percebi que ainda tremia. A voz de Afrodite ainda soava na minha cabeça, em ecos intermináveis. Como se suas palavras me condenassem ainda mais. Segui para o corredor acompanhada de Etha, sentia-me zonza com as últimas notícias e não sabia ainda ao certo o que pensar ou como reagir.

Não era culpa de Afrodite ter me colocado no Jogos, ela disse que mesmo assim me ajudaria e, eu confiava nela. Também não era certo culpar completamente Zeus, ele apenas se apossara de algo que Capitol criara, mas mesmo assim, o mal do humano é sempre querer encontrar alguém para culpar por nossa infelicidade ao invés de encará-la logo e pensar que podemos conseguir o que quer que for e dar a volta por cima. Quis culpar o Olimpo, mas talvez devesse apenas depositar mais uma raiva nas costas do destino.

Etha ia na minha frente, dizendo milhares de coisas que não conseguia entender ou prestar atenção. Cheguei a mesa e todos já estavam lá. Blight comentara que estava com uma cara horrível e se tinha passado mal à noite, mas ignorei-o. Sentei entre Nero e Fath e pensei na sorte que a minha meio-irmã tinha. Me perguntei o que fariam com os meio-irmãos de Capitol quando descobriam a verdade, não soube responder, mas senti que coisa boa ou melhor que os Jogos não era. Talvez pior, pois nos Jogos ainda podemos contar com a sorte de podermos sair vivos, enquanto em Capitol... seus habitantes não disputavam os jogos, então, sabe-se lá o que acontecia naquela cidade além de os Jogos Vorazes.