Notas iniciais
Wazzup?
Desculpa a demora '-' Minha imaginação tá uma merda esses dias, é '-'
Enjoy!

Acho melhor falar um pouco mais de mim antes de começar minha história. Então, como eu já disse antes, meu nome é Gerard Way. Nasci na era de Nixon* e fui criado no inferno chamado de Detroit. Fui uma criança que passou pela assistência social, junto com meu irmão. Eu e ele fomos abandonados pela nossa mãe quando éramos muito pequenos, ela nos deixou na rua. Por isso, dizem que nós éramos as “crianças que viviam onde os caminhoneiros moravam”, pois permanecemos na rua por algum tempo antes da assistência social nos achar. Só fomos adotados quando completei seis anos, e Mikey, meu irmão, tinha três. Era engraçado como ele foi o último a nascer, mas o primeiro a correr. Sempre que havia um problema, ele corria. Mas corria em direção à resolução do problema, e não do problema.

Enfim.

Morei com meus pais adotivos nessa minha cidade que foi cegada pela poeira da refinaria até completar dezoito anos, foi quando saí da casa deles por motivos religiosos. Digamos que eu não concordava muito com o catolicismo e essas coisas... E eles eram religiosos ao extremo. Além do mais, eles sempre me repreendiam por eu chamar minha geração de “geração zero”. Enfim, Pouco depois, Mikey veio atrás de mim, mesmo apesar de minhas insistências para que ele ficasse na casa de nossos pais adotivos. Porém, foi mais fácil com ele, devo admitir. Não só porque, se nós dois trabalhássemos, seria mais fácil para pagar um apartamento, mas também porque ele foi meu ponto de apoio, ele me levantou quando eu estava prestes a cair. E é por causa dele que, hoje, estou vivo. Acredito que, sem ele, teria me matado há eras.

Eu e Mikey ficamos pulando de emprego em emprego, mas nunca conseguimos nos manter em nenhum, até que Mikey ficou na livraria onde trabalhava como atendente. Porém, eu continuei mudando e nunca achei nenhum em que eu conseguisse me encaixar. Como diz John Lennon, “I never made it as a working class hero”.

Continuei vivendo, assim, por entre o Colapso do Século 21. Acho que todos nós sabíamos que tudo estava mudando naquela época. Mas eu tinha coisas mais importantes para me preocupar, pois eu comecei a perceber que, ao viver com meus pais adotivos, fui perdendo minha identidade. Comecei a sentir que me perdi e nunca fui encontrado, e a achar que estava perdendo o que restava na minha mente para o fim do Século 21.

Eu fui feito de veneno e sangue, por isso, sou um pouco frio e distante, a não ser com meu irmão. Mikey é o único que consegue fazer eu me abrir. Acho que sou assim porque condenação é tudo o que eu aprendi. Cresci vendo videogames da queda das Torres, cresci sob a “proteção” da Segurança Nacional, que pode nos matar.

Acho que já basta sobre o meu passado. Posso contar-lhes sobre como conheci Frank.

Digamos que... Eu estava, mais uma vez, em um de meus empregos instáveis. Desta vez, era em uma loja de música. Devo dizer que eu gostava daquele lugar e me empenhava mais para ficar lá, além de me sentir mil vezes mais confortável lá, em meio aos CDs e instrumentos.

De repente, ouvi, ao longe, uma pessoa cantarolando:

We are the class of, the class of 13... Born in the era of humility…

Levantei uma sobrancelha ao ver a criaturinha baixinha e pálida que cantava isso. Era uma figura ligeiramente cômica: jeans, camiseta de banda, all star muito gasto. Em seus ouvidos, estava um fone conectado a um iPod, coisa que eu nunca nem tive a oportunidade de tocar, afinal, minha situação financeira não era das melhores.

We are the desesperate in the decline, raised by the bastards of 1969! – cantou ele, super animado. Ao abrir a porta, o sininho de latão fez um barulho. Aproximei-me mais uma vez do balcão, deixando as guitarras que eu tanto desejava para trás.

–Hey! – ele sorriu e tirou um dos fones.

Acenei e dei um meio sorriso.

–Ahn, então... O Bob está aí?

Bob era o filho do dono da loja. Ele era meu amigo, era muito gentil comigo.

Fiz que não com a cabeça. Frank mordeu o lábio inferior e tirou da mochila que carregava nas costas um CD.

–Então pode dar isso a ele para mim?

Assenti e examinei a capa do CD. Era uma pichação em um muro laranja de um casal se beijando. Embaixo, estava escrito 21st Century Breakdown. Arqueei as sobrancelhas e ele sorriu divertidamente.

–Green Day. Nunca ouviu falar?

Fiz que não com a cabeça. Ele fez cara de “em que mundo você vive?”, mas logo a desmanchou.

–Então devia ouvir. Pede pro Bob te emprestar, depois que ele ouvir! Mas vê se não arranha, ouviu? Esse CD é muito especial para mim. – ele parecia estar falando sério, portanto, soltei uma risadinha.

–Ei... – falei, meio sem jeito ao perceber que era a primeira vez que eu falava na conversa inteira – Qual é o seu nome... ?

–Meu nome é ninguém, eu sou o filho perdido, nascido em quatro de julho. – ele sorriu, enigmático – Fui criado em uma era de heróis e vilões, que me deixaram em uma situação de “vivo ou morto”. Sou uma nação, um trabalhador de orgulho, meu débito com o status quo. As cicatrizes em minhas mãos e os meios para um fim é tudo o que eu tenho a mostrar. Engoli meu orgulho e engasguei-me com minha fé, dei meu coração e minha alma. Quebrei meus dedos e menti por entre meus dentes, o pilar do controle de danos. Estive no precipício e joguei o buquê de flores em cima da sepultura. Sentei-me na sala de espera, desperdiçando meu tempo, esperando pelo dia do julgamento. Prezo pela liberdade, pela Liberdade de Obedecer. Vê esse CD? – ele apontou para o CD em minhas mãos – Essa é a música que me estrangula. A música que conta sobre minhas ideias. Enfim, não ultrapasse a linha. Até mais. – dito isso, ele foi embora. Arqueei as sobrancelhas mais uma vez. Antes de fechar a porta atrás de si, Frank disse:

–Vejo você por aí, vampiro.

Franzi a testa, mas, quando olhei pelo reflexo do espelho ao meu lado, percebi que eu estava mais pálido do que o normal, e minhas olheiras estavam maiores. Murmurei um “merda”. Provavelmente, era produto da minha noite mal dormida. Deixei minha aparência de lado e comecei a refletir sobre aquela criaturinha que havia entrado na loja segundos antes. Ele parecia um... Um “revoltadinho”. Ele me lembrava vagamente o personagem V, do filme “V de Vingança”, por seu jeito revolucionário.

Bufei e pus o CD cuidadosamente ao meu lado, lembrando a mim mesmo de entregá-lo a Bob.

Notas finais
*Nixon foi um presidente dos Estados Unidos, foi o primeiro presidente americano a ser retirado do cargo por escândalos internos.
Eu ia falar alguma coisa, mas esqueci. Então foda-se -q
Yeah... Beijo *u*