5 Estágios da morte
1 Capítulo 1 - Negação
Notas iniciais
Negação e isolamento.
Ao receber a terrível notícia que você está morrendo e não pode fazer nada para evitar, talvez essas sejam sua única arma e mesmo que falhas irão te ajudar.
Ao receber a terrível notícia que você está morrendo e não pode fazer nada para evitar, talvez essas sejam sua única arma e mesmo que falhas irão te ajudar.
Capítulo Um – Negação
— Você está morrendo. As palavras saíram da boca dele e alvejou-me como dezenas de tiros disparados pela mais temível das armas, a palavra. — John lamento informa-lo, mas o tratamento falhou, seu câncer está em estágio avançado. Isso não é possível, tudo oque tive de passar com esse maldito tratamento, a dor que senti por todo esse tempo, com a vaga esperança que tudo fosse mudar que eu finalmente poderia ter uma vida normal como todos. Meus olhos não conseguiam entrar em contato com os do médico. Eles estavam focados na janela pela qual irradiava grande parte da luz daquele cômodo, as nuvens passavam pelo céu, sem pedir permissão circulavam como em uma dança espetacular. Oque me levava a pensar, se realmente haveria vida após aquilo. Após toda essa dor, após perder tudo, perder todos, seria eu realmente digno de estar no paraíso? Um som provindo de minha frente me chamou a atenção novamente. — Você tem APROXIMADAMENTE... – realçou ele. — ... Provavelmente 2 meses de vida, me desculpe. Tudo caiu, desfaleci em minha consciência , onde estaria aquele deus agora, aquele deus misericordioso, famoso pelos seus milagres. Tudo aquilo era uma farsa, uma mentira vendida a nós sem preço, quem era ele para me dizer o quanto mais vou viver. Dei as costas ao meu mensageiro da morte, e comecei minha jornada rumo ao nada, destinado talvez à morte, meu previsível destino. Tudo parecia ter mudado, os lugares pelos quais havia passado milhares de vezes, tinha outro sentido agora, havia outra atmosfera a me cercar, minhas batidas estavam contadas, e a cada batida do relógio meu tempo se ia, como águas correntes escorrendo pelos meus olhos. Adentrei em meu quarto, tudo estava como havia deixado naquela manhã. Percorri-o aquele pequeno cômodo até minha cama e sentei-me nela. Tentava na vão tentativa de controlar meus sentimentos, enquanto uma lágrima escorria e caía ao chão, eu queria naquele momento segui-la, apenas ficar ali deitado, esperando que meu destino se realizasse e tudo estivesse acabado. Observava o relógio em minha parede, por alguma razão ele parecia se mover mais rápido, seus ponteiros vinham e iam se cruzavam, e a certeza de que meu tempo estava acabando me confrontava sem medo. Chegava o momento em que eu não almejava mais ver ninguém, apenas queria ficar ali, esperando. Possivelmente as pessoas que já me conheciam, lamentariam minha perda, até mesmo aqueles tolos que rejeitavam-me agora chorariam falsamente sobre meu corpo sem vida. Ninguém havia sido notificado que eu estava morrendo até o presente momento, não queria que eles sofressem antecipadamente, até mesmo não queria que eles sofressem naquele momento. Desejava apenas ser esquecido, ser um borrão em suas memórias, simplesmente desaparecer não deixando rastros de minha evidência, estava a me sentir culpado por inevitavelmente ter que fazer aquilo, mas eu não poderia escolher. — Me desculpem...
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