Notas iniciais
Mil desculpas pela demora, gente, é que passei por umas semanas em que eu estava muito ocupada bombando em física para escrever. Daora a vida.
Bem, mas pelo menos saiu heheheh, espero que curtam ;w;

Lovino raramente chegava atrasado, gostava de controlar as coisas para não se sentir oprimido por obrigações inacabadas. Descobriu que chegar pontualmente no horário marcado lhe dava uma boa sensação de controle, pois conseguia com isso certa razão e confiança. Era simplesmente assim que sua mente funcionava e qualquer outro jeito acabaria o deixando infeliz.

E é claro, seu namorado era o completo oposto: sempre vinha correndo, já pedindo mil desculpas, alegando que o trem havia quebrado, a comida queimado ou qualquer outra tragédia grega. Lovino não se incomodava com isso havia anos, em geral apenas sentava-se em um banco ou assento próximo e esperava por Antônio. Virara uma espécie de rotina, um costume de ambos os lados.

Em seu amplo quarto de hotel, Lovino checou o ornamentado relógio que tinha no pulso: 18h30min. Perfeito, como sempre, nem um minuto a mais ou a menos.

Olhou-se uma última vez no espelho redondo da cabeceira, analisando a camisa polo azul clara e o cabelo bem penteado. Esperou que fosse o suficiente, pois não sabia com certeza a roupa que a ocasião pedia. Honestamente, não fazia nem ideia de onde exatamente estava indo. Sorriu interessado com o mistério e chacoalhou a cabeça, borrifando apenas um pouco de colônia no pescoço antes de sair. Sabia que Antônio não gostava de perfumes muito fortes.

Quando chegou ao saguão do prédio, avistou imediatamente o táxi através das luxuosas portas de vidro e, ao entrar no carro, percebeu que o motorista não conseguia esconder sua surpresa. Lovino riu baixo, pensando que de fato, pessoas que se hospedavam por lá não deveriam andar de táxi com muita frequência, pois provavelmente tinham um jatinho ou algo do tipo. Não que o italiano se importasse, na verdade nem faria questão de ficar naquela estalagem, mas fora Antônio quem havia comprado a estadia antes mesmo de Lovino ficar sabendo de seus planos.

- Hm, o senhor poderia me dar o nome da rua, por favor? – Disse o taxista em um inglês carregado de sotaque, chamando a atenção de Lovino.

O italiano respondeu, tentando ser o mais gentil possível para que o outro homem não ficasse tão intimidado em sua presença. Encostou a cabeça quando começaram a andar e esperou se passarem o que pareceram 15 minutos, observando a cidade enquanto isso. Lovino já havia estado em Paris, mas nunca realmente para passeio e sim por trabalho. Reparou no quão delicado e surpreendentemente dourado era o lugar, com uma beleza realmente diferente de qualquer outro.

Quando finalmente chegaram à rua desejada, Lovino pagou ligeiramente o homem e desceu do carro, olhando a sua volta ansioso. O espanhol lhe dera o endereço, mas apenas isso, fazendo com que o mais novo estivesse inteiramente em suas mãos. A curiosidade do italiano se dissipou rapidamente em uma expressão maravilhada: era um local maravilhoso, com algumas lojinhas de rua em volta de um gigante lago que Lovino nem ao menos sabia que existia. Já estava anoitecendo e o brilho da água era tão bonito que parecia até mesmo indecente. Todos que passavam por perto paravam para admirar sua singular beleza.

Lovino suspirou contente. Por ter sido tão vago, Antônio provavelmente teria de procurá-lo quando chegasse, se atrasando ainda mais do que o normal, porém dessa vez Lovino realmente não se importou: o lago era tão sereno, pacífico e apaixonante... Antônio realmente fizera a escolha certa.

Ia se sentar em uma mureta perto a água quando firmes braços agarraram sua cintura. Lovino ficou tão surpreso que quase gritou e tentou estapear seu atacante, contudo parou quando ouviu uma risada conhecida e suave em sua orelha.

- Antônio? – Exclamou boquiaberto, virando para encarar o outro homem de frente. O espanhol estava com um sorriso imenso na cara, as mãos ainda na cintura do mais novo.

- Eu cheguei antes de você. – Disse com os olhos brilhando, parecendo ridiculamente orgulhoso de si próprio. Lovino não pode deixar de sorrir também, esperava que Antônio ainda fosse demorar meia hora, se não mais, mas lá estava ele de jeans e camisa social, com a face corada e uma suave expressão alegre.

- Você realmente está uma caixinha de surpresas hoje. – Riu, puxando o mais alto para um abraço apertado. – Esse é um dos lugares mais simples e naturalmente bonitos que eu já vi. – Admitiu.

Antônio plantou um beijo no topo da cabeça do outro. – Francis me apresentou a esse lago quando éramos não mais do que crianças e eu nunca o mostrei para mais ninguém. Até agora.

Lovino levantou a cabeça para poder olhar nos bonitos olhos do outro, um sorrisinho brincando em seus lábios. – Primeiro um voo inesperado para França só para descobrir depois que haviam me hospedado no hotel mais luxuoso de Paris, seguido de te encontrar na hora certa em um dos locais mais legais que eu já conheci... Não sei o que te possuiu hoje, Antônio, mas não posso negar que estou gostando muito mesmo.

Antônio deu de ombros, risonho e pressionou suavemente sua boca contra a do outro. – Hoje é importante para mim.

Lovino acariciou o rosto do espanhol antes de murmurar. – Para mim também, mas eu não fiz nada de especial – Disse, parecendo de repente um tanto quanto chateado. – Sinto muito.

Antônio balançou a cabeça. – Não era para você fazer nada, Lovi, apenas ter se enfiado em um avião mal sabendo o que estava acontecendo e confiando cegamente em mim já foi o suficiente.

- Mas é óbvio, como eu disse, hoje também é importante para mim. E muito!

Antônio sorriu tranquilo. – É isso que importa.

Lovino pareceu por um momento que iria responder, mas Antônio o interrompeu antes de pudesse dizer qualquer coisa. – Que horas são?

O italiano relutantemente ergueu o braço para consultar seu relógio. – Faltam três minutos para as sete horas.

Antônio riu e começou a andar em direção ao lago, puxando Lovino consigo pela mão. – Tenho ainda uma última surpresa para você.

Chegando à beira do grande lago, o espanhol apenas olhou com um sorriso bobo para o céu escuro, fazendo Lovino se virar para encará-lo, confuso. – Antônio, mas o que –

Bum!

O olhar de Lovino se virou imediatamente para o céu, assustado.

Bum! Bum! Bum!

Estilhaços brilhantes e coloridos cobriram a escuridão. A boca de Lovino se abriu em choque. Algumas outras pessoas também correram para margem, rindo de felicidade e surpresa diante dos bonitos fogos de artificio.

Bum! Um imenso coração róseo apareceu na escuridão, seguido de outros amarelos, azuis, verdes e vermelhos. Lovino procurou a mão de Antônio e a apertou com força.

Muitos pararam para observar a contínua e inesperada chuva colorida, todos claramente deslumbrados.

- Antônio, eu... – Começou Lovino, sem saber o que dizer, sem nem ao menos conseguir pensar direito. Queria poder agradecer, mas sabia que nunca seria o bastante, não quando seu namorado havia preparado o dia inteiro para ele e apenas para ele.

Nada nunca se compararia ao dia em que Antônio praticamente dedicara o céu para Lovino.

- Feliz aniversário de oito anos de namoro. – Sorriu Antônio, finalmente se virando e mostrando seu rosto iluminado por diversas luzes alegres.

Lovino olhou intensamente para o tão familiar rosto bronzeado, percebendo a ternura ali contida. Após o primeiro encontro (aquele no qual Antônio chegara atrasado e com um imenso buquê de rosas) os dois nunca mais se separaram. Passaram-se oito anos e Lovino ainda se derretia ao ver aqueles olhos tão bonitos como joias. Isso nunca mudaria, assim como Antônio nunca alteraria o fato de que ele daria para Lovino as estrelas, se o italiano assim pedisse.

Lovino puxou a camiseta do outro, selando seus lábios nos dele. O beijo se aprofundou imediatamente e durou vários minutos, até que o último ‘’Bum!’’ estourou no ar. O mais novo separou-se e deu um pequeno passo para trás, ainda permanecendo no abraço de Antônio. Sorriu, um pouco sem fôlego, esperando que aquele gesto transmitisse todo o amor que gratidão que sentia.

- Eu te amo. – Disse com sinceridade.

A face de Antônio visivelmente se encheu com uma incondicional felicidade.

- Eu sei, Lovi. Eu também.

Notas finais
Ahhhh, e eu não podia me esquecer: FELIZ DIA DAS CRIANÇAS!! (mesmo para todos que claramente já não são mais) =)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.