30 ways to say I love you
7 Yesterday
Notas iniciais
Castle acordou assustado. Olhou ao redor e viu o quarto escuro, vazio. Não era a primeira vez que sirenes de ambulância o acordavam. Desde que Kate havia levado um tiro, o pesadelo de perdê-la vira e mexe aparecia à noite para assombrá-lo. Ela tinha sobrevivido, ele mesmo a tinha visitado no hospital. Ela ficaria bem, e ele sabia disso. Mas queria vê-la, tocá-la, dizer o que quanto sentia sua falta.
Castle se levantou. Seu mais recente livro, Heat Rises, havia acabado de ser lançado, e ele tinha uma agenda cheia de sessões de autógrafos para cumprir. Tomou um banho enquanto pensava nela. Três meses haviam se passado. Três meses desde que ela quase morreu em seus braços. Três meses desde que ele finalmente teve coragem de dizer que a amava. Três meses desde que ela pediu um tempo.
Castle se trocou desanimado. O que estava acontecendo com ele? Sempre dera valor à sua carreira, e o tratamento dado às fãs era o que fazia sua fama de irresistível. Mas agora nada o empolgava mais. Nem mesmo seu trabalho era capaz de tirá-la de seus pensamentos, afinal, seus últimos três livros tinham sido inspirados nela.
Desceu as escadas para tomar seu café da manhã. Não fazia ideia de onde ela estava. Castle tinha permanecido na delegacia por uma semana. Depois disso, a nova capitã chegou e o expulsou de lá. Ainda falara algumas vezes com Ryan e Esposito, mas a investigação não tinha dado em nada, e arquivaram o caso. Ele não tentou ligar para ela. Ela disse que ligaria, e ele acreditou. Esperou ansiosamente por vários dias. Mas os meses se alongaram, e Castle sentiu que o que existia entre eles havia acabado.
Castle podia jurar que Kate sentia algo por ele. Não sabia dizer se era amor, mas alguma coisa ela sentia. Pelo menos era o que ele achava. Ele disse que a amava, mas ela não se lembrava. Ele poderia ter dito de novo, agora com ela lúcida, ainda que na cama de um hospital. Mas ela tinha um namorado, e Castle sentiu o peso da realidade. Era ele quem estava lá com ela, ajudando-a a se recuperar, cuidando dela, enquanto Castle estava ali, lamentando nunca mais tê-la visto.
Isso doía mais do que tudo. Castle sempre tivera medo de se declarar e ter como resposta um não. Por isso adiou tanto. Deveria ter ouvido sua mãe. Se tivesse sido sincero, talvez tivesse uma chance. Mas tinha medo, medo dela afastá-lo. Medo de não vê-la todo dia. Para Castle, estar ao lado dela bastava. Ela o fazia feliz. Não como ele desejava, mas o suficiente para cada dia. Agora tudo o que ele desejava era isso, tê-la por perto, nem que fosse por um momento. Saber que ela estava bem, que aquele sorriso lindo ainda morava em seu rosto.
“Você é meu autor favorito” – Castle ouviu de uma fã, enquanto autografava mais um livro. Ele sorriu para a moça. Anos antes ele estaria olhando atentamente para cada uma delas. Agora só conseguia pensar como toda a sua vida tinha sido vazia. Kate a preenchera, mas ela não estava mais ali. Ela não o queria por perto. Ela não o ligaria. Aquele era só mais um dia de autógrafos.
Se Castle pudesse lhe dizer apenas mais uma coisa, não diria que a amava. Não, Kate não estava pronta para ouvir isso. Diria apenas para não abandoná-lo mais. Tê-la ao seu lado, ainda que como parceiro, era o que dava sentido aos seus dias. Ouvir a sua doce voz, ainda que gritando e dando bronca, era o que o fazia seus dias valerem a pena.
Era só mais um dia de autógrafos. Mais uma fila de moças que esperavam um minuto de sua atenção. Mas de repente, no fim da fila...
“A quem devo dedicar?”
“Kate. Você pode dedicar a Kate.”
Seus olhos subiram até encontrar os dela. Reconheceria aquela voz no meio de um milhão de outras vozes. Ele estava bravo, magoado, ressentido. Mas seu coração sorriu. Ela voltara para ele.
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