5 Vidas Com Ela
4 Vamos fazer isto juntas querida.
Notas iniciais
Lana acordara com um leve sorriso nos lábios, e quando seus olhos finalmente abriram-se, tudo o que pode ver foi o lado esquerdo da cama vazio. De repente as lembranças a invadiram e ela corou quando se lembrou da noite passada. E envergonhou-se ainda mais quando pegou-se pensando em como Ally era boa de cama, e em como ela queria repetir tudo outra vez. Algum tempo depois, Lana finalmente saiu de seu sonho erótico matinal, estapeou de leve seu rosto e disse para si mesma:
“Foco Lana, foco.”
Você não pode e nem deve se deixar levar assim, isso tudo é só uma despedida em nome dos velhos tempos. Isso nunca daria certo. Nunca.
A silhueta de Ally apontou na porta do banheiro, vestida numa camisola um tanto curta, de cor negra, um par de pantufas, e com um rabo de cavalo meio torto. Os olhos de Lana brilharam, e o desespero tomou conta da garota, ela já não sabia o que fazer.
Ally sorriu, e finalmente Lana disse:
– Bom dia amor.
– Bom dia querida. – Disse Ally, seguido de um bocejo longo.
Lana saltou da cama e foi em direção a Ally, a abraçou forte, como se fosse uma despedida, e num gesto meio desesperado beijou-a intensamente. E quando o beijo chegou ao fim, olhou o rosto de sua amada por alguns instantes, e saiu em disparada até o banheiro, onde se trancou, recostou-se na parede e deixou que seu corpo descesse até o chão.
A noite anterior havia sido ótima, ainda melhor do que as expectativas dela. E era difícil aceitar que um dia aquilo simplesmente acabaria. Sem escolhas, Lana deixou que a culpa a invadisse e sussurrou baixinho o quanto odiava aquela covardia que insistia em dominá-la.
Ally por sua vez, permitiu-se cair ao chão, e por mais que ela quisesse, não ter entendido aquela atitude repentina que Lana tomara, ela não conseguia negar, aquilo era claramente um sinal. Um aviso de que aquilo que elas tinham, não duraria para sempre. E pela primeira vez desde que chegara ali, Ally não se culpou por as coisas terem chegado àquele ponto.
Se por um lado Lana havia desistido de tudo, por outro lado, Ally estava ali para tentar fazer o possível para tê-la. Afinal, ela havia chegado ali determinada, com um único objetivo, ela só não sabia como contar a garota a loucura que havia cometido. o silêncio foi a melhor saída que ela encontrou, já que tinha medo que Lana reagisse negativamente. Mas o fato era que a garota havia deixado sua antiga vida, em sua antiga cidade, e havia chegado ali, determinada a ficar ao lado de sua garota, e para sempre permanecer ali, só elas duas. E quanto a isso ela não tinha dúvidas. Disso ela tinha certeza.
O som da campainha traz Ally de volta a realidade. O som ecoa por todo o quarto de hotel mais uma vez, então a garota se levanta apressadamente, abre a porta e dá de cara com o serviço de quarto:
– Foi daqui que pediram um café da manhã para dois?
– Sim, pode colocar na conta. – num movimento rápido a garota puxou a mesa móvel e fechou a porta do quarto.
A preocupação gritava dentro da garota e num tentativa inútil de amenizar tudo aquilo, jogou-se na cama e então viu seu telefone celular piscar, ela não queria ver aquilo, definitivamente aquilo era a última coisa que ela queria checar, tudo com o que ela se importava agora era com Lana.
Quando sentiu que estava pronta, juntou toda a coragem que tinha, levantou-se e caminhou a passos lerdos em direção ao banheiro, bateu na porta suavemente. Infelizmente o silêncio insistia em pairar. Mais algumas batidas e então Ally ouviu soluços, e gemidos. Gemidos de choro, aqueles gemidos que Ally reconheceria a milhas de distância. Desesperada, a garota bateu na porta, atingindo-a com vários socos seguidos, e permaneceu assim, incansavelmente até que Lana abrisse a porta.
Finalmente Lana resolveu abrir a porta, e quando o fez, Ally a agarrou, segurou-a em seus braços o mais forte que pode, enxugou as lágrimas que escorriam no rosto da garota, beijou-lhe a testa, acariciou seu rosto e disse gentilmente:
– Está tudo bem querida, nós sobreviveremos a isto, apenas confie em mim... Ao menos desta vez.
As lágrimas foram inevitáveis, e após algum tempo abraçadas, Lana a beijou e a conduziu até a cama, onde se deitaram e se curtiram por um bom tempo.
– Eu tenho medo. – Disse Lana quebrando o silêncio.
– Medo do que? – Balbuciou Ally.
– Eu temo o que avida reserva para nós, eu acho que nunca estive certa de que daríamos certo algum dia. E agora eu vejo esta possibilidade claramente, e acho que tenho medo de me entregar sabe.
Tais palavras acertaram Ally como verdadeiras pedradas, a garota quis chorar mas manteve-se firme e conteve o choro.
Repentinamente o celular de Ally toca, aquela era a desculpa perfeita para sair e chorar um pouco. Ao pegar seu celular, para sua surpresa, viu que era do corretor que ficara responsável de arrumar um apartamento para ela na cidade, e como tudo ainda era uma surpresa para Lana, a garota pediu licença e seguiu até a sacada do hotel onde atendeu ao telefone num tom baixo:
– Ah, O-oi, desculpe-me por não atender antes. – Sua voz saiu um tanto entrecortada, já que ela tentava segurar o choro.
Ela não podia fraquejar agora, pelo contrário, ela devia ser forte e aguentar, mas era tudo tão difícil.
– Sem problemas, eu só queria informar que encontrei três apartamentos que se adequam ao padrão no qual a senhorita havia solicitado. Teria como agendarmos as visitas?
– Ah eu sinto muito, mas os planos mudaram, eu voltarei para casa. Desculpe-me mais uma vez.
Agora já não restavam dúvidas, ela havia se decido aquele era realmente o fim.
A própria vida encarregou-se de dar um fim ao romance de Ally e Lana, bom, ao menos por enquanto.
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