31 dias sem você
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Ela parou de chorar quando chegaram alguns colegas na nossa sala.
“Por que sua cara tá vermelha? Tava chorando, Lily?” perguntaram.
“Não, imagine” e riu. “É que meu irmão borrifou água com detergente no meu olho sem querer” e ria enquanto falava. Contou como ficou irritada com o irmão e como tentou fazer os pais a deixarem ficar em casa. Continuava rindo. E, mais que isso, fazendo os outros rirem também.
Fiquei impressionada com a sua capacidade de disfarçar as emoções e com a rapidez ao inventar aquela história, enquanto eu sempre ficava a excruciar. Perguntei-me quais histórias mais ela já havia inventado para encobrir o câncer e o tratamento.
Nunca a imaginei num hospital, doente. Ela era sempre tão feliz. Parecia feliz, pelo menos. A comédia é um refúgio da dor.
Eu me sentia mal por não poder ajudar Lily. Gostaria de lhe dizer palavras de conforto, algo que amenizasse sua dor, se é que isto era possível. Não poderia ajudar ninguém enquanto eu mesma estivesse enfrentando a vida.
“Enfrentando a vida.”
Olhei para Lily, sentada perto de mim, e lembrei-me de tudo que ela estava passando.
Que irônico. Enquanto alguns enfrentam a vida, outros enfrentam a morte.
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