3 dias
1 Capítulo único - Eleanor -
Notas iniciais
Minha primeira vez escrevendo por aqui, porém já sou bem antigo por aqui (não por essa conta).
Gostaria que apreciassem e lessem minha história one-shot.
Obs: Freund = Amigo em alemã
Sou velho, se assim posso dizer... Tenho 50 anos e já vivi muita coisa que poderia ter vivido, conquistei coisas, perdi coisas, tive vitórias, porém me deparei com a derrota várias vezes em minha vida.
Hoje em dia me considero um senhor mais pacato, mais simples, e como tenho alguns bens sob minha responsablidade, todas as tardes praticamente vou à sorveteria que é herança da família aqui na minha cidade, sinceramente, deixo a maior parte do compromisso nas mãos de meu sobrinho Rotton, um jovem de poucas palavras, sério, de feição comprometida, porém quem o conhece sabe que no fundo é um coração de manteiga. Rotton muitas vezes prefere passar o final de semana trabalhando junto as equipes de turno diferente do que aproveitar sua virilidade, tendo em vista que ele tem 29 anos, mais enfim, é em vão todas as minhas palavras que o tentam encorajar para se divertir, um dia ele morre cedo, ou então não chegue aos 50, mas, faz parte como costumo dizer...
Era um final de dia normal, o frio estava levemente rondando a pacata cidade, tinha acabado de chegar da sorveteria e por incrível que pareça, estava vendendo relativamente bem no tempo frio, estava anoitecendo, então antes de entrar em casa, eu fui até ao caixa de correios na calçada de minha casa, ao chegar lá, pude verificar minhas cartas de cobrança rotineiras, e em especial uma carta diferenciada, com um aspecto dourado, muito bonito... ao pega-la, percebi que sua textura era grossa, e em sua parte frontal, embaixo de um grande botão vermelho estava escrito "Para Eleanor". No momento estranhei, pois na era em que estamos, em pleno século 21, carta não era mais uma opção tão prática de se escolher, além do mais que a letra era de alguém de século passado, muito bem desenhado e redondo... talvez letra de velho, sim velho, arrisco-me a dizer que é letra de homem, por isso velho. Sem muita demora abri logo a carta e vi que seu conteúdo era pouquíssimo, quase nulo na verdade, seu conteúdo era esse: "Lhe restam 3 dias de vida, meu caro Freund*" e no campo da assinatura estava escrito: "um qualquer".
Ao ler isso, eu olhei ao meu redor, localizei alguns rostos próximos de mim e tentei identificar alguém suspeito, porém, óbvio que seria em vão. Dobrei essa carta no bolso de meu paletó, e decidi andar pela calçada de meu bairro, com o pensamento em alta... então tinha 3 dias de vida..., o que iria acontecer comigo então? Já que esse é meu possível destino, farei 3 coisas que muito gostaria de fazer, porém não fiz, vou aproveitar e se de fato for partir, me sentirei por satisfeito. Como estava entardecendo, e me sobravam 3 dias, decidi começar de fato no primeiro, no dia seguinte.
Sendo assim, Dia 1.
A primeira coisa que decidi fazer foi ir ao centro da cidade que fica relativamente próximo de minha casa, era um lugar sinceramente bonito, com muitos verdes e alguns pássaros aqui e ali, uma grande nascente com três estátuas no centro, as duas da ponta maior e a no centro menor olhando para os dois maiores, havia muitos bancos e mais bancos e muita gente nesse horário, possivelmente de pico. O meu objetivo aqui era conversar com as pessoas, já que estive muito tempo isolado, porque não dialogar um pouco, e conhecer mais as pessoas, então fui próximo a nascente, e tentava abordar as pessoas que por ali passavam em direção à estação de trem, umas achavam que eu era vendedor ou entregador de panfletos por ouvir as vezes um "não tenho dinheiro" ou um "não, hoje não", fiquei incansavelmente quase uma o dia inteiro tentando, uma pessoa ou outra parava para conversar, mas percebia a falta de paciência em seus olhos, ou em suas atitudes corporais, então não segurava muito. Sei que fiquei nessa por horas, até antes de sair me deparar com uma senhora que andava tranquilamente pelo centro, por certo o movimento já tinha diminuido, quando fui conversar com ela, percebi a alegria, e logo perguntei:
— Olá, como vai essa alegria?
—Vai muito bem, pegue um pouco para você também, é de graça — Ela respondeu com um sorriso.
—Já peguei, mesmo antes de você perceber, te chamarei de você, senhorita é jovem, pra onde vais? — assim perguntei de forma harmoniosa.
—Irei visitar minha filha Dawn, faz um bom tempo que não a vejo, ela está grávida, logo me dará mais um netinho, sim é um menino, não vejo a hora de vê-la.
—Entendi, entendi, que bom ouvir isso, desejo a vocês felicidades, pois vou-me partindo para minha sina. — Eu respondi para a senhora feliz a minha frente.
Porém, antes que pudesse ir, eu vi a manifestação dela em me dizer:
—Ah!, vá sim, mas, lembre-se que as maiores grandezas dessa vida, estão nas pequenas coisas, e as simplicidades, as vezes pode ser mais belo que o complexo, carpe diem meu jovem, carpe diem. — Ela me disse de forma sutil.
Eu não resisti, e tive que indagar.
— O que seriam as pequenas coisas pra você? -
—Simples, todas as grandes coisas que muitas vezes ninguém dá o valor necessário, como o afeto, o amor, a atenção, o querer, o estar, essas coisas que são livres a todos e gratuitos, porém nem todos a possuem, são coisas simples, que muitas vezes cobrem o complexo como o paradigma, o carro bonito, um bom status,a aparência,a arrogância, uma grande hierarquia talvez, não digo que tais coisas são erradas ou incertas, mas acabam sobre-escrevendo o simples, como mencionei anteriormente. Enfim, minha boba opinião, apenas quero que viva bem, até a próxima meu jovem. — Ela então tomou o seu caminho em um aceno seguido de um sorriso em sua face.
—Até minha jovem, vá com Deus — Respondi a ela com um sorriso também.
Depois disso, fui pra casa com essas palavras em minha mente, e fiquei pensando até o dia passar, quando fui me dar conta, era noite e resolvi me deitar para organizar as ideias, acabei dormindo.
Dia 2.
Quando o dia nasceu, me levantei logo cedo e decidi me aprontar para não me atrasar muito, fui aquela praça de ontem apenas pra sentar e observar o momento, ao passar do tempo, resolvi levantar e seguir adiante, fui atrás da segunda coisa...
Tomei-me a caminho, já era de tarde e a segunda coisa que iria fazer não era ir à sorveteria, não, hoje não, iria para um outro lugar, para casa de uma pessoa. Quando cheguei lá eu a vi cuidando do jardim da grande casa, fiquei a observando por um tempo do outro lado da rua, 2,4,5, minutos talvez, vi o quanto não mudara muito desde o tempo da mocidade, aquela senhora, de cabelos cor de fogo, ruivos como nunca tinha visto, seu nome era Lucie, e há mais ou menos 6 anos não conversávamos, não desde o último momento, mesmo ela morando no bairro vizinho, esse tempo tendia a se estender, já que estava aqui iria tentar conversar com ela.
Então atravassei a rua, e a chamei:
—Jovem? — ela procurou meia desnorteada através do portão que estava aberto.
—Ah, você — ela disse com voz de esnobe — o que faz aqui, e porque insiste me chamar de jovem, se já não te conheço mais?
—Não custa nada puxar um assunto — disse com um sorrisinho abafado.
—Besta como sempre pude me lembrar, é uma qualidade tenho que admitir, mas você pra mim é só um conhecido, nem como ex-marido eu gostaria de vê-lo.
Lucie e eu tínhamos terminado o casamento de 26 anos, há 6 anos atrás. Quando nos casamos, éramos jovens sonhadores, eu tinha 18 e ela 16, porém nos conhecíamos antes disso ainda, na época de colégio. O motivo da nossa separação foi por um grande descuido meu, uma traição de 3 anos que eu acabei contando a ela, em busca de uma chance de perdão que não consegui, porém eu entendo ela, a compreendo muito bem, foi nesse período que decidi dar mais atenção a sorveteria. Desde a quebra, ela nunca mais foi a mesma comigo, nunca mais olhou com ternura em meus olhos e nunca mais foi a mulher que conheci durante 26 anos. Os erros podem nos quebrar, nos consumir e nos mudar pra sempre, existem erros tão impactantes em sua estrutura que mudam não só você, como sua vida para sempre, diferente de erros imprevistos ou inocentes, esse que cometi, eu sabia que estava cometendo e sabia que era errado, mais os desejos da carnalidade e do momento se tornaram mais alto, mais forte e mais vívidos para que pudesse objetar ou dizer não, então esse erro não mudou só a mim, como a ela também, então digo com convicção que a compreendo, mais agora estou aqui.
— Senhorita, me veja apenas como o conhecido do conhecido, já me contento em ser visto dessa maneira, passei aqui para saber como você está, e como vão as coisas? — perguntei da forma mais simples e educada possível, procurando não sentir desconforto.
—Vão muito bem obrigado, agora se me permitir com a sua licença preciso sair antes que a quitanda feche. — ela disse de forma não muito cerimoniosa.
—Tudo bem jovem, eu compreendo, volto numa próxima então. — eu disse.
—Isso, volte. — Ela rebateu.
Dessa forma fui embora. Em busca da terceira e última parte do que gostaria de fazer, fui ao final da rua e chamei por um táxi, lhe passei o endereço e fui para o alto de uma colina, onde se encontrava uma paisagem interessante verde, e ao final, uma casa que chamava atenção, mais era bem longe da cidade, mais ou menos 1h de carro, me dirigi até a casa, lá encontrei uma senhora bem velhinha, então a cumprimentei:
—Vó Hanna!
Ela então virou-se para dizer: — O meu filho, quanto tempo não te vejo, venha cá, venha me dar um abraço.
Sendo assim nos abraçamos, nisso veio minhas duas primas, Martha e Joane, cumprimentei todos, e então entramos para casa.
Reparei que as mobílias e as coisas não mudaram muito desde a última vez que tinha visitado aqui, sim, fazia um tempo bom, uns 5 anos talvez, foi bem na época que terminei o casamento que desanimei tanto que acabei esquecendo de minha vózinha Hanna, e consequentemente a última vez que a visitei. Depois dentro desses 5 anos, foi onde decidi focar na sorveteria e acabei por nem comparecer.
— Desculpa meu sumiço vó, eu precisava de um tempo, mais agora estou aqui. — Disse de uma altura que todos ouvissem.
—Tudo bem El, não há problema, vocês jovens tem seus "tempos". — ela disse de forma simpática,
—Sim, "jovens" de 50 anos. — disse de forma sarcástica.
—Todos nós somos jovens querido, somos jovens de alma. — Ela respondeu.
—É, faz sentido. — respondi. — Vó, onde estão as coisas do vô Sebastian?
—Ah filho, no quarto dele, você gostaria de ver?
—Sim,sim, por gentileza. — eu disse.
Então levantei, e fui ao quarto de meu avô, "quarto dele" porque no quarto do casal, havia um espaço reservado dele onde ele usava para usar sua máquina de escrever. Como seu pai, o meu bisavô fundou a sorveteria, ele utilizava como forma de registrar as informações necessárias do investimento, logo se tornou uma característica ouvir os "tecs, tecs, tecs" das teclas de sua máquina todas as noites praticamente, e eu tinha curiosidade de dar uma olhada nessa belezura.
Não perdi a oportunidade, e quando vi, achei muito bonito aquele monumento preto brilhante, com algumas teclas desgastadas pelo uso frequente. Próximo dela havia uma vitrola onde ele ouvia suas canções de músicas clássicas, um hábito que herdara de seu pai. Logo tomei posse da máquina, e coloquei de fundo a obra que ele mais ouvia enquanto "trabalhava", a música era "Air in G" de Sebastian Bach. Quando coloquei a agulha no disco que girava, parecia que uma áurea de paz havia tomado o lugar, o volume ambiente estava agradável, então finalmente sentei em sua cadeira de couro, e comecei a escrever, com certa dificuldade pelo fato de algumas teclas estarem desgastadas, pois me virei:
"A saudade é algo que não pode ser facilmente definida com palavras, é algo que somente pode ser sentida e outrora compartilhada, é algo, porque carregamos e levamos para sempre conosco, enquanto vida tivermos. Saudade é tão forte que dizima, ao mesmo que consola pelo fato de nos trazer boas lembranças de algo ou alguém que não está mais entre nós. Talvez a saudade seja tão egoísta e ansiosa de existir que ela seja tão complexa e simples ao mesmo tempo, é algo que todos podem ter mais na verdade não querem ter, porém ela não pede licença, e invade de uma vez se tornando tão complexa e presente na vida de muitos. É a derradeira saudade, que faz lembrar a algumas pessoas o valor de alguém, quando esse parte para um lugar melhor, que faz lembrar que nem tudo é eterno e duradouro, e não precisa da morte para haver saudade, o simples fato da rejeição ou do afastamento por muitos motivos gera a saudade, ela é como uma dama; bonita, de presença, porém, doma, chama a atenção, faz sofrer e sempre vive no coração de muitos. Essa é a tal da saudade, a tal dama bonita que nos acompanha noite dia, dia e noite."
"Eleanor."
Depois que saí do transe, li o que tinha escrito, e decidi levar comigo, como estava muito a noite, resolvi dormir na casa da minha avó, mais partiria logo cedo, assim que o sol aparecesse.
Dia 3
O último dia, sol aparecia no céu de forma tímida, logo tomei rumo, me despedi da galera, abracei de forma bem gostosa a todos e parti para casa, andando uma boa trilha até chegar em uma vilazinha e pedir por um taxi.
Ao chegar na rua de casa, eis que encontro um homem em frente da minha porta, alto e forte, possuía uma boa estatura e trajava um sobretudo grosso e grande preto, devia cobrir bem contra o frio, sua calça era cinza e seus sapatos pretos-brilhante para combinar com o sobretudo, estava com um cachecol até a metade de seu rosto, o que cobria sua identificação, e ele era branco. Quando me aproximei ele me perguntou:
—Josias Eleanor?
—Sim, — eu respondi de forma desconfiada.
—Sou um cara qualquer, e gostaria de falar muito contigo. — Ele respondeu.
Era interessante notar que seu sotaque era um pouco arrastado, puxado pra um alemão e americano ao mesmo tempo.
—Eu também, — respondi de forma insegura. — Soube que tinha três dias de vida restante, e hoje é o meu último.
—Sim, exato — respondeu o homem. — Vim aqui para acertar as contas.
No momento em que o cara qualquer disse isso, ele retirou seu cachecol do rosto dando duas voltas nele, e de seu casaco tirou um pingente dourado que ele abriu para mim mostrando uma foto.
Nesse momento não me contive, quando tive a plena certeza, fui de encontro com ele e o abracei muito fortemente, de forma que ficamos muito ofegantes, ambos, e nisso soltei aclamações de felicidades. Só conseguia dizer:
—Peter, Peter, de alguma forma eu sabia, você está vivo.
—Sim, eles não podem me matar tão facilmente. — Disse ele convicto.
—Que alegria, por favor, entre para tomarmos um chá ou um café nesse frio tão gélido.
Então, entramos.
Peter Von Scherhog era um americano, que servira ao exercito, por muitos anos, na verdade minha história com Peter é bem grande, nos conhecemos antes de eu conhecer a Lucie, eu tinha 8 e ele 12, ele sempre fora esperto e sapeca, mais era inteligente e se destacava na sala como aluno e como galanteador. Nossa amizade fora crescendo e crescendo até que por volta do meu segundo ou terceiro ano de casamento com Lucie, Peter veio conversar diretamente comigo dizendo que havia recebido uma convocação do exército e como era algo que ele queria muito, era mais um motivo pra ir, já que não podia se recusar, no começo tinha sido difícil para eu aceitar isso, mas tinha que admitir que isso era o desejo dele, então conversamos esse dia, bebemos bastante e no meio das lembranças, sentado em volta da fogueira que fizemos ele me disse:
—Relaxa jovem, eu não irei me esquecer de você, assim como você não irá se esquecer de mim, então com isso eu te falo uma coisa.
—O que? — perguntei de forma curiosa.
—Quando for o momento certo eu lhe darei um sinal que estou bem e que irei ver você, como você sabe que eu não me aqueto fácil, na hora eu vejo o que mandar, mas você saberá que sou eu, ou ao menos terá dúvidas a ponto de saber se sou eu. — disse Peter sorrindo.
—Ah, corta essa, é só procurar meu endereço ou me ligar, sei lá, tudo menos esses joguinhos, senão vou acreditar que está bêbado. — Respondi de forma evasiva e direta.
—Será assim, senão não me chamaria Peter Scherhog. — Ele bradou sua garrafa da cerveja para o alto como um cumprimento, e em seguida virou tudo o líquido. — Será por um telefonema, uma foto, uma carta talvez, eu não sei, somente na hora, não sou tão gênio assim.
Nos tempos atuais, quando estava conversando com ele, pude perceber em seu rosto, no lado esquerdo cicatrizes, na verdade seu olho esquerdo estava cego, porém não preferi perguntar.
Conversamos bastante como os velhos hábitos até que ele parou de falar e disse:
—Assusta você né, tamanho ferimento e cicatriz em meu rosto branco. — ele parou para tomar um gole do chá quente.- Foi muito rápido, questão de momento, estavamos subindo a trilha com os tanques e os caminhões, e do nada só consegui ouvir de forma desesperadora alguém gritando, RPG!!!. Quando me dei conta, o caminhão próximo a mim explodiu, senti minha pele queimando, e a agonia tomando conta do meu corpo, os soldados perto de mim pegaram suas toalhas nas bolsas de auxílio e jogavam em meu rosto, até que um pulou em cima de mim, e o fogo se extinguiu, fui levado para o hospital e tive 25% do lado esquerdo comprometido, junto com minha visão. Depois disso fui dispensado do exército, desde então fui resolver outras pendências.
Quando ele me explicava tais coisas, pude perceber que seu olhar estava distante, e sua feição era de pura tristeza e aflição.
—Jovem, diga-me o que teve de aprendizado nessa minha brincadeira? — ele perguntou mudando sua forma para mais animada.
— O que você fala, da carta, dos meus "últimos 3 dias"? — perguntei.
—Sim, exatamente, o que aprendeu?
Então eu disse de forma bem sincera e reflexiva: Percebi que a tecnologia uma coisa tão complexa e ao mesmo tempo tão simples e útil, tomou lugar de muitas coisas mais simples como o amor, o afeto, e a atenção, fiz um teste na primeira coisa, passei o dia inteiro, e pouquíssimas pessoas conversaram comigo, salvo uma senhora que me deu atenção e conversamos, mais é possível perceber que estamos mais "rotineiros", mais robóticos, e não tão mais expressivos como deveríamos ser. Percebi que o orgulho acaba e corta muitas relações, quantas pessoas Peter não se falam ou não conversam pelo fato de serem orgulhosos, de não aceitar o real perdão do outro? quantas pessoas que se conheciam fingem que não se conhecem ou que nunca se conheceram. É a falta de perdão ou de compreensão, é a falta das coisas simples. Percebi também que o simples fato de escrever, é muito gostoso e produtivo e faz com que nos sintamos melhor ou pelo menos, menos pior, e é uma oportunidade de expressarmos o que pensamos ou o que sentimos de forma que a nossa mente determinar, ou os nossos sentimentos ditar, na verdade é algo natural, é algo que vem de dentro, que nasce, cresce, evolue e cria forma, como um bebê. Ontem aprendi a escrever sobre a saudade, talvez tenha sido um pouco profundo demais, mas é algo que não fazia há muito tempo, na verdade essas três coisas eram algo que não fazia muito tempo, conversar com os outros na rua, conversar com minha ex-mulher, e visitar a casa de meu avô e escrever em sua máquina. Foi muito importante e gratificante essa experiência que você me proporcionou depois de tantos anos onde eu achei que você estivesse morto, ou pelo menos vivendo uma outra vida em outro lugar, é estranho pensar que, não, você apenas estava em algum lugar tramando tudo isso aqui talvez, onde talvez eu não tivesse com minha vida há muito tempo também, e isso me fez enxergar e ter olhos para a realidade que está em meu redor: o que fazemos?, será que vivemos intensamente?somos felizes? sabemos nos expressar? o que nos impede de ir além? e acima de tudo Peter, quem sou eu? creio que todos nós devemos nos conhecer, e como disse aquela senhora, saber aproveitar cada momento... Carpe Diem...
—Que belo, — iniciou Peter — realmente você foi melhor do que esperava, grande Eleanor, me sinto imensamente orgulhoso de ter te conhecido e de ter aprendido contigo também, sou grato por fazer parte de tudo isso aqui, e de saber que tivemos 3 dias de vidas restantes.
Ambos rimos, rimos alto, até que se findou o terceiro dia.
Notas finais
Logicamente que feedbacks são bem vindos, independentemente do gosto.
Agradeço a vocês e até a próxima galerinha.
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