Notas iniciais
Como vão os meus queridíssimos, adoráveis leitores essa semana? sz A tia Candy sentiu muita falta de vocês sz~~~ Como devem saber, o atraso no capítulo foi graças à manutenção do site... Mas vou ser franca com vocês: só terminei ontem a noite. Essa semana foi uma loucura. Na segunda eu tinha que apresentar o meu projeto, então aproveitei-me da manutenção para focar no término do trabalho. Eu fiquei dois dias inteiros focada naquele negócio (sério, não tem nada mais tenso do que um projeto!), então não tive tempo pra nada. D: Depois, tive prova na quarta. A prova era de matemática, então eu tava completamente travada na terça, e como o site ainda tava fechado, continuei estudando... E assim fiquei até quinta a noite, quando o Nyah voltou. Primeiro eu betei The King (que já tava praticamente pronto), pra postar, mas só consegui terminar 50tonsU hoje! Em compensação, vocês podem ver que foi um BIG-BIG post. Q Eu gostei muuuito desse capítulo, e posso até ouvir os "aleluias" sobre alguns acontecimentos... XD Bem, espero que leiam, divirtam-se e me perdoem pela demora! sz~

Capítulo 17 – Desejos.

Sakura se encolheu, e sentiu-se surpreendentemente confortável.

Algo roçou em seu rosto, e ela sorriu por sentir cócegas. – Eu acho que você devia acordar... – Uma voz tranquila murmurou contra sua pele, mas ela negou. – Pensei que não gostasse de se atrasar, senhorita Haruno. – Ela estreitou as sobrancelhas.

Senhorita Haruno? Quem a chamava assim mesmo?

– Se não acordar logo, eu vou acabar fazendo alguma coisa deselegante. – Ela ainda não conseguia compreender a situação. – Já são dez horas. – Dez horas? E que importava a hora?

– Me deixe dormir. – Ela reclamou, e tornou a se aconchegar. Ouviu um risinho, e sentiu braços envolverem-na.

– Como quiser... – Mas mesmo assim, Sakura abriu os olhos. Fê-lo lentamente, estava atordoada, e bocejou longamente. Não conseguiu entender o motivo de alguém tão grande estar ao lado dela, então concluiu que ainda estava sonhando.

– Por que você é tão bonito? – Ela perguntou a si mesma, com uma careta irritada. Odiava sonhar com Sasuke, mas ultimamente era o que mais acontecia. Ele abafou uma risada.

– Acho que é a primeira vez que me elogia com sinceridade. – Sak estreitou as sobrancelhas ao olhá-lo.

– Não é elogio se você usa sua beleza para o mal. – Ele riu. – Poderia, por favor, sair dos meus sonhos? – Aquilo o deixou um pouco confuso. – Eu preferia estar sonhando com algo relevante. – Ele estreitou as sobrancelhas, mas sorria de canto.

– Isso não foi nada gentil. – Ela revirou os olhos.

– Saia do meu sonho! – Comandou, mas ao invés de zombá-la, Sasuke puxou-a pelo rosto e roubou-lhe um beijo calmo e apaixonante, que a derreteu ao ponto de fazê-la suspirar quando o sentiu se afastar.

– Quer dizer que sonha comigo... – Ele questionou-a com um sorriso debochado. O sorriso favorito dele, o que ela sentia repulsa, então Sak finalmente percebeu que não estava sonhando.

Ela levantou-se num pulo, vermelha e envergonhada, e viu o senhor Uchiha abafar uma risada. – S- S-...

– Sasuke? – Ele tentou ajudá-la. Sorria, e parecia extremamente satisfeito com o susto da moça. Sakura apertou os punhos, fechou a cara e praguejou baixo.

– O que está fazendo aqui, no meu quarto?! – Ele estreitou a sobrancelha, parecendo fazer esforço para pensar.

– Acho... – Ele pensou mais um pouco. – Acho que eu invadi seu quarto, na noite passada. – Sentou-se. – Depois de me deixar sozinho na chuva... – Lhe lançou um olhar de repreensão, que a teria divertido se ela não estivesse tão nervosa. – Mas não sei o que aconteceu depois disso. – Ela coçou o rosto, parecendo um pouco mais acordada, e lembrou-se aos poucos dos acontecimentos.

– Você desmaiou... E passou o resto da noite febril.

– E você cuidou de mim, imagino? – Sak sentiu o rosto avermelhar-se. – Claro, não fez mais do que sua obrigação. – Ele provocou, chocando-a. Os olhos de esmeralda encararam os de ônix, mas Sasuke não se intimidou. – Se não tivesse me deixado na chuva, eu não teria adoecido. – Ele ponderou. Sak cruzou os braços, quase tão desacreditada quanto irritada.

– Foi você quem quis ficar lá! – Exclamou. – Jamais pediria algo assim. – Ele deu os ombros.

– Eu disse que ficaria na porta, e você sabe que sempre falo sério.

– Então adoeceu por sua teimosia, não por minha rejeição. – Ela lhe sorriu, e ele estreitou os olhos.

Levantou-se, e tão rápido que ela sequer teve tempo de recuar, aproximou-se. Puxou-a pela cintura, segurou seu rosto e beijou-a avassaladoramente.

Sakura pôde sentir seu coração palpitando acelerado no peito; seu corpo tremia, e ela simplesmente não conseguiu não retribuir.

Quando Sasuke afastou-se, parecia imensamente satisfeito. Ele mordiscou seus lábios, arranhou sua cintura e puxou-a possessivamente, fazendo com que os corpos roçassem um no outro. – Isso, senhorita Haruno... – Deslizou os lábios por seu rosto, até sua orelha. – Não me parece rejeição... – E mordiscou-a, fazendo a pobre moça estremecer. – Na verdade, você parece muito disposta a continuar... – Ele deslizou as mãos por baixo da camisa do pijama, e a rosada sentiu o estômago congelar.

Sasuke chegou a tocar as curvas de seus modestos seios, mas para a felicidade da sanidade – e infelicidade do sentimento – de Sakura, o despertador tocou naquele instante.

Ele definitivamente recuaria, agora que tinha a certeza de um compromisso. Foi isso o que ela pensou, mas não o que aconteceu.

O Uchiha deslizou o indicador, como uma torturante travessura, levemente ao longo do contorno de sua pele, fazendo com que o estômago da moça revirasse. – Viu só...? – Ele sussurrou baixinho, ainda na sua orelha. Beijou-a demoradamente, e roçou o polegar contra o mamilo, que enrijeceu imediatamente. – É o que você quer... O que eu quero... Então porque não...? – Sakura estreitou os lábios.

Não! Ela não podia querer aquilo... Ele era um calhorda, um maldito!

Ainda assim, por algum motivo, ouviu-se gemer, quando ele apertou seu mamilo. – Por... Por favor... Pare... – Murmurou com hesitação. – Eu tenho trabalho a fazer, portanto... – Mas ele negou; beijou seus lábios e empurrou-a contra a parede, comprimindo os corpos enquanto mantinha as carícias.

– Não... – Ele decidiu. Sak pôde perceber que ambos tinham a respiração acelerada, ambos estavam ansiosos, mas mais do que isso, o senhor Uchiha parecia... Necessitado. – Eu esperei muito, Sakura... – Ela sentiu a saliência da calça roçar na sua barriga, e constrangeu-se de uma maneira indescritível. – Nós somos adultos... Você é linda, e eu te desejo... Eu sou interessante, e você me deseja... – Ele deslizou os lábios por seu pescoço, e beijou-o continuamente, fazendo-a suspirar. – Eu quero te beijar... Quero te morder... – E mordeu. – Quero enlouquecê-la, e quero enlouquecer junto. Então, por que deveria parar...? – Com a unha, ele arranhou sua aréola do seio.

Ela engoliu um gemido, respirou fundo e tentou reunir toda a sanidade que ainda devia ter reservada em algum lugar de seu cérebro. – Por que eu sou virgem. – Revelou-lhe, e imediatamente sentiu-o cessar os beijos e os carinhos.

–... Você está brincando... – Ele soltou um risinho, e tornou ao jogo de sedução. Estava a ponto de subir sua camisa, quando ela continuou:

– Não é brincadeira! – Exclamou com a voz tensa, obrigando-o a fitá-la. – E- Eu sou virgem. – Ela garantiu com nervosismo. – E não quero fazer isso com alguém que não me ama... – Ele pareceu levar um minuto para digerir a informação.

Ergueu o rosto, ficando a milímetros do dela e a fitou com seriedade – embora o que mais a deixasse nervosa fosse aquela mãozinha boba sem vergonha. – Só pode estar brincando. – Ele concluiu, mas estava muito sério para acreditar em si mesmo.

Sakura revirou os olhos. – Você quer que eu faça um exame pra comprovar? – Perguntou, cheia de ironia, mas ele não pareceu achar graça nenhuma.

– Não é possível que não tenha tido nenhum namorado. Você é... – Ele suspirou; apalpou seu seio e fê-la encolher. – Você é deliciosa. – Ele arfou, e tornou a beijá-la.

Sakura estava sinceramente cansada de recuar dos beijos de Sasuke. Ela gostava deles, afinal de contas! E, francamente, também gostava da mãozinha boba apertando-a, acariciando-a... E de tê-lo tão perto de si...

Estava quase perdendo a consciência quando ele afastou o rosto, trazendo-a de volta à realidade. – Impossível...

– E- Eu tive namorados! Mas... Mas... – Sentiu-se enrubescer. – Nunca quis... B- Bem... – E todo o corpo de Sasuke travou instantaneamente.

Sakura pôde perceber quando o rosto dele, gradativamente, perdeu a coloração. – S- Sasuke-kun? Você está bem? – Ela teve que perguntar. Afinal de contas, ele havia acabado de sair de uma febre surpreendentemente forte.

– S- se eu estou bem...?! Se eu estou bem...?! – Ele xingou baixo, afastou-se repentinamente – fazendo-a lamentar-se internamente – e alisou os cabelos, exasperado, confuso e atordoado. – Não, não é possível. Você é teimosa, mas não a ponto de negar isso a um namorado... – Ela riu nervosa.

– Eu sou muito perseverante! – Sakura sinceramente estava tentando ser agradável, mas não parecia ir muito bem. – S- Sasuke-kun... – Ele a encarou com uma expressão ansiosa.

– Se você me chamar de “Sasuke-kun” de novo, eu vou te agarrar agora mesmo, e sendo virgem ou não, vou te violar na parede do quarto. – Garantiu, e pareceu tão sério que ela não conseguiu abrir a boca até que ele se acalmasse. – Eu não posso acreditar nisso... – Ele riu desgraçadamente.

Virgem! Aquilo só podia ser piada. Olhou mais uma vez para sua deliciosa ex- futura vítima, e não conseguiu entender como aquilo era possível. – Por favor, me diga que está brincando. – Mas ela negou, fazendo-o suspirar longamente. – É claro, tudo faz sentido agora. – Ele disse para si mesmo. – A insistência contra o sexo casual, toda sua prudência... – Estreitou os lábios, incomodado.

Ele parecia estar travando uma batalha interna e, quando enfim pareceu se decidir, aproximou-se de maneira cautelosa.

Encurralou-a, apoiando a mão esquerda na parede, ao lado do rosto da Haruno e encarou-a fixamente. Ela mordeu o lábio inferior, inconscientemente, e ele lhe lançou um olhar reprovativo que a fez soltar imediatamente. – Eu acho que isso torna as coisas um pouco mais complicadas... – Sasuke concluiu com a voz um pouco mais calma.

– Você acha? – Ela soou irônica, e ele quis calá-la do jeito mais quente possível. Mas controlou-se, pigarreou e prosseguiu:

– Talvez um pouco mais complicadas, mas não impossíveis. – Lhe ofereceu um sorriso galante, um dos que não a atraía em nada. – Talvez nós possamos resolver esse problema... – Murmurou sedutoramente, mas era o tom certo, com a frase errada.

Sakura levou meio segundo para digerir aquela frase. – “problema”? – Repetiu lentamente. Sasuke assentiu.

– Eu vou ser carinhoso... – Ele deslizou a outra mão por seu rosto, carinhosamente. – E você terá uma ótima memória... – Mas a resposta dela foi um soco estupidamente forte em seu rosto, que o fez xingar, recuar e praguejar. – Mas que porra foi essa?! – Ele gritou, encarando-a com fúria visível.

– Sou eu que pergunto! – Ela exclamou, e mesmo vendo o sangue escorrer do nariz do rosto perfeito, não se sensibilizou. – “problema”? Quem você pensa que é pra dizer que a minha virgindade é um problema? Eu sou virgem por que quero, tá legal? – Ele riu alto, sem humor.

– Nota-se, senhorita Haruno. Nota-se. – Falou com aspereza. – Mas também é muito bem resolvida. Não acredito que seja uma das que defenda o “modelo ideal” de mulher... Parece-me muito idealista para tal. – Ela revirou os olhos e deu os ombros.

– Eu acredito que cada um faz o que quer. Ino gosta de viver a vida louca, é um problema dela. Você gosta de sair “fodendo”, como você mesmo disse àquela vez, quando bem entende, isso é problema seu... Mas eu, — e apontou para si mesma. – eu gosto de ser assim. Gosto da ideia de pertencer a um só homem: ao homem que vai estar ao meu lado durante a minha vida!

– Você não pode estar falando sério! – Ele praticamente gritou. – Pelo amor de Deus, olhe pra mim! – Apontou para si mesmo. – Bonito, rico, inteligente, talentoso!

– Modesto. – Ela completou com ironia, mas era impossível ouvir aquilo sem achar graça da situação.

– Eu sou perfeito! O tipo de homem que todas querem. – Ela estreitou os lábios, estreitou os olhos e negou.

– Você é bonito, — ela concordou. – e rico, e inteligente, e talentoso... Mas é duro como gelo. – Ele lhe sorriu sugestivamente, fazendo-a corar. – Não nesse sentido, seu estúpido! – Praticamente gritou. Pigarreou, e prosseguiu: — O que quero dizer é que... Você é frio com seus sentimentos. Não quer deixar ninguém entrar-...

– Aparentemente, é você quem não quer deixar ninguém entrar. – Ele ponderou com um sorriso divertido, que a fez revirar os olhos.

– Não quer deixar ninguém entrar no seu coração. – Ignorar sua piada era o melhor que ela podia fazer. – Por isso, deixe-me em paz... – Suspirou, e ergueu os orbes esverdeados na direção do rapaz. – Eu não posso te dar o que você quer, bem como você não pode me dar o que eu quero. – O sorriso sumiu do rosto de Sasuke.

Ele hesitou muito, mas por fim, não conseguiu discordar.

Ele curvou a fronte educadamente, e seguiu até a porta. – Bom dia, senhorita Haruno. – E se retirou, deixando-a.

Por algum motivo que a própria Sakura desconhecida, sentiu-se mais solitária do que nunca. Uma dor avassaladora tomou conta de seu peito, tão forte que ela se sentiu obrigada a se sentar.

Por que estava assim? Ela não conseguia compreender... Mas quando ouviu o barulho do carro se afastando, imaginou que talvez, no fundo de seu coração, ela fosse inocente o suficiente para desejar que ele pudesse dá-la o que pedia.

Mas não daria.

~

Kasumi acordou com uma ressaca infernal no dia seguinte.

Havia passado boa parte da manhã trancada dentro de seu banheiro, vomitando. Havia posto tanta coisa para fora que não se surpreenderia se começasse a soltar sangue.

Ela havia passado a noite inteira – desde que Itachi havia se retirado, até às quatro da manhã, quando desmaiou no sofá – enchendo a cara de vodca barata e sorvete, duas coisas que nunca faltavam em sua casa.

Para a sua alegria – ao menos na noite anterior – ela havia bebido o bastante para não se lembrar, agora, de nada do que havia feito.

Mas a alegria foi substituída por raiva quando, ao ajeitar o gravador, blocos de notas e a agenda eletrônica, percebeu que havia feito anotações – e muitas – referentes à uma possível nova matéria sobre Obito Uchiha. – Incrível como até bêbada eu consigo ser enxerida... – Murmurou para si mesma, revoltada.

A matéria chamava-se “Os Uchihas também amam”, e falaria não só exclusivamente de seu não tão adorado suposto pai – embora ele fosse ter destaque –, como também de seus familiares em gerais.

Enquanto seguia para o carro, não pôde evitar ler todas as anotações. Era realmente uma boa ideia, e ela, como a genial jornalista curiosa que costumava ser, não podia simplesmente abrir mão de boas ideias.

O único problema é que não se sentia firme para fazer o trabalho sujo. Kasumi não conseguia sequer cogitar a possibilidade de ela mesma fuçar a vida daquelas pessoas, quando estava em uma situação tão delicada com a família infernal.

Ainda assim, ela queria fazer aquilo. Ela não queria procurar, temia encontrar o indesejado, mas queria ter as respostas em mãos. Ela queria saber.

Então, assim que alcançou seu escritório no Diário de Konoha, às onze e quarenta e cinco da manhã, pediu para que Tenten Mitsashi fosse à sua sala. – Eu tenho que cobrir o evento da Poder da Juventude! – A jovem reclamou revoltosa, mas Kasumi deu os ombros.

– É rápido. – Ela garantiu; puxou algumas das anotações e entregou-as à subordinada. – Preciso que me arranje esses dados até o próximo final de semana. Eu quero desenvolver uma história por cima desse tema.

– O que...? Oh, tudo bem. Mas os Uchihas, de novo? Não vai ficar um tanto... – A Mitsashi fez uma careta. – Desgastante? – Kasumi pareceu pensar um pouco no assunto, e anuiu.

– Talvez. – Concordou. – Mas eu achei uma boa ideia e... – Ela fez uma careta de desagrado. – As pessoas não conhecem bem o tal magnata da tecnologia. Vamos trazer um pouco do particular do maldito pros holofotes. – Tenten riu.

– Você que manda chefe. – Fez continência. – Eu vou dar uma fuçada mais tarde, mas agora estou de saída. – Ela colocou a papelada dentro da bolsa; acenou para a Aihara e retirou-se.

~

Sasuke estava muito disposto a trabalhar naquele sábado. Ele estava irritado, chateado e não conseguia parar de pensar na bendita virgem!

Estava terminando de vestir-se num terno quando a secretária da Poder da Juventude o ligou, lembrando da competição que aconteceria naquele mesmo dia.

Sasuke imaginou que aquele, talvez, devesse ser o trabalho de Sakura, e a ideia de ela estar constrangida demais para ligá-lo não o agradou nem um pouco. Afinal, era ela quem o havia dispensado! Não tinha direito de se sentir constrangida.

Então, depois de dizer à mulher que iria, sem sombra de dúvidas, pegou as roupas necessárias para a ocasião e rumou para a residência do melhor amigo.

Kushina e Menma Uzumaki estavam na sala de estar, conversando sobre algo sério que havia acontecido na noite passada quando ele as flagrou. – Tia Kushina, isso é injusto! – Ele exclamou antes mesmo de cumprimentá-las. – Você ficava furiosa quando eu e Naruto fugíamos para beber. – A ruiva revirou os olhos.

– Elas só foram a um show, e vocês estavam lá. – A senhora Uzumaki o lembrou.

– Mamãe, o fato de eles estarem lá só torna as coisas mais perigosas. – Menma brincou, mas Sasuke preferiu ignorá-la.

– E falar sobre a noite passada me faz lembrar a nossa aposta. – O moreno sorriu animadamente. Ele colocou o indicador sobre o queixo, fingindo reflexão. – Acho que me deve uma refeição num restaurante de luxo... – Kushina riu.

– Vá sonhando. Nós dois perdemos querido: eles brigaram ontem à noite. – Aquilo o surpreendeu verdadeiramente.

– O que? Como assim? – Ele questionou olhando para a garota mais jovem, que fez uma careta irritada e cruzou os braços, revoltada.

– O onii-san foi um grande imbecil! – Ela exclamou com frustração. – Acredita que ele teve a ousadia de falar que a Hina-nee parecia “uma qualquer” no palco?! – Sasuke ficou boque aberta.

– M- Mas... Mas isso é ciúme... – Ele suspirou. – Aliás, nossa aposta não era sobre aqueles dois juntos. É sobre ele decidir lutar por ela. – E olhou para Menma mais uma vez. – O que, posso apostar, ele fez. – Ela estreitou as sobrancelhas, como se estivesse pensando no assunto, mas anuiu por fim.

– Acho que se pode dizer que sim... Ele estava provocando aquele tal de Kiba a todo o momento! Estava furioso, mas sorriu e brindou à Hina-nee... Acho até que deve ter acontecido alguma coisa, quando ele invadiu o camarim... – A caçula dos Uzumaki pousou o indicador sobre o queixo imitando Sasuke em sua pose reflexiva, mas então deu os ombros. – Bem, eu acho. Mesmo assim, ele foi um idiota e pôs tudo a perder. A Hina-nee não vai perdoá-lo. – O rapaz suspirou longamente.

– Ela vai sim, porque o ama... – Mas deu os ombros. – O que não significa que eu vá perdoá-lo. – Fez uma careta contrariada. – De qualquer forma, tia... A aposta era sobre ele decidir ir atrás dela.

– Sim. – Kushina concordou. – Mas você combinou dois, e eu mais. E ele desistiu durante o primeiro mês, o que significa que... Ninguém ganhou. – Sasuke estreitou os olhos.

– Eu devia imaginar que seu filho tinha puxado a mania de enrolar as pessoas do seu lado, senhora Uzumaki. – A ruiva riu. – Bem, onde ele está? Vou espancá-lo agora mesmo. – Estalou os dedos enquanto dizia. – Para ensiná-lo a não machucar minha prima. – A mãe do melhor amigo pareceu se entristecer ao ouvi-lo, mas deu os ombros.

– Ele está lá em cima, trancado no quarto, isolado, tão triste que aposto que está ansioso esperando que alguém vá lá para bater nele... Naruto é assim: faz burrices, se arrepende e acredita que uma surra pode fazê-lo se sentir melhor. – Sasuke revirou os olhos negros.

– Eu sei, é um completo idiota. Mas já cumpri esse papel antes, o de carrasco, e não me importo em fazê-lo de novo. – Sorriu animadamente na direção da senhora Uzumaki, que suspirou longamente.

– Você sabe onde é o quarto dele, Sasuke. Vá, a casa é sua. – Ele curvou a fronte, agradecido, e se apressou em obedecê-la.

Sasuke conhecia a casa de Naruto quase tão bem quanto sua própria casa. Embora também tivesse trabalho e sustento próprio, diferente dele, Naruto preferira continuar na casa da família mesmo depois de se formar.

Claro que Naruto dificilmente tinha que lidar com Kushina metendo o bedelho constantemente em sua vida, como Mikoto costumava a fazer – mesmo que morassem distantes –, então era mais fácil continuar na residência Uzumaki do que seria na mansão dos Uchiha.

Ele adentrou ao quarto do amigo sem bater, e encontrou-o deitado na cama, com um porta-retratos em mãos. Naruto olhou-o de soslaio, e suspirou ao vê-lo cruzar os braços. – A Menma é uma bela fofoqueira... – Reclamou em voz baixa, antes de se levantar.

– Sua irmã não é fofoqueira, você que é idiota. – Foi a resposta de Sasuke. – Eu vim especialmente para espancá-lo, mas antes disso vou ser paciente e deixarei explicar o porquê de chamar a Hinata, minha prima, sua garota, de “qualquer”, só porque ela decidiu se divertir em cima do palco.

–... Você viu como ela estava. – O loiro murmurou irritadiço. – Dançando, cantando, se exibindo... Nem parecia a Hinata. – Sasuke riu.

– E qual é o problema nisso? Ela só estava se divertindo...

– Ela quer ser cantora, Sasuke! – O loiro se levantou num pulo, furioso. – Quer ser cantora, só para me provocar!

Claro. – A voz do moreno soou irônica. – Ela quer se tornar cantora para provocá-lo... Porque a vida dela gira em torno de você, não é? – E revirou os olhos. – A Hina tem uma bela voz, talvez ela tenha decidido por pensar fazer bem a si mesma. Deixe-a em paz, pelo amor de Deus.

– Se ela bancar a estrela, aí é que não vai ficar em paz! – Ele insistiu, irritado.

– Ainda assim você não tem o direito de se intrometer. Muito menos de ser duro com ela... Cara, se continuar agindo assim, não vai conseguir nada além de desprezo. – Naruto estreitou os lábios, incomodado. – E você fala como se nunca tivesse se envolvido com uma cantora antes. Aquela... Como era o nome dela?

– Shion. – O loiro revirou os olhos enquanto falou.

– Isso. A Shion. Vocês namoraram sério, não é? E ela era prima da Hina... – O empresário balançou a cabeça como se lamentasse. – Definitivamente, Naruto... Espero que ela não dê o braço a torcer. Você merece sofrer. – Sorria sinceramente para o melhor amigo, que lhe ergueu o dedo do meio em agradecimento.

– Você só veio infernizar? – Sasuke negou.

– Vim buscá-lo. Hoje é a tal corrida beneficente... – Naruto estava a ponto de mandá-lo voltar para o útero de Mikoto quando ele prosseguiu. – Lembre-se que os Hyuuga são patrocinadores. Sua querida revoltada provavelmente estará lá, e você precisa pedir desculpas imediatamente. – Naruto fez uma careta.

– Me dê cinco minutos.

~

O trabalho na Poder da Juventude seria o último de Sakura fora da área médica (pelo menos era isso o que ela esperava) e, portanto, havia dirigido até a pista da corrida decidida a fazer tudo da maneira mais correta possível.

Mas aquilo estava se tornando um desafio. Isso porque Rock Lee, o “chefe”, parecia muito mais interessado em seu trabalho do que ela própria, e a todo o momento queria opinar sobre o que ela devia ou não fazer.

Claro que, na realidade, ele só estava fazendo isso porque queria se manter ao lado dela. Mas com a cabeça tão cheia de Uchiha, Uchiha e Uchiha, Sak sequer pôde pensar nessa possibilidade, até que o senhor Lee foi direto. – Então, miss Haruno... – Ele falou em dado momento, quando não tinha ninguém por perto. Seu rosto estava vermelho, as sobrancelhas grossas arqueadas; ele parecia estupidamente tenso. – Esse será seu último dia com a Poder da Juventude, mas... Mas... – Ele pigarreou, cheio de nervosismo. – Mas... Eu espero que não seja seu último dia comigo. – A declaração fez com que a rosada parasse tudo o que estava fazendo no momento – e ela fazia muitas coisas naquele momento, como checar a lista de competidores, as quantidades de garrafas d’água e a posição da imprensa.

Lee sorriu, se esforçando ao máximo para transparecer confiança. – Sabe, podíamos sair um dia desses. – Ele coçou a nuca, nervoso e risonho. – O que acha de um piquenique? – Ela empalideceu.

Aquele homem estranho estava mesmo chamando-a para sair?!

Se bem que... Agora, vendo-o em vestes comuns, ele não parecia tão ruim quanto era usando aquele colan verde musgo ridículo.

Sakura arregalou os olhos, muito assustada consigo mesma. Ela estava mesmo tão necessitada a ponto de pensar em algo assim?!

Para sua sorte, quase no mesmo instante, Tenten jogou-se sobre as costas do rapaz, agarrando-o descaradamente, e mordeu sua orelha com força, numa visível declaração de posse. Ele gritou de dor, mas ela não fez menção de soltá-lo. – Lee! Você prometeu que me buscaria! – Ela falou em tom manhoso, e Sakura imaginou que talvez estivesse em um pesadelo.

– Oh, desculpe Tenten. – Ele sorriu inocentemente para a morena, o pobre idiota. – Estávamos atarefados... Bem, você pode ficar ali. – Ele apontou para uma bancada cheia. – Com a imprensa. Tem uma cadeira com seu nome, — ele piscou. – coloquei bem na primeira fileira! – Sakura riria daquela situação, se não gostasse tanto da senhorita Mitsashi. – Vai lá! – O sobrancelhudo instigou com animação, e ela fechou a cara.

– “vai lá” coisa nenhuma... – Tenten resmungou; puxou-o pelo antebraço e arrastou-o para o local indicado. – Eu sou uma dama, então você vai me levar, e se livrar da multidão por mim! – Sakura não conseguiu não rir.

– Haruno-san, — uma voz doce, familiar soou às suas costas, e quanto Sak se virou, enrubesceu ao enxergar Hinata e Itachi Uchiha. Ambos vestiam roupas esportivas, e ambos tinham os cabelos presos. – Que surpresa encontrá-la!

– H- Hinata-san! – Sakura curvou-se educadamente, ansiosa e envergonhada. Hina sorriu, timidamente, e gesticulou na direção do primo.

– Este é Itachi Uchiha, meu primo e irmão mais velho do Sasuke-kun. – Itachi curvou a fronte, sorridente. – Ele é advogado, mas fez algumas doações para o projeto de inclusão social da Poder da Juventude, e por isso está aqui. – A Haruno anuiu, esticou a mão e saudou cordialmente o senhor Uchiha.

– Eu sou Sakura Haruno, — ela se apresentou. – estudo medicina, mas atualmente estou trabalhando como organizadora.

– Acho que a vi algumas vezes com meu irmão, certo? – Ela sentiu o rosto enrubescer, e o estômago revirar.

O que ela diria? “Sim”, seria o correto, mas se ela dissesse sim, talvez ele perguntasse se eles eram amigos, e o que ela responderia?! – Sim, já viu. – Foi o próprio Sasuke quem respondeu.

Ela nem precisou olhá-lo para reconhecer a voz. – Oh! Sasuke! – Itachi o cumprimentou com um aperto de mão. – Naruto. – Ele acenou para o loiro, que acenou de volta.

– Por um minuto, nos deem licença. – O loiro pediu educadamente, sorriu para Sak e se afastou do grupo puxando Hinata (que não parecia nada disposta a acompanhá-lo) pelo antebraço.

– Por que, nii-san? – Sasuke ignorou completamente a saída repentina dos amigos de infância.

– Por quê...? Da última vez você foi mal educado, e não nos apresentou. Está lembrado? – Sorriu para o mais jovem, que revirou os olhos. – Bem, vamos nos aquecer. – Ele acenou para Sak, que sorriu em retribuição. – Foi um prazer conhecê-la, senhorita Haruno. – E sem esperar, puxou o mais jovem de lá.

.

Naruto levou Hinata até um dos vestiários femininos, sem sequer cogitar sobre a possibilidade de estar ocupado naquele momento.

Ele a jogou dentro de um Box e trancou-se com ela, tomando o cuidado de ficar entre a porta para que não fugisse (embora sinceramente não fosse necessário).

Hina suspirou longamente, incomodada com a natural aproximação. – Francamente, Naruto. Se você veio discutir... – Ele negou.

– Não vim. – Garantiu, mas depois ficou em silêncio.

Ele parecia pensar muito no que diria a seguir – o que, a julgar pela noite anterior, era muito bom, pois significava que ele não estava disposto a mais brigas estúpidas e sem sentido.

Coçou a nuca, tenso, praguejou baixo e respirou fundo. – Eu vim me desculpar. – Tentou soar calmo, mas estava visivelmente contrariado. Tanto, que Hinata arqueou a sobrancelha, duvidosa. – É sério! – Ele exclamou. – Eu não devia ter falado aquelas coisas, só estava...

– Sendo idiota? – Ele anuiu. – Então estava sendo você mesmo. – Naruto estreitou os lábios, desagradado, mas achou que a melhor opção era continuar calado. Hinata ajeitou os cabelos, irritadiça. – Tudo bem. – Deu os ombros. – Eu já estou acostumada com esse tipo de coisa.

– Eu nunca te ofendi! – O loiro exclamou em própria defesa, mas ela tornou a dar os ombros. – Vamos, Hina... Por favor... – Ele puxou o rosto dela carinhosamente, obrigando-a a olhá-lo. Hina sentiu o rosto queimar, mas tentou manter-se silenciosa.

Eles passaram longos segundos daquele jeito: olhando um para o outro, num silêncio estranhamente agradável – afinal, silêncio era melhor do que discussão. – Eu te perdoo. – Ela disse com sinceridade, depois de hesitar um pouco.

Naruto sorriu, sinceramente feliz. Aproximou o rosto e tocou a testa na dela, fazendo-a fechar os olhos. – Ótimo... – Ele suspirou aliviado. – Então agora... – Ergueu o rosto dela estrategicamente, surpreendendo-a. – Agora só falta convencê-la a deixar aquele idiota. – Ela estreitou a sobrancelha escura. – E a parar de cantar, é claro. – Por um segundo, ela não conseguiu compreender.

–... Você só está me pedindo perdão pra tentar me manipular?! – Questionou com irritação, e o loiro negou imediatamente.

– Claro que não! – Exclamou. – Eu só... Só acho que...

– Escute, não permitirei que interfira mais na minha vida. Se você quer continuar a ser meu amigo, como sempre foi... Por escolha própria, diga-se de passagem. – Ela pigarreou. – Tudo bem, continuamos, e fingimos que nada aconteceu. Mas se for tentar algo idiota-... – Ele a calou com um beijo.

Um beijo tão carinhoso que, mesmo com todas as suas forças, não conseguiu não retribuir. Hinata podia até ver sua dignidade pegar as malas e acenar em despedida.

Ela sabia que era algo lamentável, não ser forte o suficiente para afastá-lo, mas simplesmente não conseguia.

Naruto aprofundou o beijo, e enlaçou a cintura da amada gentilmente. Hina pousou as mãos sobre seu peito, fechou os olhos e deixou-se aproveitar do calor delicioso que emanava do corpo do rapaz. – Eu não quero parar de te beijar nunca... – Ele murmurou contra os lábios dela, sem parar o beijo. – Por favor, Hina... Vamos parar com isso... – Apertou sua cintura, trazendo-a ainda mais para si e mordiscou seus lábios possessivamente.

Hina estreitou as sobrancelhas, incomodada. – Foi você quem começou, para início de conversa... – Ela tentou se esquivar, mas não teve forças para tanto. – Foi você quem brincou com meus sentimentos, você quem se afastou-... – Mais uma vez, ele a calou com os lábios. Nenhum dos dois tinha dúvidas de que beijar era preferível a discutir, então se aproveitaram da situação.

Ele a comprimiu contra o Box, e beijou-a de maneira tão violenta que ela sentiu-se tremer. Ele estava a ponto de fazer investidas mais ousadas, quando alguém bateu à porta. – A competição vai começar. – Um possível staff avisou. – Saia e vá para seu lugar. – E então saiu do vestiário.

Naruto tentou ignorar, mas Hinata foi mais forte, e conseguiu se esquivar. Ele praguejou baixo ao notar que perdera a oportunidade de ouro, e ela riu. – Não seja estúpido, não ia acontecer nada do que você está imaginando. – Ela ajeitou o rabo de cavalo alto, firmando-o. – Embora eu esteja me tornando uma cantora, não significa que eu tenha que me rebaixar ao nível de transar num lugar minúsculo. – Ela picou para ele, que estreitou os lábios em desagrado. – Especialmente com alguém que não é meu namorado. – Tentou abrir a porta para sair, mas Naruto a impediu, colocando-se entre ela e a saída mais uma vez.

– É bom que saiba a diferença entre “sexo”, e “amor”. – Ele murmurou friamente, encarando-a. – Por que você pode transar quantas vezes quiser com aquele cara... Eu não me importo. – Mentiu. – Já transei muito também. – Ela juntou as sobrancelhas, incomodada. – Mas “amor”, — Ele puxou-a pelo queixo, obrigando-a a olhá-lo. – Você só pode fazer amor comigo. – Ela riu sem humor.

– E o que te faz pensar ser tão especial, hein?

– Isso... – Ele roubou-lhe mais um beijo. Dessa vez, ela tentou realmente se afastar, mas ele enlaçou sua cintura, praticamente paralisando seus movimentos, e continuou a beijá-la até ser retribuído. Quando ela finalmente o fez, afastou-se – apenas milímetros –, olhou para o rosto dela fixamente e beijou-lhe a testa. – Você é certa demais... – Ele sussurrou baixinho. – Só trairia por amor. – Ela estreitou os olhos.

–... Me deixe sair. – Ordenou com a voz baixa e magoada, e ainda que Naruto não quisesse permiti-la, ainda que ele ansiasse que ela continuasse ali, ao seu lado, obedeceu-a, abrindo a porta e dando-lhe espaço.

~

A competição fora iniciada pontualmente, e todos os competidores que haviam se comprometido a aparecer estavam lá.

Eram vinte e seis ao todo. Vinte e seis pessoas, entre ricos, famosos ou ambos. Alguns para exibir-se, outros pela causa, mas todos bem apresentáveis e dispostos.

Seriam percorridos vinte e cinco quilômetros, então a maior parte dos competidores, desacostumados, corriam com calma e cautela.

Mas, claro, sempre tinha que ter um idiota no meio dessas coisas. Nesse caso, dois idiotas: Sasuke e Naruto, que corriam como se suas vidas dependessem disso,

Sakura estava, naquele momento, sentada em um carrinho de golfe ao lado de Rock Lee. Com o automóvel, eles acompanhavam os competidores, de modo a ter certeza de que tudo corria bem.

A Haruno bem que tentou, mas não conseguiu ignorar a preocupação crescente em seu peito. O tempo estava horrível, e ela previa que logo choveria. Além disso, Sasuke Uchiha definitivamente era um idiota! Ele estava doente, pelo amor de Deus! Uma hora ou outra, ia acabar se sentindo indisposto, e nada adiantaria toda aquela afobação. – Algum problema, Sakura-san? – Lee questionou. Ela lhe deu um sorriso ansioso, e negou, mas ao voltar a observar os corredores, ao ver Sasuke parado no meio da pista de corrida, tossindo freneticamente, estremeceu.

– O senhor Uchiha está se sentindo mal! – Ela exclamou assustada.

– Oh, isso é normal. É porque ele correu demais, e está desacostumado. – Ela estreitou as sobrancelhas. Rock Lee dificilmente sabia mais sobre saúde do que ela própria, mas não queria ser mal educada.

– Talvez, se fossemos até lá... – Lee negou.

– Sasuke-kun é muito competitivo. Não vai sair da corrida por causa de uma tossinha boba. – E foi só ele dizer para o outro voltar a correr. – Viu só? – Sak estreitou os lábios, preocupada, mas nada aconteceu, no fim das contas.

Naruto Uzumaki foi o grande vencedor, seguido por Sasuke e Itachi – que havia se apressado para ficar ao lado do irmão, caso ele tornasse com a crise de tosse.

Hinata havia terminado em décimo segundo lugar, mas nem isso a livrou da imprensa. Eles a cercaram assim que tiveram a oportunidade, para questioná-la sobre a música que havia cantado na noite anterior.

O senhor Uchiha, aproveitando-se do fato de os holofotes estarem voltados aos melhores amigos, se aproximou cautelosamente da senhorita virgem Haruno – era assim que ele havia pensado nela durante todo o dia.

Sakura estava envolvida numa conversa desinteressante com o dono da Poder da Juventude; ela não parecia particularmente interessada, até notá-lo se aproximar. A partir de então, se esforçou para fingir ânimo com a conversa do rapaz. – Então, nós poderíamos marcar um piquenique... Eu gosto muito de piqueniques. Talvez num parque grande? Assim você pode me ver correr... Eu corro bem. Gostaria de ter corrido hoje, mas a corrida é só para os patrocinadores. – A rosada sorria e assentia, mas sua atenção estava completamente presa à presença que se aproximava.

– Rock Lee, eu posso roubá-la por um instante? – Sasuke pediu educadamente, mas levou-a sem esperar qualquer resposta.

– S- Sasuke-kun! A imprensa está aqui! – Ela murmurou, constrangida e assustada, mas ele deu os ombros. Levou-a até o estacionamento e empurrou-a para dentro de seu carro, sem cerimônias. – E- Eu preciso voltar ao trabalho! – Ela tentou argumentar.

– Eu não vou te sequestrar. – Ele a tranquilizou antes de entrar no carro. – Só quero conversar. – Ela sentiu o coração acelerar, e o rosto enrubescer.

– C- Conversar...? – Ele anuiu.

– Não consigo parar de pensar no que aconteceu de manhã. – Ele lhe confessou. – Passei o dia imaginando em como te evitar, e pensando em como eu odiaria ser evitado. Mas então, enquanto eu estava correndo e parei para tossir... – A garganta ruim o fez pigarrear. – Pude notar que me observava, e isso, de alguma forma, me... Encorajou. – Ele suspirou longamente. – Eu não sei o que quer de mim, senhorita Haruno. – Disse-lhe. – Parece estar interessada, mas insiste que não; parece gostar de mim, mas não quer gostar de mim... Eu não sei como me comportar. Talvez devesse me afastar, deixá-la em paz, mas-... – Ele não soube continuar.

–... Mas...? – Ela instigou, ansiosa.

–... Mas eu a quero. – Achou que aquela frase devia descrever seus sentimentos melhor do que qualquer coisa. – Portanto... – Ele suspirou longamente. – Eu tenho algo a propor.

Notas finais
Eu não sei se vou conseguir postar amanhã (embora eu devesse postar, como compensação à vocês), porque tenho uma prova maldita na segunda. Vocês sabem que costumo a postar de duas em duas semanas quando estou em provas... Mas prometo que, no mais tardar, no domingo que vem tem post! ç-ç Sinto muito, pessoal, por não ter tempo de responder seus comentários... Eu realmente to tendo um mês super cheio. Mas quero que fique claro que eu leio todos os comentários, e que cada palavra, de cada leitor, me inspira a continuar! Obrigada a todos que acompanham fielmente 50tonsU! Eu espero que continuem comigo até o fim da história! sz~