200 quilos de amor
2 Capítulo 1 - Inalcançável
Notas iniciais
Agradecimento especial as meninas que recomnedaram a fic já no prólogo: marianas2 e jessebella, vocês são incriveis muito obrigada de coração s2
Boa leitura, beijos o/
-Esqueça-o — Disse o misticista encarando a foto de Edward – Vir aqui toda semana não vai fazê-lo amá-la Isabella, muito menos mudar seu destino.
-Mas... Mas...
-Eu leio as cartas, não faço mágica. Se eu fosse já estaria rico.
-Não tem nenhuma novidade ai? – Perguntei bisbilhotando as diversas cartas espalhadas na mesa.
-Não. Eu já disse que é melhor não insistir nessa história. Estou vendo um final trágico e embaraçoso. Você sempre teve uma vida difícil e continuará assim. Definitivamente você não tem nenhuma chance com este homem.
Célio disse batendo na foto me arrancando um suspiro. Alice também dizia para eu esquecê-lo, que não adiantava me iludir, mas como esquecer alguém com quem você sonha todas as noites? Como dizer para o meu coração apagá-lo quando cada batida grita seu nome? Por isso toda semana eu ia até o refúgio das estrelas pedir ao místico Célio para ler minha sorte, quem sabe ele via alguma luz no fim do túnel, mas a resposta era sempre a mesma: Não.
-Olha eu sinto muito Isabella – Ele disse segurando minha mão – Eu queria muito que suas esperanças dessem resultado, mas não vejo nada que penda a isso.
-Mas, nunca se sabe... Talvez um dia... Um dia ele goste de mim de verdade.
-Ele gosta – Célio sorriu – Gosta muito. Mas, não do jeito que você quer... Pare de tentar adivinhar o futuro, deixe as coisas acontecerem não se atormente com isso.
-Eu tento... Juro que tento – Suspirei.
-Vou lhe dar um amuleto – Ele se levantou e foi até a gaveta da estante, sem seguida trouxe um colar com um pingente em um símbolo – Não garanto nada, mas espero que isso lhe dê sorte.
-Obrigada – Sorri pegando-o – Vou usá-lo como pulseira, não cabe no meu pescoço.
-Então terminamos por hoje não é?
-Acho que sim – Me levantei e o cumprimentei – Até a próxima semana.
-Você não desiste mesmo não é? – Ele gargalhou.
-Jamais – Sorri de volta e então sai de sua sala.
Fui para casa e me deitei no sofá. Estava na hora de ir para o meu segundo emprego. Na verdade era mais um hobby do que um emprego. Como posso explicar isso... Deixe-me ver, digamos que sou uma amante platônica. Estranho eu sei, vou explicar. Nas minhas noites de folga atendo telefonemas de homens carentes e lhes dou conselhos amorosos, assim como faço com Edward as vezes. A diferença é que com os outros sou mais liberal e mais solta já que não me conhecem e não fazem ideia de minha aparência. Todos são apaixonados pela minha voz e dizem que é extremamente sexy, eu me divirto muito ouvindo os elogios e as histórias bizarras que eles me contam. Eu jamais faria isso pessoalmente, mas o telefone foi um meio que encontrei de ser desejada sem que soubessem quem realmente estava por trás daquela voz sexy. Sabem por que fazia isso? Porque não precisava ser bonita para ter aquele emprego e eu precisava ganhar dinheiro extra para o tratamento do meu pai. Não o meu pai verdadeiro, um outro pai...Conto sobre ele depois.
Peguei meu saco de pipocas e liguei a TV num canal de filmes românticos. Logo o telefone tocou e pela hora eu já sabia quem era, meu principal ouvinte: Billy Black. Era um coroa que se dizia louco por mim, eu morria de rir quando ouvia isso, mas ele insistia que sonhava comigo todas as noites, se ele imaginasse como eu era...
-Alô – Falei e a voz na outra linha suspirou.
-Nossa, me arrepiei só de te ouvir.
-Jura? – Sorri aquele não era o Billy, provavelmente um novo cliente – Como encontrou meu numero?
-Um amigo me indicou disse que você é incrível e agora vejo porque, alias ouço.
-Como se chama?
-Posso manter isso em segredo?
-Claro. Como desejar.
-E você como se chama?
-Você pode me chamar de Bella.
-Muito apropriado, combina com você.
-Obrigada – Sorri e revirei os olhos se ele soubesse... – E então o que mais quer saber?
-Me diga como você é.
Essa era a pior parte, eles sempre queriam uma descrição minha. Provavelmente para fantasiar em suas mentes sujas. Como de costume peguei uma boneca que enfeitava minha mesinha. Era uma Barbie, uma das bonecas do meu pai (ele era estilista e as usava para criar roupas ) Aquela era a imagem da mulher ideal, um corpo perfeito.
-Bom, tenho 86 cm de busto – Falei percorrendo a boneca – Peso 50 kg e tenho 88 de quadril. Cabelos longos e loiros até a cintura. Aiiii...
Reclamei quando pingo puxou a barra de minha calça. Ele era meu cachorro, um pudlle branco.
-Algum problema boneca?
-Não nenhum. Onde estávamos?
-Nas estrelas... Nossa você deve ser linda.
Conversei vinte minutos com ele o tempo máximo para cada ligação, até que ele foi gentil ao contrário de muitos outros. Assim que liberei a ligação o telefone tocou, dessa vez era Billy.
-Oi docinho – Falei manhosa.
-Por que demorou tanto atender? Já estava impaciente.
-Estava atendendo outra ligação querido. Desculpe.
-Estou preocupado.
-Com o que?
-Minha mulher está no chuveiro há muito tempo. Por que ela está no banho Bella?
-Docinho...
-Oi?
-É só um banho – Bocejei – Relaxa.
Billy era meio louco e qualquer coisa que sua mulher fazia o deixava com medo. Ele sempre me ligava para pedir ajuda quando se sentia ameaçado por ela. A maioria dos meus clientes sofriam emocionalmente, principalmente Billy e sempre era eu quem o ajudava.
-Bella, você pode cantar minha musica favorita?
-Claro docinho. Vamos lá ok?
-Ta.
-Jesus me abençoou com sua graça e alegria...
Cantamos até acabar o limite de nossa ligação. Então tirei o plug do telefone e fui dormir, teria show amanhã a noite e eu precisava descansar. Eu fazia aquelas pessoas felizes com a minha voz, mas minha verdadeira profissão era de cantora.
Cheguei ao estádio as dezoito horas. Pelos gritos eu já podia ouvir o quanto estava lotado. Aquilo sempre me emocionava e embora eu não pudesse estar lá junto da platéia eu me divertia cantando para eles.
-Isa ainda bem que chegou – Edward disse vindo até mim me abraçando.
-Eu sempre venho Ed, por que a surpresa?
-Não sei – Ele se separou de mim e apertou minhas bochechas – Tenho medo de que um dia veja que não vale à pena cantar embaixo do palco e vá embora.
-Eu jamais faria isso com você Ed – Falei acariciando seu rosto, ele me olhou confuso e retirei imediatamente – Nem com o resto do pessoal – Acrescentei.
-Ainda bem – Ele sorriu exibindo seus dentes claros e perfeitamente enfileirados meu coração se acelerou – Está animada?
-Muito – Sorri – Tem muita gente?
-Bastante vem ver.
Ele me puxou pela mão e espiamos por trás do palco. No mínimo havia umas dez mil pessoas. Muitas seguravam os pôster da Tanya e alguns cartazes carinhosos.
-Quantos fãs ela tem – Falei baixo, mas ele escutou.
-Na verdade eles são seus fãs Isa, só não sabem disso – Edward posou sua mão em meu ombro e quase me derreti.
-Está na hora vamos lá Isabella – Phill disse e eu assenti.
-Boa sorte – Edward disse e me deu um beijo na testa – Estarei lá em cima como sempre, ok?
-Ta.
Ele sorriu encorajador e saiu. Suspirei e passei a mão onde ele me beijara pousando-a na minha boca. Ouvi Phill dar uma risadinha, mas ignorei e fui para o meu lugar embaixo do palco.
-Vai ser um mega show hein – Paul disse me entregando o microfone, ele era o assistente do Edward.
-Espero que sim – Falei e respirei fundo.
-Boa sorte amiga – Alice gritou enquanto corria para o palco, ela fazia parte do coro.
Acenei para ela e me posicionei. Logo a musica começou a tocar e observei os bailarinos dançando. Em seguida Tanya surgiu magnífica, a multidão foi à loucura. Ela dançava junto com eles, mas era muito mais despojada. Pelo outro monitor vi Edward me dar o sinal de ok e comecei a cantar e ela dublando. Quem olhasse de lá jamais imaginaria o que acontecia ali embaixo, nossa conexão era perfeita. Cantávamos ao mesmo tempo numa ótima sincronia. Olhei para o monitor de Edward e o vi todo concentrado, lindo como sempre... A razão do meu viver. Sem perceber comecei a dançar e me empolguei quando o vi sorrindo olhando para mim. Edward – Minha mente dizia seu nome compulsivamente – Edward... Edward....
De repente meus pés não sentiram mais o chão e desabei, literalmente. O mini palco não deve ter agüentado meu peso e desabou, um buraco enorme se abriu e eu cai.
-Isa? Isa? – Ouvi Edward me chamando pelo ponto.
Minha cabeça ficou zonza e com dificuldade me levantei.
-Phill acione os efeitos – Ele disse e ouvi o barulho dos efeitos visuais, também ouvi Tanya cantando, bem baixo é claro, e muito ruim por sinal – Tanya vire-se agora! Droga, coristas assumam!
Ele gritou e as meninas do coral começaram a cantar mais alto.
-Isabella – Ele chamou – Isabella pode me ouvir?
Consegui subir de volta e fiquei no cantinho que ainda estava intacto. Fiz um sinal positivo para Edward e ele assentiu.
-Tanya – Ele disse – Depois do três. Um... Dois... Três.
Comecei a cantar novamente e ela se virou dublando, a platéia gritou e aplaudiu. Vi através do monitor que Edward respirou aliviado. Ele era lindo até quando estava preocupado. Sorri e me concentrei no show até tudo terminar.
Quando enfim acabou voltei para o salão principal e Tanya entrou jogando seu aplique em um dos assistentes de produção.
-Bis uma ova – Ela resmungou enquanto a platéia gritava “bis, bis”.
-Parabéns Tanya foi um ótimo show – Alguém gritou.
-Bom trabalho – Outra pessoa falou.
-O que foi Tanya? – Paul perguntou enquanto ela caminhava com raiva até mim, mas ela não respondeu.
-Está cansada? – Ela perguntou sorrindo de canto.
-Não... Estou bem.
-Você quase estragou tudo. Quando vai entender que você só canta e não dança?
-Eu danço como você para parecer mais real Tanya.
-Como eu? –Ela me olhou de cima a baixo com repúdio – Se enxerga garota!
Edward estava do outro lado do salão cumprimentando as outras pessoas, Tanya e eu ficamos olhando para ele. Então ela correu até lá para cumprimentá-lo, mas ele apenas lhe fez um rápido cafuné e disse “bom trabalho”, em seguida veio correndo até mim e me abraçou.
-Ótimo trabalho Isa, — Me afastou e me segurou pelos ombros — Você está bem? Eles fizeram um palco muito frágil eu fiquei muito preocupado com você e...
O interrompi lhe dando um abraço apertado como fazia as vezes sem perceber. Edward sempre ficava sem ar quando eu fazia isso, mas depois sorria. Era involuntário eu simplesmente me jogava em cima dele.
-Certo – Ele sorriu e me deu um tapinha nas costa – Que bom que não se machucou.
Tanya abriu a boca num formato de O e balançou a cabeça negativamente. Cobra invejosa, sempre ficava com raiva quando nos via juntos, ela também era apaixonada por ele, mas eu não a culpava, quem não se apaixonaria por um homem lindo e maravilhoso como ele? Era impossível.
Ao final de tudo Edward se ofereceu para me levar em casa, mas Tanya fez um dramalhão e o convenceu de que precisava de uma carona. Eu disse que estava tudo bem e que ia sair com Alice. Ele me deu um rápido beijo no topo da cabeça e saiu com Tanya grudada em seu braço me lançando um olhar de vitória.
Alice e eu fomos até um barzinho lá perto de casa. Eu estava com muita raiva daquela vaca loira aguada que se jogava em cima do meu Ed o tempo inteiro. Bebi umas três doses de conhaque e já ia pra quarta quando Alice me lançou um olhar de repreensão.
-Preciso dar um jeito nessa situação – Murmurei.
-Você acha que ele se interessa por você? – Ela perguntou dando um gole na bebida.
-Eu sinto que sim – Sorri e suspirei – Ele é tão gentil comigo.
-Ah Isabella me poupe – Alice revirou os olhos – Existem três tipos de mulheres para os homens: As bonitas que são um presente, as comuns que são um premio de consolação e as como você que são... Rejeitadas. Entendeu agora? Não estou te desmerecendo eu só não acho certo você sonhar tanto amiga, eu te amo tanto que me dói vê-la sonhar com um amor tão impossível assim. Isso só te fará sofrer e eu não quero isso.
-Eu tenho uma intuição feminina Alice.
-É só uma ilusão amiga.
-Intuição vem da experiência e me diga, antes do Edward você já se apaixonou?
Se eu já me apaixonei? Claro que sim. Em minha adolescência... Há muito tempo atrás...
(Flashback on)
-Oi Isabella – Jake disse se sentando na cadeira à minha frente.
-Oi – Falei timidamente.
-Vou direto ao assunto. Quando te contratei para ser minha assistente na venda de pílulas para emagrecer pensei que daria certo, mas você me enganou. Por que comprou a metade? Era para me ajudar a vendê-las e não comprá-las para si mesma.
-Eu... Eu só queria ajudar.
-Me senti um inútil quando descobri. Não é assim que você poderia ter me ajudado. Escuta – Ele segurou minha mão – Você é linda do jeito que você é e não precisa emagrecer nem ficar seca feito um osso para um homem se apaixonar por você. Tome aqui os seus cheques.
Ele me entregou o envelope e saiu do restaurante. Nunca mais o vi depois daquele dia. Uma semana depois ele me enviou uma carta dizendo que gostava de mim e sabia que eu era apaixonada por ele, mas que não podíamos ter um relacionamento por motivos pessoais. É claro que era por minha aparência, ele era legal, mas no fundo sabia que namorar uma gorda não era nada atraente. Naquele dia resolvi que nunca mais ia comer e iria perder peso. Tomei quase todas as pílulas e o resultado foi uma ambulância na porta da minha casa. É eu quase morri. Naquela noite eu aprendi que não havia nascido pra fazer dieta e... E nem ser amada.
(Flashback off)
-Isabella? – Alice me gritava passando a mão em meus olhos só então acordei da lembrança.
-Oi?
-Acho que já bebeu demais, vamos embora.
Ela me ajudou a levantar e caminhamos em direção ao meu prédio. Então passamos em frente à uma loja de roupas e parei para olhar a vitrine. Havia um manequim com um lindo vestido rosa bebê, como eu queria poder comprá-lo para mim. Era uma tentação.
-Vamos embora querida – Alice me abraçou pelos ombros e caminhamos para o prédio. Nos despedimos e eu entrei.
Meu apartamento seria um imenso vazio se não fosse a companhia de pingo, meu cachorrinho amado era a coisa mais fofa dessa mundo. Sentei-me no sofá e o coloquei no meu colo adormeci em seguida. O rosto dele foi a primeira coisa que veio em meu sonho... A linda imagem do meu amor inalcançável.
“O amor é um sentimento tão delicado que, às vezes, nos contentamos apenas com a ilusão de que ele existe”
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