2017

7 Cachoeira


João V.

Eu já não conseguia dar exatamente um passo na frente do outro, estava para lá de bêbada, Allef maquiado e com depressão.

— Vamos dar um mergulho a noite? – Perguntou Giulia.

— Você é doida? – Perguntou Rogerton.

— É um desafio. – Falou Giulia se levantando e quase caindo para o lado de bêbada.

— Eu não acho uma boa idéia... Estamos todos bêbados e... – Começou Tais.

— E blá, blá, blá... Vocês estão com medo. – Falou indo em direção a porta. – Vamos Bia... Eles são uns medrosos. – Me puxou rindo e eu levantei.

— É! – Falei sem nem saber direito do que se tratava.

— Quem chegar lá por último paga um sorvete pra todo mundo amanhã, e eu não quero picolé de 1 real não, quero um magno ein! – Falou Allef parando do nosso lado e eu ri.

— Beleza! – Concordou Tais e Andressa juntas parando ao nosso lado.

— Vocês não vem? – Perguntou Giulia para Rogerton e João.

— Ou vocês estão com medo? – Completou Andrey se colocando ao lado de Tais, ambos se encararam e vieram ao nosso encontro.

— Aqui é macho cara! – Falou Rogerton balançando a cabeça, da onde estávamos dava para ouvir o barulho do mar, e vê-lo nitidamente.

— No 3 ? – Perguntou João.

— 1... – Gritou Giulia. – 2... – Gritamos em coral. – 3... VAI! – Gritamos e saímos correndo, eu não via nada, estava tão bêbada que tudo que eu conseguia fazer era rir por que as minhas pernas se mexiam, sério! De repente eu me vi tropeçando por que a água estava gelada de mais e mergulhei me levantando.

— Uhul! GANHEI! – Gritei, a água estava tão gelada que chegou a me despertar.

— Atá! – Gritou Allef atrás de mim passando as mãos nos braços. – Só se for em segundo lugar. – Rio. – O, sacanagem isso ai! – Ele gritou se referindo ao Rogerton e o Andrey que não haviam entrado e estavam rindo feito idiotas. – Legal isso ai, vão dividir meio a meio os 9 sorvetes, só isso. – Falou marrento e todos concordando com ele.

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— Ela vai acorda caralho... – A voz do Rogerton.

— Já pintou a Tais? – Identifiquei a voz do Allef.

— Mano, elas vão ficar muito putas... – João?

— Droga... – Murmurei me sentando, pelo jeito, na areia. Meu cabelo estava duro de tanta areia e água com sal, Rogerton, João, Allef e Andrey estavam me encarando assustados. – Que é? – Gritei irritada.

— Bom Dia pra você também! – Allef falou.

— Cadê o resto do povo? – Perguntei de mal humor.

— As meninas ali, o Kaio ta na casa, eu acho. – Falou o João, me levantei e eles começaram a rir, o que me irritou muito, fui lá e cutuquei com o pé Giulia, Tais e Andressa, isso era bem chato, dormir na areia, eu precisava de um banho, quando elas levantaram começamos a rir, todas juntas uma da cara das outras, e os meninos também riam.

— Sua cara... – Tentei falar encarando Tais que na hora parou de rir passando a mão na testa, eles haviam feito uma sobrancelha mais grossa com caneta preta nela.

— A sua também! – Ela falou e eu passei a mão na cara no mesmo instante.

— Que bobocas. – Comentou Giulia gargalhando e então encaramos elas.

— Vocês também estão suas idiotas. – Tais falou e ambas começaram a passar a mão no rosto em desespero, com o nosso silêncio era possível ouvir a gargalhada dos meninos que era extremamente escandalosa, nos entreolhamos e levantamos.

— Vocês fizeram isso né? – Nos aproximamos deles. – Acham engraçados seus viadinhos? – Perguntei dando um tapa no braço do Allef. – Isso não tem graça! – Gritei estapeando o Rogerton.

— Tem sim vai! – Falou o João e dessa vez Andressa bateu nele.

— Não tem não! – Ela retrucou.

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— Acabei de falar com a minha mãe, alguém precisa de celular emprestado? – Perguntei e Tais veio correndo.

— Eu! – Gritou a morena tomando o celular da minha mão.

— Rogerton você tinha falado que tem uma cachoeira por aqui, vamos lá, quero conhecer. – Falou Andressa e eu concordei.

— Adoro Cachoeira! – Falei.

— Eu quero ficar em casa pra sempre. – A voz de João intercalando resmungou vindo da escada nos fez virar para encará-lo e foi inevitável não rir com a cena. Ele estava todo queimado, vermelho e andando feito um idiota. – Para! Não tem graça, ta ardendo muito! – Ele falou, mas não dava pra controlar, ele tava parecendo um camarão.

— Eae amigão! – Kaio falou e deu um tapa nas costas de Kaio que o fez gritar.

— Filho da Puta! – Gritou tentando passar as mãos aonde ele bateu. – Não ta vendo que to todo queimado?

— Foi mal. – Rio Kaio.

— Olha quem está ai! Ontem você sumiu... – Giulia falou.

— Então... Fui vomitar e acho que apaguei, acordei agarrado com o vaso. – Falou e todos nós rimos.

— A cachoeira não fica longe, vamos lá. Vou chamar os moleques. – Avisou subindo as escadas e eu concordei.

— Vou colocar meu biquíni. – Avisei.

— Eu também vou, mas antes vou pegar um doritos. – Falou Tais indo para a cozinha.

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— Aqui é... incrível! – Comentou Giulia maravilhada com a cachoeira.

— Muito... – Concordei.

— Vamos pular lá de cima? – Perguntou Allef.

— Agora. – Falei colocando o óculos de sol em cima da bolsa da Tais e subi correndo junto de Allef as pedras, olhando de cima para baixo parecia que me jogar lá de cima era suicídio... Era muito alto.

— Vamos desistir? – Falou Allef e eu o encarei.

— Sério? – Perguntei.

— Não... Eu... – Tentou me enganar, revirei os olhos e puxei seu braço o caímos nos dois, senti o frio na barriga até finalmente cair na água, o resto da tarde foi assim, tranqüila, e mais tarde iríamos procurar uma balada.