5 Vidas Com Ela
2 Covardia e Insegurança.
Notas iniciais
Após hospedar-se no Royalle – O único hotel descente daquela cidadezinha -, Ally tinha muito a fazer. Embora não quisesse, a garota precisava desfazer as malas, encontrar algo para vestir, mas não qualquer roupa, algo que fizesse jus ao primeiro encontro. Precisava também de um longo banho quente, um banho milagroso que levasse embora todo o cansaço que começava a tomar conta de seu corpo.
Enquanto tirava suas roupas da mala, tentando não enlouquecer e correr para os braços de sua amada, Ally mantinha os olhos fixos na tela de seu aparelho celular, na esperança de que Lana desse algum sinal. Ela queria ir até Lana, ou quem sabe até ir busca-la no fim do expediente, mas não podia, além de não conhecer a cidade, a garota sequer tinha um endereço. E a ideia de ter Lana apenas por cinco dias era o que mais machucava, ela havia esperado cinco anos para finalmente conhece-la, cinco dias era mais que insuficiente, era injusto até.
Após guardar toda sua bagagem e arrumá-la em seu quarto temporário, seguiu até o banheiro, onde se despiu e tomou um longo banho.
***
Do outro lado da cidade, Lana acabara de sair do banho, e olhava-se no espelho vestida em um vestido preto, de cumprimento mediano, o qual se aderiu perfeitamente ao seu corpo. A julgar pela expressão de satisfação em seu rosto, parecia que a tão rigorosa escolha da roupa, do primeiro encontro havia chegado ao fim. Em seguida, a garota penteou seus longos cabelos ondulados, maquiou-se ao seu estilo, discreta e serena, calçou um par de sandálias com salto médio. E em seguida escreveu um bilhete para Chelle que dizia:
"Ela veio. Estou indo vê-la,
finalmente nos encontraremos. E
não preocupe-se , quando voltar
juro que a explicarei tudinho, até logo."
Pregou o bilhete na geladeira, apanhou as chaves de casa e do carro, e caminhou até a garagem.
Enquanto dirigia, suas mãos suavam, suas pernas tremiam, e por um momento a garota pensou em desistir, dar meia volta e ligar para Ally, mas por outro lado o desejo de vê-la era ainda maior que sua timidez, seus medos e anseios.
Minutos depois a garota estava em frente ao hotel, após ter estacionado seu carro. E estava prestes a se dirigir até a recepção, quando lembrou-se de que não possuía o número do quarto de Ally, foi aí que resolveu ligar para ela. O telefone não chamou mais que duas vezes, logo Ally atendera ao telefone:
— Oi amor...
A voz de Lana falhou, e tudo o que conseguiu dizer foi um:
— O-oi. – meio rouco.
— Está tudo bem? – Perguntou Ally com certo receio.
— Sim... Desculpe-me por não ter retornado antes, é qu...
— Sem problemas, acabei de sair do banho, quando iremos nos encontrar? – As palavras de Ally se sobrepuseram às de Lana, um tanto quanto ansiosas demais.
As bochechas de Lana coraram ao imaginar Ally com a pele molhada, enrolada numa toalha, há alguns metros acima dela.
— O mais rápido possível. – Disse Lana quase sussurrando.
— Não vejo a hora de tê-la em meus braços.
Lana queria dizer a Ally que estava bem ali no hotel, ela queria perguntar o número do quarto e subir correndo até os braços de Ally e perder-se em seu olhar, provar da sua boca e colar seu corpo no dela, mas a pobre garota tremia, suava e travava. Então preferiu mentir:
— Então... A que horas passo aí para pegá-la?
— Ás 19h30, tá bom pra você?
— Sim, Sim.
— Até daqui a pouco Lana.
— Até logo Ally.
Lana consultou seu relógio de pulso e viu que faltavam exatamente uma hora para encontra-la, a garota odiou-se por não ter tido coragem de fazer o que queria, ela quis bater em si mesma por fazê-la esperar uma hora a mais para finalmente encontra-la.
A garota de cabelos negros acomodou-se numa das poltronas do saguão do hotel, respirou fundo e desejou que esta hora passasse voando, ou que sua covardia desaparecesse, ainda que fosse só por esta noite.
***
Em seu quarto, Ally dava os últimos retoques em sua maquiagem, usando um vestido turquesa, justo até a cintura e rodado em baixo, calçou suas sapatilhas, conferiu se em sua carteira tinha tudo o que precisava, e saiu pela porta do quarto.
Descendo as escadas que pareciam não acabar Ally pensava, e o frio na sua barriga era mais um sinal de sua insegurança, o tempo todo, sua mente gritava coisas do tipo: “E se ela não gostar de mim?” ou “devo abraça-la com todas as minhas forças, ou apenas deixar as coisas acontecerem naturalmente?”. Tudo era confuso na mente de Ally, e sua insegurança aumentava à medida que a garota de cabelos castanhos descia os degraus. Só de pensar que Lana poderia lá embaixo, estar a sua espera, ela suava frio e teve de apoiar-se no corrimão quando suas pernas ameaçaram fraquejar.
Quando finalmente chegou ao saguão, dirigiu-se até a sala de espera, e para sua surpresa, a medida que ia se aproximando, ia conhecendo cada vez mais aquela silhueta, apesar de tê-la visto apenas algumas vezes por fotos, ou em chamadas de vídeo, os cabelos encaracolados e negros de Lana eram algo que Ally jamais confundiria. A garota apertou o passo, e com os olhos cheios d’água parou de frente para Lana que distraída não a viu se aproximar.
Ao levantar o olhar, Lana entrou em estado de choque, e com as bochechas coradas, levantou-se prontamente há alguns metros da sua garota, e permaneceu assim por alguns segundos. Ally por sua vez, tomou a iniciativa, abraçou-a, e ambas choraram, uma no ombro da outra, desfrutando do aconchego confortante que seus corpos traziam para ambas.
Nem mesmo a covardia de Lana somada à insegurança de Ally, foi suficiente para impedir este encontro.
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