Notas iniciais
Olá, queridos leitores! Como vão vocês? Antes de qualquer coisa, gostaria de agradecer à Nikoru-san e à Nina-san, pela oitava e nona recomendação de 50tonsU! Também quero agradecer aos leitores que sempre comentam, mesmo que eu demore tanto à responder!... Vocês são muito compreensivos. ;-; Prometo que responderei aos reviews no próximo final de semana. Minhas provas terminam nessa sexta-feira, e só então vou ter paz... u.u ... Isso se eu não ficar de exame em nenhuma matéria... PFVR LEITORES! TORÇAM PELA TIA CANDY! y.y ~ O capítulo ficou bem legal, na minha opinião. Espero que concordem, e divirtam-se na leitura! :3

Capítulo 18 – Indecisão.

Geralmente, Sakura não costumava a se importar com o que as pessoas achavam dela. Pelo menos não até então.

O fato de ser virgem não era algo que ela considerasse realmente relevante. Mantinha-se assim por vontade própria, e ninguém tinha absolutamente nada a ver com isso. Claro, ela não costumava a anunciar que não possuía nenhum resquício de vida sexual. Não por se envergonhar, mas para evitar contra opiniões.

Ela já havia decidido há muito, e ninguém a convenceria do contrário.

Mas ao contar para Sasuke sobre o seu “estado”, ela sentiu algo novo... Uma ansiedade nunca antes sentida, quando abordado o assunto. Desde que havia lhe revelado, a ansiedade crescia em seu peito de maneira quase infernal, e não conseguia compreender o porquê daquilo.

Ela não sabia mais como agir na frente dele, e agora, sozinhos, era impossível pensar direito. Quis evitá-lo, se afastar dele, mas há muito tinha aprendido que livrar-se de Sasuke Uchiha era uma missão quase impossível.

Sak usou como desculpa para se afastar tanto a imprensa, quanto o trabalho, mas nada adiantou. – Só quero conversar. – Ele lhe garantiu, mas aquilo só serviu para fazer seu coração palpitar com mais força.

– C- Conversar...? – Ele anuiu, e ficou um curto momento em silêncio.

– Não consigo parar de pensar no que aconteceu de manhã. – Ele lhe confessou com a voz baixa. – Passei o dia inteiro imaginando em como te evitar... – Ela sentiu o estômago congelar. – E pensando em como eu odiaria ser evitado. Mas, então, quando eu estava correndo e parei para tossir... – Ele pigarreou, e ela controlou o impulso de oferecer-lhe o remédio que tinha guardado no bolso. – Pude notar que me observava, e isso, de alguma forma me... Encorajou. – Suspirou longamente. — Eu não sei o que quer de mim, senhorita Haruno. – Francamente, nem ela sabia. – Parece estar interessada, mas insiste que não; parece gostar de mim, mas não quer gostar de mim... Eu não sei como me comportar. Talvez devesse me afastar... – Ela sentiu o estômago revirar. – Deixá-la em paz, mas-... – E então parou.

Aquela frase vazia quase a desesperou. – Mas...? – Tentou instigá-lo, sentindo-se insuportavelmente ansiosa. Inexplicavelmente ansiosa.

–... Mas eu a quero. – A resposta dele foi como um banho de água fria, mas o que ela podia esperar? – Portanto... – Ele prosseguiu, e suspirou longamente. – Eu tenho algo a propor. – Aquilo a surpreendeu um pouco, mas não o suficiente para fazê-la se sentir melhor.

Ela se ajeitou no banco, constrangida, e olhou para qualquer coisa que não fosse o rosto de Sasuke. – Estou ouvindo.

O senhor Uchiha realmente não se sentiu agradado com o suposto pouco caso. Afinal, ele estava se esforçando muito para ser sincero. Ainda assim, de uma maneira que verdadeiramente o surpreendeu, ele conseguiu continuar. – Você está decidida a se entregar a um só homem durante toda a sua vida. – Ela anuiu. – E eu acho que isso é uma bela besteira. – Viu os olhos verdes revirarem. – Então, sejamos amigos. – Ela levou um segundo para digerir, e quando o fez, encarou-o com preocupação.

– Ainda está com febre? – Ele riu.

– Não falo amigos, amigos... Digo que podemos sair juntos, como dois bons amigos, e assim nos conhecermos melhor. – Ela fez uma careta desconfiada.

– Eu não acredito que seja o tipo de homem que sai com amigas... Ou que sai “para se conhecer melhor”. – Ele deu um sorriso de canto.

– E não sou. – Confessou. – Mas estou disposto a fazer isso. Por você. – Ela sentiu o rosto queimar. – Não vou insistir mais... Prometo me esforçar para não agarrá-la... – Sorriu malicioso. – Ao menos não sem o seu consentimento. – Ela cerrou os olhos, envergonhada e irritadiça. – Quero mostrar-lhe meu mundo... Para que você veja as coisas como eu vejo. Assim, talvez, eu possa convencê-la. – Sakura riu.

– E além da sua incrível companhia... Porque você é bonito, inteligente e perfeito. – Sua voz soou tão irônica que ele se envergonhou. Como pôde dizer isso à uma mulher?! Mesmo para ele, parecia muita prepotência. – O que eu ganho, além disso? Você sai comigo, tenta me seduzir... E eu? – Ele suspirou longamente.

– Sakura... O que estou propondo é que nos conheçamos melhor. Eu gosto de ficar com você. – Ela sentiu o rosto queimar. – É inteligente, interessante... Gosto sinceramente da sua companhia, portanto, prometo não esperar nada demais. – Deu-lhe um incomum sorriso tímido. – Por enquanto, vou me contentar com uma amizade. – Sakura sentiu o estômago revirar.

Ele queria estar com ela! Queria estar com ela, apesar de tudo.

Mesmo com a possibilidade de ela recusá-lo, ele ainda assim queria estar com ela! A conclusão a deixou tão feliz, que Sak sequer pôde pensar no que dizer.

Seu rosto queimava, seu coração palpitava acelerado no peito e seu estômago revirava. Ela sentiu calor, frio, tensão e agitação, e pôde concluir, só por aqueles sentimentos confusos, que aquele maldito cafajeste já a conquistara. Ele era teimoso, obstinado, atencioso e, à sua maneira, até mesmo gentil, e isso a cativava de uma maneira absurda.

Sakura suspirou longamente.

A conclusão, embora surpreendente, não foi nenhum choque. Talvez ela sempre tivesse sabido, mas não tinha coragem para admitir para si mesma.

Sasuke a fitava de maneira curiosa, ansioso, o que a deixou ainda mais ansiosa – se é que isso era possível. Os lábios róseos da moça se estreitaram; aquele sentimento era perigoso... Muito perigoso. – Eu não posso fazer isso. – Decidiu.

– O quê...?! – Ele teve que contar até dez mentalmente. – Como assim não pode?! – Questionou em tom revoltoso. – Só estou pedindo para continuarmos nos vendo! – Ela suspirou longamente.

– Tem noção de quantos problemas eu tive desde que entrou na minha vida, Sasuke-kun?! – Irritado, ele puxou seu rosto brutamente, obrigando-a a manter o contato visual. Sakura perdeu o ar.

– Quantos problemas você teve?! Sabe quantos problemas eu tive, desde que te conheci? Eu fui humilhado publicamente, humilhado por amigos, rodeado pela mídia e consequentemente, interrogado pelos meus familiares. Pelo amor de Deus! Eu não durmo com uma mulher desde o natal! Por sua causa não tenho mais nenhuma autoestima! E mesmo assim, não consigo parar de pensar em você!

– E- Eu não posso fazer isso. – Ela tentou se esquivar, mas foi em vão. Sasuke a puxou pelo antebraço, fazendo-a cair sobre seu peito, e com muita agilidade, a puxou para sentar-se sobre seu colo.

– Não vai fugir. – Ele garantiu. – Se vai recusar a minha amizade, vai ter que ter um ótimo motivo. – E sorriu maroto. E se a senhorita Haruno já estava nervosa antes, com uma distância segura, agora ela sequer conseguia pensar.

Sasuke roçou os narizes, aproveitando-se da aproximação, e ela não conseguiu segurar um suspiro. – Viu só? Você não vai se segurar... – Ele riu, e beijou-lhe o canto da boca sedutoramente.

– Talvez, se você parasse de ficar tão derretida toda vez que eu me aproximo... Talvez eu conseguisse me controlar. – Ajeitou os curtos cabelos róseos para trás da orelha dela. – Vamos, Sakura... – E deslizou os lábios por seu rosto, até a orelha. – Você vai ter que achar uma boa desculpa para se livrar de mim. – Murmurou baixinho, antes de beijá-la.

Sak estremeceu. -... Não dorme com ninguém desde o natal? – Ele sorriu; afastou o rosto, olhou-a nos olhos e anuiu.

– Você me deixa louco, senhorita Haruno. – Ela não pôde evitar um tímido sorriso brotar em seus lábios, sorriso que o encantou. Sasuke alisou as maçãs de seu rosto gentilmente, paralisando-a. – Diga que quer ficar comigo. – Pediu com seriedade.

–... Eu quero ficar com você... – Ela confessou. – E é por isso que... – Inspirou fundo. – Eu não posso fazer isso. – Ele estreitou os lábios como se sua explicação não convencesse.

– Admita: gosta de mim. Pare com essa bobagem... Nós somos adultos.

– E- Esse é o problema! – Sak exclamou, se esforçando para sair dos braços do empresário, que permitiu. – Eu gosto de você! Muito! Mais do que pode imaginar! – Ela pôde notar o rosto dele empalidecendo na medida em que compreendia suas palavras. – Eu não posso sair com você, nem como amiga, nem como... Nem como nada. – Escondeu o rosto com as mãos; sentia-se constrangida consigo mesma. – Não quero que esse sentimento cresça, e sei que vai crescer, se continuarmos a nos ver. Portanto... – Sakura não conseguiu terminar. Estava prestes a chorar, graças ao silêncio dele.

Abriu o carro, apressada, e retirou-se do automóvel antes que pudesse morrer de vergonha, e mesmo que desejasse isso, Sasuke não pôde impedi-la.

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Sakura começou sua residência no começo de fevereiro daquele ano, no hospital de sua universidade, e era a mais aplicada de sua turma.

Sasuke estava a par de tudo isso, mas não pelos meios que costumava usar para saber das coisas. Na realidade, por ironia do destino, a supervisora da senhorita Haruno era ninguém mais ninguém menos do que Tsunade Senju, madrinha de Naruto e amiga próxima da família Uchiha.

Tsunade, infelizmente, perdera as eleições daquele ano, o que obrigou os Uchiha, Hyuuga e Uzumaki a adiarem boa parte de seus projetos, causando um prejuízo insustentável ao pobre presidente da companhia Uchiha, que ainda tinha sobre seus ombros o peso do desafio do avô insuportável.

De fato, Sasuke via-se diante de muitos problemas de uns tempos para cá.

Obito ainda estava de repouso, e a ética do jovem empresário o impedia de incomodá-lo quando tinha dores de cabeça tão mais complicadas em sua vida. Mas o fato de Sasuke ter pena do tio não fazia Madara sentir pena dele. – Eu vou falar com ele. – Itachi garantiu numa tarde, enquanto seguiam para tomar um café juntos em uma Starbucks próxima da empresa.

A mesma em que Sakura havia lhe humilhado publicamente ao dá-lo um banho de café caramelado. Ele não pôde deixar de lembrar-se do fato enquanto esperava na fila. – Não precisa se preocupar. – Itachi deu-lhe um aperto amigável no ombro, que o despertou de seus devaneios.

– Oh, claro. Obrigado, onii-san. – Ele sorriu sincero.

Ambos pediram o mesmo de sempre: um café forte, sem açúcar, mais alguns muffins, e seguiram para uma mesa qualquer. – Como vão nossos tios? – Sasuke quis saber após sentarem-se. Itachi deu-lhe os ombros.

– Ainda estou procurando uma boa enfermeira. As que consegui são um pouco... – Ele fez uma careta. – Atiradas. – E deu os ombros. – Devem pensar que, porque a Rin está naquele estado, tio Obito vai ser facilmente seduzido. – Sasuke anuiu, compreendendo.

– E ela, como vai? – Pela expressão do irmão, ele pôde concluir que não muito melhor. – Eu sinto muito pelo tio. – Itachi suspirou longamente.

– Não devia. Ele está feliz. – E bebericou o café. – Claro que estaria muito mais feliz se certa teimosa desse o braço a torcer. – Revirou os olhos negros enquanto dizia.

– Não acho que a Kasumi vá procurá-lo, até você dizer a verdade, irmão. – O mais jovem disse-lhe, sinceramente. – Ela tem o sangue dos Uchiha, afinal. – Mordeu um muffim. – Não é facilmente convencida.

– Sasuke, eu... – Ele bufou. – Eu não posso chegar lá e contar toda a verdade! Nem é assunto meu... Eles merecem esse momento.

– Eles merecem. – Sasuke concordou. – Mas nunca terão, se você não der o braço a torcer antes dela, como sempre faz. Realmente acho que deveriam conversar... Não sobre isso. – Ele adicionou com um olhar sugestivo, que fez o mais velho engasgar o café. – Vamos, irmão. Sei que não sai com uma mulher desde que foi chutado... Deve estar subindo pelas paredes. – O mais velho riu.

– Bem, eu também não o tenho visto em muitas festas, presidente. – Itachi roubou um muffim do irmão. – Será que aquela garota Haruno mexeu tanto com o casanova da família? – Mas antes mesmo que Sasuke pudesse verbalizar alguma ofensa, algo brilhou nos olhos do advogado. – Sasuke! – Ele exclamou de repente, como se tivesse acabado de ter uma ideia genial. – Ela é médica, não? A moça Haruno. – O mais jovem anuiu lentamente.

– Acho que está no quarto ano...

– É isso! – O mais velho levantou-se repentinamente, foi até a cadeira do mais novo e vasculhou o bolso de seu paletó, na busca de seu celular.

– O- Onii-san! O que pensa que está fazendo? – Itachi o ignorou. Buscou o nome da moça na agenda do empresário e anotou seu número no próprio celular.

– Ela parece uma garota tímida... E, se for uma interesseira, certamente tem mais chances com você. – Jogou o telefone na direção do mais novo. Sasuke baixou os olhos até o café.

–... Não acho que ela vá aceitar.

– Vocês brigaram? – Ele estreitou as sobrancelhas. – Mais complicado? – Ele anuiu. – Bem, tentar não custa nada.

~

Kasumi estava encolhida em sua cadeira, em seu escritório, lamentando-se de seu próprio estado.

Ela nunca foi à pessoa mais saudável do mundo, mas fazia muito tempo desde que se sentia tão mal.

Sabia que existia a pequena – na verdade, talvez não tão pequena – possibilidade de seus enjoos darem-se ao fato de que, desde que atropelara Obito Uchiha, bebia todas as noites como uma porca, até cair desmaiada no sofá. – Eu tenho que procurar um psicólogo... – Murmurou para si mesma, decidida. Mas antes que pudesse procurar qualquer nome ou endereço pelo computador, Tenten adentrou a sala, tão sorridente e ansiosa que a fez sentir vontade de vomitar ali mesmo.

– Nossa! Você está péssima! – A Mitsashi observou antes de se sentar na cadeira à frente da mesa da chefa, que revirou os olhos. – Quer um remedinho pra ressaca? – Kasumi dispensou com um gesto de mãos.

– Só diga o que quer. Acho que vou num hospital. – Tenten concordou, e entregou uma grossa pasta rosa à outra. – O que é isso?

– O que me pediu para pesquisar. – Kasumi sentiu seu estômago congelar. Abriu a pasta apressadamente, quase trêmula. – Você estava certa: é uma ótima história! O tal Obito Uchiha foi oficialmente deserdado da Uchiha, sabia? – Ela não conseguia ouvir direito. – Eu conversei com alguns estagiários da advocacia que cuida dos negócios da família... – Kasumi assentiu, apenas para que ela prosseguisse. – Então. Ele foi deserdado na mesma época em que se casou... – Ela se esgueirou pela mesa, e puxou um dos documentos do meio da papelada. – Rin Nohara. – Leu o nome. – Eles eram muito novos, e as testemunhas não eram de suas famílias... Então acho que fugiram. – A possibilidade paralisou qualquer ação da Aihara. Tenten suspirou, sonhadora. – Parece romântico, não? – A outra anuiu com lentidão. – Foi isso o que eu pensei, mas... – Ela fez uma careta de decepção antes de se sentar. – Eu pesquisei sobre essa tal Nohara... Parece que ela teve um filho enquanto menor de idade, e deu para a adoção. – Kasumi sentiu o estômago revirar. – Terrível, não? – A outra não pôde respondê-la. – Mas muito estranho... – A mais jovem fez uma careta. – Por que eles teriam um filho, dariam à adoção e só depois casariam? – Demorou quase dois minutos para que Kasumi se recompusesse. Ela ofereceu à subordinada um sorriso fraco.

– Quem sabe? Pessoas ricas são loucas. – Levantou-se, cambaleou e foi acudida pela colega.

– Você está bem?! – Tenten questionou com sincera preocupação. A resposta da Aihara foi um assentir fraco.

– Bom... Vamos ver se dá pra publicar essa semana. – O rosto da outra se iluminou, ansioso. – Mas agora, eu vou para um hospital. – Ela puxou a bolsa, as chaves do carro e seguiu, com a ajuda de Tenten, para fora da sala. – Aonde mesmo que aquela sua subordinada estava trabalhando?

~

Sakura se jogou, exausta, sobre o pequeno sofá que ficava na ala de descanso do hospital.

Era realmente muito bom trabalhar, especialmente com algo que ela amava fazer... Mas a vida de residente não era nada fácil. Especialmente quando se era supervisionado por Tsunade Senju!

A doutora Senju era, sem sombra de dúvidas, uma mulher genial. Genial, admirável e esplêndida! Sakura não conseguia compreender como ela não havia conseguido ganhar as malditas eleições. – Talvez por apostar tanto...? – Especulou sozinha, estreitando as sobrancelhas enquanto pensava. – Bom, não importa. – Ela se sentou, abriu a gelatina que ganhara de um dos frescos pacientes e alimentou-se.

Sakura realmente gostava das comidas de hospital! Especialmente as gelatinas. Exatamente porque não tinham gosto de nada.

Ela estava se aproveitando do seu curtíssimo momento de descanso quando sentiu o celular vibrar dentro do jaleco branco e impecável.

Sak puxou o aparelho com pouca dificuldade, e surpreendeu-se quando Itachi Uchiha se identificou do outro lado da linha. Tanto, que chegou a engasgar. – Então, Sakura-san! Eu estava pensando... Será que você não pode aceitar um emprego de meio período na casa de um conhecido?

– Emprego de meio período?

– Alguém que conheço quebrou a perna, e precisa de uma enfermeira. Eu estou procurando alguém confiável... E o pagamento é muito bom. – Sakura havia prometido a si mesma que não arranjaria mais trabalhos de meio período, mas quando fez essa promessa, não tinha imaginado que uma oportunidade de trabalhar como estudante de medicina fosse aparecer.

– “Muito bom” quanto? – Itachi gargalhou.

– Gente rica, Haruno. Gente rica. Não se preocupe. Quando digo “muito bom”, quero dizer “muito bom”. – Ela enrubesceu.

– E... Como funcionariam esses horários? – Questionou incerta.

– Logicamente, no seu tempo de folga. Não queremos atrapalhar a sua residência. – Ela se perguntou como ele podia saber daquilo, mas então se lembrou de Tsunade, e das relações entre Senju e Uchiha. – Por enquanto, a maior necessidade é a supervisão. O meu tio é muito independente, mas também é muito agitado... Só vai repousar se alguém com conhecimento dizer que deve. Claro, posteriormente teremos a fisioterapia. – Ela assentiu lentamente. – Mas posso apostar que dá conta.

– Eu... Vou pensar...

– Faça isso! – Ele exclamou animado. – Ele também tem uma esposa, então não precisa se preocupar com assédio. – Sakura enrubesceu. – Mande seu e-mail para este número e eu vou mandar-lhe as informações que precisa para a decisão. – Sak concordou, e após uma despedida curta, desligou a ligação.

Ela suspirou longamente, cansada, e tornou a deitar no sofá. Apenas para levantar-se de novo, quando Tsunade adentrou no lugar com uma companhia realmente surpreendente.

A senhorita Aihara cruzou os braços, sorridente. – Mas quem diria, hein? Você realmente deu conta de tudo, menina do campo. – A rosada sentiu-se verdadeiramente constrangida com aquele olhar de orgulho. Ajeitou os cabelos, timidamente, e levantou-se para cumprimentar a antiga chefa.

– Sei que está no seu horário de folga, mas Kasumi é importante para alguém importante. – Tsunade sorriu sugestivamente para a jornalista, que preferiu ignorar. – E como são amigas...

– Tudo bem, eu posso dar uma olhada nela. – Sakura tentou transparecer casualidade, mas estava visivelmente ansiosa com sua primeira consulta a sós. Tsu pareceu perceber isso, pois deu uma risadinha, despediu-se das jovens e deixou-as.

Kasumi e Sakura conversaram por alguns curtos minutos, antes do interrogatório médico começar.

Haviam se passado quase cinco minutos quando a Haruno começou a hesitar, e a fazer perguntas muito estranhas do ponto de vista da Aihara. – Enjoos... Há semanas? – Kasumi anuiu.

– Eu ando bebendo muito. – Ela confessou, mas Sakura não pareceu se apegar àquele detalhe.

– Como anda seu período? – A morena arqueou as sobrancelhas, confusa.

– Eu não sei... Não sou de contar. – E deu os ombros. – Mas eu ando muito estressada, então deve estar atrasado.

– Aihara-san, já pensou em fazer um teste de gravidez? – Só a ideia fê-la gargalhar. E foi uma risada tão alta que chegou a constranger – e ofender – a pobre estudante.

– Por Deus! Eu não estou grávida! – Ela ainda ria. – Só ando bebendo demais. Eu vim aqui procurar um calmante, algo assim...

– O natural, senhorita Aihara, é adquirir resistência ao álcool, quanto mais você bebe... – Sak suspirou. – Além disso, você diz que sente os sintomas há mais de um mês. Por acaso usa anticoncepcionais? – Ela hesitou.

–... Às vezes...

– “Às vezes” não torna a possibilidade absurda... E eu não posso receitar nenhum calmante, enquanto não fizer os exames. – Ela se levantou. – Podemos fazer um exame de sangue, se preferir. É rápido, e o resultado fica pronto em poucas horas... Eu posso ligar no escritório e te dizer. – Kasumi hesitou muito antes de anuir e se levantar.

– Mas se não for isso, coisa que eu tenho quase certeza, você vai me receitar um belo sossega leão. – Sak riu.

– Como quiser.

~

Quando Sasuke adentrou, sem ser anunciado, no escritório do melhor amigo, não se surpreendeu em nada ao vê-lo com as fuças na tela do computador. Estava tão absorto no trabalho que sequer pôde notá-lo.

Embora Naruto fosse realmente esforçado em absolutamente tudo que fazia, ele estava fora do normal nos últimos tempos.

Havia abdicado às festas, às boates e tudo o que estava habituado a viver; o trabalho começava ser uma constante em seus dias. – Minato-san deve achar estar no céu. – Sasuke comentou ao se aproximar da mesa, chamando a atenção do outro.

– Oh! Sasuke! – Naruto levantou-se e eles se cumprimentaram com um aperto de mãos. – Veio para a reunião? – O Uchiha arqueou a sobrancelha.

– Naruto Uzumaki, informado sobre reuniões... – Ele suspirou com nostalgia forçada. – Lembro-me da época em que se esquecia de renovar a carteira de motorista.

– Não é engraçado, Sasuke. Eu quase fui preso. – O loiro deu a volta na mesa, puxou uma pasta e entregou ao amigo. – Meu pai teve que sair para resolver supostos problemas, então a reunião vai ser entre nós... – Sasuke riu.

– Ele quer mesmo que você pegue as rédeas da companhia, não é? – Naruto estreitou os lábios e deu os ombros; sentou-se numa cadeira e fez menção para o colega fazer o mesmo.

– Você sabe que a Hinata vai estar presente? – O Uzumaki hesitou um pouco antes de negar.

– Ela está me evitando... – Suspirou longamente. – Inventou um compromisso urgente quando soube que eu representaria a empresa.

– Sinto muito... – O Uzumaki deu os ombros.

– Não sente. – Ele sorriu tristonho. – Você mesmo disse que eu mereço sofrer.

– E merece. – Sasuke confessou. – Mas isso não quer dizer que a Hinata mereça sofrer, e eu sei que ela está tão mal quanto você. – Os olhos azuis do amigo reviraram.

– Os noticiários dizem o contrário. – Ele levantou-se, foi até uma maleta que descansava sobre o sofá, puxou uma revista e jogou na direção do moreno. – Menma me entregou isso. – Sasuke fez uma careta ao ler a exuberante manchete que anunciava o relacionamento da amiga com o tal Kiba Inuzuka. – Ela está furiosa comigo.

– É claro que está. Todos esperavam uma iniciativa da sua parte.

– Eu tentei! – Exclamou em sua defesa.

– Tentou, mas agora tudo o que faz é deixá-la fugir. E, sabe, ela vai continuar fugindo até não poder mais. – Por algum motivo, Sasuke sentiu-se incomodado com as suas próprias palavras.

– Ultimamente aquele Kiba vem ficado ao lado dela como um cachorro no pé do dono... – E sorriu debochado. – Não duvido que lata quando eu chegar perto dela. – O amigo retribuiu ao sorriso.

– Pois eu acho que vocês dois são até bem parecidos em personalidade... Estranho, porque sempre pensei que o interesse da Hina por você dava-se pelos olhos azuis, sabe? A beleza estrangeira. – Por algum motivo outro par de olhos claros veio à sua mente.

Eles eram luminosos e brilhantes. Ansiosos, irritáveis... – Eu não aguento mais ficar longe dela. – A voz de Naruto soou como a voz de sua própria consciência. – Eu quero ficar ao lado dela... – Ele suspirou longamente. – Sinto ódio, só de pensar que aquele maldito dorme com o meu anjo.

– Ela não é um anjo. – O senhor Uchiha esforçou-se ao máximo para focar-se na situação do amigo, e não na lembrança dos luminosos olhos verdes de Sakura. – Ela é uma mulher, com necessidades... – E focou os orbes negros no rosto do Uzumaki. – Sua irmã e minha prima estão organizando um jantar pequeno... Acho que vai ser no sábado à noite, para comemorar o primeiro show da Hina. Pode vir comigo, se quiser. – Naruto não pôde responder. – Pare de ser covarde. Se você sabe quais são os seus sentimentos, vá atrás dela. Insista, insista... Até ela cansar de fugir... – Sentiu-se medíocre. Mais que isso, sentiu-se um hipócrita.

Porque ele estava fazendo exatamente o mesmo que o amigo.

~

Tenten era uma boa supervisora, mas uma redatora ainda melhor.

Como uma boa jornalista, não conseguia sentir-se calma, quando tinha uma boa história em mãos, e sua ansiedade tornou-se ainda pior ao receber um e-mail da chefa. O mal estar da senhorita Aihara evoluíra para algum tipo de virose, e ela passaria o resto da semana em casa.

“Espero que faça um bom trabalho”, sua mensagem dizia. “Confio plenamente no seu talento, portanto cuide do jornal no meu lugar”.

E dessas palavras, a felicidade de Tenten nascera. Não pelo fato de ser elogiada, porque Kasumi sempre elogiava, quando queria que as pessoas trabalhassem direito, mas pela oportunidade. – Se ela confia tanto em mim... – E com um sorriso extremamente animado puxou da gaveta as cópias da pesquisa que antes entregara à superiora. – Acho que não vai se incomodar se eu escrever a matéria.

~

Não eram nem sete horas da manhã, mas Sakura já estava sentada na frente de seu computador, vestida para o trabalho, com uma xícara fumegante de café deliciosamente açucarado em mãos, enquanto lia atentamente o e-mail de Itachi Uchiha.

De fato, as condições do trabalho eram muito boas. O cliente em questão tratava-se de Obito Uchiha, tio de Sasuke. Ele era velho o suficiente para ela não se sentir constrangida, e segundo palavras do próprio Itachi, era profundamente apaixonado pela esposa.

O salário, de fato, era agradabilíssimo, tanto que ela sequer cogitaria a possibilidade de negar a oportunidade, não fosse um detalhe crucial: Sasuke.

Eles já estavam longe um do outro a tempo suficiente para ela esquecê-lo, mas até então nada tinha acontecido. O senhor Uchiha era dono de seus sonhos, e de grande parte de seus pensamentos.

Mesmo com a cara enfiada no trabalho e nos estudos, era difícil não achar tempo para não pensar nele. – Talvez mais trabalho... – E então o som da campainha soou.

Ela olhou no relógio de pulso, e surpreendeu-se ao confirmar que ainda faltavam dois minutos para às sete da manhã.

Sakura se levantou apressada, pois não queria acordar os Yamanaka. E sem antes chegar o olho mágico, abriu a porta.

Seu coração acelerou instantaneamente, ao vê-lo ali parado, ofegando como se tivesse corrido escadas acima, olhando-a com timidez. – Sasuke-kun?! – Ela exclamou, surpresa e envergonhada. Ele parecia atordoado.

– Desculpe... – Falou lentamente. – É que... – Ele suspirou. – É que ontem eu falei com Naruto... – Sakura estreitou as sobrancelhas, confusa. – E não consegui dormir... – Ele alisou seus cabelos, exasperado. – Não consegui dormir, pensando nos meus próprios conselhos... – E riu sem humor. Quando ergueu os olhos negros para fitar as adoráveis esmeraldas brilhantes da Haruno, pensou que era um grande idiota. – Você não está entendendo nada, não é? – Ela anuiu, sincera, e ele estreitou os lábios.

Olhou para os cantos, procurando as palavras certas, mas seus sentimentos não podiam ser expressos por simples palavras, então ele simplesmente se aproximou, segurou seu rosto com ambas as suas mãos; puxou-a possessivamente e selou seus lábios com necessidade palpável. Sakura, é claro, não se sentiu capaz de recuar.

~

Fazia muito tempo desde a última vez em que Kasumi havia estacionado seu carro no prédio de Itachi, mas o porteiro não a questionou, e assim que se identificou, permitiu sua entrada.

Ela deixou o automóvel na mesma vaga de sempre: ao lado do carro do advogado. Sentia o estômago revirar.

Com o espelho retrovisor, ajeitou a maquiagem, a franja reta pela chapinha e com os dedos, delineou os cachos feitos com o babyliss.

Respirou fundo, colocou os sapatos salto onze, alisou o vestido justo e desceu desajeitadamente.

Ela fazia muito esforço para relembrar o texto que havia redigido de manhã, pensando em como explicar a situação atual para o amado, enquanto seguia para o elevador. Tocou no botão do andar quatorze e esperou... Esperou... E esperou mais um pouco. E quanto mais pensava nisso, mais demorava.

Não levou nem três minutos até que ela alcançasse o andar do senhor Uchiha, mas sua sensação era de uma década. Ela saiu trêmula do elevador; parou em frente à porta, tensa. Baforou na mão para checar o cheiro de hortelã do hálito e bateu na madeira escura, com lentidão e hesitação.

Mas não foi Itachi quem a recebeu.

Nem Itachi, nem nenhum Uchiha.

Na verdade, não era ninguém que Kasumi conhecesse.

Era uma mulher alta, morena, bonita e quente. Como se não bastasse todos os atributos, vestia uma das camisas de Itachi – e apenas isso. Por um segundo, a Aihara perdeu toda a consciência do que estava fazendo ali.

A vadia sorriu gentilmente, ajeitou-se no portal da porta e questionou com naturalidade: — Posso ajudar?

Notas finais
Semana passada eu fiz uma conta na animespirit, mas fiquei um pouco decepcionada... Não sei se é dos leitores de lá, mas vocês são muito mais tagarelas do que eles! XD Eu tive consideráveis visualizações, mas pouquíssimos comentários. Isso me deixou triste. D: Eu gosto do contato com os leitores! sz~ Por isso me magoa não ter oportunidade de responder todos os coments... x.x Sou muito grata à todos vocês, leitores lindos, que comentam e recomendam a história! São incríveis, e sou muito grata por tê-los! Até mais ver! sz~