37 anos
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31 anos.
31 anos marcam início e o fim da provável maior tragédia ocorrida na história humana. 68 milhões de mortos. Países destruídos, famílias desoladas, pessoas desacreditadas. Religiões apavoradas, governos em constantes declínios, fins das grandes eras. Uma nova geração nascia, marcada pelo medo e pela insegurança de se viver em meio de um mundo instável e inseguro o qual lhe cobra a cada segundo o seu direito universal de decisão. Não havia mais tal direito. Acabou por ser perdido com o tempo, que assim como o mar jamais pode ser interrompido.
Entretanto, ao início desse inacabável século, famílias estruturavam-se por todos os locais, desde as novas terras até as mais primitivas tribos africanas. Na Europa, a população alva como a neve característica do norte da região, crescia a longos passos buscando a branqueação mundial sem imaginar o que estava a acontecer.
Pelo início do século, as famílias próximas aos locais de tensão preparavam-se aflitas para o inevitável. A figura masculina nos lares desaparecia gradativamente, pois eram necessários nas zonas de conflitos. Mesmo homens que nunca pegaram em armas ou canhões eram recrutados a fim de que seu país fosse vitorioso e tornar-se o principal líder político-econômico conhecido. Ninguém escapava de suas missões.
A Rainha dos Mares era temida por toda a Europa e os demais continentes. Contava com grupamentos masculinos, tecnologias de guerra avançadas. Uma força marina que dizia-se inquebrável... Apenas dizia-se.
***
Rance era um homem sonhador, valente e destemido. Sua inteligência era invejável assim como sua aparência física era admirada pelas damas inglesas do século XIX. Possuía olhos azuis como os de um rio que acaba de nascer, correndo sem saber onde terminará. Seus olhos eram imponentes capazes de transmitir os sentimentos mais profundos de Rance. Seus cabelos eram louros com tons grisalhos, diferentes do padrão considerado para um homem de sua idade. Além disso, ele conseguia ter um porte físico admirável, invejado por homens e admirado por mulheres, graças aos seus serviços prestados à marinha britânica.
A vida de Rance sempre foi um desafio. Órfão dos pais logo cedo, teve a si mesmo como seu único companheiro. Assim que seus pais morreram, em um acidente de carro, Rance foi encaminhado a um orfanato distante de onde vivia. Apesar da pouca idade não foi recebido por nenhuma família, já que toda a Inglaterra sabia que poderiam perder seus filhos a qualquer momento para as inúmeras guerras travadas pela Coroa Britânica. A incerteza do sucesso era capaz de destruir vidas, como a de Rance.
Apesar de um universo contra seu destino, Harry completou os 18 anos sem uma família e assim, como qualquer homem que completava 18 anos na Inglaterra do século XIX imediatamente foi recrutado para servir à junta militar. Nunca ousou ir embora, apenas quis continuar. Sabia que ali era o seu lugar, onde deveria estar. Sendo assim, com suas habilidades adquiridas ao longo da vida, cresceu no Marinha Britânica, lugar onde escolheu servir até sua vida ser marcada para sempre.
Era tarde do primeiro dia e maio e o ano era 1908. Rance já tinha 20 anos quando a viu pela primeira vez. Caminhava sozinho pelas estreitas ruas de Londres próximo ao Rio Tâmisa sem nenhum compromisso com o mundo, não olhava por onde ia, apenas seguia seus próprios instintos, queria conhecer mais a cidade na qual nasceu e foi criado mesmo que por um orfanato. Até que a viu, deslumbrante e segura de si. Talvez fosse uma ativista ou quem sabe uma autoridade... A visão de Rance desconcertou-se e a partir deste momento em diante voltaria toda a sua atenção para a desconhecida.
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