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10 Capítulo 10. Número cem da Baker Street


Notas iniciais
Falta mais um, mas só amanhã, sorry.

Pansy havia lhe enviado o horário — às 23 horas — e o local — o número 100 da Baker Street. Harry sabia que tinha algo na cultura trouxa que remetia a essa rua comercial e bem localizada no centro de Londres, mas não conseguia lembrar o quê.

Deu de ombros, lembraria depois. Parou em frente à uma loja em um prédio obviamente trouxa de aparência marmorizada, com um pequeno toldo circular sobre sua porta, onde se lia um grande 99 Baker Street — quase como uma marca — e um grande prédio imponente, de tijolos vermelhos antigos, com duas entradas comerciais espaçosas e dois jogos de janelas idênticos — as três primeiras com a parte de cima arredondada e as demais quadradas, quadradas e quadradas até o topo.

As duas construções fechavam mais um quarteirão da rua comprida, era o 99 e 101 da Baker, respectivamente, entre elas havia uma faixa de tijolos marrons escuros que destoava tanto de uma fachada como de outra, exatamente como se o donos de cada prédio não tivessem concordado com qual aparência seguiria a ligação entre os dois.

Sorriu pra isso, porque conhecia muito bem esse feitiço espacial, Grimmauld Place tinha se desdobrado mais vezes do que poderia lembrar, principalmente depois que abriu a casa para Luna avaliar. Sua amiga acabou fazendo um ótimo trabalho de restauração e venda.

Luna Lovegood Scamander no ramo imobiliário tinha sido uma surpresa para todos. E suas criaturas inacreditáveis? A publicação de seu pai? E qualquer coisa que não envolvesse comprar e vender casas por toda a Ilha?

Ela sempre se divertia com a surpresa e exasperação das pessoas, ainda mais porque era boa no que fazia, Luna repetia com seus olhos sonhadores e vestes feitas a mão “Não vendo casas, vendo lares, vendo sonhos! É tudo sobre energia e o que é e o que não é perfeito para cada um.”

A corretora fora dos padrões havia vendido a Harry e Ginny o seu lar por mais de cinco anos. A casa era ótima para receber amigos, era pacífica e o convidava a sonhar com um futuro de família grande e muitas reuniões e risos infantis, embora todo o seu conceito fosse bastante elegante e moderno, perfeito para um casal jovem sem pretensão de crianças em um futuro próximo.

Pensando bem, parecia que Luna sabia mesmo o que a casa deveria parecer e ser, mesmo que fossem coisas diferentes.

Sacudiu a cabeça e voltou para o presente. As coisas haviam mudado agora, estava diante de seu futuro real, iria decidir os pormenores dele hoje, aceitar oficialmente a vida de pai, a qual fugiu por todos os cinco anos de matrimônio com Ginny.

E cá estava ele sorrindo com uma ansiedade gostosa por dar esse passo que outrora lhe causará tantos problemas ao se negar a dar. Grande ironia.

— Fratello. — O nome soou simpático em sua língua e sua pronúncia culminou no desdobramento daqueles 30 centímetros de parede desarmônica em um grande prédio de cinco andares e paredes largas, de tijolos marrom queimado.

A porta de olmo escuro se abriu no mesmo instante e Harry se deparou com uma entrada escura, onde apenas um homem do tamanho de um armário sumidouro e com duas vezes sua largura, esperava com uma varinha empunhada.

— Sócio ou convidado?

— Convidado. Convidado de Parkinson. — O homem era intimidante, mas nem de longe era o pior que já vira. Mesmo com sua aparência magra e óculos redondos que falavam de uma vida simples, de poucos horrores, Harry era muito feliz por ser exatamente o oposto do homem que aparentava ser.

O gigante o avaliou com a varinha e depois continuou com sua voz gutural e nem um pouco mais simpática. Aquele era sem dúvida um restaurante que prezava pela seletividade e não pela receptividade. Harry esperava que a comida realmente fosse boa, dado a metidez do local.

— Duas regras somente, a usual e a escolhida pela sócia 63 em virtude de seu aniversário: nada que verá ou ouvirá aqui essa noite deverá ser contado ou mostrado de forma alguma. — O homem passou a varinha novamente e Harry dessa vez detectou o feitiço._ E, somente por hoje, o não será proibido, escolha sua palavra de segurança substituta.

— O quê? — Harry olhou em dúvida para a expressão impassível do bruxo a sua frente. Bem, parecia que Pansy havia arranjado um grande mistério no número 100 da Baker Street, não é mesmo? Oh, meu Merlin, era isso!

— Sherlock Holmes!

— Sherlock Holmes será então. — Espera, o quê? Harry se referia ao clássico da literatura, não a... Ah, que seja! O homem passou a varinha uma última vez, selando o suposto feitiço de segurança._ Sua acompanhante o aguarda na cabine número 4, seguindo pelo terceiro corredor após o grande Átrio Voyeur.

Uma porta se abriu onde antes era só parede e um extenso corredor de mais paredes negras, com as luzes azuladas iluminando de cima para baixo, se desdobrou como em um jogo de tabuleiro.

Harry tinha muitas perguntas, como por exemplo, para que exatamente serviria uma palavra de segurança ou porque havia um átrio com o nome de Voyeur no meio de um restaurante respeitável, porque até mesmo ele sabia o que aquilo significava!

Mas não pôde sanar nenhuma de suas dúvidas, já que o senhor truculento o empurrou para dentro e pronunciou um “Bom divertimento” seco, antes da porta se fechar e desaparecer as suas costas.

— Não devia me surpreender, antes de tudo essa é uma indicação da senhorita miss simpatia... — Sorriu com isso.

Porém se surpreendeu de todo modo.

***

Era de fato um grande átrio.

A enorme sala não parecia poder caber em nenhum prédio daquela rua, tamanho era o espaço que ocupava, devia ter sido mensurada em campos de Quadribol na sua construção! O teto abobadado permitia entrever o céu nublado de outono, mas as luzes indiretas não deixavam o ambiente cair em uma completa escuridão.

Harry preferia que ele tivesse deixado.

Havia camadas e camadas de balcões cercando a galeria e provavelmente eles davam para mais corredores secretos como aquele do qual tinha saído, mas as atividades que tomavam conta do local podiam ser vistas e até mesmo assistidas de binóculos por qualquer um com olhos na cara!

Em resumo, era tudo sobre sexo, sexo e mais sexo!

Sexo de ponta cabeça, com vários participantes, com duendes, fantasmas, muito couro, chocolate, nuvens de essências saídas de tubos assimétricos, com gritos, murmúrios e até de jeitos que Harry nunca ouvira falar!

Nem sequer tinha imaginação suficiente para imaginar certas coisas e as sensações que elas deviam causar nas pessoas que as faziam...

— Meu Merlin...

— Coma o meu chantilly. — Uma mulher que parecia ter ascendência indiana surgiu na sua frente, com nada mais do que sua pintura tradicional espalhada no corpo moreno.

— Como?

— Sim, por favor. -A morena apontou para baixo e Harry viu o perfeito merengue branco que cobria as partes íntimas da moça.

— Senhora, eu...

— Harry? — Ela o olhou em dúvida, mas depois abriu um sorriso brilhante._ Harry! A quanto tempo! Não se lembra de mim? Parvati Patil, nós fomos no baile de inverno do quarto ano juntos, lembra agora?

Oh Merlin, em que universo paralelo você havia jogado o mundo bruxo dessa vez?

— Parvati? Claro que lembro, como vai? Como vai sua irmã? — Cruzou os braços na defensiva, abrindo um sorriso simpático e adequado para uma conversa cujas as roupas de um dos participantes deviam ter sido deixadas na Índia.

— Estamos ótimas e você também parece incrível! Puxa... Nunca imaginei que o veria aqui. — Harry também não se imaginara nunca nessa situação, mas a vida tinha um senso de humor tortuoso._ Mas chega de bate-papo, vamos ao que interessa, por favor, faça as honras.

A mulher apontou para baixo, dessa vez com as duas mãos, mas Harry estava pouco disposto a tirar seus olhos da pequenina marca vermelha no meio da testa.

— Desculpe, Parvati, mas houve um engano, eu nã... Nã... – Tocou na garganta, porque o não simplesmente não saía.

— Acho que está usando uma palavra proibida, Harry... – Ela riu saudosa._ O mesmo Harry desatento de sempre.

— Eu... Tenho uma acompanhante hoje, desculpe. – Iria começar sua frase seguinte com um não, mas mudou de ideia na última hora._ Quem sabe da próxima vez?

— Ah, sim, claro! Na próxima vez. – Ela disse divertida, com certeza percebendo o desconforto do grifinório._ Só mais uma coisa, na verdade duas: mantenha os olhos nos pés e sua palavra de segurança na ponta da língua, querido. Nem todos aqui são tão normais quanto eu.

Alguma coisa dizia que aquela era a mais pura verdade, então agradeceu e seguiu seu caminho sem olhar para trás.

Merlin, mataria Pansy Parkinson!

***

Bebeu mais um gole do seu delicioso vinho rosé, que era a única coisa que ainda a estava mantendo nesse lugar moldado no quinto dos infernos. Iria matar o seu tio de uma maneira tão, mais tão cruel, que teriam que fazer um novo crime no código penal só para poder encaixar sua atrocidade nele.

Quando a porta da cabine número 4 se abriu novamente, Pansy se colocou pronta para fazer o próximo engraçadinho nudista entender uma negativa sem não com os punhos e uma azaração Pimentatus, mas dessa vez a pessoa que adentrou no recinto estava completamente vestido.

— Ah, Harry, é só você! — O bruxo fechou a porta e se encostou nela para recuperar um pouco do brio e também para garantir que não era seguido por aquele casal insistente.

— Desculpe decepcioná-la, estava esperando mais alguém? — Ela o olhou sem humor e ele gesticulou enraivecido. _ Por que?

— “Por que” o quê? — Harry cruzou os braços e a olhou ainda muito sério.

— Por que escolheu esse lugar para termos nossa conversa? — Pansy se ajeitou melhor na cadeira de espaldar alto, cruzando as pernas. _ Se queria algo do tipo podíamos muito bem ter ficado na minha su…

— Não seja absurdo, Potter! — Ela o olhou ofendida com a insinuação, mas não ruborizada. Pansy tinha orgulho de não ser uma dessas mulheres afetadas. _ Quem indicou esse lugar foi meu tio Anfion, lembra dele? Na verdade isso aqui é bem a cara daquele velho ma…

— Duas perguntas: por que deu ouvidos a ele e por quanto tempo devo jogá-lo em Azkaban dessa vez?

— Não seja tão dramático… No fim das contas apenas precisei trocar a decoração de câmara de tortura para a de um bistrô francês dentro de uma câmara de tortura. — Falou divertida, esquecendo a raiva anterior. Aparentemente ver Harry irritado a acalmava. _ E o vinho daqui é muito bom, então…

— Dramático? Dramático foi ver a garota com quem eu fui ao baile no quarto ano coberta apenas por chantilly!

— Hermione Granger está aqui? — Harry fez uma cara de confusão com a pergunta e Pansy riu de sua expressão. _ Desculpe, Harry, não resisti… Sempre achei que terminariam juntos, sabe?

—Ha.Ha.Ha, engraçadinha! Mione sempre foi apaixonada por Rony, era até mesmo naquela época do fatídico baile de inverno, quando ele tentou convidar sua agora cunhada veela aos gritos e Krum levou minha amiga em seu lugar.

— Duas evidências que provam meu ponto: Granger, apesar dos pesares, sempre foi a mais esperta dos três. — Harry ergueu seu recém-chegado whisky de fogo para isso, a cabine nada mais era do que uma versão sofisticada e pervertida da sala precisa.

— Mas eu com certeza sou o melhor dançarino. — Ele fez suas sobrancelhas dançarem, fazendo Pansy revirar os olhos com um sorriso nos lábios.

— Eu estava lá naquele baile, senhor Harry Potter, eu o vi dançando, lembra? — Ele riu com a lembrança, céus, se tinha melhorado em algo na vida, com certeza foi na sua habilidade como dançarino. _ Agora chega de papo furado, o que tanto precisava falar comigo?

Ah, bem, não importava o quanto quisesse passar mais tempo conversando com Pansy, ela ia sempre direto ao ponto. Harry suspirou antes de tirar os documentos que havia reduzido hoje mais cedo.

— Pedi essa reunião porque quero que Eileen tenha meu sobrenome e tomei a liberdade de iniciar o processo. — O homem passou os papéis que seu advobruxo havia elaborado para a mulher a sua frente.

— Fez isso sem falar comigo? — Ela não tocou nos documentos e Harry a olhou sem entender.

— Claro, não foi difícil, só precisei dar entrada no processo contra a Proseed e…

— Ei, ei, EI! VOCÊ NÃO ESTAVA MORRENDO? COMO TEVE TEMPO PARA ME APUNHALAR PELAS COSTAS? — Harry parou com o copo de whisky a meio caminho da boca, olhando a mãe de sua filha como se tivesse brotado um chifre na testa dela.

— Por que você está gritando? — Ela cerrou os punhos, com muita vontade de usar eles na cara sonsa de Harry Potter.

— Porque você entrou com um processo de paternidade sem me avisar! — Ele fez uma cara de desentendimento. _ Acreditou mesmo que não tinha problema?

— Não? — Ele respondeu com um olhar de dúvida assustada. Pansy respirou fundo, bebeu um gole de seu vinho delicioso e o encarou com mais paciência dessa vez. Era como lidar com sua filha de seis anos. _ Não, essa é minha resposta final.

— Ok, Harry, vamos deixar uma coisa clara aqui: eu não estou acostumada a ter outra pessoa me ajudando na criação de Eileen, então, vai com calma. — Razoável e pacífica, esfregaria isso na cara de Blaise assim que ele voltasse de Roma, porque ela agora podia se dizer uma adulta muito madura.

— Achei que já estava certo isso, mas tudo bem, me desculpe, não vai se repetir. Viu o que eu fiz? Usei uma das palavrinhas mágicas com você, pessoa madura bem aqui. — Ele falou brincando, para ver se voltava àquele clima tranquilo de antes, de quando estavam falando de seus tempos de Hogwarts. Funcionou.

— Então está bem, senhor Maduro, vamos pedir alguma coisa para comer. — Como se conjurado pelas palavras da bruxa, um cardápio de couro de dragão negro envelhecido surgiu na frente de cada um deles.

Passaram-se alguns minutos e assim que foram feitos os pedidos, Harry fechou o cardápio e o deixou desaparecer. Iria recomeçar a conversa apontando como tudo aquilo se parecia muito com um encontro, mas Pansy tinha outros planos.

— E então, Harry, quando resolveu entrar nessa história de ser pai?- Mais um gole de vinho e um reposicionamento do corpo para algo mais relaxado e informal, ainda que elegante. Madame Pnina era cheia de truques favorecedores da figura feminina.

Argh, mais assuntos sérios.

Harry se recostou em seu assento com menos empolgação do que estava antes quando tinha a perspectiva de levar a conversa para outros campos. Com essa nova posição, levou Pansy a se lembrar do garoto magricela e desleixado dos seus tempos de escola.

— Para ser honesto, eu nunca quis ser pai. — Pansy ergueu uma sobrancelha, aquilo não era muito animador, afinal, ele era pai de sua filha agora! _ Não me leve a mal, eu sempre quis ter uma família, a família que não tive quando criança, mas… Não queria ser pai, isso faz sentido?

— Na verdade não. — Fazia um pouco, mas Pansy queria que ele continuasse falando, queria saber mais sobre ele. Harry fez uma careta para seu copo e tentou de novo.

— Casar com Ginny foi como um sonho realizado, teria uma vida toda com a garota pela qual me apaixonei na adolescência e ainda faria parte da família mais incrível do mundo! — Sorriu com a lembrança de seu casamento há cinco anos, estava tão ridiculamente feliz naquele dia… _ Mas devia ter me tocado que uma garota que cresceu em uma família grande e barulhenta não iria querer nada diferente disso pra si.

— Ou ela iria querer exatamente o contrário. — Pansy apontou o óbvio.

— Na loteria da vida eu não dei essa sorte… — Falou conformado. _ Nem dei a Ginny o que ela tanto quis, nem segui com meus planos de não ser pai. Se eu fosse um cara cismado, acharia que o destino tem alguma coisa comigo...

Era para ser divertido, mas deixou a mulher a sua frente pensativa.

— Ainda se sente assim? — Harry passou a mão no cabelo bagunçado. Ainda se sentia assim?

— Não, Eileen foi definitivamente uma das melhores coisas… O que eu estou dizendo? Ela foi a melhor coisa que me aconteceu até agora! — Pansy sorriu para a confusão do homem, como se ela nem estivesse mais naquela conversa. _ Sempre soube que nem tudo que queria era o que precisava, mas dessa vez foi como levar uma imperdoável no peito, do jeito bom, você sabe, quero dizer… Ainda parece errado a ideia de um filho meu e de Ginny, me parecia como se eu nunca mais fosse ter minha esposa de volta, como se ela fosse virar a super mãe e… Nossa, isso soou horrível! Deuses que confusão!

— Você é muito tagarela, alguém já te disse isso? — O grifinório olhou para cima, quase surpreso por Pansy ainda estar ali o ouvindo com atenção. _ Mas sobre a parte de ser mãe, há um pouco de verdade. Às vezes, logo no início de tudo, me sentia como se tivesse simplesmente me obliterado e tudo que sobrara fosse a mãe de Eileen.

Pansy deu de ombros, mas pareceu incomodada.

— Não parece uma super mãe para mim… — Harry se consertou antes que ela pensasse que aquilo era uma crítica. _ Quero dizer, você é uma mãe incrível, mas… É apenas muito fácil vê-la como você mesma, vê-la como mulher…

Pansy não sabia como responder, céus, como qualquer um responderia a isso? “Bem, sou uma mulher sim, obrigada por ter notado”, sabia que não podia responder dessa vez com a primeira coisa que viesse na mente, algo a dizia que tinha uma nuance subentendida no tom do homem.

Recebeu com alívio o jantar dos dois.

— Nossa, isso está com uma cara ótima! — Não passou despercebido a Harry a mudança brusca de assunto. _ O que te parece?

— Parece promissor, ainda que leve um pouco de tempo para chegar até onde interessa. — Pansy parou de enrolar seu linguine negro com camarões e amêijoas, porque não soava como se ele estivesse falando da comida. Harry sorriu. _ Mas eu sou um cara paciente.

Essa era uma grande mentira, mas um ignorava os fatos e a outra desconhecia a verdade.

***

— Juro que todos ficaram sem saber o que pensar, Pansy Parkinson encantada com unicórnios? Que mundo absurdo é esse? — Pansy riu um pouco tímida dessa história, sua admiração por unicórnios era algo muito constrangedor. _ Hermione disse que você era um ser humano depois de tudo, um desagradável e vil, mas ainda assim, um ser humano.

Pansy ergueu sua taça a isso, gostava da sinceridade da outra bruxa. Já haviam encerrado o jantar e agora continuavam cada um com suas respectivas bebidas. Pansy se sentia leve e divertida, fazia tempo que não conversava sobre tudo e nada assim.

— Granger parece ser uma mulher interessante… — A mulher bordejou sua taça com o dedo indicador. Levantou o olhar e abriu um sorriso brilhante. _ Harry, já sei! E se deixássemos ela planejar a punição de meu tio?

— O quê? — O vinho devia estar finalmente embebendo o cérebro de Pansy Parkinson em álcool. _ Está doida? Mione nunca aceitaria virar a nossa paladina da justiça particular e, de toda forma, ela vai estar muito ocupada com Rose, a ruivinha nasceu adiantada sabia?

Claro que não sabia, mas não disse nada, porque Pansy sentia que tinha um ponto.

— Exatamente por isso! A mulher é um gênio nervoso engolidor de livros! Ela vai adorar ter uma distração de todas as fraldas, felicitações e choros…

— Foi tão ruim assim ter um bebê? — Pansy estendeu um dedo pedindo por um segundo, enquanto terminava de virar sua taça. O vinho desse lugar acabava muito rápido.

— Foi horrível e maravilhoso e assustador, um monte de coisas de uma vez! — Agora era ela quem estava presa em uma lembrança agradável. _ Ainda tinha Blaise dizendo que a clínica havia me enganado e me dado um filhote de duende no lugar do meu bebê!

Harry riu e por isso a mulher continuou.

— A pior parte é que eu realmente fiquei na dúvida, quero dizer, você já viu um recém-nascido? Já viu um de bem perto? — O homem fez que não com a cabeça, achava inconveniente e sem propósito visitar uma criança e mãe exaustas do trabalho de parto… _ São enrugados e molengos, com dobrinhas em suas peles rosadas… Ew, não recomendo.

— Quando Eileen ficou bonitinha? — Pansy sorriu para a taça vazia, saudosa.

— Graças a Merlin em menos de dois dias… Bebês crescem muito rápido. — Suspirou cheia de saudades daquela fase em que tudo que precisava fazer para sua filha ficar bem era deixá-la em seus braços. Harry sorriu para ela, que ficou constrangida no ato, a mente ainda não estava assim tão embotada de álcool para ignorar aquele olhar complacente. _ Nossa, como está tarde!

— Como sabe disso, você nem tem relógio! — Pansy não deu ouvidos, levantou tão rápido que Harry foi obrigado a fazer o mesmo, já que ela cambaleou. _ Ei, acho melhor você sentar um pouco.

— Não, não, eu apenas levantei rápido demais. — Ficou parada até recobrar seu equilíbrio novamente. Sabia que não estava ébria, mas beber muito sem levantar nunca falhara em fazê-la perder a noção de espaço. _ Só preciso de um minuto.

Harry resolveu não dar esse minuto a ela. Segurou em seu braço, bem na altura em que a manga ¾ acabava, porque gostava de pensar que era um quase cavalheiro. Pansy levantou o olhar pronta para dizer que não precisava de ajuda.

— Nem precisava pedir, já sei te ler nas entrelinhas.

— Está lendo a minha mente? — Ele não respondeu, apenas a puxou para perto de leve, encostando os lábios nos dela.

Pansy não ofereceu resistência e pensou que deveria ter se sentido ofendida por isso em algum grau, mas infelizmente não sabia muito bem como ativar de volta o botão de “ofensa mortal”.

Se separaram o mínimo e Harry aproveitou da sua diferença de altura para conseguir uma posição ainda melhor para os dois. Sorriu com o tempo que ela levou para abrir os olhos novamente.

— Se realmente se sentir ofendida, você sempre pode usar sua palavra de segurança. Na verdade, é muito estranho que com você eu possa falar o não sem… — Pansy se colocou na ponta dos pés e dessa vez tomou a dianteira e controle do beijo, porque Potter era muito tagarela! Nada de só encostar os lábios, ela o beijou com toda a boca, o puxando para perto, o abraçando e o segurando firme com as duas mãos.

Não pensou que fosse gostar tanto. Não sabia que o queria até ter e não pensava que pudesse deixá-lo escapar agora que sabia o que estava perdendo. A não ser pelo fato de que…

— Nossa, isso foi…

— 402. — A última expressão de Harry Potter antes de ser aparatado para o outro lado do estabelecimento pervertido foi hilária e fez a mulher se sentir um pouco melhor, porque sempre poderia voltar a beijar o grifinório, mas uma sonserina, antes de tudo, devia prezar por suas vinganças e promessas pessoais, mesmo que fossem por uma causa muito boba. _ Babaca!

Cambaleou divertida para fora da cabine 4. Provavelmente se arrependeria disso, mas isso era preocupação para outro dia, agora só queria ir para casa colocar a cabeça no travesseiro e dormir o sono dos justos.

Notas finais
Devia ter acabado aqui, pelo bem de todos, mas ainda tenho uma cena final pensada, que eu achei boa. Vamos ver se estou certa amanhã.