Notas iniciais
Resolvemos adiantar o capítulo e postar hoje mesmo! Boa leitura ;)

(Visão de Ryan)

Acordo na manhã de um dia frio, mas isso era normal em Snowpoint, cidade onde moro. Ainda sonolento, vou lavar meu rosto no banheiro. Vejo as horas em meu relógio. Eram 08h48min. Eu estava atrasado! Tinha que estar no aeroporto às nove! Arrumo minhas coisas o mais rápido que posso. Já estava tudo na mochila, mas tinha que arrumar algumas outras coisas. Como rapidamente o que minha mãe tinha deixado na mesa. Ela trabalhava cedo, e já sabia de minha ida. Iria finalmente começar minha aventura no mundo Pokémon! Eu tenho 16 anos. É um pouco tarde para se começar uma jornada, eu sei. Mas meu pai morreu quando eu era criança, e tive que ajudar minha mãe a cuidar de casa. Agora não aguentei mais esperar, e mamãe disse que conseguia cuidar de tudo sozinha. Irei pegar um avião para Sandgem, onde o professor Roark irá distribuir os iniciais da região: Turtwig, Chimchar e Piplup. Mamãe havia deixado um bilhete em cima da mesa, dizendo que me amava e que era para eu tomar cuidado, além de algumas outras coisas que é melhor não citar. Pego um táxi até o aeroporto. Não sei como, mas consegui chegar lá antes das nove horas. Minha passagem já estava comprada, e enfim eu entro no avião.

Sandgem ficava muito no sul, mas toda a região é fria, por se localizar no norte do país. Durante a viagem, penso em qual inicial iria escolher. Minha escolha já estava basicamente decidida, mas tive alguns momentos para revisar os meus conceitos. A viagem não demora muito, e chego a tempo da distribuição, a qual não foi muito divulgada, já que seria apenas para três jovens da região. Não os conheço, e não tenho ideia de quem eles possam ser. Vou até o laboratório, o qual estava fechado, já que a distribuição só ocorreria à uma hora da tarde. É, eu cheguei cedo, mas o próximo voo de Snowpoint para Sandgem só sairia de noite. Ando pela cidade. Ela havia crescido muito desde a última vez que estive aqui, há cinco anos. Vim apenas porque minha mãe tinha assuntos de negócios para tratar na cidade e eu não podia ficar sozinho em Snowpoint. Vou até o Centro Pokémon, onde fico assistindo televisão. Estava passando a final do Torneio Pokémon de Jubilife. Não sabia muito de torneios e, sinceramente, achava que era coisa de menina. Como um cachorro quente e espero. Quando chega 12h50min, vou até o laboratório do professor. Encontro com os outros garotos lá. Os dois tinham cabelos negros, mas um era branquelo, e o outro mais moreno. Não tive coragem de me apresentar, já que mesmo tendo 16 anos, sou muito tímido. Passado algum tempo, Roark nos recebe.

— Oh! Vejo que estão todos aqui. Venham, entrem. — Diz ele, chamando-nos para entrar no laboratório.

Era um local grande, com vários cientistas. No final da sala, vejo uma mesa com três Pokébolas.

— Aqui estão os três iniciais. — Ele fala, estendendo o braço e mostrando a mesa com as três Pokébolas. — Cada um pode escolher um.

Eu havia decidido pegar o Turtwig, mas Chimchar e Piplup eram Pokémon muito bons, também. Depois de um momento de hesitação, pego o inicial de grama. Me apresento, e ele parece gostar de mim. Depois, o professor nos dá cinco Pokébolas e uma PokéDex.

— Desejo-lhes boa sorte na jornada de vocês, optando pelos torneios ou pelas batalhas de ginásio. — Diz Roark.

Em seguida, saímos do laboratório. Quando tomo coragem para me apresentar, o branquelo fala.

— Bem, não nos conhecemos, então acho melhor nos apresentarmos. Me chamo Rafael. — Afirma.

— Eu sou Gustavo. — Diz o moreno.

— Prazer em conhecê-los. Sou Ryan. — Digo, segurando a gaguejada.

— Igualmente. — Comenta Rafael. Nesse instante, consigo distinguir a cor dos olhos dele. Eram verdes. Os de Gustavo eram castanhos escuros, assim como os meus.

— Bem, é um prazer conhecer vocês, mas eu preciso ir andando. Vou voltar para Twinleaf. — Explica Gustavo.

— E eu vou para Jubilife. Espero que nos encontremos algum dia desses. — Diz Rafael.

Eles começam a caminhar.

— Esperem! — Digo.

— O que foi? — Pergunta Gustavo.

— Qual inicial vocês escolheram? — Me atrevo a perguntar.

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(Visão de Rafael)

Pontual, como sempre, acordo às sete horas da manhã. Hoje, com certeza, seria um dia especial. A escolha do Pokémon inicial é uma data memorável e, apesar de possuir quinze anos, esta será a ocasião. Nunca saí em nenhuma jornada simplesmente por opção, já que batalhas não me interessaram. Nunca fui fã de sair pelo continente à procura de insígnias para ganhar a Liga. Este não é o meu sonho. O que me fez, enfim, mudar de concepção, fora a "descoberta" dos Torneios.

Não que eu ignorava a existência deste tipo de evento. Eu sabia o que era, claro, mas nunca havia me chamado a devida atenção. O fato ocorreu provavelmente no dia mais tedioso da minha vida. Eu estava em casa, quieto, assistindo televisão quando troco de canal, sem querer. A cena que vejo é exorbitante: a combinação de ataques fogo/água. O efeito foi maravilhoso, principalmente no momento em que as chamas foram refletidas na água. A partir deste momento, não perdi mais nenhum Torneio. Cheguei até a presenciar alguns fisicamente e preciso afirmar que são ainda melhores ao vivo e em cores. Depois de algum tempo, percebi que os Torneios não eram baseados apenas na beleza e ataques, mas sim na combinação destes juntamente com a amizade entre Pokémon e seu treinador.

A manhã estava agradável em Eterna, minha cidade natal. É simplesmente incrível viver neste município e um dos principais motivos trata-se sobre a questão ambiental. Nunca é muito quente, visto que as árvores amenizavam o clima. Abro a janela do meu quarto e sinto a leve e fresca brisa invadir o cômodo. Vou logo na direção da cozinha de minha casa — estou com muita fome.

Como esperado, meus pais já estavam tomando o café e comendo um pão quentinho. Eles trabalhavam na administração do ginásio e possuíam apenas um Pokémon. Minha mãe era treinadora de uma magnífica Roserade e meu pai de um Cacnea, sendo que ambos os pokémons foram dados a eles por Gardenia, a líder do ginásio.

Após despedidas, café e afins, parto em busca do meu inicial. Este já estava decidido a um bom tempo, mas era melhor ser o primeiro a chegar e não arriscar perder meu amado Piplup. O caminho até Sandgem era tranquilo. Um único problema é que eu teria que atravessar a Floresta de Eterna, mas eu já estou acostumado a passar por ali, embora exista um grande número de pokémons selvagens pela região.

Claro, não estou nem na metade do caminho, mas esse Sol está realmente me incomodando. Nunca tive problema, embora minha pele seja um pouco pálida. Ele estava me queimando, chegava a doer um pouco na região da nuca. Então, decido parar para descansar em uma árvore e me sento entre suas raízes, na sombra. Deveria ter sido mais discreto. Deixo a mochila ao meu lado e dou um pulo para trás, fazendo a arvore que me escoro balançar.

Estou tão cansado que nem noto o ninho de Starlys em cima de mim, e os faço chacoalhar com o impacto, e é aí que olho para cima. Um monte bem grande feito tudo de palha entre os galhos abriga cinco Starly pequenos, além de uma Staravia grande e, agora, furiosa. A Staravia, que suponho ser a mãe da ninhada, desce de sua atual casa e para na minha frente, olhando-me com muita fúria. Ela queria batalhar comigo para me tirar dali, mas eu não tinha pokémons. Pego a mochila e saio correndo, com aquele pássaro voando atrás de mim.

De tanto correr, alcanço Floaroma em menos de meia-hora, o que é um recorde universal, suponho. Está mais bonita desde a última vez que vim aqui. Esta cidade é quase uma mini Eterna, já que influenciamos muito as cidades ao nosso redor. Apenas vou ao Centro Pokémon e peço um copo d'água para a Enfermeira Joy, já que eu estava cansado da maratona e logo continuo meu trajeto.

Chego em Jubilife num pequeno intervalo de tempo, visto que eu comecei a caminhar lentamente. Como sempre, a cidade estava linda, mas a poluição aumentou também. Sim, lá em Eterna somos todos ambientalistas, então Jubilife é quase como um tabu para nós. Estava acontecendo um Torneio Pokémon na cidade, mas eu não tenho tempo para assistir. Preciso chegar em Sandgem o mais rápido possível, já são quase nove horas da manhã! Se bem que... Sim, eu fiquei para observar a final do Torneio.

Já era quase meio-dia quando o evento terminou e a vitoriosa fora uma novata: Gabrielle. Com incríveis combinações de um Shellder, que antigamente eu considerava sem graça, ela ganhou sua primeira fita. Esta, com certeza, seria uma oponente difícil de encarar. Devido ao horário, resolvo pegar um ônibus que leva até Sandgem com o pouco dinheiro que trouxe.

Já na cidade do laboratório, almoço em um restaurante e sou o primeiro a chegar no local de trabalho do Professor Roark, que havia se aposentado como líder do ginásio há alguns anos. Sento-me no banco que havia em frente à construção e aguardo alegre o tão sonhado momento chegar. Antes que o pesquisador surgir, apareceram mais dois rapazes que provavelmente também vieram buscar o inicial. Penso em puxar algum assunto, mas é neste momento que o professor chega.

Somos levados até o interior do recinto e preciso admitir que era muito interessante. O nível de tecnologia usado aqui é absurdo, e tem tantos funcionários que não consigo nem ao menos estipular uma quantia. Somos colocados de frente para as três pokébolas e, automaticamente, quando chega minha vez, escolho a do Pokémon aquático, Piplup.

— Muito bem! Vou dar um tempo para vocês conhecerem seus parceiros de jornada — Ele dá um sorriso e vou na direção do pinguim. Ele não demonstrava abertamente, mas sei que estava contente por ter sido escolhido. Creio que Piplup e eu formaremos uma boa dupla, visto que nossas personalidades são um tanto quanto... parecidas.

Após a interação, ele continua:

— Desejo-lhes boa sorte na jornada de vocês, optando pelos torneios ou pelas batalhas de ginásio — Diz Rowan, dando-nos as cinco pokébolas para capturas e uma PokéDex de cores variadas. A minha, por exemplo, era verde e preta.

Após os clichês boa sorte e despedidas, sigo meu caminho. Porém, lá fora, decido interagir com os outros garotos, apresentando-me. Em seguida eles fazem o mesmo. O moreno se chama Gustavo, enquanto o loiro é Ryan. Este último, com certa timidez, pergunta:

— Qual inicial vocês escolheram?

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(Visão de Gustavo)

Acordo bem cedo, pois hoje é o dia em que vou ajudar meu pai na distribuição dos iniciais aos treinadores novatos. Ele, que antes era o líder do ginásio de Oreburgh, aposentou-se e agora virou o novo professor Pokémon da região de Sinnoh. Desde então, nós (meu pai, minha mãe e eu) vivemos aqui em uma pacata cidade chamada Twinleaf.

Já faz um tempo que o ginásio de Oreburgh está fechado. O líder que entrou no lugar de meu pai desistiu da vida de batalhas e, após o acontecimento, ninguém mais quis se candidatar, já que os Pokémon tipo Pedra não conseguem agradar a muitos treinadores, inclusive a mim. Roark vive tentando me convencer a assumir o posto de líder, mas como já disse, os tipo Pedra não são muito do meu agrado, além do mais, quero conhecer pessoas novas, batalhar e ter meu próprio Pokémon. Só resta meu pai deixar que eu saia em uma jornada.

— Filho, já está na hora! Temos que ir logo ou vamos nos atrasar! — Grita Roark.

Desço as escadas rapidamente, dou um beijo em minha mãe e saio em disparada atrás dele. Minha mãe não gosta quando saio sem tomar café, mas pior é desobedecer a uma ordem de meu pai, ele fica furioso.

No caminho a Sandgem, tento tocar no assunto que papai não gosta de ouvir, minha jornada.

— Quando poderei sair em uma jornada? — Pergunto, meio evasivo.

— Já falei, Gut! Você não sairá em jornada alguma! Você irá cuidar do ginásio de Oreburgh! — Ele replica com um tom furioso, como sempre.

— Mas eu já tenho 15 anos! Normalmente os jovens saem em uma jornada com 10 anos, e você...

— SENHOR! — Fala bruscamente, cortando minha fala.

— O senhor ainda não me deixou sair em uma jornada! — Continuo a frase de onde havia parado.

— E nem deixarei... — Ele fala brincando, com um tom de sarcasmo e ironia.

Andamos mais um pouco. Penso em alguma forma de reverter aquela situação, mas nada me vem à cabeça. Já próximo a Sandgem tenho uma ideia e que como bom negociador, meu pai não iria recusar nem em outra vida.

— Pai, tenho uma proposta — Digo, confiante.

— Conte-me sobre — Ele retruca com feição de extrema curiosidade.

— Faremos assim: sairei em uma jornada e, se eu vencer todos os ginásios, não precisarei ser líder de Oreburgh, mas se ocorrer o contrário, serei.

— Podemos fazer melhor, não acha? — Ele pergunta com certo sarcasmo, novamente – Se você vencer apenas os ginásios, você volta e vira líder. Mas se você ganhar a Liga de Sinnoh, poderá sair em quantas jornas quiser após essa.

Fico um pouco nervoso. Vencer os ginásios poderia até ser possível, mas ganhar a liga?! Aceito a proposta, já que, se eu não conseguir me destacar na Liga, pelo menos terei saído em uma única jornada, que é o que sempre quis.

Chegamos em Sandgem. Arrumamos o possível. Pokébolas, pokédex, tudo em seu devido lugar para esperar os novos treinadores, mas tivemos que trancar o laboratório e ir almoçar em outro local. O primeiro a chegar é Rafael. Este aparentava ter a mesma idade que eu, com a pele bem clara, olhos verdes e cabelos negros como o olhar de um Umbreon.

E então eu chego, seguido por Ryan, que tinha a feição um pouco mais velha, porém ainda jovem. Seus olhos eram castanhos escuros, assim como os meus e a pele era branca (não tanto como a de Rafael), com cabelos loiros como o sol a pino.

Quando meu pai chega e distribui os pokémons, fico imaginando qual inicial os outros garotos escolheriam, já que eu ficaria com o que sobrasse, pois eu era “da casa”.

Ryan é o primeiro. Ele escolhe o Turtwig, e logo em seguida corre para fora para ver seu novo Pokémon. Logo após chega a vez do Rafael, que escolhe o Piplup. Não sei por que, mas senti que eles combinavam. Ao contrário de Ryan, ele continuou no laboratório e esperou para me ver pegando meu Pokémon, o Chimchar. Fico muito feliz, pois ao tirá-lo da pokébola percebo sua alegria era notável.

Rafael e eu retornamos nossos Pokémon. Meu pai, como eu já esperava, fez um gesto para me lembrar da proposta. E então, depois de uma breve conversa (breve mesmo), com Ryan e Rafael, seguimos nossos rumos. E é neste momento que, tímido, o loiro pergunta:

– Qual inicial vocês escolheram?