50 Tons De Uchiha

20 Inconsequências e seus Resultados.


Notas iniciais
Eu devo mil e uma desculpas aos leitores de 50tons. Sinto muitíssimo pelo meu sumiço, gente... :/ Vocês sabem que eu não sou de fazer isso. Detesto ficar sem postar por mais de duas semanas, mas foi inevitável. No começo de dezembro, meu namorado veio pra SP. Ele mora no RJ, então nós não ficamos muito tempo juntos... E eu acabei dando lhe dando muita atenção. ;-; Depois, dia 24, nós viajamos juntos pro RJ. Rodrigo, Naruto Storm 3 e The Sims não me permitiram tempo pra escrever absolutamente NADA... D: Eu voltei na segunda, e tinha metade desse capítulo pronto, e metade do de The King pronto. Usei terça-feira pra descansar, terça pra escrever TK (porque eu tava pensando em mudar algumas coisas nesse cap...), e ontem usei o dia pra postar TK e escrever 50tonsU. No fim, eu mudei quase tudo desse capítulo... @_@ Sei que pisei na bola, mas espero que me perdoem. Eu me esforcei pra trazer um capítulo caprichado pra vocês, e espero que pensam que valeu a pena a espera. ;-; Agradeço muitíssimo à todos os que comentaram, e também aos que foram me procurar por MP. Muito obrigada às recomendações, e às visualizações (estamos com 2.611, YEY!). Graças à vocês, sinto-me muito orgulhosa das minhas histórias, e confiante na minha escrita! ç-ç Bem, por agora vou deixá-los ler! Gostei bastante do capítulo, e espero que vocês gostem também! Boa leitura, pedacinhos de açúcar da tia Candy!

Capítulo 20 – Inconsequências e seus Resultados.

Hanabi Hyuuga era de longe a pessoa mais agitada dentre todos os seus parentes, fossem eles Uchiha, ou Hyuuga.

Era inteligente, bonita e extremamente geniosa. Desde menina, era uma criaturinha muito animada, então não era lá tão surpreendente que tivesse organizado uma festa para comemorar a estreia da irmã, que estava tão próxima.

Ela adorava Hinata, e Hinata a adorava.

Mas embora Hanabi fosse agitada, animada e adorada pelo pai, nem ela conseguia fazer com que uma festa grande acontecesse na mansão Hyuuga, depois da confusão no aniversário da irmã mais velha. Pelo menos não enquanto os pais estavam descansando em casa. Então, a comemoração de Hinata baseou-se em uma pequena reunião com amigos íntimos, doces e filmes de época.

Menma Uzumaki, a melhor amiga de Hanabi e presença constante na vida da família Hyuuga, mal podia disfarçar o desagrado ao ver Hinata sentada ao lado de seu pegajoso namorado. A jovenzinha não conseguia entender o porquê de a melhor amiga estar sendo tão gentil com aquele intruso, quando na verdade também torcia para que Naruto e Hinata se acertassem. Se seus olhos fossem laser, não sobraria nada de Hanabi. – Menma-chan, não gosta de filmes desse tipo? – Kiba questionou-a casualmente, mas a Uzumaki limitou-se a sorrir falsamente em resposta, e saber que era um sorriso falso o fez sorrir.

Hanabi quase podia sentir a aura de irritação da amiga, então se apressou em arranjar um assunto qualquer. – Uma coisa que eu não entendo é o porquê de os mocinhos dos filmes americanos antigos fazerem os vilões tão idiotas, especialmente em cenas de perseguição. – Os olhos azuis da Uzumaki reviraram.

– Que ridículo... – Ela murmurou para si mesma, pois estava ciente do fato de a amiga estar tentando contornar a situação.

– Ah, então você acha esse tipo de coisa ridícula? Acho que realmente não gosta de filmes antigos... – Kiba tornou a importuná-la. Menma o olhou de soslaio como se estivesse a ponto de matá-lo, tamanha irritação.

– Na verdade, minha irmã adora filmes antigos. – A voz de Naruto soou repentinamente, tomando a atenção de todos os presentes na sala. Ele sorriu para a irmã como se quisesse encorajá-la, e depois fitou Kiba calmamente. – Ficaria chocado se entrasse no quarto dela. Cheio de pôsteres de faroeste... – Ele balançou a cabeça como se lamentasse. – Ela é uma fanática por esse tipo de coisa. – Menma riu, levantou-se e cumprimentou o irmão mais velho com um abraço.

– Naruto-nii, você está atrasado. – Hanabi também se levantou. – Por isso começamos sem você. – Naruto deu os ombros.

– Sasuke foi buscar... – Ele estreitou as sobrancelhas, um pouco divertido. – Uma surpresa. – A Hyuuga estreitou os olhos, desconfiada.

– E onde ele está? – Naruto deu os ombros. – Cumprimentando sua mãe. – Explicou simplesmente, e finalmente conseguiu reunir coragem para encarar os olhos da Hyuuga mais velha.

Hinata também olhava em sua direção, séria como nunca. Ele sorriu, aproximou-se dela e esticou uma caixa de bombons que havia comprado no hospital, enquanto Sasuke buscava Sakura.

Ela levou um longo minuto até pegar o presente. – Obrigada. – Ele deu os ombros, e se sentou ao lado dela enquanto a observava abrir a caixa.

Hinata fez uma careta ao enxergar os bombons arredondados. – São de licor. – O loiro lhe informou com ar divertido. Hinata estreitou os olhos, mas não conseguiu conter um sorriso divertido.

– Você não devia ter feito isso. – Naruto deu os ombros.

– Já que você vai se tornar uma moderninha, tem que começar a agir como uma moderninha. – Kiba se acomodou ao lado da namorada, incomodado com o fato de não entender nada daquilo.

– Ora, Naruto! Sabe que a Hinata é fraca para álcool, não devia ter dado isso. – A voz de Suzuki Hyuuga soou; ela havia adentrado na sala de vídeo seguida por Sakura e Sasuke, mas nem a surpreendente companhia do primo foi o bastante para quebrar o contato visual com o Uzumaki.

Fazia muito tempo que eles não riam um para o outro. – Eu sempre achei Hinata bastante resistente. – Kiba comentou, mas não sabia realmente.

Sasuke riu, só com a ideia de Hinata Hyuuga ser resistente a álcool. – Hinata ganhou seu primeiro porre no White Day, enquanto estávamos no colégio. Naruto lhe deu alguns bombons de licor, e ela simplesmente ficou louca. – O moreno explicou.

– Louca? – Naruto gargalhou; ainda não tinha deixado de olhar para os olhos da Hyuuga. – Ela começou a cantar no meio da aula! – Enquanto se lembrava, gesticulava de maneira engraçada. Sasuke riu com a memória. – E mesmo que ela tenha ficado bêbada, — ele estreitou os olhos como se a culpasse. – adivinha quem levou a suspensão?

– Você não devia ter me dado isso desde o começo. – Ela deu os ombros.

– Naruto sempre foi uma péssima influência... – Sasuke balançou a cabeça como se lamentasse, e Sakura riu.

– Oh, é verdade! Veja só, Hinata! – Suzuki empurrou o casal na direção da filha. – Veja só quem chegou acompanhado. – Ela deu um olhar sugestivo à Sasuke, que coçou a nuca e desviou o olhar.

– Oh, Sakura-san! – Hinata se levantou imediatamente. – Como vai? – Elas se cumprimentaram com educadas mesuras.

– Estou bem... – Ela puxou da bolsa uma caixa de chocolates, também comprada no hospital. – Parabéns por começar uma nova carreira. – A morena sorriu-lhe.

– Obrigada. – Pegou os chocolates. – Mas acho que vou ficar gorda, se comer tantos chocolates... – E sentiu-se paralisar, quando Naruto se pôs ao seu lado.

– Isso não deve ser problema... – Ele explicou calmamente, e esbarrou propositalmente o braço no dela. – Você sabe, eu sou um amante de chocolates... – Kiba bufou, pasmo com tamanha cara de pau.

Levantou-se irritadiço e puxou a namorada pela cintura. – Acredito que ela não precise mais dos amigos para dividir os chocolates que ganha, Uzumaki. – Sorriu falsamente para o loiro, que adorou ver fúria em seus olhos.

– Talvez ela queira? – Os olhos castanhos do Inuzuka se cerraram, mas a tensão foi dissipada pela doce risada da mãe de Hinata.

– Ora, que doçura! – Suzuki exclamou. – Dois belos rapazes competindo pela atenção de minha filha... – Ela suspirou, e tornou a olhar para a namorada do sobrinho. – Sakura-san, sinta-se em casa. E você, Sasuke. – Encarou o Uchiha. – Comporte-se. – O rapaz riu, mas anuiu. – Eu vou estar lá em cima, se precisarem de mim. – Ela acenou para os mais jovens e se retirou.

– Vocês estão mesmo juntos? – Hina quis saber, realmente curiosa. Sakura sentiu o rosto queimar ao vê-lo assentir. – Eu sabia que a Sakura-san dobraria você. – Ela murmurou ao primo, zombeteira, e Sasuke deu os ombros. Hinata sabia que, embora estivesse quieto, ele estava satisfeito, e isso a deixou extremamente contente. – Fico feliz por vocês. – Foi sincera.

– Obrigada... – Ela ajeitou as madeixas róseas, constrangida.

– Ficamos felizes por suas congratulações, prima. Mas essa comemoração é sua, não nossa. Aqui está o seu presente. – Ele esticou um saco grande e pesado, que Naruto recebeu.

– O que é isso? – Ela questionou curiosa, e sem preocupações aproximou-se do loiro para verificar. Os olhos perolados se estreitaram, e ela lançou um olhar divertido ao primo, antes de puxar uma das garrafas de uísque de dentro do saco. – Ei, ei... Isso é uma reunião de amigos. Não devíamos nos embebedar.

– Ah, vamos lá, Hinata! – Sasuke também se aproximou, puxou as garrafas do amigo e colocou-as sobre a mesa de centro. – Só pra descontrair... Se não quiser nada pesado, eu também trouxe cervejas. – Ele ergueu uma latinha, que Menma se apressou em pegar.

– Sasuke-nii está certo. – A Uzumaki afirmou. – Acho que algumas pessoas aqui precisam muito de uma bebida... – E com um sorriso maldoso, jogou a latinha para o Inuzuka.

Hinata sentiu-se constrangida, mas Naruto pareceu divertir-se com a implicância da irmã. – De fato. – O loiro concordou; puxou uma das garrafas de uísque que estava sobre a mesa, abriu-a sem cerimônias, e ninguém mais resistiu.

Em menos de uma hora e meia, toda a bebida já tinha acabado. O bar do senhor Hyuuga havia sido assaltado, e todos já tinham bebido pelo menos quatro copos de alguma coisa. Mesmo as duas mais jovens se deixaram levar, e em pouco tempo estavam desmaiadas no sofá, escoradas uma na outra.

A noite havia se baseado em bebida, risadas, piadas, farpas trocadas, comentários estúpidos sobre filmes antigos trazidos por Menma, mas nada disso acordou as belas adormecidas.

Eram três horas da manhã quando Hinata despertou em seu sofá; ela estava dormindo no ombro de Sakura, que estava dormindo aconchegada à Sasuke, que parecia estar dormindo sentado.

Ela se levantou sonolenta, observou os convidados e se espantou com a ausência de Naruto. Ele foi quem mais tinha bebido, afinal de contas! Deveria estar em coma alcoólico a essa altura.

Imaginou onde ele poderia estar, e teve sua resposta quando o loiro adentrou a sala de vídeo com duas mantas.

Eles se entreolharam, trocaram sorrisos tímidos, mas nada disseram. Naruto foi até Hanabi e Menma, e encobriu-as com uma das mantas cuidadosamente, como se temesse despertá-las. – Onde você pegou isso? – Naruto sabia que ela estava perguntando por perguntar, apenas para puxar assunto, e isso o deixou satisfeito.

– No quarto de hóspedes. – Explicou. – Não devo entrar no seu quarto tão cedo... – E estreitou as sobrancelhas como se só a ideia o desagradasse.

Hinata sabia que aquele desagrado se dava a ultima vez em que estiveram juntos naquele lugar, mas não fazia ideia de como responder à insinuação, então se manteve calada. Naruto sorriu tristonho ao vê-la em silêncio; ele aproximou-se da amada em passos calmos, esticou a manta lilás e encobriu os ombros dela. – Aqui... – Encobriu a cabeça dela. – Assim você vai ficar aquecida. – E sorriu-lhe.

–... Por que você está aqui? – Hina questionou depois de muito hesitar, e ergueu os olhos perolados para fitar os azuis. – Você nem quer que eu seja cantora.

– Não quero mesmo. – Naruto anuiu, pois aquela era uma verdade inegável. – Eu definitivamente não quero que você suba em um palco para se exibir, definitivamente não quero que você cante e muito menos quero que cante ao lado dele. – Com a cabeça, apontou para o Inuzuka. – Aliás, como você consegue dormir com esse cara? Ele ronca muito. – Fez uma careta. – Acabei acordando por culpa dele. – Hinata estreitou os lábios, deixando claro que a mudança de assunto não adiantaria.

– Você não devia supostamente me apoiar? Apoiar a sua melhor amiga a seguir em frente? – Ele riu.

– “Seguir em frente”? Hinata, ou você está fazendo isso para chamar minha atenção, ou para me esquecer.

– Claro, porque tudo na minha vida se baseia a você. – A ironia dela o calou.

Hina levou cerca de dois minutos para rir, sem humor, virar as costas e sair da sala de vídeo, mas Naruto levou cerca de meio minuto para decidir segui-la.

Sasuke suspirou alto; abriu os olhos e balançou a cabeça como se lamentasse a situação dos amigos. – Teimosos e idiotas. – Disse para si mesmo.

– Você está preocupado? – A voz de Sakura chamou-lhe a atenção, e ele sorriu ao vê-la sonolenta, se acomodando em seus braços com os olhos de sono entreabertos.

– Um pouco. – Ele confessou. – Naruto sempre consegue fazer algo para estragar sua situação com a Hinata. – Os olhos verdes se estreitaram, divertidos.

– Lembra-me alguém... – Ela cantarolou, e ele riu.

– Eu não fiz nada para estragar as coisas com...

– Você dormiu com minha melhor amiga. – Ela lembrou-o antes mesmo de ele terminar a frase. – Duas vezes, uma delas só para me provocar.

– Ok. Devo admitir que essa não foi uma ideia muito inteligente... – A expressão de Sakura dizia “longe disso”, e o fez rir. – Mas agora eu fui muito inteligente, não acha? – Ele envolveu sua cintura, puxou-a para mais perto e beijou suas faces.

– Do que está falando? Como a Hinata-san disse, eu te dobrei. – Sakura se esticou para roubar um beijo do namorado, que retribuiu de muito bom grado.

– Me dobrar? Sabe, eu posso estar fingindo namorá-la só para dormirmos juntos. – Ela estreitou os olhos. – É o que os antagonistas pervertidos fazem nos livros, não é? – Sakura riu.

– Sim, você pode fazer isso. – Ela concordou. – Mas não vai. – Garantiu, dando de ombros. – Você não é tão mau quanto tenta parecer e, ainda que fosse, o seu orgulho não permitiria que fizesse algo assim. – Ele sorriu. – A conquista é uma arte pra você, não? – Ela riu ao vê-lo anuir.

Sasuke se aproximou mais, puxou-a para seu colo e beijou-lhe o rosto. – Parece que me conhece um bocado, senhorita Haruno... – Murmurou contra o rosto dela, que deu os ombros e se acomodou.

– Acho que bebemos demais para esse tipo de coisa, Sasuke-kun... – Ela murmurou em um suspiro, e o Uchiha exalou longamente.

– Você tem muita sorte, Sakura... – Ele arranhou a parte inferior da panturrilha da moça, que estremeceu. – Muita sorte por eu ter trauma de garotas virgens no sofá. – Se ela estivesse um pouco mais consciente, provavelmente perguntaria o porquê daquilo, mas ela também havia bebido um pouco, o suficiente para ignorar a confissão do namorado.

Como uma boa garota, ela se encolheu nos braços dele, que a envolveu carinhosamente; eles trocaram uma ou duas dúzias de beijos, e em pouco tempo estavam dormindo.

...

Hinata entrou na biblioteca da casa sem se importar em não fazer barulho.

Ela estava irritada, perturbada. Tanto, que nem notou a presença do amado, que a alcançou rapidamente. – Hinata... – Ele a abraçou por trás, e arrependeu-se instantaneamente por tê-la dado aquele cobertor.

Hina se encolheu embaixo do manto. -... Você quer saber a verdade? O verdadeiro motivo de eu não querer vê-la em cima de um palco? – Ela não lhe respondeu, mas ele achou que deveria prosseguir.

Apertou seu abraço, nervoso e ansioso. – Quando eu a ouvi cantar, pela primeira vez... – Ele cerrou os olhos com a lembrança. – Você estava envergonhada, mas mesmo assim... Parecia iluminada, parecia feliz. – Ela ainda manteve silêncio. – Quando eu te vi no palco, aquele dia... Você não parecia você mesma. Era outra garota... Uma mulher completamente diferente. Confiante, forte, decidida...

– E eu ser assim é tão irritante, pra você?! – A Hyuuga questionou de repente, visivelmente irritada.

–... Não é irritante. Mas é... Assustador. – Naruto confessou, e as palavras dele fizeram-na – mesmo com hesitação – olhá-lo de soslaio. O Uzumaki fez questão de olhar diretamente nos olhos dela. – Quando você está cantando no palco... Você brilha. Brilha mais do que qualquer coisa, como um sol, como uma lua... E então, se torna inalcançável. – Ela sentiu seus olhos queimarem. Cerrou os punhos, esquivou-se e virou-se para ficar frente a frente com o rapaz.

– Brilhar? Sol... Inalcançável... – Ela sentiu a lágrima quente descer por seu rosto, e fungou. – Não sei se acho isso de engraçado ou irônico. – Ela riu, e limpou o rosto com as costas da mão esquerda. – Pra mim... – Olhou para o chão. – Para mim, você sempre foi um sol. – Olhou-o de soslaio. – Para mim, você sempre foi inalcançável. Era como se você fosse o sol, todo poderoso, e eu não passasse de uma humana pequena e invisível.

– Hinata, você nunca foi invisível... – Ele tentou se aproximar, mas parou quando a viu recuar.

– Eu realmente me sinto bem, quando estou no palco... Sinto-me feliz, orgulhosa de mim mesma... – Os olhos de pérola se cerraram. – Eu fico feliz. – Naruto estreitou os lábios. – Então... Por favor, pelo menos uma vez... Mesmo que seja uma experiência, deixe que eu brilhe. Fique feliz por isso... Torça por mim. – Ele não a respondeu, mas ela não estava de fato esperando uma resposta.

Então se aproximou. – Fique com isso. – Ela entregou o manto. – Pode dormir no quarto de hóspedes... – Ela fungou mais uma vez, mas conseguiu segurar as lágrimas. – Boa noite. – Murmurou antes de seguir para a porta.

– Não vá... – Ele pediu em voz baixa, antes que ela pudesse sair. Naruto a olhou de soslaio, e percebeu que tremia. – Está com medo da minha resposta... – Concluiu só de vê-la. – Está com medo de eu ignorar seus sentimentos. – Ela o olhou de canto, e enrubesceu ao ver que o empresário se aproximava.

Tentou recuar, mas tropeou em seus próprios pés e acabou rendida em um dos livreiros. – Você acha que eu sou egoísta? Que eu não quero que você brilhe? Que eu não quero que você viva?! – Ele estava irritado, muito irritado, e só então ela pôde perceber. – Você sequer ouviu o que eu acabo de te dizer?! Minha resistência existe porque... – Ele cerrou os olhos. – Porque... – Franziu os lábios. – Eu sei que você vai brilhar. Eu sei que você vai ser a melhor, independente do que quiser fazer... Você sempre é a melhor. – Encostou a testa na dela, e ambos fecharam os olhos. – Eu não quero que você cante porque temo que me esqueça... – Ele confessou num sussurro. – Eu quero que você brilhe... – Alisou suas faces. – Mas não quero que os outros a vejam brilhar... – E roubou um beijo.

Um beijo longo, molhado, carinhoso e necessitado, que fez Hinata se apavorar.

Quando eles se separaram, ela tremia; tentou empurrá-lo, mas foi inútil. – Por favor, pare de fazer essas coisas... – Ela implorou.

– Eu não quero parar... – Ele alisou as madeixas azuladas. – Eu quero fazer isso para sempre... – Deslizou os lábios pelo rosto dela, e trilhou beijos até seus lábios. – O Sasuke tem razão... Eu tenho que parar de fugir... – Beijou-a levemente. – Nós dois temos... – Ela suspirou.

– Eu não estou fugindo, Naruto... – Murmurou. – Estou seguindo em frente. – Aquilo o fez paralisar. – Cansei de esperar por você... – Ele recuou. – Cansei de ver você fugir. – Os olhos azuis se ergueram, e ele pode ver que ela estava séria. -... Demorou muito, sabe? – Ela forçou um sorriso. – Demorou muito para você perceber...

– Nunca é tarde.

– É sim. – Ela assentiu freneticamente. – Estou com Kiba agora, e por isso, não importa quantas vezes você me beije... Eu não vou deixá-lo por isso. – Naruto imaginou que doeria menos se ela o tivesse espancado.

Hinata hesitou um pouco, mas enfim tomou coragem para se desvencilhar do Uzumaki, que desta vez não mostrou resistência, e foi até a porta. – Desculpe por isso... – Murmurou antes de sair.

~

Haviam se passado duas semanas desde a reunião de comemoração à Hinata, na casa dos Hyuuga. Duas semanas que o namoro inesperado de Sakura e Sasuke havia começado, e a rosada começava a perceber que o senhor Uchiha era surpreendentemente mimado. Parecia pensar que, por ser sua namorada, Sak devia-lhe toda a atenção do mundo, e no fim das contas eles se viam todas as noites, para jantar, sair e namorar.

E embora no fundo ela realmente gostasse do fato de ele querer sua atenção... Estava exausta.

Sakura Haruno sempre foi muito esforçada em seus objetivos.

Ela gostava de ser a melhor em tudo que tentava fazer, e geralmente conseguia, de fato, ser a melhor. Ultimamente, no entanto, ela sentia-se esgotada, mas não podia ter certeza se o cansaço se dava à residência, ou à Sasuke. Afinal, além de um namorado carente, ela também tinha Tsunade.

A doutora Senju era genial, e como todo o gênio, também era um tanto neurótica. Ela parecia ter por Sak um interesse ainda maior do que pelos outros residentes, e para a rosada, mais do que fascinante, aquilo era muito cansativo.

De fato, Sakura sentia-se honrada por toda a atenção que lhe era proporcionada, mas temia que o cansaço comprometesse seu trabalho, e ela realmente odiava fazer as coisas mais feitas. – Ué? Já acordada? – Ino parou para observar a apressada amiga ajeitando os cabelos em frente ao espelho longo do corredor.

– É o seu dia com o carro, então eu vou de trem.

– Oh... De trem, é claro. – A loira deu uma risadinha suspeita; pelo espelho, Sak observou-a ir discretamente até a janela, e espiar pelas cortinas.

– Você também não acordou muito cedo? – A loira deu os ombros.

– A senhorita Aihara ainda está de licença, então tenho que ajudar a Tenten em algumas coisas. – A rosada anuiu, compreendendo. – Agora, Sak. Olha isso. – Ela tirou da bolsa um batom. – Tome, use. – Entregou à amiga. – É bem claro, você vai gostar. – A Haruno fez uma careta, mas por fim acabou por obedecê-la.

De uns dias para cá, ela havia percebido que não custava nada ficar ao menos um pouquinho mais apresentável. – Eu sabia. Ficou bem fofa. – A loira apertou suas bochechas com tanta força que as rosou.

– Ino! – Exclamou em tom severo, mas a loira simplesmente a ignorou; soltou os curtos cabelos róseos da amiga e os ajeitou. – Mas que droga...?!

– Agora sim, está bonita. – Sak revirou os olhos, mas riu. – Agora vá, antes de perder o seu trem. – A loira lhe ofereceu um sorriso maldoso antes de botá-la para fora de casa.

Sak pensou que a amiga devia estar muito animada com alguma coisa, ou então estar com muita pressa para não a oferecer carona, mas compreendeu perfeitamente as ações da Yamanaka quando, ao se virar para descer as escadas, viu o senhor Uchiha encostado no seu sedã preto, que estava estacionado em frente ao sobrado das moças.

Ele estava bocejando. Com uma mão, segurava um copo médio de café da Starbucks, e com a outra, checava o celular. Sakura sentiu seu rosto queimar, e o coração palpitar, e aquelas sensações a fizeram sorrir.

Ela desceu apressadamente, e o barulho dos sapatos fez com que ele erguesse os olhos negros e a enxergasse. Assim como ela, Sasuke sorriu. – O que você faz aqui?! – O moreno deu os ombros.

– Você já é minha namorada há duas semanas, e isso deve ser o meu novo Record. – Ele curvou a fronte como se a respeitasse pelo fato. Sak estreitou os lábios em claro desagrado, e ele riu por isso.

Deixou o copo de café sobre o capô, guardou o celular no bolso do paletó e aproximou-se. – Não nos vimos ontem à noite. – Ele ofereceu a mão para ajudá-la a descer. – Então pensei em te dar uma carona hoje. – Sak sabia que aquela mãozinha estendida era só uma desculpa para que ele pudesse tocá-la, mas ainda assim aceitou. Até porque ela também queria tocá-lo.

Ao invés de ajudá-la, Sasuke puxou-a. Com tanta força que a fez cambalear, e cair estrategicamente em seus braços. O Uchiha riu mais uma vez, e envolveu a cintura fina. – Ei, ei... Eu pensei que aproximações desse tipo eram proibidas em locais públicos. – De novo, ele deu os ombros.

– Eu já disse que faço isso mais para o seu bem do que para o meu. – Puxou-a pelo queixo. – Quer arriscar? – Questionou-a num sussurro claramente provocador, que a fez enrubescer.

Timidamente, Sak anuiu, e o viu aproximar-se vagarosamente; ela fechou os olhos, e aproveitou a sensação dos lábios dele roçando nos seus. – Como foi o seu primeiro plantão? – Ele questionou num murmúrio que a fez estremecer.

– C- Cansativo... – Sasuke sorriu ao ouvi-la gaguejar; desceu as mãos pelas costas dela até sua cintura, e puxou-a ainda mais, fazendo os corpos colarem.

– Se a Tsunade te faz trabalhar, é por que gosta de você.

– Eu sei... – Sak sorriu, e ergueu os olhos verdes até os negros. – Gosto de trabalhar com ela, não estou reclamando. – O moreno fez uma careta.

– Bem, eu poderia reclamar. Você abdica a atenção seu namorado pelo trabalho.

– Não. Eu abdico a atenção do meu namorado pelo meu sonho. – Os olhos negros reviraram.

– Ainda assim, abdica minha atenção. – Ela riu.

– Eu não sabia que era assim tão carente... – Sasuke fez uma careta.

– Mais do que pode imaginar, senhorita Haruno. Acho que se surpreenderia se soubesse o quanto eu sou carente. – A rosada estreitou as sobrancelhas. Pelo seu sorriso, parecia dizer que não duvidava daquela possibilidade.

– No fim das contas, você sempre me surpreende. Como sabia a hora que eu ia entrar hoje? – Sasuke apontou para o sobrado. – Ino? – Ele anuiu.

– Sabe, se sua amiga não fosse uma ninfomaníaca, eu ia vê-la como um tipo de santa. – Sakura riu. – É verdade. Ela me dá informações privilegiadas. – Os olhos verdes reviraram.

– Eu devia falar mais com Naruto, então. – A menção do amigo fez Sasuke se calar. –... Aconteceu alguma coisa? – Ele hesitou, sorriu e deu os ombros.

– Não, nada. – Ele tentou se aproximar para beijá-la, mas Sak recuou.

– Eu também sou amiga dele, lembra? – Ele fez uma careta. – Isso tem alguma coisa a ver com aquela festa? – Sasuke suspirou longamente. – Você não falou com ele depois daquilo?

– Eu te conto no carro. – Inconscientemente, Sasuke segurou-a pela mão. Sakura enrubesceu instantaneamente, mas foi só ao abrir a porta para que ela entrasse que o moreno percebeu que os dedos estavam entrelaçados.

Ele sentiu o rosto queimar, e o coração palpitar, e soltou-a imediatamente. Tentou parecer indiferente, cruzando os braços e fingindo observar o céu. – Entre, acho que vai chover. – Sakura obedeceu, e ele mesmo fechou a porta.

Para Sasuke, era muito estranho ter esse tipo de intimidade com alguém. Mais que isso, era estranho ficar nervoso por um simples aperto de mão, já que suas relações iam muito além disso.

Ainda assim...

Ele olhou para o punho fechado e constrangeu-se por parecer tão idiota. Balançou a cabeça para afastar aqueles pensamentos, puxou o copo de café do capô e entrou do lado do motorista.

Sakura estava olhando ansiosamente pela janela, e ele pensou que a melhor maneira de quebrar aquele clima constrangedor era falar de outra coisa. Mas antes que pudesse ter qualquer tipo de ideia, o celular vibrou no bolso.

Ele puxou o aparelho rapidamente, franziu o cenho ao identificar o número e atendeu-o, curioso. – Tio Obito?!

~

Naquela manhã, Kasumi havia despertado com seu mau humor habitual.

Como sempre, ela se levantou de maneira preguiçosa; ligou a TV em um programa qualquer, apenas para ouvir a voz de mais alguém soar pela casa; foi até a cozinha, pôs a máquina de café para funcionar e preparou torradas.

Como sempre, ela deliciou-se com a bebida quente e amarga, mas antes de morder o pedaço de pão torrado, a consciência pesou, e a fez checar a lista que a nutricionista havia lhe recomendado para uma gravidez saudável.

Ela fez uma careta ao ver quanta coisa tinha, porque não estava acostumada a comer muito no café da manhã. Havia passado a maior parte da sua vida no exterior, afinal de contas, e um café com torradas definitivamente era o seu desjejum ideal.

Mesmo que não gostasse da ideia, foi até a tigela cheia de frutas que ficava num balcão no canto da cozinha, mais para enfeite do que para qualquer coisa, pegou um bocado de frutas diferentes e jogou-as no liquidificador, decidida a tomar uma vitamina minimamente saudável depois de tomar o banho matinal.

Depois disso, ela se sentou na bancada para comer as adoradas torradas com café; quando alimentada, seguiu o banheiro, ligou a banheira e posteriormente, caminhou até o quarto; escolheu roupas quaisquer e deixou-as sobre a cama; prendeu os cabelos e despiu-se.

Foi foi até o banheiro, mergulhou o corpo na banheira e, após aconchegada, puxou o aparelho tablet que descansava sobre uma mesa de canto posta estrategicamente ao lado da banheira. – Vamos ver as notícias de hoje... – Murmurou para si mesma; abriu o navegador e em instantes, digitou o endereço do Diário de Konoha.

A última postagem havia sido publicada há quatro horas, e tinha muitas tantas visualizações que Kasumi se surpreendeu. Ela abriu o link, e paralisou antes mesmo de ler o artigo inteiro.

“Os Uchihas também amam” era o título do texto que, segundo o mesmo link, havia sido escrito por Tenten, e idealizado por ela própria.

Apavorada, ela passou os olhos pelos parágrafos, e praticamente pulou da banheira quando terminou.

Apressada, ela seguiu de volta para o quarto; abriu o armário e colocou o primeiro vestido social que havia encontrado; pôs saltos não tão altos, ajeitou os cabelos em um coque não muito elaborado. Pegou a bolsa, as chaves do carro e praticamente voou para o estacionamento.

Em menos de cinco minutos, ela estava na rua de seu escritório, com o celular nas mãos e ignorando pelo menos cinco regras do trânsito. – Você quer que eu seja processada?! – Kasumi gritou para o autofalante do telefone. Não podia acreditar que estava passando por aquela situação, não podia aceitar isso.

– Mas Kasumi, eu só fiz o que você me pediu: cuidei do jornal. – Tenten parecia bastante satisfeita com sua própria explicação, mas é claro que ela estaria. A senhorita Mitsashi não fazia ideia do quão complicada era a relação de Kasumi com aquela família maldita. – E não fique brava, eu te citei. Eu te dei os devidos créditos! – Kasumi pensou que ter seu nome naquele artigo podia piorar a situação.

– Não se trata disso, Mitsashi. Você falou o que quis, como quis, de uma família maldita que pode quebrar o Diário de Konoha em um piscar de olhos! – Ela fez uma curva violenta com o carro. Estava estática, furiosa. – Já pensou em como seria terrível todo o esforço de três anos sendo jogados fora?!

– Nós temos a liberdade de imprensa do nosso lado! – A Aihara suspirou longamente.

– Tenten, o termo “liberdade” se refere ao que você pode fazer dentro de alguns limites estipulados... E você extrapolou todos os limites! Fez acusações implícitas, suposições infantis e insinuações ofensivas! Pelo amor de Deus, já estávamos falando de um caso particular, familiar! Por acaso nós somos um jornal de colégio? Francamente, tudo o que eu li ali parecia fofoca. – A mais jovem ficou em silêncio do outro lado da linha, e Kasumi praguejou. – Francamente, Tenten... Eu pensei que a tinha treinado melhor. – Lamentou-se, e pôde ouvir a Mitsashi choramingar.

– Eu vou tirar do ar agora... – Ela murmurou.

– Só vai ser pior... – A morena bufou. – Aqueles malditos com certeza já viram, e irão acabar conosco.

– Então o que eu faço?

– Venha pro meu escritório, imediatamente. – A jornalista estacionou habilmente, com rapidez. – Agora, nesse instante. – Ordenou, e sem esperar respostas, desligou o celular.

Kasumi puxou a bolsa, saiu do carro e com os costumeiros saltos, titubeou até a recepção. – Pode me arrumar um chá calmante? – Ela pediu gentilmente à moça da recepção, que imediatamente levantou-se para cumprimentá-la.

– Oh! Aihara-san há quanto tempo! Espero que a última semana tenha servido de descanso, e que se sinta mais disposta agora. – Elas se cumprimentaram com um aperto de mãos.

– Eu estou bem, obrigada.

– Isso é ótimo. – A moça sorriu. – Levarei seu chá em instantes, mas devo avisar que... – Ela baixou o tom de voz. – Você tem uma visita lá em cima. – Kasumi sentiu o estômago revirar.

– V- Visita? – A mocinha anuiu.

– Eu disse que estava de folga, mas ela insistiu... Está lá em cima há horas. – A jornalista forçou seu melhor sorriso.

– Entendo. Não deixe ninguém nos interromper. Se a senhora Mitsashi chegar, diga a ela que espere. – A recepcionista concordou. – Até mais. Obrigada, Matsuri. – A mocinha acenou com a cabeça, e viu a chefa andar rápida e ansiosa até o elevador.

Para a infelicidade de Kasumi, não demorou muito até que ela alcançasse o andar de sua sala. Ela seguiu lentamente, em passos leves, até a primeira porta depois do elevador; encarou-a como se fosse uma besta e respirou fundo. – Você consegue. – Murmurou para si mesma, e olhou para a barriga. – Nós conseguimos. – Garantiu. – É só uma mulher, só uma mulher... – E depois de quase um minuto parada em frente à porta, murmurando palavras encorajadoras para si mesma, virou a fechadura e entrou no escritório.

Lá estava ela: a grande Mikoto Uchiha, em pé, com uma expressão furiosa e folhas de papel impresso em mãos.

Kasumi não precisou se esforçar muito para saber que aquela impressão era a infeliz matéria escrita por Tenten.

Notas finais
Eu demorei pelo menos vinte minutos pra pensar no título desse capítulo, e ainda não fiquei satisfeita com ele. D: Mas enfim, acho que tá aceitável. ;-; Eu sou muito ruim com títulos, acho que deveria escrever uma história apenas com "Capítulo 1, 2, 3...", é muito mais fácil. Infelizmente, eu tenho um bloqueio mental pra isso. Não consigo deixar o espaço de título em branco... e.e' Anyway. u.u Novamente, agradeço aos que comentaram, aos que recomendaram e aos que leem 50tonsU! Vocês são uns amores, pessoal... E muito pacientes. ;-; Prometo que vou tentar responder aos reviews o mais rápido possível! E também tentarei postar um capítulo até o final de semana, ou então dois na semana que vem.. x.x Mas prometo TENTAR, apenas. Ainda estou tristinha com a separação de meu amado, então existe a possibilidade de eu ter um bloqueio sério... ;-; Enfim, espero que tenham gostado do capítulo! Vejo vocês logo! Beijinhos da tia Candy! :*