25 - Love In The Dark

1 25 - Love In The Dark (Único)


Notas iniciais
Boa madrugada para todos!

Como vocês estão? Espero que bem *-*
Antes de falarmos sobre essa one, agradeço a todos os comentários incríveis a respeito desse pequeno projeto! Espero que estejam gostando verdadeiramente do que estou me propondo a fazer e sempre é um prazer imenso escrever para vocês!

Bem, sobre essa one... Ela foi muito difícil de escrever, mais difícil do que "When We Were Young". Tanto pelo emocional quanto pela questão de transpor tudo o que eu havia pensado para palavras... Mas, espero que gostem!

Boa leitura!

“Take your eyes off me so I can leave, I’m far too ashamed to do it with you watching me. This is never ending, we have been here before... But, I can’t stay this time cause I don’t love you anymore.”

Seus papais lhe disseram, por muito tempo, que um relacionamento era sustentado por um tripé, cujas bases eram o companheirismo, o amor e a confiança. E que existiam outros componentes essenciais, como o carinho, o sexo e a admiração que tornavam qualquer relacionamento especial e válido o bastante para ser vivido.

E ela, Rachel Berry, sempre imaginou que viveria algo do tipo. Para ela, era praticamente impossível que uma futura grande estrela não fosse arrebatada por uma grande história de amor, digna das telas do cinema e das páginas surradas dos clássicos literários... E que fosse capaz de inspirá-la em sua atuação e em seu canto. Na verdade, Rachel era sonhadora o bastante para acreditar que não existia vida sem amor.

Rachel Berry era apaixonada pela música, pelo teatro, pela vida e, essencialmente... Por Quinn Fabray.

A morena jamais soube em que momento sucumbiu aos encantos da antiga cheerleader que tanto a maltratou, entretanto, ela tinha certeza que o que nutria por Quinn era forte o bastante para suportar qualquer humilhação e desprezo. Por ela, Rachel aceitou, compreendeu e lutou.

Por ela, Rachel se entregou às cegas a um sentimento desconhecido. A morena nadou em águas escuras e afogou-se em um oceano profundo e diante de tanto a explorar, Rachel imergiu em sentimentos intensos que foram, surpreendentemente, correspondidos.

Com a chegada e permanência de Quinn a sua vida, as peças foram se encaixando e tudo começou a se encaminhar para o final feliz que ela esperara por tanto tempo... Contudo, os anos passaram e as mudanças chegaram sem que ela pudesse ter estômago para enfrentá-las.

E cá estava ela, Rachel Berry, estrela em ascensão da Broadway, debulhando-se em lágrimas enquanto olhava para o celular de sua namorada. As suas mãos estavam trêmulas e seguravam o aparelho por puro reflexo já que perdera a sensibilidade em seus dedos desde que sua curiosidade a fez ler o que não queria.

Rachel não sabia o que pensar. Sua mente estava presa em uma frenética sequência de cenas de seus melhores momentos com Quinn... Do primeiro beijo após a sua estréia na Broadway, do primeiro Natal em NYC, do primeiro Ano Novo sozinhas...

Quinn pode não ter sido sua primeira, mas era a sua única.

Era a única que amara tão intensamente quanto amara Finn, era a única que ela se calava para ouvir, era a única com a qual ela se desculpava sem pensar duas vezes... Era a única que, até então, ela confiara seu coração de forma cega e impensada.

Provavelmente, era por causa dessa verdade inquestionável que, naquele momento, Rachel sentia-se que se afogava nas águas profundas que tão bravamente aprendera a navegar... A morena sentia como se, de fato, jamais tivesse conhecido as profundezas de Quinn e que, depois de todos aqueles anos, estivesse apenas nadando pela superfície.

Rachel sentiu seu coração ser esmagado no interior de sua caixa torácica. Ela soltou o celular em cima da mesa de vidro e colocou ambas as mãos sobre o peito, pressionando-as de encontro a sua pele, em um ato que, desesperadamente, pudesse aplacar a dor emocional que começava a converter-se em física conforme sua respiração tornava-se ofegante e ela não conseguia levar quantidades suficientes de oxigênio ao seu corpo.

Era exatamente como se afogar... Mas, diferentemente de encontrar a água preenchendo seus pulmões, Rachel encontrou a escuridão.

Sentiu quando ela, de forma pesada e desconfortável, percorreu os últimos laços que a ligavam a Quinn. Rachel sentiu quando a própria Quinn foi envolta naquela escuridão que nada mais era do que a personificação de sua desconfiança e desconhecimento.

Ela não sabia quem era Quinn Fabray porque a mulher que amava não seria capaz de traí-la. Quem ela amara e conhecera em todos aqueles anos era incapaz de traí-la porque, em seu conto de fadas, Quinn amava Rachel de forma tão intensa quanto.

- Amor...? — A voz de Quinn a chamou e Rachel só teve forças para levantar a cabeça em direção ao som. Ainda na porta do apartamento, seus olhos se encontraram.

Os olhos verdes, cujo brilho dourado sempre fascinou Rachel, estavam primeiramente neutros até irem da expressão decepcionada da morena para as mãos dela que, agora, apertavam o celular de forma tão intensa que seriam capazes de quebrá-lo. Quinn mordeu o lábio e abaixou a cabeça e, quando ela voltou a olhar para a morena, ela tinha aquele tipo de olhar que sempre desarmou Rachel...

Era o olhar de quem tinha perdido tudo e que se segurava na única coisa que restava para permanecer viva.

“Please, stay where you are... Don’t come any closer! Don’t try to change my mind, I’m being cruel to be kind.”

- Seu celular? Está aqui. — Rachel grunhiu ferida, jogando o aparelho sobre a mesa de vidro e abrindo um sorriso repleto de ironia enquanto se levantava. Toda a postura dela revelava que ela estava ferida o bastante para ferir, da mesma forma, caso fosse necessário. Porém, mesmo diante daquela situação e com os pedaços de seu coração espalhados por todo o espaço entre elas... Rachel não queria ferir Quinn. — Ela está lhe esperando e eu pretendo ir embora da sua vida.

Quinn continuava imóvel no mesmo lugar, a loira parecia não ter assemelhado o que acabara de acontecer quando, na verdade, estava em choque. Ela achava que tivesse sido discreta o bastante para não ser descoberta. Ela achava que poderia passar por aquilo sem que Rachel pudesse descobrir e, principalmente, se machucar.

Quinn tinha consciência do que fazia e das conseqüências de seus atos, mas tampouco pode resistir. Ela sabia que não existia explicação e, muito menos, perdão pelo que fizera e era justamente por isso que ela escondia. A loira tinha vergonha do que fazia e, principalmente, tinha vergonha de Rachel.

Porque, ainda assim, Quinn a amava.

Não foi a falta de amor que a afastou e a fez procurar outros corpos para se saciar... Quinn não sabia o porquê de seu corpo exigir, tão ferozmente, outra pessoa em sua vida. Ela tampouco sabia por que cedera a isso quando sabia muito bem quem era a dona de seu coração.

Quinn verdadeiramente não sabia o motivo que a levara a arriscar o amor da sua vida por uma mulher que mal conhecia.

- Por favor, Rach... Não é nada disso! — Quinn justificou-se debilmente, vendo Rachel revirar os olhos na menção do apelido carinhoso. A loira finalmente saiu de sua inércia e deu alguns passos para frente enquanto a morena continuava parada, tensa, observando-a com um calor furioso nos olhos castanhos. As duas se encararam mais uma vez, a tensão agressiva borbulhando entre elas. Rachel fechou os olhos e massageou a testa com a mão esquerda ainda trêmula, sibilou sarcástica:

- Vai dizer o que? Que não é nada do que parece ser? Que a mensagem foi um engano? Eu já passei por essa cena várias vezes e já representei esse papel mais de uma vez, eu conheço todas as desculpas e todos os roteiros, Fabray.

Quinn jamais tinha visto Rachel naquela situação, a morena parecia prestes a perder o controle e a fraquejar a qualquer momento. Foi ali que Quinn percebeu o tamanho de seu erro, ela ferira Rachel de uma forma inexplicável. De certa forma, ela se tornara exatamente “a única” que queria ser quando se arriscou com Rachel... Ela foi a única que chegou ao coração de Rachel para, enfim, quebrá-lo. Nem Finn, nem Jesse e muito menos, Puck...

A culpada de destruir Rachel Berry era, de fato, Quinn Fabray.

Rachel irritou-se com o silêncio de Quinn porque ele tornava evidente que aquela não era a mulher falante e insaciável pela qual se apaixonara. Aquele silêncio entre elas doía mais que qualquer pedido de desculpas porque ele era preenchido por desculpas, mágoa e rancor. Esse silêncio destruía qualquer coisa que elas haviam construído durante todo aquele tempo porque a natureza daquele silêncio era a mesma de um buraco negro... Ele engolia e digeria a luz que as duas possuíam e a transformava em pura e única escuridão.

A escuridão pegajosa que lançava suas garras sobre o relacionamento das duas e obscurecia a visão de ambas... Tudo que Rachel conseguia enxergar era a fúria por ser traída e a vergonha por ser submetida aquilo, mas, ainda assim... No meio de todas as trevas, ela ainda se sentia segurando firmemente ao que restava de seu amor por Quinn e essa constatação a enlouquecia.

Qual a lógica de ainda amar quem lhe ferira tão profundamente e da pior forma?

Rachel agachou-se rapidamente e apanhou o aparelho novamente. A morena o apertou em suas mãos, como se sua força física pudesse extravasar sua dor emocional e destruir aquela prova da traição de sua namorada. Ela apertou os olhos e mordeu o lábio inferior, a dor brotou do seu coração e atravessou seu corpo, dividindo-a ao meio, entre amor e ódio.

E foi o ódio que falou mais alto quando ela lançou o celular em direção a Quinn.

A loira conseguiu se abaixar a tempo, mas quando olhou para a morena, tinha a expressão ferida e envergonhada. As lágrimas também banharam os olhos esverdeados e ela, incapaz de controlá-las, abaixou a cabeça e entregou-se ao choro. Quinn tremia enquanto procurava palavras que pudessem explicar o inexplicável, mas nada encontrava.

Rachel se afastava cada vez mais enquanto o silêncio, interrompido pelos suspiros pesados das duas, crescia.

Quinn escutou os passos de Rachel e sentiu quando ela pegou-lhe pelos braços. A morena chacoalhou seu corpo e a loira permitiu-se olhar para ela. Rachel tinha a dor impressa no par de olhos castanhos intensos, mas também havia aquela fúria irracional que foi lançada para fora quando ela esbravejou:

- Não fique calada, diga qualquer coisa! Não me faça ultrapassar barreiras aqui! Prove que tudo foi um mal entendido e que eu ainda posso confiar em você!

Mais do que fúria, existia o desespero no tom de voz de Rachel, assim como a esperança... Dois sentimentos com os quais Quinn não podia lidar. O choro se tornou mais intenso e a loira chacoalhou a cabeça de forma negativa, sem respostas e justificativas, assumindo, por meio do detestável silêncio, que ela não era digna do que Rachel lhe queria dar.

E, quando Rachel a soltou, Quinn teve certeza que nunca mais a teria de volta.

“I can’t love you in the dark, it feels like we’re oceans apart... There is so much space between us! Baby, we’re already defeated. Everything changed me.”

Rachel deu às costas a Quinn e se afastou, cegamente, dela.

Não era como se ela pudesse incluir uma distância ainda maior entre elas. O silêncio que confessou a culpa de Quinn incluiu mais algumas milhas entre elas, milhas que não poderiam ser percorridas porque, de alguma forma naqueles anos, foram inclusos oceanos e montanhas entre elas.

A morena sentia como se todo aquele tempo fosse uma mera mentira ou uma história de uma realidade alternativa. Ela não entendia como Quinn fora capaz de fazer aquilo depois de tudo que elas viveram até agora... Rachel sentia-se desprezada, não quista e invisível, sensações familiares da época de colégio onde se apaixonou por Quinn Fabray. Sensações que ela conhecia da época em que o único objetivo de Quinn era destruí-la.

E, quão irônico era o fato de que, depois de anos e de um relacionamento, Quinn conseguira destruí-la da forma mais cruel possível?

Rachel continuava a caminhar, as lágrimas rolando profusamente e manchando seu rosto. Entretanto, sua expressão assumira um ar frio e distante, ela podia até estar sendo destruída de dentro para fora, mas ela podia atuar o bastante para, ao menos, tentar sair por cima.

A morena chegou ao quarto no mesmo instante em que outros passos ecoavam atrás de si. Rachel abriu a porta do closet de forma agressiva e puxou uma de suas bolsas de viagem, jogando-a sobre a cama. Em seguida, entrou no closet e começou a puxar suas roupas sem qualquer cerimônia. Havia um pouco de sua raiva em seus atos e havia muito de sua necessidade de ir embora neles.

Rachel não sabia como estava agüentando, mas a escuridão estava envolvendo-a e sufocando-a. Ela mal conseguia respirar quando Quinn apareceu em seu campo de visão, tão bagunçada quanto ela mesma. O cheiro amadeirado que, por tanto tempo, a confortou, somente a fez sentir nojo naquele momento.

A morena se perguntou quantas vezes a outra sentiu aquele mesmo perfume... Aquele cheiro que ela dera a Quinn.

- Por favor, pare com isso! Nós precisamos conversar! — Quinn segurara as mãos de Rachel, lutando contra a força da menor para se libertar. Existia certa dureza em seu aperto, fruto do seu desespero de ver o amor da sua vida desfazer-se diante de seus olhos e por sua culpa. Rachel puxou os braços, rudemente, libertando-se e empurrando-a para o lado, voltando a sua tarefa, silenciosa. — Eu quero falar tanta coisa, eu preciso que você me escute!

- Ótimo, Fabray! Comece falando de suas transas com ela, da forma como ela gemia seu nome enquanto você a fodia! — Rachel exclamou descontrolada, jogando a bolsa parcialmente cheia no chão, virando-se para Quinn. A loira arregalou os olhos para atitude calorosa da morena e deu um passo para trás, na defensiva.

E ali estava, mais uma vez, a distância. E, dessa vez, ela vinha preenchida pela fraqueza e pela covardia de Quinn. Rachel rangeu os dentes e suspirou, esgotada. A morena limpou as lágrimas de forma agressiva e deu às costas, novamente, para Quinn.

Mal sabia ela que, cada vez que dava às costas a Quinn, a loira morria mais um pouco. Encarar as costas de Rachel era ter a certeza de que deveria se acostumar aquilo, Quinn jamais voltaria a vida dela depois do que fizera.

Então, por que ela o fizera? Por que se submetera àquilo quando tinha tudo em casa?

Segundos, minutos se passaram... A quantidade exata nenhuma delas soube até que Rachel pareceu colocar todas as roupas que queria na bolsa. Os movimentos da morena pararam e ela se virou, voltando a encarar Quinn. As lágrimas haviam se secado e a secura nos olhos castanhos incomodou ainda mais a loira, porque existira opacidade dentro deles... Como se algo pudesse ter sido sugado da essência de Rachel e Quinn temia que tivesse tirado dela, justamente, o melhor que ela tinha.

A paixão.

Rachel pigarreou, sua expressão contorceu-se em nojo porque ela chegara a um ponto de sua reação que mal conseguira olhar para Quinn. Ela respirou fundo e grunhiu:

- Não fique no meu caminho, por favor.

Existia tanta intensidade e, principalmente, tanta dor naquele tom de voz sôfrego que Quinn não pode reagir... Ela se afastou.

Tudo mudara e não havia mais volta.

“You have given me something that I can’t live without, you mustn’t underestimate that when you are in doubt... But I don’t want to carry on like everything is fine, the longer we ignore it all the more that we will fight.”

Rachel passou por ela de forma silenciosa e contida, totalmente o oposto do que ela era feita e do que fizera Quinn se apaixonar por ela. A loira se deu conta que dera a Rachel algo que faria, para sempre, parte da vida dela. Quinn a marcara da pior forma, à ferro, à fogo e, essencialmente, à dor.

A morena conviveria com aquele gosto amargo e com aquele aperto no peito por um bom tempo até que, outra pessoa (uma melhor), pudesse lhe dar, de novo, o amor que ela, Quinn, tão rudemente desprezara.

Quinn a seguiu de volta para o quarto onde Rachel estava embalando seus utensílios de beleza. A loira sentiu o cheiro doce e característico do perfume da morena, aquele que esteve impregnado ao seu depois de uma das várias noites de amor que elas dividiram... Aquele cheiro que se ligava tão certo ao seu, diferentemente do cheiro da outra que parecia irritá-la e enjoá-la.

Os contornos morenos estavam tensionados e, ainda assim, eram harmônicos o bastante. O corpo de Rachel sempre fora algo pelo qual Quinn vivia e, naquele momento, aquele corpo a afastava quando tudo que ela queria fazer era envolvê-lo em seus braços... Isso sem mencionar a face de Rachel, tão vívida e intensa, como tudo nela.

Na verdade, como tudo que era fora antes dessa tremenda merda que Quinn fizera.

A loira se aproximou, desengonçada e chorosa. Dessa vez, ela deixou o desespero de lado e envolveu o braço de Rachel com sua mão, apertando-o delicadamente. A morena parou seus movimentos de forma abrupta, mas não se virou para ela. Rachel respirou fundo, Quinn também. A loira engoliu em seco e confessou:

- Eu não sei o que deu em mim, Rachel... E também sei que não há explicações para o que eu fiz assim como sei que eu errei... Mas, por favor, me perdoe.

- Você sempre soube o que eu pensava a respeito de uma traição, assim como sempre soube que eu conseguia lhe ver muito bem, Quinn... Eu vi tudo, mas eu me recusei a acreditar. Então, a culpa também é minha por ainda acreditar em você depois de tudo. — Rachel respondeu de forma fria, puxando o braço para longe do contato de Quinn que, agora, apenas queimava e ardia em sua pele. A morena jogou os cabelos para longe do rosto e olhou de esguelha para Quinn. A loira ainda tinha o braço direito esticado em sua direção, ela respirou fundo e, suplicante, pediu:

- Por favor, não se culpe. Nada disso teve a ver com você.

- Como não, Fabray? Eu deixei de lhe satisfazer? Deixei de lhe orgulhar? Deixei de lhe querer? — Rachel disparou ferida, as lágrimas voltaram aos olhos castanhos e, logo, banharam-lhe a face. Quinn sentiu a dor dela ecoar dentro de si, quebrando tudo o que ainda restava dela mesma. A loira deu dois passos em direção a Rachel que se afastou outros dois, Quinn suspirou e respondeu desesperada:

- Jamais! Você me deu tudo que eu jamais tive coragem de pedir, tudo que eu nunca fiz por merecer, Rachel...

- Então, por que raios você jogou isso pela janela?! — Rachel a interrompeu em uma explosão de fúria visceral e sôfrega. Ela chorava abertamente, a máscara de frieza e distância se dissolvera em sua natureza ferida e melancólica.

Quinn a olhava com saudade, recusando-se a sentir pena dela quando a única digna de pena naquele quarto era ela. A loira observou o peito de Rachel sair do ritmo diante de seu ofegar, ela voltou a se aproximar e, dessa vez, a morena não se afastou. Quinn tentou lhe alcançar e Rachel encolheu-se, abraçada ao próprio corpo. Ela soluçara e, agora, chorava silenciosamente. Quinn chorou da mesma forma enquanto tentava dizer:

- Eu jamais lhe mereci... Eu acabaria destruindo qualquer coisa que nós duas construímos porque eu sou fraca demais para ficar com você.

Era a primeira vez que Quinn dava vazão ao que sentia. Ela realmente se sentia com sorte por ter Rachel em sua vida, ao mesmo tempo em que amaldiçoava toda a dor que tivera que provocar em Rachel para tê-la por perto... Finn falecera, Jesse fora tirado de sua vida pela mesma Quinn... A loira falhara mais do que acertara, ao menos, era assim que pensava.

Rachel, por sua vez, parara de chorar diante do choque das palavras de Quinn. Ela se marchou até a loira e parou em frente a ela. Mais uma explosão inesperada e, agora, ela esmurrava o peito de Quinn enquanto gritava:

- Já parou para pensar que quem deveria decidir isso era eu?! Eu não lhe achava fraca ou insuficiente! Pelo contrário, você era quem me mantinha em pé e quem me preenchia!

Com um último empurrão, Quinn caiu sentada na cama. A expressão da loira dividia-se entre o choque e a dor. Seu peito doía, mas seu coração parecia ainda mais quebrado... Rachel a olhava de cima, as lágrimas brilhando como estrelas perdidas em um céu escuro. A morena bufou e deu-lhe as costas mais uma vez, ela apanhou a bolsa e murmurou:

- Mas, agora, você está certa... Você realmente não é para mim.

Ouvir aquelas palavras de Rachel somente fez com que Quinn chegasse a uma conclusão... Ela podia não ser certa para Rachel, mas a morena era a única para ela.

Fora Rachel quem a tirara da escuridão e lhe cegara com a luz própria de uma estrela. Ela era a única que fora atrás dela quando ela fraquejou e abandonou todos. Era ela quem acreditara em sua recuperação. Foi ela quem quis sua amizade sem interesse algum...

Fora Rachel que, por algum motivo inexplicável e indiscutível, a amara.

E agora, Quinn a perdera para sua própria fraqueza e descrença. Quinn a perdera porque julgava ser insuficiente quando, na verdade, era a única coisa para Rachel.

“Please, don’t fall apart... I can’t face your breaking heart. I’m trying to be brave, stop asking me to stay!”

- Por favor, perdoa-me! Fica comigo! — A inércia finalmente parecia ter abandonado Quinn, ela estava de pé, completamente quebrada e entregue como nunca estivera antes naquele relacionamento.

Rachel, de costas para ela, sentiu quando uma lágrima solitária escorreu pela sua face. A morena apertou a alça da bolsa e, dura, respondeu:

- Não faça isso, Quinn... Eu não posso escutar você suplicando e nem te ver quebrar por finalmente perceber que, durante todo esse tempo, eu te amei sem pedir nada mais além de seu amor em troca.

“I can’t love you in the dark, it feels like we’re oceans apart... There is so much space between us! Baby, we’re already defeated. Everything changed me.”

Rachel saiu do quarto e fechou a porta atrás de si, ela permitiu-se encostar a testa nela para tentar pensar enquanto, do outro lado, ela escutava Quinn desabar em um choro sofrido e inconstante. A morena também chorou, tremendo dos pés à cabeça enquanto sentia seu coração quebrar de vez enquanto ela tomava um caminho em que pudesse se reconstruir.

Era uma trilha desconhecida, ela não planejara uma vida sem Quinn.

Ela acreditava que as duas durariam por, no mínimo, a eternidade. Ela achava que as duas se pertenciam e que aquele amor, distorcido e todo errado, ainda era o certo para duas tão complicadas quanto elas...

Rachel acreditava que poderia amar Quinn, em qualquer situação.

Mas, ela não podia amar Quinn no escuro e nem enquanto ela vivesse sendo assombrada pelas trevas de um passado que não mais importava. Rachel era insistente, mas incapaz de amar alguém que colocava mais barreiras do que pontes entre elas... Rachel jamais seria capaz de convencer Quinn que somente a retribuição bastava, Rachel jamais seria capaz de iluminar Quinn quando a loira queria permanecer banhada pela escuridão.

Rachel sentia como se tivesse fracassado. Quando o gosto amargo da derrota começou a preencher sua boca, ela finalmente saiu de perto da porta e caminhou o mais rápido possível para a porta do apartamento. Ela saiu e pode escutar Quinn bater a porta e caminhar rapidamente até onde estava.

Trêmula e amedrontada pelo que poderia fazer caso visse Quinn de novo, Rachel sacou as chaves da bolsa e trancou a porta do apartamento procurando ganhar tempo. E ela, de fato, ganhou.

Quinn a alcançou somente no elevador, quando as portas se fechavam e elas se olhavam pela última vez.

A loira estava descabelada, as bochechas coradas e os olhos avermelhados. Um desastre, mas um desastre magnífico e harmonioso. Existia certa beleza na dor dela e Rachel, instintivamente, deu um sorriso triste para ela. E, quando as portas do elevador se fecharam... As lágrimas caíram porque ela, por mais ferida que estivesse, ainda era capaz de perdoar Quinn.

E não eram as lágrimas, nem as desculpas de Quinn que a motivaram a isso e sim, sua própria natureza.

Rachel a perdoava e aquele era o primeiro passo para que pudesse, enfim, deixar de amá-la.

“We’re not the only ones... I don’t regret a thing, every word I’ve said you know I’ll always mean. It is the world to me that you are in my life, but I want to live and not just survive.”

E foi o sorriso, o mesmo pelo qual Quinn se apaixonara, que quebrou seu coração.

Ao ver o sorriso derrotado e a expressão conformada de Rachel, a loira recebeu o pior que podia receber. Rachel a perdoava, mas ela não era digna de amada de novo. Ali, naquele corredor, encarando as portas de metal do elevador que acabara de partir, Quinn recebeu uma dose do que achava ter vivido durante todos aqueles anos que dividira com Rachel.

Era assim que ela, supostamente deveria se sentir, caso Rachel achasse que ela não valesse o bastante. Não a intensidade do que sentira, todos os dias, durante aqueles anos. Os beijos foram reais e não forjados, os toques queimavam porque eram frutos da paixão e não somente do desejo. As palavras faziam seu coração vibrar porque, de fato, eram ditas por amor.

Rachel a amou durante todo aquele tempo e a melhor forma de mostrar a ela que era digna daquele sentimento era se, de fato, a retribuísse.

Se Quinn tivesse certeza do que era e, principalmente, de quem poderia ser para Rachel, jamais seria capaz de traí-la... A loira, cabisbaixa, voltou ao apartamento. Seus olhos ardiam e seu celular, cuja tela estava quebrada, tocava insistentemente.

Na tela, o nome de Sophie.

Em seu coração, o nome de Rachel estava sendo marcado à fogo para que ela jamais se esquecesse de quem ousara e, principalmente, insistira em amá-la. Para que ela jamais se esquecesse que tivera o mundo para ser vivido em mãos e optara por, simplesmente... Existir.

“That’s why I can’t love you in the dark, it feels like we’re oceans apart... There is so much space between us! Baby, we’re already defeated. Everything changed me... I don’t think you can save me!”

Quinn foi engolida pela escuridão e sentou-se no chão da sala, encolhendo-se em torno do seu corpo. Sentindo falta do toque caloroso e das palavras melodiosas de Rachel. Sentindo falta da luz dela e, essencialmente, sentindo falta do amor dela...

A loira sucumbiu ao desespero e chorou novamente, dando-se conta de que, de fato, ela não tinha salvação.

Afinal sua salvação acabara de sair por aquela porta, deixando-a imersa nas trevas.

FIM

Notas finais
Acho que vou ser morta até o final desse projeto >.<Peço mil desculpas por essa one, mas, não sei se eu disse a vocês... Mas, todas as ones tem o objetivo de mostrar as facetas de um grande amor. Assim como eu considero Faberry esse grande amor *-*

(Preciso confessar que essa foi a preferida dentre as três que postei... Ando desenvolvendo um amor gritante por Angst, acho que isso é ruim para vocês... Né? Hahahahaha)

Bem, espero que tenham gostado e aguardo comentários e feedback!

Nos vemos na próxima, beijos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!