30-dias (HIATUS)
6 Quarto dia- Um amor para recordar.
Notas iniciais
Gabriel apenas observava o olhar que um retribuía ao outro, ele via tantos sentimentos nos olhares que até ficou confuso.
Logo algo repentino o surpreendeu, o rapaz que estava parado fitando-a agora vinha correndo para abraçá-la, e assim fez. Ele praticamente a esmagava, mas parou um pouco quando sentiu seus gemidos de dor.
Cebola a largou segurando o rosto dela com suas duas mãos, ele chorava e ela também, o que guardava em segredo aqueles dois corações? Algo muito intenso e que o médico ficou curioso em saber o que era.
_Mô... O que aconteceu com você? O que houve?
Ele estava desesperado procurando uma resposta para o sofrimento de sua pequena, que agora transbordava dor de seus olhos.
Mônica não dizia sequer uma palavra, só olhava em seus olhos pedindo socorro, pedindo que não a deixasse nunca mais, que nunca mais partisse.
_Fiquei desesperado... Quando ouvi essa notícia eu tive que vir correndo do Rio de Janeiro para cá...
Cebola tinha ido morar no Rio fazia alguns meses e aquilo havia abalado Mônica de uma maneira tão forte que chegava a ser cruel o que fizera com ela. Nesse momento ela não agüentava mais sua mente, e uma lembrança vinha com todo fervor.
Mônica se encontrava sentada em um pequeno banco num jardinzinho escondido de toda cidade, ele era praticamente abandonado e por isso ela estava sozinha lendo um livro qualquer para passar o tempo, além de ser também uma das maneiras de esquecer de tudo que a incomodava.
Gostava de imaginar histórias em sua mente como se fosse ela que vivenciava aquilo, era um bom refúgio para esquecer da realidade que era obrigada a conviver, adorava principalmente os romances. O amor era algo levado muito a sério por ela.
_O que faz sozinha aqui nesse lugar?
Ela estava tão concentrada na leitura que nem havia percebido um rapaz alto parar bem a sua frente, e nem falar com ela.
_Deve ser um livro bom... Está muito concentrada.
Dizia irônico, ousando pegar o livro de suas mãos.
_Hey!
_ “Querido John”?
_É...
Mônica concordava timidamente, abaixando sua cabeça.
_Pode pegar, só fiquei curioso.
A garota ergueu seu rosto para olhá-lo e finalmente pegar seu livro que foi tomado de suas mãos, e assim que olhou para o rapaz ficou profundamente encantada.
_O que está olhando?
Além da beleza ele tinha um sorriso encantador, simplesmente lindo, e ela não enxergava apenas a beleza no sorriso, como também muitos segredos estampados naqueles lábios que insistiam na felicidade.
_Nada não.
Ela novamente abaixou a cabeça, envergonhada.
_Qual o seu nome?
Ele perguntou, sentando ao lado dela, aumentando ainda mais sua timidez. Não sabia o que acontecia, mas havia gostado daquela menina de uma maneira que chegava a tocar seu coração.
_Mônica... E o seu?
_Cebolácio, mas pode me chamar de Cebola.
Mônica segurou uma gargalhada, e se conteve.
_Eu sei... Nome meio esquisito.
_Até que não.
Nesse momento os dois trocaram um sorriso sincero, até que de repente Mônica ouviu um grito vindo do rapaz, o que estava acontecendo com ele? Ela começou a ficar sem saber o que fazer, apenas olhava desesperada em quanto ele mantinha uma mão no peito.
_O que foi?
Ela perguntava eufórica e suando frio, observava que o rapaz estava com tanta dor que mal conseguia falar, chegou a pensar na possibilidade de chamar uma ambulância, mas logo ele fez um sinal com a mão indicando que está tudo bem.
_Não se preocupe, isso é normal.
_Normal?
Mônica ainda se mantinha em choque e tentava entender o que aconteceu.
_Tenho um problema no coração.
_Que tipo de problema?
Ela sabia que ele escondia algo, e aquilo era apenas uma coisa insignificante perante as demais. Cebola acariciou seu rosto, como quem diz para não se preocupar, tanto pouco tempo juntos e pareciam mais íntimos do que qualquer um.
_Digamos que tenho uma bomba relógio dentro do meu peito, não posso pensar em besteiras e nem ficar nervoso, meu coração incha e pode chegar uma hora que não vou mais suportar.
_Não diga isso.
_É a verdade.
Ele acabou soltando as mãos do rosto dela, não suportava que o contradiziam, aquela era a realidade e fim. Cebola olhava para o céu pensativo, até fechar os olhos e preocupar ainda mais a menina.
_Você está pensando besteiras?
_Não... Confio em Deus, para que pensar besteiras.
Mônica já percebeu que ele era um rapaz de fé, isso a alegrou um pouco, muitos poucos eram assim. Sem nem perceber estava com um sorriso de orelha a orelha.
_Tenho que ajudar meu pai daqui a pouco, ganhar um dinheirinho.
_Você ganha por isso? Meu pai me daria no mínimo um parabéns.
Os dois acabaram caindo na gargalhada, não por que havia algo engraçado, mas porque um fazia bem ao outro de uma maneira encantadora.
_Não é isso, vou trabalhar pesado mesmo, no serviço dele.
_Sendo assim sim.
_Mesmo não podendo.
Mônica até tentou entender, chegou a abrir a boca para perguntar, mas acabou fechando assim que o viu se levantar e ir embora, sem ao menos se despedir.
_Mô? Mô? Por favor, me responde!
Cebola estava tão nervoso que dava selinhos nela para ver se ela o respondia, e quando Mônica percebeu, ganhou uma coloração vermelha de pura vergonha.
_Hum?
Ela apenas resmungou em resposta, sua timidez não a deixava pronunciar mais nenhuma palavra.
_O que você tem meu amor? O que fizeram com você?
Não acreditava que depois de tudo que aconteceu ele ainda a chamava assim, mesmo sabendo que ela já não mais o pertencia. Mônica acabou escondendo seu rosto no pescoço dele, dominada pelo sentimento da angustia.
_Lembra quando nos conhecemos?
Ela apenas sussurrava, sua voz estava rouca, sinal de que um choro viria a seguir.
_Claro que lembro.
Como ele poderia esquecer? Naquele dia um anjo havia chegado para salvar sua vida.
_Nunca entendi o porquê de você ter ido embora sem se despedir.
Cebola não entendeu a tristeza dela perante aquilo, mas deu seu maior sorriso, acariciando seus cabelos.
_É porque certo anjo já havia conquistado meu coração desde aquele dia, estava confuso com seus encantos, não gosto de me despedir de quem eu mais amo...
Agora o coração de Mônica palpitava não de tristeza, e sim de puro amor e felicidade, não acreditava que depois de tanto tempo ele estava novamente ao seu lado. Só esperava que não fosse embora novamente.
Gabriel apenas os ouvia, fingindo estar fazendo algo aqui e ali, era importante que ouvisse a conversa deles para trabalhar no psicológico de sua paciente depois.
_Ah meu anjo... Não chora.
Cebola quase chorava também, sentiu em seu ombro algo molhado, deduziu que ela estava chorando.
_Sai daqui.
Mônica dizia fria e sua voz saiu tão grossa e perturbadora que nem ele reconheceu, aquela mudança súbita de humor assustou até o médico que estava distraído com algumas papeladas. Ela logo se recompôs e se arrumou novamente na cama, se deitando.
Agora sim ele pôde perceber melhor o quanto ela estava machucada, mas não teve nem tempo de falar algo, e o doutor logo interferiu.
_Ela está muito abalada, aconselho que volte outro dia.
_Mas eu tenho que ficar com ela.
Ele dizia aquilo olhando nos olhos de Gabriel, implorando para que não tivesse que se separar dela novamente. Mas apenas o doutor percebeu a dor que Mônica estava sentindo naquele momento.
Então ele apenas negou, o rapaz ali não estava fazendo bem para sua paciente.
_Está bem.
Cebola desistiu fácil porque também queria o bem da menina, mas apenas desistiu naquele instante, não iria desistir dela, acreditava em sua força.
_Mas se lembre Mô... Que quem quis isso foi você.
Ele disse por fim, assim que estava para sair do quarto, recebendo apenas um suspiro cansado da parte dela.
_Vou orar para que Deus te tire desse hospital, eu te garanto que você ainda vai ser minha novamente.
Confessando aquilo, saiu.
E tudo que podia se ouvir naquele quarto era um gemido de dor da parte de Mônica, que foi socorrida imediatamente pelo médico, que estava ali também para evitar que algo acontecesse.
Continua...
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