2º andar dos mortos adolescentes.
1 Capítulo 1 - Estou morta?
Notas iniciais
— Vamos lá Chloe, vai ser legal!
Chloe jogada em sua cama com um travesseiro no rosto, disse — Eu não quero sair de casa essa semana Louis... — Tampando toda sua voz.
— Mas você precisa, e além do mais você me prometeu que iria fazer oque eu quisesse se eu passasse de ano, e eu passei.
Agora vamos, temos muito oque comemorar!
— Esta bem esta bem, vamos.
— Yay! Eu vou arrumar as suas malas e depois vamos chamar a turma.
Louis era a melhor amiga de Chloe, uma garota alegre, aventureira, cabelos pretos sempre levantados num coque com algumas mexas de cabelos soltos no rosto, desceu as escadas correndo para avisar aos seus amigos que conseguiu convencer Chloe de sair em viagem para as montanhas do sul com eles.
Enquanto Louis corria alegre, Chloe estava no seu quarto, não muito animada pra viajar, mas feliz pela sua amiga, Chloe sempre foi uma garota alegremente extrovertida, diferente, ela se dizia única, dizia que era a única garota que existia que era assim, se sentia especial, por ser do jeito dela, tão do seu jeito que fazia as pessoas em sua volta rirem com ela, as pessoas sempre diziam a ela “você é diferente” e ela sempre respondia “é por que sou única”, era difícil de explicar o que significava “sou única” para os outros, só ela entendia, ou só ela e outras poucas pessoas, quase ninguém...
Chloe não estava feliz, pois noite passava teve um horrível pesadelo, que mostrava ser um acidente de carro terrível, no pesadelo ela olhava seus amigos desmaiados e uns chorando, no carro da viajem... Não foi nada legal, ela não contou isso pra ninguém, tinha muito superstições em que acreditava uma delas era que se ela contasse seus pesadelos a alguém, ele se realizaria.
Tentou esquecer aquilo e pensou consigo mesma que tudo aquilo era apenas um pesadelo que fluiu de um filme de terror que ela tinha assistido, levantou de sua cama e foi pro seu banheiro, se olhando no espelho tinha muita facilidade de amarrar seus cabelos ruivos, deu duas voltas nele e amarrou pra cima com seu próprio cabelo, um coque como de sua amiga. Apoiou-se na pia olhando seu reflexo no espelho, deu um suspiro forte e jogou água em seu rosto, ouvindo passos rápidos na escada abriu logo um sorriso, já sabia que eram seus amigos chegando, ela amava demais eles, e como sempre, abriram a porta já tagarelando feitos loucos, sentaram na cama dela revisando os planos pra viajem, Chloe conhecia eles desde criança quando estudava na creche. Eles eram tão de casa que não pediam nem licença e muito menos batiam na porta do quarto, era como se estivessem em suas casas.
Chloe saiu do banheiro com um sorriso estampado no rosto, só de ver seus amigos já ficava alegre, sentou atrás de um dos seus amigos e o abraçou por trás.
— Já fizeram os planos?
Mas é claro, nós não iriamos sem você, Chloe – disse Jimmy.
Chloe se endireitou para frente e beijou sua bochecha.
O garoto apenas a olhou e sorriu.
— Mas então, por onde começamos?
Todos começaram a falar ao mesmo tempo, ela amava aquilo, não estava prestando atenção no que eles diziam, mas estava sorrindo para todos, olhando um de cada vez sempre sorrindo, observando eles falarem histericamente, se passaram uns 20 segundos e ela acordou daquele transe.
— Gente do céu, um de cada vez!!!
Sua amiga Cassie se levantou andando ate Chloe e contando todos os planos da viajem, falava muito rápida e entusiasmada, Cassie era uma garota muito, muito sorridente, nunca tirava seu sorriso do rosto, seus cabelos eram Chanel preto, e usava seu vestido floreado, ela começou – Já arrumei todas as minhas malas, estou levando comida de casa, não gosto de comprar em mercados, já passei na casa de todos pra ajudar a fazer as malas, vamos com o carro do Jimmy, é maior, vamos partir a noite pra chegarmos de manhã, a Louis estava pensando em parar pra acampar, mas não sei se é uma boa ideia...
Cassie falava rápido, muito rápido, todos a olhavam prestando atenção e tentando acompanhar.
— Já que temos tudo planejado, eu não preciso saber de tudo, vamos arrumar as coisas? – disse Chloe, se levantando num pulo, — antes de tudo preciso passar na minha vó, avisar a ela pra avisar meus pais e meu irmão que vou hoje.
— Okay, eu vou com você. — disse Louis.
Todos saíram do quarto, todos juntos, uns pulando no ombro do outro, conversando tudo junto e alto, estavam muito entusiasmados para a viagem.
— Se encontramos as seis na casa do Jimmy? – disse Chloe, já no portão de casa.
— Sim, MÃOS A OBRA PESSOAL! – gritou Cassie.
O grupo de amigos foi pela direita, Louis e Chloe foram pela esquerda.
[...]
Eram quase seis horas da tarde e Chloe e Louis ainda estavam na casa de seus avós, lá estava só seu irmão mais velho, Oliver.
— Casacos?
— Aqui
— Botas?
— Aqui.
— Luvas?
— Aqui.
— Celular?
— Sempre aqui.
— Dinheiro?
— Aqui.
— Saúde?
— Aqui.
— Cuidado?
— Aqui.
— Abração?
— Aqui
Chloe abraçou seu irmão, o cotovelo de seu irmão batia quase em sua cabeça, Oliver era alto e forte, seu sorriso era encantador, era o galã da cidade, muito protetor, agia como o pai de Chloe, tinha 24 anos, e sempre estava presente na vida de sua irmã, amava-a mais que tudo.
— Promete ligar quando chegar? – Prometo
— Promete enviar fotos a cada 30 minutos? – Meu Deus, prometo.
– Promete voltar a mesma de sempre? – Prometo, e você sabe disso.
— Te amo maninha – Te amo maninho.
Chloe Deu o ultimo abraço em seu irmão e saiu.
– Tchau Louis, cuida da minha irmã. – Pode deixar mano! – Juízo.
Essa foi a ultima palavra de Oliver antes de fechar a porta, mesmo sabendo que sua irmã tinha maturidade suficiente para viajar com seus amigos em segurança, ele sentia um frio na barriga, seu sorriso encantador foi se fechando devagar, ele olhou pela janela, sua irmã fechando o portão da casa e sumindo quando virou a rua. Ele sentia como se nunca mais iria vê-la outra vez, suspirou fundo e deixou esses pensamentos negativos de lado.
[...]
– Já estamos atrasadas, já vai ser seis horas, vamos correndo — com duas malas em cada mão, correram dois quarteirões ate a casa de Jimmy, chegando lá, todos já estavam prontos pra partir.
— Vamos logo meninas! – Colocaram suas malas no porta malas e entraram no carro.
— quer salgadinho? — Disse Cassie, quase esfregando o pacote de salgadinho na cara das meninas. – Sim Cassie – disse Louis enchendo a mão.
— Vamos partir galera? – Gritou Jimmy
— VAMOS! – todos gritaram juntos de volta.
Era meia noite e todos ainda estavam bem acordados, a rua estava escura, só o farol do carro iluminava a rua, era tanta animação de saírem juntos que nem ligavam pro frio que estava fazendo, estava caindo pequenos flocos de neve, não era tanto, mas já fazia o carro deslizar na rua e Jimmy ter mais atenção na estrada, eles guardavam esse dinheiro para essa viajem a 6 anos, e finalmente conseguiram. Mas Chloe não estava muito bem, sentia que algo ruim iria acontecer.
— Pessoal, por que não paramos e esperamos passar essa neve? – pediu Chloe.
— Não podemos parar Chloe, se não a gente não vai chegar a tempo. Saímos muito tarde. – disse Cassie passando a manga do casaco no vidro do carro para ver onde estavam.
— Vai ficar tudo bem Chloe, não se preocupe – disse J, olhando para seus olhos, só seu olhar já acalmava Chloe.
— Coloca uma musica – disse Cassie.
Jimmy se abaixou pra pegar um CD.
O melhor amigo de Chloe estava sentado no banco de carona ao lado de Jimmy, era o J, Chloe estava no banco de trás no meio de suas duas amigas que conversavam entre si, Chloe olhava para J, que olhava para Chloe com um leve sorriso, seus olhares se cruzavam e tudo ficava melhor, Chloe sentia o olhar de J como se fosse um remédio que a acalmava, seus olhos eram azuis claros e brilhava mesmo na noite, Chloe se sentia protegida com ele, o que ela sentia não conseguia explicar, mas era bom, era um sentimento maravilhoso, ela sempre sentiu algo a mais quando se tratava de J, não era apenas seu melhor amigo, era algo a mais, mas Chloe nunca teve coragem de dizer o que realmente sentia por J, mas sabia que J também não a via só como apenas uma amiga, J sabia que seu olhar acalmava Chloe, muitas vezes quando Chloe estava nervosa com algo, ele a olhava no fundo de seus olhos e dizia que tudo ficaria bem e Chloe já se sentia melhor, Chloe não sabia, mas seu olhar também o acalmava de todos os jeitos, ele tinha esse poder sobre ela, e ela tinha esse poder sobre ele.
Logo o sorriso de Chloe se fechou e seus olhos que estavam cruzados com os de J agora estavam encarando a frente do carro, sua boca entre aberta tentava dizer algo, mas estava em pânico, seus olhos ficavam cada vez maiores J olhou para frente para ver o que ela estava vendo, seus olhos também arregalaram.
– Cuidado Jimmy! – gritou J chamando a atenção de Jimmy.
Jimmy se assustou, ele estava procurando o CD, levantou e viu uma luz muita forte na frente dele cegando todos dentro do carro, uma buzina tomou conta de seus ouvidos fazendo com que Jimmy achasse que estava na contra mão, o fazendo virar o carro para a rua da direita, achando que estava voltando para a rua certa, os olhos de Jimmy ainda estavam cegos por causa dos faróis do caminhão, ele não enxergava nada, a visão de Jimmy e a de todos foi voltando aos poucos, Jimmy percebeu que não estava mais em uma rodovia e sim numa rua que ao lado esquerdo havia uma montanha aonde já tinha acontecido desmoronamentos de terra, e a direita havia uma cerca pequena e um penhasco.
Jimmy ainda estava recuperando a visão daquela forte luz dos faróis do caminhão que os cegaram, apertou os olhos parar tentar enxergar algo a sua frente, todos gritavam no carro, Jimmy estava em zig-zag, o asfalto estava congelado fazendo com que o carro escorregasse, quando Jimmy começou a enxergar algo, viu que o carro estava indo direto para o penhasco, o carro bateu na pequena cerca que separava a rua do penhasco, Jimmy tentou desviar mas já era tarde, o carro desceu ladeira abaixo, todos começaram a gritar desesperados.
— Oh meu Deus, Jimmy, acorda, acorda, droga Jimmy acorda!
J balançava Jimmy desesperado para acorda-lo, ele tinha batido a cabeça no volante com a batida na cerca e acabou desmaiando, o carro chacoalhava enquanto descia em alta velocidade batendo em pedras.
— Se assegura J! – Gritou Chloe desesperada.
Como ela estava sentada no meio, abraçou suas duas amigas, elas esconderam o rosto embaixo do braço de Chloe, ninguém mais gritava, sabiam o que ia acontecer, com dificuldade ela olhou para J, como um ultimo olhar, seus olhos estavam cheio de lagrimas, um olhar de aterrorizada, J se segurava na frente do carro, olhou para Chloe, suspirou forte, ia falar algo para ela, mas infelizmente baterão no chão, a queda foi grande, todos desmaiaram, ou... Estavam mortos?
[...]
Chloe abriu seus olhos devagar, viu o teto do carro, sua cabeça estava encostada pra trás, estava tudo rodando, sua cabeça doía mais do que nunca, o carro estava todo destruído, todas as janelas estavam quebradas, estava tudo amassado, Cassie estava desmaiada no seu colo e sua cabeça estava sangrando, Chloe tentou se mexer, mas sua perna estava presa e no canto de suas vistas estava ficando tudo escuro, colocou a mão na cabeça de Cassie e a virou pra frente, estava desacordada, desejava que estivesse viva, ela virou sua cabeça para o lado com muita dificuldade tentando olhar para Louis, Louis estava com a cabeça na janela do carro, mas não tinha o vidro do carro, já dava para imaginar o que tinha acontecido, Louis tinha batido a cabeça na janela na hora da queda com tanta força fazendo o vidro quebrar por inteiro e com isso Chloe via a neve cair levemente nos cabelos pretos de Louis, deu uma leve cotovelada no braço de Louis, esperando resposta, mas nada aconteceu, Louis estava ensanguentada, havia muito sangue em suas duas amigas, Chloe começou a entrar em pânico, fazia gemidos de choro e suspirava forte tentando falar, mas nada saia, ela olhou para frente novamente, vendo a pior cena de todas, J estava com a metade do corpo para fora do para-brisa, ele estava sem sinto, e com a batida foi arremessado para frente, o carro tinha batido a frente no chão, fazendo J ser arremessado, mas depois o carro caiu para trás fazendo com que ficasse no chão novamente, a frente estava completamente destruída, Chloe não conseguia ver se Jimmy estava bem, ele estava com a cabeça no volante, acionando a buzina com o peso da cabeça, estava frio demais, Chloe sentiu suas pernas pararem de doer e tudo começou a ficar escuro, ela queria gritar, pedir ajuda, seu melhor amigo poderia estar morto, ou congelando, estava com a metade do corpo para fora, e pensar naquilo a assustava muito, todos seus amigos poderiam estar mortos, uma lagrima escorreu dos seus olhos, ela pensou... Tudo aquilo poderia ser o fim, se ela tivesse ficado em casa, nenhum deles teria saído de casa também, todos estariam bem e vivos, seria aquele o fim de todos eles? Ela não conseguia mais pensar em nada, não ligava se poderia estar morrendo, ela queria apenas salvar seus amigos, se sentia muito culpada, as vistas dela escurecerão de vez, estava sentindo muito sono, fechou os olhos e dormiu.
[...]
Chloe acordou numa cama branca, num quarto branco, sem mais nada além da cama, levantou num pulo, achou que estava no hospital, não sentia nenhuma dor como se não tivesse sofrido nenhum acidente, começou a pensar rápido, Cassie, Louis, Jimmy... Sentia que tinha mais alguém, mas não lembrava, deixou isso pra lá e correu pra porta, queria muito saber dos seus amigos.
Abriu a porta devagar, havia uma sala, era meio que redonda, e havia uma mulher escrevendo em uma folha atrás de uma escrivaninha, tinha muita coisa bagunçada em cima da mesa dela, ela estava usando um uniforme todo branco, como se fosse uma enfermeira, os cabelos loiros amarrados num rabo de cavalo, com óculos de lentes quadrados, Chloe foi à direção dela.
— Moça? Onde estou? Aonde estão os meus amigos? Eles estão bem? Eu estou no hospital? Preciso ver meus amigos e...
— Se acalma garota, uma pergunta de cada vez, eu faço isso todos os dias há séculos — Chloe achou “há séculos” um jeito de dizer que eram muitos anos que ela trabalhava lá. – E todos os dias essas crianças me fazem as mesmas perguntas – a mulher começou a imitar pessoas fazendo uma voz fina e irônica – “aonde eu estou? Fulano esta bem? Oque aconteceu? Estou no hospital? Preciso disso, preciso daquilo, como assim eu morri?”
– O QUE? – Chloe arregalou seus olhos na ultima imitação dela.
— Ah não... Ninguém merece...
— E-eu, morri? Como assim eu morri? Eu não posso ter morrido, eu não fiz...
— Blá blá blá você não fez nada, seus sonhos estão acabados, você precisa voltar, como ficam seus amigos e família, mimimi, eu sei, mas acabou pra você.
– Como assim moça? Eu estou aonde? No céu?
— Não, você esta no 2ª.M.A, mais conhecido como “segundo andar dos mortos adolescentes.”
A mulher sorria enquanto falava, Chloe não estava entendendo nada, achava aquilo uma grande piada sem graça. Como assim segundo andar? Aquilo era verdade? Ela realmente estava morta? E seus amigos? Que não saiam da sua cabeça, e o que era isso? 2ª.M.A? Que nome estranho, parece MMA, “Segundo andar dos mortos”, aquilo realmente existia? O que estava acontecendo com ela? Porque estava acontecendo aquilo com ela? Chloe pensava em muitas coisas, se apoiou na cadeira que tinha na frente da escrivaninha onde a mulher estava, olhando para suas botas, pensamentos longes, muitas perguntas, ela foi sentando devagar na cadeira, estava muito confusa e assustada.
— Garota? Você está bem? Ah, que pergunta idiota, me desculpe é claro que você não esta bem, você acaba de saber que morreu. – a mulher ria, mas parou depois que viu que Chloe não estava nada bem, e nem ouvindo o que ela estava falando. – ãã... eu li aqui que seu nome é Chloe? Você sabe do que morreu? – Chloe sacudiu a cabeça devagar e olhou pra mulher.
— Sim, eu... tive.... ã.. eu lembro... mas estou esquecendo, que estranho...
— Há, já esta acontecendo, que bom! – disse a mulher sorrindo e escrevendo sem parar
— Como assim que bom? Eu estou esquecendo tudo, mas que merda, o que tá acontecendo?! – Chloe bateu as mãos na mesa em protesto, já estava cansada de tanta enrolação de perguntas sem respostas.
— Você morreu querida, esta morta feat. enterrada, você precisa esquecer-se de tudo mesmo, aos poucos você vai esquecer ate do seu nome, mas o nome é a única coisa que vamos deixar vocês saberem.
A mulher falava sem parar de escrever e nem sequer olhava para Chloe.
— Vocês? Mas por quê? Porque isso? Meus amigos! Minha família! Oliver! Como ele vai ficar, é meu irmão!
— Eu sei, trágico! Mas aos poucos você não vai saber nem quem é Oliver. Você já esqueceu como foi que morreu, e já deve ter esquecido outras coisas e pessoas que não estão te fazendo falta, mas é claro, você não se lembra delas. Você vai ficar bem.
— Não! Eu não posso esquecer tudo, é a minha vida!
— ERA a sua vida, agora sua eternidade vai ser aqui, bom, não a eternidade, mas um longo tempo.
Chloe estava encarando a mulher de boca aberta, ela não podia e não aceitava aquilo, ainda achava que estava sonhando, mas e se fosse verdade? Aceitava a morte, mas ela precisava ver todos antes de esquecer-se de tudo.
— Agora me acompanhe. – Disse a mulher se levantando e indo em direção de uma porta branca.
Chloe seguiu a mulher e começou a fazer perguntas de novo.
— Qual é o seu nome? Quem é você?
— ah não, de novo garota? Meu nome é Rosa e eu sou a subsecretaria do 2ª.M.A, eu estou aqui a séculos e não estou mais aguentando responder todo dia a mesma coisa e... – Rosa olhou para Chloe com um olhar estranho e continuou. – nunca ninguém tinha me perguntado coisas sobre mim, ã... Obrigado por se interessar, eu acho.
— Eu sou única. – Chloe a olhava e sorria, pois lembro a épica frase que dizia sempre quando estava viva...
— Como assim única? – pergunto a mulher, andando ao lado dela.
— É que eu e meus amigos, somos únicos, não ah ninguém no mundo que seja igual a nós, a gente é uma espécie única – Chloe falava sorrindo, como se ainda estivesse viva e nada tivesse acontecido – eu lembro que a... – Chloe parou de falar, franziu a testa, tinha esquecido o nome de sua melhor amiga. – a.. meu Deus – Chloe parou no corredor olhando para o nada – eu esqueci o nome da minha melhor amiga... oque ela fazia mesmo? Meu Deus – Chloe começou a se desesperar, forçava pra lembrar.
— Calma garota é assim mesmo, daqui a pouco você não vai mais se preocupar com isso, por que você não vai saber quem ela é. – Antes de Chloe falar alguma coisa, Rosa abriu uma porta branca, onde elas estavam paradas na frente dela, Chloe deu alguns passos pra frente e olhou para dentro. Era tudo colorido, barulhento, adolescentes que nem ela pra todo lado, uns assustados nos cantos, aparentemente tinham chegado agora como ela, outros conversando em grupos, alguns deitados de cabeça pra baixo em um sofá preto, mexendo em celulares e notebooks, outros ouvindo musica e jogando vídeo game.
— Oque é isso?
— Aqui é o salão principal dos 2ª. Aqui ficam todos os adolescentes à tarde, esse salão é para vocês pestinhas ficarem ocupados e não encherem o nosso saco, alguns ficam nos quartos, vários aqui chegaram á muito tempo, pergunta algumas coisas pra eles, se enturme, alguns chegaram agora, estão assustados como você, cuidado com quem você se enturma e não apronte nada.
— como assim? O que eu faço?
— você vai ver, apenas pense bem antes de fazer qualquer coisa.
Uma garota com os cabelos lisos pretos e curtos, de franjinha, pulou na frente de Chloe, que se assustou.
— Oi, você é nova aqui? Meu nome é Luana, mas pode me chamar de Lua, quer ajuda?
Chloe não sabia o que responder, apenas olhou para Rosa, que respondeu com um sorriso.
— E essa é a Lua, faz três anos que ela esta aqui, seja amiga dela, você vai se da bem com ela, ela também é... “única” – Rosa fez gestos de aspas com as mãos no ar nessa ultima palavra, se virou gargalhando, saiu e bateu a porta. Chloe estava mais confusa ainda, Lua cruzou seu braço no de Chloe e a levou pra conhecer o lugar.
— Você parece ser bem legal Chloe, quer ficar no meu dormitório comigo? Ainda não tenho nenhuma colega.
– Claro, por que não? Você pode me explicar algumas coisas?
— Claro, vamos.
Lua arrastou Chloe ate a porta no final da sala principal, e lá havia outro corredor branco, onde havia varias portas de dormitórios, na penúltima porta, era o quarto de Lua, elas entraram, era colorido, com pôster de bandas muito antigas que Lua achava em depósitos do 2ª, era de adolescentes muito antigos que já não estavam mais lá, tinha uma escrivaninha cinza com vários livros em baixo, uma TV pequena em cima dela, e duas camas em cada parede, era um quarto simples, mas muito aconchegante que Lua tinha arrumado do seu jeito.
— Essa é sua cama.
Lua apontou pra cama direita e se jogou na cama esquerda, que era dela. Chloe se sentou na cama, rindo de Lua, que a fazia lembrar alguém, mas não lembrava quem era.
— Oque você quer saber primeiro? – disse se sentando na cama.
— Bom.. – disse Chloe, engolindo saliva, pra começar as perguntas
— Eu estou meio perdida aqui, oque é 2ª andar dos mortos adolescentes?
— Simples, é onde os adolescentes ficam depois que morrem.
— Mas pra onde nós vamos depois daqui? A gente fica aqui pra sempre?
— Não, a gente fica um tempo aqui, por que é muito adolescente, e a gente vive aqui por bastante tempo, e depois a gente é escolhido pra onde vamos alguém, que eu não sei quem é, avalia a nossa vida e a morte, e escolhe pra onde vamos, pode ser céu ou inferno ou até purgatório ou ajudante do rei do céu, que provavelmente é Deus, e também ajudante do rei do inferno que provavelmente é o carinha vermelho de dois chifres na cabeça, que em minha opinião não está mais na moda aquelas chifres vermelhos, e quem apronta muito no segundo andar antes de ser escolhido, é trancado no porão do segundo andar até ser escolhido, e lá já tem muitos. Na sala principal tem um mural que mostra quem está preso lá embaixo, é horrível, eles colocam aquilo só pra você ficar com medo e não aprontar.
Chloe estava prestando bastante atenção.
– Mas porque estamos esquecendo tudo?
—Isso eu não sei, eu não tenho nenhuma memoria mais da minha vida, só daqui mesmo.
— E você nunca teve curiosidade pra saber como morreu? Quem era na terra? Quem era sua família?
— Não, e nem tenho vontade de procura nada sobre isso, porque não sinto nada por eles e também eu não saberia por onde começar e não me arriscaria tentar procura qualquer coisa sobre a minha vida, não quero ser trancada no porão ou ir pra algum lugar horrível.
— Mas eu não tenho medo disso, eu não vou esquecer tudo, não antes de ver todos de novo, me despedir, eu entendo que morri, eu entendo que não poderei mais voltar, mas eu preciso saber se meus amigos estão bem e me despedir da minha família. – naquele momento alguém bateu na porta, Lua correu abrir.
— Tudo bem aqui Lua?
— Tudo Joey! Essa é Chloe – Lua empurrou a porta pra trás revelando a garota de cabelos de fogo que mexia na sua pulseira de pérolas sentada na cama, já se levantando ao ver o garoto – ela acabou de chegar, Joey chegou a duas semanas.
Chloe olhou para ele, os dois estavam se encarando, pareciam que se conheciam de algum lugar...
Fale com o autor