2Shy - A Continuação
3 Capítulo 3: Symphony
Notas iniciais
Capítulo 3: Symphony
Percy
— Você…sair… comigo…de mim…lembra?
— Como não esquecer uma pergunta tão exótica? — eu disse virando para vê-la, esperando que ela já não estivesse ali, ou que estivesse toda vermelha, mas ela estava confiante.
— Realmente, como esquecer? — ela disse colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha – Sou Annabeth.
Ela estendeu a mão e eu a apertei.
— Sou Percy… você quer sair daqui… tomar um café? Eu só preciso acabar de arrumar as coisas.
— Claro, vamos. — ela sorriu – Você quer que eu te ajude? — quando eu vi, ela já estava enrolando alguns fios, então só fiz ‘sim’ com a cabeça.
Demorou menos tempo do que eu normalmente tomo para arrumar a aparelhagem toda. Quando acabamos ela insistiu em carregar a pequena bolsa em que eu guardava os fios – eu não discuti, parecia que não daria muito certo discutir com ela – e logo depois seguimos o fluxo da saída, passando por vários corredores e escadas rolantes que nos faziam inconscientemente a chegar a superfície, começamos a andar pela rua, na direção contrária da que seria a gastronômica do bairro, o café ficava do lado da loja do proprietário do apartamento em que moro.
— Então Percy, você me prometeu um café, esse café vai me fazer vir aqui, em Angel, mais vezes? — ela disse um tanto desafiadora, um tanto brincalhona.
— É bem provável que sim – falei aquilo sinceramente – mas espero que não seja só pelo café, sabe? — me virei para ela – As pessoas e a cultura de Angel podem te cativar.
Pisquei para ela, e ela gargalhou e eu a acompanhei. Ela ficou negando com a cabeça dizendo: “Genial, genial…”
Continuamos a caminhar, ainda risonhos, até que chegamos. Aquele lugar me fazia lembrar a casa de inverno da minha avó em Inverness, o cheiro forte de whisky e haggis. Os donos eram, meu melhor amigo, Grover, e sua esposa, Júniper.
Esse local tem uma história peculiar.
Antes de virar um point de cultura escocesa, era o armazém de um serial killer, e quando eles compraram, eles não sabiam disso, porque não foi dito em momento algum. Por causa disso, no primeiro ano do St. Andrew, quase ninguém frequentava o local, só uns bêbados a noite e eu, eles descobriram dessa história quando uma senhora, muito idosa, entrou no local para lhes perguntar se já tinham feito uma missa pelo local, e eles, obviamente, falaram que não e perguntaram o porque, e finalmente souberam do que aconteceu.
Eles avisaram que fariam o descarrego na página oficial do bairro. Muita gente veio e desde então o local tem funcionado com clientes e normalmente.
Annabeth, olhou o local atentamente, enquanto eu a encaminhava para uma mesa perto da janela. Puxei uma das cadeiras para ela se sentar e ela murmurou um ‘obrigada’.
— Annie, posso te chamar de Annie? — ela fez que sim com a cabeça – Então, meu apartamento é aqui do lado, vou lá deixar meu equipamento e já volto. Aqui, o cardápio. — peguei na mesa do lado e entreguei a ela.
— Quer que eu peça para você? — ela disse já lendo o cardápio e eu pegando minhas coisas.
— Não, não precisa, o dono já me conhece, quando eu sair eu falo com ele o que quero. Não vou demorar.
Ela fez um joinha com a mão e continuou a ler. Eu passei na bancada e antes que pudesse falar algo Júniper já se adiantou.
— Aquela loirinha é a famosa Annabeth? — Fiz que sim com a cabeça – Ela é bonita… GROVER!
Uma cabeleira ruiva veio em nossa direção saindo da cozinha, gritando um “O que foi?” em resposta.
— Fala Percy! — ele disse me dando um high-five— O mesmo de sempre, não precisa me dizer. O que foi, meu amor? — ele disse dando um beijo na bochecha de Júniper.
— Aquela é Annabeth… — eu sai assim que ela começou a falar, conhecendo os dois eles dariam um escândalo em pouco tempo e falariam com ela logo depois de terem assustado todos.
Eu não queria estar por perto quando isso acontecesse.
Abri a porta e subi as escadas rapidamente e quando fiquei de frente ao apartamento 104-B, peguei minhas chaves e entrei. Minha sala não estava um caos de provas e contas a pagar como normalmente é, eu havia arrumado a pilha ontem, então, caso eu a trouxesse a qui não haveria problema algum.
Deixei meu equipamento no quarto de hóspedes/escritório bagunçado e passei no banheiro para escovar meus dentes. Conferi se estava tudo certo e sai dali, correndo pelas escadas, quando passei pelo hall do prédio conferi se não tinha nenhuma correspondência no escaninho – não tinha – e fui em direção a cafeteria.
Quando cheguei, Júniper já estava sentada ao eu deveria estar sentado e Grover, estava indo em direção a elas, quando passou por mim, me entregou meu café um tradicional “na h-Alba cofaidh” e uma fatia de bolo de frutas vermelhas, eu o segui.
— Voltei. — eu disse segurando minha comida, enquanto via Annabeth bebericar um café normal.
— Pelo amor de Deus, Percy, você foi rápido. Eu estava acabando de contar a ela a história da cafeteria. — disse Júniper se levantando. — Bem, Annabeth, boa sorte com seu encontro com o Percy, as vezes ele é meio lerdinho e o segundo andar é uma livraria, se te interessar vá lá. — ela assentiu.
— Obrigado Júniper, me ajudou muito. — ela nos deu um tchauzinho e quando me virei vi Annabeth segurando um riso. — Porque você está rindo? — eu disse confuso e ela acabou rindo pra valer.
— Porque ela acha que isso – ela apontou para nós dois, ainda rindo – é um encontro e me desculpe por ter começado sem você.
— Mas eu também achei que era um encontro. — disse mais confuso do que antes, pegando um pedaço do meu bolo.
— Isso é no mínimo o início de uma amizade, apesar da sua cantada, que foi bem discreta. — admito que murchei um pouco quando ela disse aquilo, porém, eu tive uma ideia.
— E se eu te chamasse para sair amanhã a tarde? Seria um encontro? — ela me olhou, cerrando os olhos, pensando um pouco e fez que assentiu depois de um tempo.
— E aonde seria esse encontro, Percy? — ela perguntou roubando um morango da fatia do meu bolo.
— Aonde você quiser. — ela, de novo, assentiu, mastigando. — Então a quanto tempo você está em Londres?
— Uns 4, 5 meses e você? — eu responderia só que ela me interrompeu – Quer saber? Me fale de você, enquanto eu como seu bolo.
— Ok. – eu disse rindo e fazendo um sinal para Grover trazer outro bolo. — Mas não me interrompa, ok?
— Eu juro, mas eu tenho que sair daqui as 17:00, tenho que ir ver meus pais e preciso pegar minhas coisas. — concordei e comecei a falar.
“Eu nasci em Edimburgo, e morei lá até os meus 21 anos, foi nessa época em que vim para cá dar aulas de música em uma escola secundária perto do parlamento. Mas isso é história para outro momento.
Meus pais se conheceram em Inverness, minha mãe trabalhava na padaria da família, na área urbana da cidade meu pai passava por lá quando vinha de Napier, por causa dela – eles se conheciam desde crianças – e de vez em quando eles saiam e passavam a noite juntos, em uma dessas noites meu irmão mais velho, Tritão. Eles contaram a família inteira, e apesar deles nunca terem assumido um namoro, não houve objeções e eles logo se casaram e se mudaram para a capital para meu pai acabar sua faculdade, e minha mãe aproveitou e começou a sua também.
Eu nasci dois anos depois que meu pai se formou, Tritão tinha 2, 3 anos de idade e eu tenho um irmão gêmeo. Os dois já estão casados, o que faz com que meus pais e principalmente minha vó, fiquem preocupados se eu vou ser para sempre o solteiro. Enfim, eu nunca fui de namorar, posso contar quantas namoradas tive nos meus dedos, até porque nunca me apaixonei por alguém, até agora.
Um dos motivos é, a pressão que minha vó faz para nos casarmos com escocesas, ela é muito nacionalista, e também sempre tem alguém arrumando uma pessoa nada a ver para mim, então eu desisti faz um tempo sabe. Só que quando eu vim para cá, eu fiquei esperançoso.
Eu estava vindo para uma cidade nova, uma vida nova, longe do dinheiro da minha família, da minha família no geral. Mas passou um tempo e nada mudou, só o fato de ter ficado independente do clã dos Jackson's.”
— Me conte da sua infância. — ela disse entretida.
“A minha infância foi bem tranquila, eu vivi até os meus 6 anos em Edimburgo, até que nos mudamos para Inverness. Eu tive uma infância bem elitista, apesar de ter tido bastante tempo para brincar e me machucar pela propriedade da família. Eu não lembro se já mencionei que minha vó é a condessa viúva de Inverness? Ok, eu tinha esquecido disso, mas eu costuma a nadar até o inverno…”
— PERCY! Já são 17:30! Eu tenho que ir. — ela disse e eu murmurei um ‘tudo bem’ — Eu te ligo para combinarmos aonde vai ser nosso encontro ok?
— Ok
— Grover, quanto eu te devo? — ela perguntou para o ruivo.
— É por conta da casa loirinha. — ela disse um '‘obrigada’' e saiu correndo pela porta.
Continuei a tomar meu café, pensando nela até que Grover chegou na minha mesa.
— É melhor você não deixar ela escapar, porque você claramente gosta dela.
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