Notas iniciais
palavra de ontem (tenho que parar de atrasar os capítulos): rebotalhos

Quatro horas da tarde. Se tivessem me dito a 22 dias atrás que eu estaria batendo à porta do meu pai de livre e espontânea vontade eu teria achado muito engraçado. Ou que estavam chapados. Mas agora eu me encontrava naquela situação e não era nem um pouco engraçado.

Depois de alguns minutos de espera, fui atendida por uma doméstica, que atendia pelo nome de Cidinha. Ela era muito simpática e puxava assunto comigo; eu tentava contribuir seu interesse, embora fosse difícil, pois eu estava nervosíssima.

Sua casa era grande e bela, uma verdadeira mansão. Contudo eu não me sentia bem ali. Aquela casa não era, e dificilmente seria, o meu lar.

Vários quadros na parede, tapetes persas, vasos de alabastro, candelabros de cristal e janelas e portas francesas, provavelmente feitas de alguma madeira nobre. Tudo limpo, brilhando e na mais perfeita ordem.

Após bons seis minutos caminhando, chegamos a uma sala menor que parecia menor que as do resto da casa, embora tivesse tamanho para ser meu quarto. E lá estava ele.

Diante do meu pai, eu senti que estava despedaçada em rebotalhos pedaços. Nada funcionava direito; minhas mãos, meus braços, eu estava puro nervos da cabeça aos pés.