2 Sisters or 2 Lovers?

32 Capítulo 32: Adeus


Notas iniciais
Capítulo no meio da semana? Pode isso, Arnaldo? SIM, PODE SIM, aproveitem o capítulo enquanto eu reservo o meu lugar no inferno por causa do último ~Taay-Chan

“Kylie, acorde”

Meus olhos se abrem. Eu estava em um plano vazio e branco, que era tão grande que parecia ser infinito. Uma criança estava de pé à minha frente.

Ela era inexpressiva, tinha olhos marrons vazios, e seu cabelo era castanho claro, preso em um rabo de cavalo por uma fita rosa. Seu traje era um vestido branco longo que vinha até seus joelhos, e no seu pescoço, ela tinha um colar igual ao que a Zoey tinha me dado.

Ah meu Deus, a Zoey. Nós estávamos mortas. Onde ela estava? Onde eu estava?

“Se levante. Você não desistiu”

“O que?”

Eu me ajoelho, e a criança põe as mãos no meu rosto, da mesma forma que Ashley tinha feito...

“Você ainda tem muita coisa para viver, Kylie. Eu sei que o que você acabou de viver foi horrível, mas graças à isso, tudo está no lugar agora”

“O que? Como assim? O que aconteceu com a Zoey?”

Olho nos olhos da garota, procurando por respostas. Ela sorri calmamente.

“Por que você mesma não descobre?”

E um clarão começa a apagar toda a minha visão do lugar.

. . .

Meus olhos se abrem pela metade, e meus pulmões se enchem de ar. Eu estava deitada, encarando um teto branco. Eu conseguia sentir meu corpo, e a área no meu estômago ainda latejava, mas dessa vez bem menos. A sensação que eu sentia era a da dor de um arranhão.

—Zoey...? –Sussurro, com a voz fraca. Meus sentidos estavam voltando.

Abro meus olhos completamente, e olho em volta. Eu estava em um quarto. Um quarto de hospital.

O que aconteceu?

Tento me sentar na cama, extremamente tonta. E percebo que tinha alguém do meu lado.

Uma figura pequena, sentada em uma cadeira ao lado da minha cama, dormindo, os cabelos loiros cobrindo o rosto.

—Annie...? –Chamo pelo seu nome, e ela acorda.

—O que? Kylie...? –Ela murmura enquanto acorda, e logo entra em choque –Ai meu Deus...Kylie...você...

—O que aconteceu? –Eu a pergunto, ainda meio desorientada.

—Você me deixou p-preocupada sua idiota! –Lágrimas se formavam nos olhos dela –Imprestável! Inútil!

Ela seca as lágrimas dos olhos, apenas para novas se formarem e descerem por suas bochechas coradas.

—E-Eu...senti a sua falta... –Ela olha para baixo –Eu não sabia o que fazer esses dias, quando eu vi você...n-no chão...Eu te amo, sua idiota.

Lágrimas se formam nos meus olhos também, e Annie se levanta da minha cadeira, para depois me abraçar.

Ficamos por alguns segundos juntas, e eu consigo ouvir ela chorando. Annie. Pelo o que eu me lembrava, era a pessoa que mais me odiava à pouco tempo atrás. E depois, quando a Zoey me deixou...Foi ela que mais tentou me ajudar...

De repente, todas as memórias voltam e inundam minha mente.

Eu lembrava de tudo. Da dor. Da raiva. Do desespero. Da Ashley...

—Annie, a Zoey-Chan tá bem não é? –Pergunto, preocupada.

—Milagrosamente, sim. Eu não sei como, mas... –Annie respira fundo e ajeita uma mecha de cabelo –Ela sobreviveu.

Me sinto aliviada. Mas logo, retorno a me preocupar.

Ashley. O que tinha acontecido com ela?

—E a Ashley? –Pergunto para Annie, que me encara um pouco chocada.

—A Ashley...? Ah, bem, ela... –Ela esboça um sorriso falso, mas logo volta a olhar para baixo, com uma expressão escura -...ela...não aguentou...

—O q-que? –Arregalo os olhos, confusa –O que aconteceu? Ela foi presa, não é?
Annie se levanta, e começa a andar até a porta, com uma sombra cobrindo seus olhos.

—A Ashley morreu, Kylie –Ela diz com a voz fria, de costas para mim. Era para eu me sentir...aliviada...? Quer dizer, ela tentou me matar, e matar a Zoey, m-mas...

Por que as lágrimas insistem em cair...?

Annie, provavelmente percebendo que eu estava chorando, sai do quarto e fecha a porta, sem dizer uma única palavra.

“Pare de chorar, Kylie. Você deveria odiar ela” Penso, secando as lágrimas e tentando afastar os pensamentos da minha mente. Olho para os cantos do quarto, e perto da porta, percebo algo caído no chão. Uma carta.

Me levanto, ainda um pouco tonta, e pego a carta. Estava dentro de um envelope branco amassado e cheio de marcas de gotas d’água. Me sento na cama, e abro a carta.

“Kylie,

Eu sei que você deve me odiar agora. Você tem todo o direito. Não estou te obrigando a me perdoar, ou tentando te fazer ficar triste por mim. Eu só quero me despedir.

Desde quando eu era pequena, eu só queria que alguém se importasse comigo. Minha mãe tinha que trabalhar o dia inteiro, e meu pai tinha a deixado assim que minha mãe descobriu que estava grávida. Desde pequena, eu sabia essa história, e sempre me senti um incômodo, um peso morto em tudo.

Eu vi tantas coisas horríveis. Todo dia, na rua onde eu morava, pessoas eram atacadas, agredidas, roubadas...Eu era só uma criança, eu não sabia como reagir. Eu não sabia o que fazer quando via todos sofrerem.

Tudo o que eu queria era alguém que não me ignorasse completamente, alguém que me desse uma razão pra viver. E você, Kylie, foi essa pessoa.

Quando eu vi o jeito que você olhava para a turma, eu me apaixonei por você. Você era tão gentil, educada e linda...Você era, e é, tudo o que eu sempre quis ser. Mas aí veio a Zoey, e eu não sei o que aconteceu comigo...

Em anos, você foi a primeira pessoa que genuinamente foi legal comigo. Eu me enchi de esperança. Finalmente, eu não ia mais ser sozinha. Eu ia ter alguém para ficar comigo, e me transformar em alguém diferente, em uma pessoa melhor. Era tudo isso que eu queria. Ser feliz.

Mas aí veio a Zoey. Eu percebi o jeito que ela olhava para você, e isso me destruiu. A partir dali, eu não sabia mais o que eu estava fazendo. Eu só queria que ela desaparecesse...

E você me impediu. Eu fiquei irada, e fiz de tudo para me vingar de vocês. Eu deixei a minha raiva destruir o resto de sanidade que eu tinha. Eu tentei matar você, Kylie...

Eu nunca vou me perdoar por isso. Você foi única pessoa que me tratou bem em tanto tempo...E eu desprezei o seu direito de ser feliz.

Sim, eu sei o quanto você ama a Zoey. Por favor, fique com ela. Seja feliz. Se torne uma pessoa ainda melhor, fique com quem você ama. Sorria. E esqueça de mim.

Esqueça dessa carta boba, e olhe para frente, porque de algum lugar, eu estarei de assistindo. E o meu único desejo, a única coisa que eu quero. Que você seja feliz, e fique com quem você quiser.

Apenas se lembre, tem pessoas que amam você, e eu sou uma delas. Eu te amo, Kylie, e sempre vou te amar, mesmo não estando mais com você

Nos encontramos depois,

Ashley”

As lágrimas deslizavam pelas minhas bochechas. Eu queria tanto que ela estivesse aqui. Eu queria perdoar ela, lhe dar um abraço... Mas ela não estava mais aqui...Ela nunca ia voltar...

Deixo o papel da carta cair em meu colo, enquanto cubro o rosto com as mãos. Não dava pra deixar de perceber que nas pontas do papel tinham manchas de sangue.

Ela tinha se matado. Ela se matou porque não ia conseguir conviver com todo o remorso, com toda a culpa. Eu queria tanto confortar ela.

Eu deveria odiá-la, mas de algum jeito eu a amava. E quebrava o meu coração como ela tinha morrido por estar arrependida.

De repente, sinto uma mão pousar sobre a minha, e por um segundo, vejo a criança que apareceu no meu sonho sentada ao meu lado, com um sorriso fraco.

Era ela. Eu finalmente tinha entendido.

A criança era a Ashley. De alguma forma, eu sabia disso. Mesmo depois de tantas coisas horríveis, ela ainda me amava.

Seco minhas lágrimas, e um sorriso largo se forma no meu rosto.

“Vou realizar seu pedido, Ashley” penso, olhando a chuva na janela “Por você, e por todos, eu vou ser a pessoa mais feliz do mundo”

Notas finais
Eu sei o que vocês estão pensando "OMG ELAS N MORRERAM" Acertei?