30 ways to say I love you
12 Like a virgin
Notas iniciais
Um perfume provocante invadia o quarto. Kate conhecia muito bem aquele cheiro – era o cheiro que a entorpecia todas as manhãs quando ele chegava à delegacia e se sentava ao lado dela. Tinha acordado há alguns minutos, mas não se mexera. Sentia o peso do braço dele envolvendo-a, e não sabia de devia acordá-lo.
Kate fechou os olhos e lembrou-se de maneira engraçada de quando, anos atrás, tinha ficado uma hora na fila para que ele autografasse o livro dela. Naquela tarde distante, Kate jamais imaginaria que um dia ele escreveria uma personagem baseada nela, e muito menos que a seguiria nos mais perigosos casos que ela já havia enfrentado. Mas de todas as coisas que Kate não poderia imaginar naquela tarde, a maior delas era que ela, um dia, acordaria na cama de Richard Castle depois de uma intensa noite de amor.
Eles tinham feito amor...
Kate abriu os olhos sorrindo, e tentou virar-se para ele lentamente. Mas ao seu primeiro movimento, Castle tirou o braço de cima dela, virando-se para o outro lado da cama, ainda dormindo. Kate sentou-se devagar e ficou observando-o. A coberta, que vinha até sua cintura, deixava à mostra o peito nu, que Kate tinha beijado com vontade, e onde Castle a havia aconchegado enquanto acariciava seus cabelos e ouvia tudo o que tinha acontecido.
Lembrou-se que havia lhe dito que tinha renunciado, e também que lhe contou em detalhes que tinha sido jogada de um prédio, ao que Castle a abraçou com força, dizendo que não suportaria perdê-la. Lembrou-se também dele comentando que chegou a duvidar que ela tinha mesmo uma tatuagem, enquanto beijava o desenho que ficava em sua virilha.
Kate sentiu-se corar. Ela tinha se entregado sem pudor, deixando-o conduzi-la. Ela queria ser amada, sentir todo o desejo que ele tinha por ela, então deixou que ele passeasse pelo seu corpo e experimentasse cada pedaço dele. Mas ela também o desejava, e em certo momento dominou-o, deixando-o surpreso e maravilhado. Bem, pelo menos ela achava que ele tinha gostado. Parecia que ela ainda o ouvia suspirar em seu ouvido, e as inúmeras vezes em que ele disse que ela era linda, linda, linda.
Kate passou a mão pelos cabelos. Queria se ver, saber como estava. Levantou-se devagar, e saiu na ponta dos pés em direção ao banheiro. Antes de fechar a porta olhou para a cama mais uma vez, e Castle ainda dormia.
Kate avistou uma camisa dele pendurada e vestiu-a. Lavou o rosto, olhou-se no espelho e ajeitou os cabelos. Se demorou um tempo ali, observando-se. Ela estava diferente, sentia-se diferente. Seus olhos, sua boca, seu corpo pareciam ser outros. De repente se achava mais bonita.
O que tinha acontecido?
Nós fizemos amor – ela pensou, ainda um pouco surpresa. Não havia sido só sexo. Kate não tinha tido muitos homens, mas sabia que aquilo havia sido diferente. O jeito que ele a tocava, como deslizava suas mãos sobre o corpo dela, como a segurava com força quase pedindo para que ela ficasse ali para sempre. A forma como ele a havia preenchido, como se encaixavam perfeitamente, e como haviam chegado juntos ao prazer.
Ela poderia passar o dia todo abraçada àquele homem, pensou. Sim, Castle era um homem. Não era um amigo, um parceiro ou qualquer outra coisa. Ele era um homem, que a desejava e que ela também desejava. Kate se pegou perguntando por que tivera tanto medo de enxergar isso. De se entregar, de admitir o que sentia.
Agora, ali, depois de quatro anos de dúvidas, incertezas, momentos em que estavam perto e distantes ao mesmo tempo, em que ela o evitara, que fingira que não ouvira que ele a amava, depois de fugir tanto, aquilo parecia tão certo.
Kate sorriu para o espelho, pensando em acordá-lo com uma xícara de café. Sim, ela faria isso. Ali, no quarto dele, em meio às suas coisas e vestindo sua camisa, ela sabia exatamente o que queria. Olhou para o frasco de perfume e sorriu. Queria sentir aquele cheiro, mas no corpo dele. Queria voltar para a cama e recomeçar. Queria ser dele, assim como queria que ele fosse dela. Ela queria mais, muito mais.
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