50 tons de submissão

7 Capítulo Sete - Falta de ar


Notas iniciais
Oii =) Obrigada por estarem lendo e comenteem milhares de abraços

A música acabou, as luzes se acenderam. Henri e Kaya, de mãos dadas, foram até o centro e fizeram reverência. Todos aplaudiram, alguns até choravam. A grande cortina preta isolou-os do palco.

‘’Você canta muito bem’’ – Henri dizia percebendo que a mão deles ainda estavam unidas. A mão da jovem era macia e fina. As unhas, grandes e bem pintadas, com certeza ela não toca violão.

‘’Você também canta muito’’

Sorriram. Afastando as mãos assim que o jovem amigo de Henri chegou. Foram tantos abraços, palavras e beijos no rosto que Kaya quase ficou tonta.

‘’A senhorita gostaria de me acompanhar em um drink?’’ – perguntou Henri, enquanto guardava o violão.

‘’Mas é claro’’ – exclamou a jovem.

As músicas que tocavam agora eram eletrônicas, mais animadas. Algumas pessoas bebiam animadas, Kaya é uma dessas. A moça já passou de sua décima bebida. É quando Henri decide leva-la. Ele não passou da primeira, não gosta muito do álcool. Detesta ser subordinado a algo. E, quando se está bêbado como Kaya está, perde-se totalmente o pudor e a consciência.

Já no carro, Kaya canta a música que está tocando no rádio. A música em questão é Sia – Chandelier. Ela canta com seu perfeito inglês britânico, exagerando o tom nos agudos. Quando Henri estaciona na sua garagem particular, ela o olha confuso.

‘’Na sua casa?’’ – pergunta ela, um pouco embolado demais. Ele tira o cinto e dá a volta, abrindo a porta do carro pra jovem. Ao final, ele decide carrega-la. Ela não tem condições nem de ficar de pé.

Quando Henri a coloca na sua cama, ela ainda está pedindo mais um drink.

‘’Você precisa dormir agora. ’’ – ele diz ajudando Kaya a tirar o vestido. Havia pegado um blusão seu para a jovem. – ‘’Irá acordar com uma enxaqueca péssima amanhã’’ – ele termina de tirar o vestido dela e o dobra. Evitando olhar para a lingerie dela, estende o blusão. Estão sentados na cama e Henri fica surpreso quando Kaya vai pra cima dele. Ela já está sem sutiã e força o esbelto corpo moreno contra o corpo de Henri. Beija-lhe o pescoço, sobe a camisa polo dele. Por um instante, Henri responde ao desejo de Kaya, apertando ela em si. Mas, a afasta no mesmo tempo. Sua respiração está irregular. Ele levanta da cama e Kaya o olha sem entender, as lágrimas inundam seus olhos. Um misto de raiva e vergonha.

‘’Você não me quer?’’ – ela pergunta, com a voz entrecortada pelo choro. Ele a encara, ela parece uma criança assim, não é essa Kaya oferecida que ele gosta.

‘’Quero’’ – a voz dele é rouca, ele tenta se concentrar para não olhar os seios da jovem. Agacha-se então na frente da cama. Ficando na altura dela. Ajuda a colocar o blusão e enxuga as lágrimas que inundam o rosto dela. – ‘’Só não precisa ser assim. Quero que esteja consciente’’ – diz ele, ela permanece calada – ‘’Deite-se’’ – a voz dele foi autoritária, ela obedece.

‘’Dorme comigo?’’ – pergunta ela ainda com voz de criança. Ele deita ao seu lado e apaga a luz do abajur. Está bem escuro e é impossível ela olhar para os olhos azuis dele. Desce então as mãos até que encontra as dele, entrelaçam-se os dedos. Ela sorri com a sensação. – ‘’Henri?’’ – pergunta ela ao ouvir a respiração dele um pouco mais pesada.

‘’Hum?’’ – a voz dele é rouca. Seus olhos estão pesados.

‘’Eu pensei bastante em você’’ – sussurra ela, mas ele não responde. O sono já havia levado Henri Ampere consigo.

De manhã, Kaya espreguiça-se. A cama está mais macia e é maior, não é muito legal levantar dali. Quando abri os olhos, mal se contém. O que está fazendo naquele quarto luxuoso com um blusão masculino? Levanta um pouco tonta, precisa se apoiar no criado mudo para manter o equilíbrio. Sua cabeça dói. Consegue ir até a sala e quase caí, está na casa de Henri. O que será que ela fez? Começa a seguir então o som de piano que escuta. Uma canção linda. Já havia ouvido antes. De Beethoven, é claro. Chega então à porta da tão melodia, está entre aberta. Sem bater, nem nada, ela entra. O sótão é enorme e bem antiquado. Ao centro, ela vê um homem de costas. Ele toca piano perfeitamente, seus dedos seguem um ritmo quase que impossível de acompanhar. Cada vez mais rápido. Ela ainda sentia dor de cabeça, mas estava tão encantada ao vê-lo tocar piano que se esqueceu por uns instantes. Caminhava devagar pelo sótão. Parou apoiando-se no piano, olhava para ele que até então permanecia com os olhos fechados. Ele estava perfeito, o cabelo bagunçado, estava sem camisa e usava uma calça folgada da Calvin Klein. O corpo dele era perfeito, a barriga definida, os fortes braços... Sentiu uma necessidade de tocar-lhe o corpo. Ele abriu os olhos bem no instante que ela olhava para o volume da sua calça.

‘’Bom Dia’’ – ele disse. Ela corou. Ele ainda estava com cara de sono, havia parado de tocar e olhava para a jovem.

‘’Bom Dia’’ – ela respondeu, um pouco baixo demais.

‘’Te acordei?’’ – perguntou ele, levantando-se. Era o triplo da altura dela.

‘’Não, eu só...’’ – ela olha pra cima, deixando de encarar o piano – ‘’Você toca bem’’

‘’Obrigado, piano Sonata No. 8. Está com fome?’’

‘’Não, só estou com dor de cabeça’’ – ela leva as mãos a testa, ele dá as costas e Kaya olha pra bunda dele, que tem um volume considerável, como a parte da frente. A calça está folgada e é possível ver sua cueca, que está escrito, em grandes letras pretas CALVIN KLEIN.

‘’Você tem alergia a algum medicamento?’’

‘’Dipirona’’ – esclareceu ela, andando atrás dele. Foram até a cozinha, ele deu-lhe um comprimido branco e um grande copo com água. Ela não bebeu nem a metade

‘’Beba tudo’’ – mandou ele, sua voz era autoritária – ‘’Você está desidratada. Vai beber essa água e voltar a dormir’’

‘’Não posso voltar a dormir, preciso trabalhar’’

‘’Eu cuidarei disso, senhorita Montedescu. Apenas me obedeça’’ – ele falava calmamente. Kaya não obedeceu, levantou da cadeira de madeira irritada e caminhou em passos duros até o quarto. Henri vinha atrás dela com o copo com água na mão.

‘’Vamos, beba’’ – ele estendeu o copo. Ela pegou e deixou cair, o vidro se estilhaçou no chão.

‘’Por que tem que me tratar como uma criança?!’’ – ela tirava o blusão dele

‘’Por que você se comporta, a maior parte do tempo, como uma’’ – esclareceu ele, ainda calmo.

‘’Vá à merda!’’ – ela berra. Ele sai do quarto enquanto ela termina de abotoar o sutiã. Kaya cai na cama com a mão no peito, ela conhece bem o aperto no tórax. Tem asma desde pequena, tudo indica hereditariedade. Os chiados na sua respiração aumentam, ela grita por Henri, esquecendo-se o ‘senhor’

‘’Você trouxe algum medicamento ou a bombinha?’’ – ele pergunta desesperado, os lábios dela começam a ficar azuis. Era horrível vê-la naquela situação. Kaya não conseguia mais falar. Ela apenas forçava, inutilmente, o ar para os pulmões. Henri lembrou-se da bolsa que ela estava na mão ontem à noite e vai até a sala pega-la. Joga todas as coisas no chão. A carteira com inúmeros cartões, utensílios femininos, um mini bloco... Até que a última coisa cai. A bombinha.