2 Months
2 Capitulo 1
Notas iniciais
"Não viva para que a sua presença seja notada,
mas para que a sua falta seja sentida..."
~ Bob Marley
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Toc, Toc, Toc
Acordei sobressaltada com as batidas na porta.
Eu havia dormido toda torta e com a mesma roupa de ontem. Pois ficara até muito tarde arrumando o " meu novo quarto". Algumas caixas minhas — com coisas como: roupa de cama, CDs e objetos para decoração — já estavam aqui quando eu cheguei, mas eu não tirei todas as coisas delas. Não fazia sentido algum me apegar ao lugar sendo que eu iria embora daqui há dois meses. O quarto não ficou tão ruim quanto eu achei que ficaria.
– Lia? Tudo bem ai? — perguntou alguém do lado de fora. E foi ai que eu me toquei que era Nico e que já era 8:17.
Droga! Droga! Droga!...
– Ah... Eu- Eu já estou indo! — disse pegando qualquer roupa no guarda-roupa e indo para o banheiro. Eu consegui tomar banho e me arrumar muito mais rápido do que achei que conseguiria de modo que as 8:33 eu abri a porta do meu quarto e me deparei com Nico segurando uma tigela coberta com um pano e um cobo de plastico com tampa.
Ele pigarreou e disse:
– Demorou, não?
– Ops?... — disse meio apreensiva
– Sorte sua que eu sou um amigo muito legal e te trouxe um café da manhã. Porque a cantina já está fechando — Ele disse eu fiquei feliz por já encontrado um amigo para os próximos dois meses.
– Vamos comer então. Estou morta de fome — eu disse e logo depois meu estomago roncou confirmando minhas suspeitas.
Nós entramos e comemos — quer dizer eu comi, pois ele insistiu dizendo que já havia tomado café e não aguentava mais comer mais nada — Foi bem divertido e ele disse que queria me apresentar a alguns dos amigos deles. Seria legal conhecer mais gente.
O diretor iria dar as boas vindas aos novos estudantes e por isso nós tivermos que ir para a quadra coberta. Mais um lugar do qual eu tenho certeza que não iria conseguir chegar sem a ajuda do Nico. Uma morena acenou para ele. E depois de sorrir ele foi em sua direção. Eu não sabia bem quem era ela e também não conhecia mais ninguém alem de Nico naquele internato por isso eu o segui.
Ao lado da garota estava sentado um garoto moreno enorme com um estilo de jogador de futebol. Havia varias pessoas conversando em grupo, sentadas em três arquibancadas. Ao verem eu e Nico elas pararam de conversar e me encararam. Não de uma jeito ruim. Como se tivesse algo errado comigo. Quero dizer alem das minhas tatuagens — eu ainda não havia visto ninguém com tatuagens naquele internato inteiro, mas elas não eram tão estranhas assim eram? — eu tinha a vista só um laço em cada coxa e uma aspa em cada mão. Mas eles nem pareceram se surpreender com isso eles me encaravam mais de um jeito avaliativo. Como se estivessem apenas curiosos para saber quem eu era.
Meu olhar parou no moreno de olhos verdes que também me encarava. Eu o conhecia de algum lugar.
– Essa aqui é a Thalia — ele disse aos amigos
– Eai — disse ainda tentando me lembrar de onde eu conhecia o garoto.
– Esses são Beckendorf, Silena– a garota que havia acenado — Chirs, Clarisse...
– Perceu? — interrompi-o orgulhosa de mim mesma por ter lembrado o nome do garoto. Ele é o Percy, um dos amigos que eu fiz em outro colégio e o garoto que foi expulso junto comigo Eu o vira pela ultima vez á mais ou menos um ano.
– Thals? — ele disse se levantando e vindo me abraçar — A quanto tempo Cara-de- Pinheiro — ele continuou me soltando a tempo de ver a minha careta ao lembrar do apelido.
– Vocês se conhecem? — Nico me perguntou com um misto de confusão e uma outra expressão que eu não pude ler.
– É, ele estudou comigo ha algum tempo. — eu disse
– A Thals foi expulsa junto comigo — Percy disse animado — Nós colocamos corante azul na piscina e jogamos o diretor dentro dela
– Eu lembro, ele ficou azul por uma semana inteira — eu disse e logo nós dois estávamos rindo lembrando do quão engraçado foi. Enquanto o resto do pessoal nos olhava como se fossemos loucos.
Depois que nós paramos de rir. Foi Percy quem me apresentou o restante do pessoal
– Essa aqui é a Reyna e essa a Annie– ele disse e vi seus olhos brilharem.
– Ah... E qual das duas é quem você quer pegar? — eu perguntei perto de seu ouvido para que só ele ouvisse.
Ele me encarou incrédulo. No entanto eu vi as pontas das suas orelhas ficarem tão vermelhas quanto uma cereja. Não pude evitar soltar um risinho baixo. Eu olhei para a loira que embora mascarasse muito bem. Dava para notar que estava com raiva e/ou ciumes só pelos punhos serrados no colo. Eu não pudia acreditar! Ela também gostava dele!
Alguem pigarreou atras de mim.
– Thalia! — agora mesmo eu não poderia acreditar. Quantos alunos eu conhecia mais?
– Leo Valdez! — eu disse correndo e abraçando o garoto. Eu não era muito de abraços, mas estava muito feliz. Em todo esse tempo que eu passei mudando de escola para escola eu nunca havia encontrado ninguém novamente. Agora imaginem o tamanho da minha felicidade ao encontrar duas pessoas que eram alem de meus melhores amigos as pessoas que me ajudavam a aprontar?
– Ah... Conhece ele também?! — disse Nico demonstrando o primeiro vestígio de irritação desde que eu o conheci — Não que isso tivesse sido a muito tempo, mas ainda sim...
– Ela já estudou comigo — disse Leo — Foi ela quem me ajudou a grudar a mobília da sala do diretor no teto.
O diretor começou a falar, mas eu não estava prestando atenção. Eu estava matando a saudade dos meus melhores amigos.
Eu sempre sentia saudade nos primeiros dias dos amigos que eu deixava. E por mais que eu nunca vá admitir em publico fiquei aliviada em saber que não teria só o Nico como amigo. Não que ser amiga do Nico não fosse legal. É só que sempre da um medo de que as pessoas não gostem de você e mesmo tendo passado por isso muitas e muitas vezes eu acho que nunca vou me acostumar.
Na saída do auditório, fui parada por Silena que me fez a pergunta mais marcante do dia inteiro:
– Onde você comprou esses sapatos? — eu olhei para baixo e não poderia ser. Algo tão insignificante como aonde eu comprei os coturnos que usava fez com que ficasse sem fala — Eles não podem ser da nova Coleção Grace. Ela ainda nem foi lançada.
– Ah... Claro que não são esses aqui são...imitação — eu disse nervosa.
– Ah... — isso não pareceu convence-la. Mas ela disse por fim, simpática — Quando os originais lançarem, agente pode ir fazer umas compras. O que acha?
Ela só estava tentando ser minha amiga.
– Claro, adoraria — eu disse forçando um sorriso — Silena, não é?
– Isso mesmo, vejo você depois Thals
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