Notas iniciais
True Love – Coldplay And I wish you could have let me know What's really going on below I've lost you now, you let me go But one last time Tell me you love me If you don't, then lie Lie to me And call it true, call it true love. E eu queria que tivesse me deixado saber O que realmente estava acontecendo Te perdi agora, você me deixou ir Mas pela última vez Diga que me ama E chame isso de amor, amor verdadeiro.

Castle entrou batendo a porta com força e foi até o escritório, arremessando um copo de uísque. Sua mãe apareceu, e ele tentou despistá-la, mas quando viu que não teria jeito, se abriu. Contou tudo o que havia acontecido, sua revolta diante do que ela tinha feito. Ficou com mais raiva ainda quando sua mãe disse que a entendia. Como alguém poderia entendê-la?

Kate havia mentido. Enquanto ele a amava, ela sequer o considerava em seus planos. Mudar de emprego, ir embora para a capital, começar uma nova vida sem ele... Eram todos planos que ela fazia, e Castle havia descoberto da pior forma possível.

Castle se pegou pensando em como ela lhe contaria se ele não tivesse achado aquele bilhete.

“Oi meu amor, estou me mudando para a capital, nossa parceria e nosso relacionamento acabam aqui.”

Como ela podia dizer que o amava? Amor não era isso. Amor era... amor era...

Castle nem conseguia pensar o que era amor. Subiu as escadas e se trancou em seu quarto.

Olhou tudo ao redor. Era seu quarto, como sempre fora, mas tudo a lembrava. Como isso era possível? Como aqueles móveis, aquele lugar que era dele, sempre fora dele, tinha tanto a ver com ela? Sentou-se na cama e teve a impressão de sentir seu cheiro. Pegou o travesseiro e, sim, ele tinha o cheiro do perfume dela. E também havia um par de brincos no criado mudo. Castle precisava sair dali.

Entrou no banheiro, precisava de um banho frio, para se livrar da raiva que estava sentindo. Tinha saído correndo da casa dela, não conseguia vê-la naquele momento. Mas até ali, no seu banheiro, ela estava: era perfume, hidratante, escova de cabelo, absorvente, escova de dente, estojo de maquiagem e uma toalha pendurada no box.

Nem parece minha casa – ele pensou, e constatou que era exatamente isso: Kate havia tomado conta de sua casa, de seus dias, de sua vida. Da mesma forma que sua vida estava cheia dela, a vida dela também estava cheia dele.

Ou pelo menos deveria estar – Castle pensou, deprimido. Ele sabia que Kate era uma mulher que não se envolvia fácil. Seus poucos relacionamentos anteriores haviam sido superficiais, e Castle realmente achava que tinha conseguido fazê-la se entregar. Os dois tinham praticamente uma vida juntos.

Uma vida juntos – ele pensou alto, enquanto ligava o chuveiro. A água gelada caiu sobre seu corpo, e ele se sentiu relaxar. Mas durou apenas um minuto, pois quando foi pegar o shampoo um vidro rosa caiu da prateleira.

Manteiga esfoliante hidratante com óleos naturais – pra quê serve isso, meu Deus? – Disse em voz alta, enquanto colocava o vidro de volta no lugar.

Castle se demorou uns minutos ali, tentando a todo custo não pensar nela, mas sem êxito. Não se conformava com o fato dela não priorizá-lo. Quem ama se importa, quer ficar junto, dividir tudo, não é? – estava abstraído em seus pensamentos, tentando definir o que era amor, até que saiu do box e pisou em algo que espetou seu pé.

Mas que diabos é isso? – agachou e pegou uma presilha, que Kate usava para prender o cabelo antes de entrar no banho.

Katherine Beckett, por que você fez isso?

Porque você deixou – uma voz interior respondeu sua pergunta.

Eu deixei porque pensei que você se importava.

E se eu não me importasse teria trazido toda a minha vida pra cá?

Castle olhou ao redor. Tudo era dela e tudo era ela. Aquilo não era um simples namoro. Aquilo era uma união, duas vidas conectadas de todas as formas possíveis, dizendo “Sim, eu quero ficar com você”. Como um casamento...

Castle se olhou no espelho do quarto, onde havia um bilhete pregado que dizia “I love you, babe. Always”, e uma assinatura dela. Ele arrancou o bilhete e o perguntou, sério: Ama mesmo?

Mas o bilhete não lhe responderia. Só ela poderia lhe dizer, e ele sabia como.

Estava em seu escritório, horas depois, quando o telefone tocou.

Precisamos conversar – ela disse, séria.

Sim, precisamos – ele respondeu, também sério.

Ela disse o lugar e ele concordou. Antes de sair, abriu a caixa mais uma vez. Não era o tamanho da pedra que importava – embora ele quisesse mesmo que fosse a mais bonita. Ele sabia que, se ela dissesse sim, seria por ele – pelo perfume deixado em sua cama, pelos banhos tomados juntos, pela intimidade que haviam construído e, principalmente, porque suas vidas já estavam entrelaçadas, e nenhum dos dois tinha sido feliz antes disso. Aquilo sim era amor verdadeiro.

Notas finais
Espero que tenham gostado :) Essa semana promete, bastante música legal (duas particularmente que eu AMO - Back to black e Like a virgin). Aguardo vocês ;) beijo!