360º
16 Capitulo 16
Notas iniciais
– Você vai para a minha casa hoje? – perguntou Sasuke.
– Não, eu acho que não.
Sakura respondeu, mordendo a batata frita de seu lanche, no intervalo entre aulas. Ela sempre optava por comidas leves ou mais elaboradas, mas hoje ela se entregou aos encantos de uma dieta hipercalórica.
– Vai para casa da Hinata? – insistiu ele.
– Também não.
Ela continuou distante, para o estranhamento de Sasuke, que resolveu dar espaço e tempo, que ao que parecia, ela precisava.
Ouviram um rebuliço na entrada da lanchonete, que atraiu a atenção dos dois. Karin agora era nova celebridade do momento, e várias pessoas tentavam falar com ela, se aproximar ou coisas do tipo. O que acabava com a ruiva bufando e pisando alto, até a mesa dos amigos.
– Não sei como você aguenta, Sakura? – disse ela já se sentando.
Sakura já estava novamente perdida em pensamentos, até que notou que Karin ainda esperava uma resposta.
– Ah, o quê?
Karin olhou de Sakura para Sasuke.
– O que ela tem?
Sasuke deu de ombros.
– Não é nada. – Sakura balançou a cabeça e abriu seu costumeiro sorriso – mas me diga, como vão as coisas com a banda, Karin?
– Estamos compondo algumas músicas, e já temos quase um álbum completo para lançar. Sasuke está nos ajudando.
– É, ele me disse. – as duas sorriram.
– Mas – Karin apertou os lábios ainda incerta no que diria – ainda estamos com um problema, desde que o Sasuke saiu, não encontramos um guitarrista.
Os ombros de Sakura caíram não suportando o peso da culpa. Sasuke estava bem com a situação, mas no fundo Sakura ainda se culpava pela saída dele.
– Não é sua culpa. – ela se sobressaltou com a voz dele e a mão em seu ombro – Pare de se culpar, se é isso que te incomoda. Eu estou bem ajudando eles, e agora tenho mais tempo para focar nos estudos, que sempre foi o meu maior objetivo.
Ela sorriu e aquiesceu. Era bom ouvir isso dele.
Todos tomaram um susto quando de repente, Sakura bateu as duas mãos na mesa e arregalou os olhos.
– Já sei.
Ela abriu um largo sorriso, e levantou da mesa já caminhando para a porta e sacando o celular da bolsa, deixando um Sasuke sorrindo olhando para ela se distanciando, e Karin boquiaberta com os braços levantados sem entender o que acontecia.
– Com o tempo você se acostuma. – disse ele voltando ao seu lanche.
Depois da súbita saída de Sakura do refeitório, Sasuke só a reencontrou já em sala.
– Conseguiu?
– Consegui sim. – ela respondeu já abrindo um sorriso.
– E agora, você pode me explicar o que é que você conseguiu?
– Um guitarrista! – ela bateu palminhas – Eu conheci ele em um camarote VIP de um mega evento de Rock em um país da América do Sul, quando eu namorava o falecido Hidan.
– Ele morreu? – perguntou Karin.
– Para mim, sim. Enfim, eu conheci esse guitarrista e ficamos amigos, mas eu soube que a banda dele acabou, o vocalista surtou, e ele está sem banda. Eu liguei para os meus contatos, e consegui o número dele, e o convidei para ir a um ensaio da banda hoje, sem compromisso, para vocês o conhecerem e vê-lo tocando. Mas eu tenho certeza que vão gostar.
Ela aprumou o corpo ainda sorrindo vitoriosa. Sasuke não disse nada, mas a sobrancelha arqueada de Karin não escondia a desconfiança dela.
O assunto foi encerrado quando o Professor Yamato adentrou a sala para mais uma aula.
ƟƟ
– Sakura-chan, você tem certeza que falou com ele 18h?
Naruto andava de um lado para o outro com as mãos na cintura impaciente. Paciência nunca foi uma de suas virtudes.
– Pela terceira vez Naruto, sim, eu falei. – respondeu Sakura sentada no sofá, encostada em Sasuke alisando um mecha de seu cabelo.
– Tente se acalmar, Naruto-kun. A Sakura já disse que ele vem.
– Ele está mais de 1 hora atrasado, Hinata. Nós temos que trabalhar hoje ainda. – ele retrucou choramingando.
– É verdade – completou Karin – esse cara deve ser um idiota. Já furando assim antes de nos conhecer e quer entrar na banda? Já não gostei nem um pouco.
– Pelo que eu sei, são vocês que precisam de mim.
Todos tomaram um susto, olhando para a pessoa que acabava de entrar sorrateiramente pela porta e caminhando na direção deles.
– Suigetsu! – Sakura pulou do sofá, e foi receber o recém-chegado com um abraço.
– Sakura! – ele se soltou do abraço e segurou as duas mãos dela vistoriando-a de cima abaixo – continua linda como sempre. Ainda espero minha chance.
Ele sorriu e piscou o olho esquerdo para ela. O suficiente para fazer Sasuke se levantar e ir até os dois.
– Olá, Suigetsu. Meu nome é Uchiha Sasuke.
– Sasuke! É esse o das revistas que desbancou o Sasori? — – ele deu alguns tapinhas no ombro de Sasuke que semicerrou os olhos – cara, eu já sou seu fã!
– Suigetsu, menos, ok. – Sakura interviu mesmo que estivesse rindo do espalhafatoso rapaz – Hinata é minha amiga, acho que você já a conhece, ela foi no show comigo. Esses são Naruto, o baterista, e essa é Karin, a vocalista.
Suigetsu olhou para os dois, avaliando-os sem nem disfarçar. Sorriu para Naruto, que lhe respondeu com um aceno de cabeça, e depois para Karin.
– Você realmente deve precisar de grana, só teve dinheiro para cortar metade do cabelo.
– Seu...
Sakura pulou na frente e puxou Suigetsu pelo braço antes que ele levasse um soco merecido.
– Venha Sui, eu vou te mostrar os instrumentos, e queria que você tocasse uma música para gente, pode ser?
Suigetsu avaliou os instrumentos, inspecionou a guitarra, e a colocou de lado. Saiu da sala por alguns instantes, e quando voltou, trazia sua própria guitarra.
– Prefiro com a minha princesa. – ele disse.
Nesse ponto, Sasuke o entendia. Uma guitarra para alguns guitarristas era única. Mesmo que ele saiba tocar qualquer outra, para alguns, como ele e pelo que via de Suigetsu também, existia uma eleita.
Ele sorriu sozinho, e olhou para Sakura.
Suigetsu começou a tocar. Ele era bom, além de estiloso. Era esguio, tinha um cabelo entre prateado e branco, usava uma blusa roxa, e calças de couro preto, mas o que mais chamava a atenção nele, era uma estranha arcada dentária levemente pontiaguda.
Ele terminou a música, e todos concordaram que ele era bom. O próximo teste era tocar com a banda. Karin subiu a contragosto no palco, com as bochechas ainda infladas, e Naruto também.
Escolheram uma música, Naruto bateu as baquetas três vezes e Suigetsu entrou em um timing perfeito para a introdução, e foi seguido pelo vocal de Karin.
Tocaram três músicas, com alguns pequenos erros, mas também seria anormal se não houvessem, afinal era a primeira vez que tocavam juntos, sem nenhum ensaio.
Eles pararam de tocar e desceram do palco. Enquanto Suigetsu secava o suor, já juntava as suas coisas.
– Ei, quatro-olhos, você até que canta bem. É fácil te seguir.
– Quatro-olhos é a sua... – ela gritou.
– Olha! Minha linda mãe que produziu esse material todo aqui não tem nada a ver com isso.
Karin grunhiu alto.
– Você até que toca bem, cara. – disse Naruto se aproximando.
– Você também, apesar de eu jurar que você ia errar mais, por que só ficava olhando para os peitos da morena ali – ele apontou para Hinata que ficou da cor de um pimentão, e abraçou os seios.
Naruto rangeu os dentes, mas ele ja tinha se virado e começava a se retirar.
– Ei, Sakura, qualquer coisa me liga. E se eles gostarem de mim, pode me ligar também. – ele piscou de novo para Sakura.
Depois que ele saiu, Sakura se virou para caras sérias e bochechas infladas.
– E então? Ele é bom, não é? – perguntou animada.
Apesar da pontada de ciúme, Sasuke tinha que admitir que sim, havia uma harmonia finalmente, depois de testarem outros tantos guitarristas. Mas o gênio do rapaz, sem contar o atrevimento, era algo bastante significativo.
Sakura ainda esperava uma resposta, enquanto todos se entreolhavam desconfortáveis.
– Eu odiei esse cara! – Karin foi a primeira a se proclamar.
– Eu também não gostei, fala demais, e se acha demais. – completou Naruto cruzando os braços.
Sakura deixou os ombros caírem.
– Mas gente, ele tocou tão bem com vocês, soube acompanhar direitinho, sem nem ensaiar. Eu não conheço tão bem como se faz música, mas ficou bem agradável aos ouvidos a harmonia de vocês. Eu sei que o Sui é difícil, mas ele é muito talentoso.
– Sakura tem razão. Apesar de o “Sui” – Sasuke cuspiu o apelido – ser bastante inconveniente, foi o melhor que conseguimos até agora.
– Bota inconveniente nisso. – Hinata abraçou os seios novamente, ainda envergonhada.
Confabularam por mais uns 10 minutos, os prós e contras da possível entrada do rapaz no grupo. Até que por fim, quase todos concordaram que era melhor para a banda.
Somente Karin ainda era relutante.
– Se vocês querem esse cara, tudo bem. Mas, que fiquem sabendo que eu o odeio, não quero ele perto de mim. Quem ele pensa que é, com aqueles dentes pontudos? Um tubarão? E quem deu liberdade para ele falar com a gente como bem entende. – bufou.
– Então ele entra, não é? – disse Sakura cortando a ladainha da ruiva – vou ligar para ele.
– Não precisa ligar, docinho. – falou alto Suigetsu entrando na sala novamente.
– Você não foi embora?
– Não. Eu sabia que eles iam me querer, então resolvi ficar de vez, para começar a ensaiar logo e corrigir os erros.
– V-você ficou aqui o tempo todo? – perguntou Karin constrangida.
Suigetsu se aproximou dela.
– Sim, quatro-olhos, o suficiente para ouvir bastante coisa. – ele abaixou de uma só vez e mordeu o ombro desnudo dela.
– Ai! Você é louco? – gritou.
– Sou um tubarão, não sou? – e lambeu os lábios sorrindo enquanto Karin batia o pé rosnando. – O bonitão aqui tem razão – continuou ele abraçando Sasuke – eu fui o melhor que vocês tiveram, e o melhor que vão ter.
– Sui, se ache menos, ok. – disse Sakura, rindo da prepotência do guitarrista.
– Não machuque meu coração assim, Sakura. Eu faço tudo para impressionar você.
– Qual é seu problema? – Sasuke falou entre dentes, tirando o braço dele de cima de si.
– Nossa, ciumento hein. – disse apontando para Sasuke – mas, não se preocupe, a Sakura será meu eterno amor platônico, mas ela nunca vai me dar uma chance, e do pouco que eu vi de vocês, já vi que eu nunca mais terei.
Ele piscou e já se dirigia a área onde se encontravam os instrumentos, pegou sua guitarra, e enquanto ajustava as cordas, soltou mais uma.
– Além do mais, eu já tenho novos interesses. – passou a alça da guitarra apoiando no ombro e olhou para Karin próxima ao bebedouro alheia a conversa.
.
.
.
.
Fale com o autor