Notas iniciais
Palavra de ontem: pleitear.

Minha tentativa de pleitear foi em vão. Eu não lembrava do que tinha acontecido ao Matheus. Liguei para ele, para sua mãe e para seu pai. Nada. Nenhum dos celulares atendia e eles não tinham telefone fixo.

Passei o domingo inteiro nervosa, andando de um lado para o outro da casa, muito preocupada com o que havia acontecido com ele, embora eu não me lembrasse exatamente do que havia acontecido.

Quando estava começando a anoitecer, a mãe dele retornou minha ligação.

“Analu! Quanto tempo.” Ela tentou soar animada, mas a tristeza estava evidente.

“Não vamos fingir que tá tudo bem, Dona Teresa, porque não tá. Eu lembro do Matheus indo pro hospital durante a festa. O que aconteceu?”

Ela, do outro lado da linha, começou a chorar.

“Eu disse que pra ele não ir nessas festas, mas ele não me ouviu. Ele é um menino tão bom. Ele não merece uma coisas dessas.” Sua voz era fanha e difícil de entender.

“O que já aconteceu? Me fala, Dona Teresa! Por favor, me diz o que aconteceu com o Matheus! Eu tô muito preocupada com ele.”

“Ele entrou em coma alcoólico, foi internado e corre risco de morte.”