50 Tons De Fascínio

1 Capítulo 1 - Nunca esquecerei essa entrevista!


Notas iniciais
Anastácia jamais seria a mesma. Ao entrar no escritório de Cristian Grey, ela não conseguia pensar em outra coisa, a não ser naquele homem maravilhoso a sua frente.

Acordei na minha enorme suíte e observei o relógio em minha mesinha de cabeceira, marca 6:15 da manhã. Ah! Teria que levantar agora se não quisesse chegar atrasada em Seattle.

Levantei e segui pro meu enorme banheiro, me olhei no espelho, escovei os dentes e comecei a pentear meus longos cabelos castanhos. Acabei a tarefa e me dediquei a um gostoso banho quente.

Já enrolada na toalha, fui em direção do meu closet, escolhe um conjunto de saia e blazer azul, uma blusinha de seda prata e umas sandálias de salto alto prata. Olhei no espelho e aprovei. Estava linda! O conjunto abraçava meu corpo esbelto com doçura e combinava perfeitamente com meus olhos azuis.

Maldita hora que deixei Kate, minha colega de faculdade, que morava comigo em meu apartamento há quatro anos, me convencer a fazer uma entrevista com o empresário Cristian Grey, dono da Grey Entreprises Holdings Inc., empresário excepcional e benfeitor importante da nossa faculdade.

Kate estava muito resfriada e não poderia ir. Ela insistiu tanto nestes últimos dois dias, que foi praticamente impossível recusar.

Hoje é sexta-feira e amanhã terei um importante lançamento simultâneo em todas as minhas dezenove livrarias. Apesar de ter apenas vinte e um anos, eu também sou uma empresária bem sucedida no ramo literário. Tudo começou quando eu tinha quinze anos e escrevi meu primeiro livro. Ainda estava no colegial e meu professor de Literatura era irmão do dono de uma grande editora, ele levou meu manuscrito para seu irmão ler e no ano seguinte eu já tinha lançado três livros e minha conta bancária não parava de crescer. Quando comecei a faculdade me apaixonei por uma livraria que iria fechar próxima ao bairro que eu morava e resolvi comprar. Resultado: quatro anos depois havia dezenove Livrarias Steele espalhadas por todo país, contratos com inúmeras editoras importantes. Nada mal para uma menina que começou a escrever para esquecer um trauma na adolescência.

Quando eu tinha treze anos meus pais se separaram e fui morar com minha mãe. Alguns meses depois, ela conheceu Gordon e casou-se com ele. Gordon não era muito desagradável e gostava de beber. Uma noite, minha mãe trabalhou até mais tarde e Gordon chegou bêbado em casa, perguntava onde minha mãe estava e começou a me bater, eu não conseguia me defender, ele era muito forte. A princípio ele só me dava chutes e pontapés, depois pegou seu cinto de couro e me batia nos braços e nas pernas, me socou o rosto e por último bateu com um taco de sinuca na minha cabeça. Quando ele se acalmou, fugiu. Quando minha mãe chegou, vendo-me quase morta, se desesperou e chamou a polícia. Eu fui levada para o hospital e fiquei internada durante dois meses. Quando sai do hospital fui morar com meu pai. Gordon foi preso e depois condenado.

O amor pela arte de escrever me fez vencer este trauma e me ajudou a fazer o meu futuro. Montei sociedade numa loja de caça e pesca com meu pai, que depois de alguns anos ampliou o negócio e expandiu nossa marca pra todo país, fornecendo franquias.

Também pude ajudar minha mãe, que agora mora na Geórgia. Somos sócias numa rede de hotéis para turistas.

Quando comecei a faculdade ainda não confiava muito nas pessoas, não deixava ninguém se aproximar e Kate me ajudou muito nisso. Logo que nos conhecemos convidei-a para morar no meu apartamento. Era muito grande: uma suíte, três quartos, sala, cozinha, banheiro, área de serviço e escritório. Logo nos tornamos como irmãs.

Kate era tão diferente de mim. Ruiva, tinha olhos verdes e segura de si. Quando nós íamos as baladas, ela sempre arrumava alguém. Mas eu nunca tinha vontade de ficar com aqueles carinhas bobos. Cheguei a beijar alguns, mas nada foi assim extraordinário. Nunca tinha tido uma namorado, acho que estava esperando um daqueles meus personagens incríveis, mas isso nunca aconteceu.

Agora estou aqui, olhando para o rosto vermelho de Kate e me despedindo. Tenho que ir logo senão chegarei atrasada para entrevista com o senhor dono do mundo Cristian Grey. Kate me desejou boa sorte e voltou pra cama.

As estradas estão tranquilas quando eu parto de Vancouver, com acesso a Washington em direção a Portland e a I-5. Vou deslizando sobre a pista com meu desportivo Mercedes CLK preto.

Lembro mentalmente de algumas perguntas que Kate compilou pra mim usar na entrevista. O que está me deixando mais apreensiva era sua última pergunta: ela que saber se Cristian Grey é gay. Eu a confrontei sobre sua curiosidade e Kate apenas deu de ombros, explicando que o senhor Grey nunca foi visto com nenhuma namorada e nunca levou uma companhia feminina a nenhum evento que comparecesse.

Estaciono minha Mercedes no estacionamento do grande prédio luxuoso que serve de sede para o senhor Grey e parto pra recepção. Lá informo meu destino e sou orientada a seguir pelo elevador até o vigésimo segundo andar. Uma vez que as portas do elevador se abrem, me encontro na entrada de um lindo escritório. Tudo é muito moderno e sóbrio. Os móveis são modernos e caros. Direciono-me a uma grande mesa e uma loira me atende:

_Por favor, senhorita Steele fique a vontade. O senhor Grey lhe atenderá em alguns instantes – Disse me indicando um dos conjuntos de sofás espalhados na sala.

A loira atende o telefone e rapidamente me informa:

_Senhorita Steele siga por esse corredor e entre por aquela porta, não precisa bater e só empurrar a porta – ela disse sorrindo.

Levantei, ajeitei minha bolsa prata de grife no ombro e segui pelo corredor, ao empurrar a porta, tropecei nos meus próprios pés e cai de joelhos no chão, minhas mãos estavam estendidas ao lado das pernas e minha cabeça permanecia baixa. Só pensava que queria ter um grande buraco ali no chão e me afundar de tanta vergonha.

_Senhorita Tron precisa de ajuda¿ — disse me pegando pelo ombro e me ajudando a ficar de pé.

Quando meus olhos observaram Cristian Grey, fiquei muda. Ele era lindo, um deus grego. Tinha olhos cinza, cabelos acobreados e um corpo escultural. Vestia um terno preto super elegante e uma blusa de linho branca, aparentava um pouco menos que trinta anos.

_Oh! Obrigada senhor Grey – disse vacilante e prossegui _ Mas não Sou a senhorita Tron, ela estava indisposta e vim substituí-la. Sou Anastácia Steele – falei estendendo a mão.

Quando apertamos nossas mãos pude sentir um forte arrepio por todo meu corpo, uma corrente elétrica invadiu minha pele e soltei sua mão.

_Senhor Grey me desculpa pela entrada nada elegante em sua sala – disse com vergonha e corei de imediato.

_Oh! Não se preocupa senhorita Steele, foi muito interessante – ele sorriu

maliciosamente pra mim – Sente-se por favor senhorita Steele!

Sentei na cadeira que me indicou e ele rodeou sua elegante mesa e se afundou em sua cadeira de couro preta.

_Se importa se eu gravar a entrevista Senhor Grey? — perguntei com a voz mais profissional que pude, olhar pra Cristian Grey me deixava desconfortável, ele era tão lindo.

_Claro que não senhorita Steele – ele respondeu roçando seu indicador pelo lábio inferior. Aquilo me fez corar mais que uma beterraba.

Comecei a entrevista com Cristian Grey e intercalava as perguntas de Kate com minhas próprias perguntas. Grey sem dúvida era um homem inteligentíssimo e muito centrado nos seus objetivos. Pude notar que era megalomaníaco e fanático por controle. Às vezes exalava uma arrogância sem tamanho. Na realidade Cristian era um dominador, tinha nascido para dominar tudo e todos ao seu redor. Às vezes ele me olhava e respondia as perguntas como se tivesse pesando em outra coisa e isso me fazia nervosa e juro que ele percebia e gostava. Estávamos quase no fim da entrevista e resolvi preparar terreno para a pergunta obcena de Kate.

_Senhor Grey, o senhor participa de várias festas e eventos beneficentes e nunca foi visto na companhia de uma presença feminina. O Senhor tem namorada? — perguntei corando mais uma vez.

_Não senhorita Steele, eu não namoro – disse com um olhar perverso nos olhos que acendeu tudo dentro de mim.

_Senhor Grey, o senhor é gay? — quando olhei pra Cristian ele estava vermelho de raiva e seus olhos me fuzilavam.

_Não, Anastácia eu não sou gay – disse rispidamente com voz dura, juro que se ele pudesse me daria umas palmadas.

_Oh! Senhor Grey, eu peço desculpa essas perguntas são da senhorita Tron — digo envergonhada e nervosa.

_Vocês são colegas do jornal estudantil? Você se voluntariou para essa entrevista? — ele pergunta mais calmo, coçando seu queixo.

_Não, senhor Grey, Kate mora comigo em meu apartamento, ela realmente não está bem e me pediu que viesse em seu lugar — digo com sinceridade abaixando os olhos pro chão.

_Isso explica muita coisa – diz ele me analisando por inteira.

Há uma batida na porta e a secretária entra.

_Desculpa senhor Grey e que sua próxima reunião será em dois minutos.

_Nós não terminamos aqui Andréa. Por favor, cancele minha próxima reunião.

Ela fica de boca aberta e sai em seguida.

_Onde estávamos senhorita Steele¿

_Por favor, não gostaria de atrapalhar suas obrigações – digo nervosamente.

_Não tão rápido Anastácia. Você me fez algumas perguntas muito constrangedoras. Gostaria de saber mais de você. Quais são seus planos depois da formatura? — Grey me pergunta com sinceridade, isso me desarma.

_Senhor Grey depois de formada venho morar aqui em Seattle – digo corando.

_Isso é Bom. Você já tem trabalho? Nos temos um excelente programa de estágio na empresa – ele diz sorrindo maliciosamente, isso faz minhas coxas contorcerem.

_O senhor está me oferecendo um emprego? Se for, agradeço. Mas já tenho um emprego — digo devolvendo um sorriso zombador.

Seu olhar é intenso, faz meu corpo todo se contorcer num desejo que nunca havia sentido, não consigo tirar meus olhos dos seus lábios, das suas mãos e enfim desviou meu olhar e me coloco de pé.

_Senhor Grey, obrigada pela entrevista. Creio que a senhorita Tron ficará muito satisfeita — digo e estendo a minha mão.

Grey se levanta rapidamente, dá a volta na mesa e pega minha mão, me puxando em sua direção. Enrola meu corpo em seus braços e me beija os lábios. Seu beijo e insistente, sensual, não deixando nenhum prisioneiro. Segura minha cabeça com uma mão e a outra passeia no meu corpo, acaricia minhas costas, minha cintura e minha bunda. Sinto sua enorme ereção em minha coxa. Seus lábios descem para meu pescoço, minha clavícula, volta pros lábios e dou pequenos gemidos.

_Anastácia, você está me deixando louco! – diz se afastado dos meus lábios e acariciando minha face.

_Oh! Senhor Grey, acredito que o senhor está fazendo o mesmo comigo — Não consigo pensar direito. Não acredito que estou no meio da sala do escritório de um dos empresários mais ricos do país, me esfregando nele.

_Senhor Grey, por favor , eu preciso ir – disse com uma voz rouca que nem eu e mesma conseguia reconhecer.

_Tudo bem Anastácia, vamos com calma — diz se afastando do meu corpo.

_Eu realmente tenho que ir, vou voltar dirigindo e tenho alguns compromissos na parte da tarde – digo sem pensar.

_Tudo bem Anastácia, eu te acompanho até o elevador – diz segurando em minha mão.

Saio da sala de mãos dados com Grey. Isso causa um espanto nas duas secretárias que estão sentadas trabalhando. Ele aperta o botão do elevador e diz:

_Adorei te conhecer senhorita Steele!

_Eu também senhor Grey! — respondo sinceramente

O elevador chega e eu entro:

_Adeus senhor Grey! – digo me jogando pra dentro do elevador.

_Adeus senhorita Steele! – Ele diz piscando pra mim.

Oh! Meu Deus! Estou louca. Mal consigo sair do elevador. O que aconteceu no escritório de Cristian¿ Não pude resistir aos seus beijos, ao seu toque, as suas mãos insistentes sobre meu corpo. Vai ser um longo caminho pra casa!