4.00 Am
2 Dancing Dead
Notas iniciais
POVs Ally
Grávida. Meu Deus. O clima tava pesado, eu podia sentir, e eu odiava climas pesados.
– OK, vamos animar? – eu disse.
– É... – Valary sorriu para mim.
– Olha – eu puxei meu lap top -, eu baixei alguns filmes pra gente ver... Quer dizer, eu baixei alguns filmes pra ver com o Zacky – eu ri.
– Carne, sangue e morte?
– Exatamente.
– To dentro.
Ficamos vendo The Human Centipede, comendo pipoca e bebendo vodka pura pra passar o tempo, quando finalmente nós estávamos bêbadas o suficiente para dormir. Mas mesmo bêbada, é claro, eu tinha que ter o mesmo pesadelo.
Eu estava deitada, vendo desenho, e tinha uns sete anos de idade, quando um velho entrava pela porta de casa, e eu me encolhia de medo. Ele chegava perto de mim, e fedia a bebida barata, cigarro e maconha. O velho sorria maliciosamente para mim, e fazia carinho pela minha cintura, e eu achava aquilo nojento. Ele olhou dentro dos meus olhos, e agora eu podia ver seu rosto. Era meu pai – eu nunca havia o chamado assim – e ele me dizia “quer que eu te coloque para dormir, meu bem?”
– NÃO! – eu acordei gritando. O relógio da cabeceira de Val marcava dez da manhã, e minha cabeça estava quase explodindo de tanta dor. Ouvi o barulho de alguém caindo, e depois de dez segundos, a Val abre a porta do quarto, desesperada.
– O que...? – ela correu até mim, e sentou-se ao meu lado, no colchão que eu havia dormido. – Pesadelo?
– O de sempre – dei de ombros. Val me abraçou então me lembrei de ter ouvido alguém cair, uma gravidez...
– Ah meu Deus, Valary, você caiu?
– Caí nada demais. Tropecei no tapete. – ela riu.
– Como assim, nada demais? E o bebê? Ah, será que está tudo bem? Vamos num hospital qualquer, ninguém vai ficar sabendo...
– Ei! – ela me sacudiu – Nada vai acontecer, eu não caí de uma altura muito elevada, e a gravidez ainda está no início, e eu nem tenho certeza de estar grávida mesmo... Esses testes de farmácia duvidosos.
– Tudo bem – eu não entendia nada de medicina, e Val era nerd pra caralho, então ela deveria estar certa. Ela sempre estava.
– Hmmmmm – Valary me olhou, semicerrando os olhos. – Hoje sim é dia de comprar algo, mas pra você. – eu levantei uma sobrancelha e ela pulou em mim. – FELIZ ANIVERSÁRIO!
– Ah, Senhor...
– Vá tomar um banho e trocar de roupa, que nós vamos comprar alguma roupa pra você. Aí mais tarde a gente sai pra comer um cachorro-quente com os meninos.
– Ta bom! A gente vai comprar roupas e blá-blá.
Arrumamo-nos e fomos até umas lojinhas de brechó, que não tinham nada que me interessasse. Acabou que eu escolhi duas calças rasgadas – uma azul marinho e outra azul clara, quase branca, com umas manchas que deixavam a calça mais bonita do que ela já era -, um shorts preto curto e uma blusa do Guns n’ Roses que eu tinha achado perdida por ali.
– Ta, agora eu to com fome, mesmo. – repeti pela terceira vez no mesmo dia.
– Meu Deus, Alicia, não sei como você é magra desse jeito! A gente acabou de comer um pacote de cookies, e você ainda está com fome?
– Claro que estou! Eu preciso de um almoço descente.
– Daqui a pouco você vai estar igual o Zacky. – ela revirou os olhos, e fomos para casa.
Quando chegamos, Val fez umas almôndegas com macarrão pra gente comer, e eu me fartei. Eu estava quase morrendo – literalmente – de fome. Nós estávamos conversando sobre alguma coisa relacionada a shows do Red Hot no sul da Califórnia, quando o telefone tocou.
– Atende pra mim? – Valary fez cara de cachorro pidão. Eu ri e corri para atender.
– Casa dos DiBenedetto, boa tarde?
– Cala a boca e passa pra Val – Matt rosnou, e riu logo depois.
– Não, amor, vamos fofocar, pera.
– Quem é? – Valary gritou da cozinha.
– O papai Noel!
– Como você é chata, Ally! Passa pra Val.
– Quem é caralho?
– O Matt! – gritei.
– Ah, garota, feliz aniversário – ele disse, e eu podia ouvir um sorriso em sua voz.
– Obrigada, cara.
– Depois vejo um presente pra você
– Relaxa, Matt, não precisa.
– Me deixa falar com ele... – Val estava saltitando do lado do telefone, os olhos brilhando.
– Eca – eu falei pra ela – Tchau, Matt, a gente se fala.
– Até mais tarde. Cachorro quente lembra? – ele riu.
– Ah, ok. – eu não entendi o motivo da risada, mas deixei passar, Val estava quase enfartando do meu lado.
– Oi, amor. – ela disse, e eu coloquei o dedo na garganta, como se fosse vomitar. Ela riu.
Ouvi meu celular tocando em algum lugar da casa, e corri seguindo seu som. Estava em cima da mesa da cozinha – dãa – então vi no identificador de chamadas que era o Zacky. Suspirei, sentindo meu coração bater mais forte e atendi.
– Oi
– Ei aniversariante. Parabéns.
– Zacky, você sabe que eu odeio essas coisas, mas ok. Obrigada.
– Ei, menina-ogro, eu só liguei pra dizer que, er... – ele riu – que não tem ninguém mais importante nesse mundo pra mim do que você, e que você pode contar comigo pra tudo. Eu sempre estarei aqui, e eu te amo.
Eu estava com os olhos embaçados de lágrimas, e boquiaberta. Eu sabia que Zacky me amava que eu era a melhor amiga dele, etc., mas ouvir dele assim... – Ally? – ele perguntou.
– Ah, oi... To aqui. Er, ah Zacko... Você sabe que... Eu te amo e tudo o mais. Obrigada por tudo – eu ri. Eu era péssima com sentimentos e palavras. Na verdade, eu era péssima na maioria das coisas na minha vida.
O telefone ficou silencioso por um tempo, eu só ouvia a respiração dele e a minha, sincronizadas. E então, eu ouvi alguém gritar por ele:
– Dá pra parar de fofocar e vir me ajudar com as bebidas aqui? Onde eu coloco essas garrafas de tequila? – Era... A voz do Brian?
– Cala a boca, Brian, ele ta falando com a Ally! – Matt.
– Opa foi mal...
– To indo! Ally... Vou desligar, te amo. – e depois, ouvi longe – Caralho, Brian, você quer a fazer descobrir mesmo? – Tú, tú, tú...
Ah. Ah. Eles iam dar uma festa. E não me convidaram. Cachorro quente. Há-há. Aquilo tinha me magoado, muito. Ah, eu precisava parar com isso.
– Algo de errado? – Val perguntou, vendo minha expressão.
– Val, você está sabendo de alguma festa que os meninos vão dar?
– Festa? Que festa? – perguntou ela, toda inocente. Pelo visto, ela também não sabia. Vai que era uma festa só dos meninos.
– Não... É que o Zacky me ligou e eu ouvi o Brian falando algo sobre “onde por as tequilas?” e o Zacky dizendo que eu não podia ouvir...
– Não to sabendo de festa nenhuma – Val deu de ombros. – Você deve ter ouvido errado.
– É – eu concordei. – Vai que eu to ficando louca.
–--
POVs Matt
– Ô Matt! – Jimmy me chamou.
– O que? – eu corri até ele, que estava do lado do som.
– Cara, o som não pega por nada nesse mundo! – Jimmy gargalhava. Tudo pro Jimmy era motivo de piada. Tinham horas que dava vontade de socá-lo, tipo agora.
– Puta merda, cara. E agora? – meu celular fez um bip. Mensagem da Val.
Amor, estou saindo de casa com a Ally. Por favor, por fa-vor, espero que tudo esteja pronto. Beijo te amo. V.
Caralho, o som tinha que pifar logo agora!
– Zacky, porra! – eu gritei.
– O quê? – Zacky vinha todo arrumado descendo as escadas. – Ta tudo pronto, não é? Ally ta vindo? Como eu estou? Vocês acham que ela vai gostar?
Vish, o gordo estava uma pilha de nervos.
– Não ta tudo pronto, o som pifou, cara – Jimmy riu. – Não sei a respeito da Alicia, você está um gato... Me liga mais tarde. E do jeito que eu conheço a ogrinha, ela vai odiar, mas depois de umas três doses de alguma coisa alcoólica ela fica feliz.
– Ah, o som – Zacky revirou os olhos. – Liga – ele mandou.
Jimmy ligou, a luz vermelha do som acendeu, e Zacky deu um soco no som. A música que saiu ali de dentro dava pra vizinhança toda ouvir.
– Porra – Johnny veio correndo – abaixem isso! Vocês querem estragar a surpresa?
– Pronto coisa estressada. – falei abaixando o som. – Cadê Lacey?
– Presente! – Lacey veio sorridente. Ela tinha um pacote grande nas mãos. Johnny abraçou-a, e deu um beijo em sua testa, enquanto ela corava.
Ouvimos a buzina do carro da Val soar. As luzes se apagaram. Ia começar o teatro.
–--
POVs Val
Buzinei mais uma vez, caramba, cadê aquele bando de machos? Zacky apareceu na porta, com uma calça, uma blusa branca e um lacinho vermelho no pescoço. Claro que ele queria impressionar a Ally. Revirei os olhos. Eu sabia que ele também gostava dela, mas ela insistia em dizer que não.
– Val, Matt ta passando mal! – Zacky gritou. – Entrem!
Eu estava saindo do carro, quando Ally me puxou pelo pulso.
– Você ta bem, loira?
– To, ué. Por quê? – perguntei.
– Matt ta passando mal. Na maioria das vezes você se desespera. – droga. Eu tinha me esquecido de fingir desespero.
– Ah, não deve ser nada demais, sabe como é.
– Então ta né.
Saímos do carro, e Zacky correu para dentro. Quando entramos, todos gritaram, ascendendo às luzes e sorrindo.
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