1864
2 Capítulo 2
O Conde D’Eu empinava seu cavalo contra o corpo de um soldado paraguaio que tentava fugir, se arrastando. O ferido soltou um último grito quando sentiu os cascos do eqüino esmagar seu tórax.
-Aquele covarde do López... aquele desgraçado se esconderá até quando?! Até quando seu último soldado cair? – perguntou rindo.
Luciano permanecia imóvel, montado em seu corcel marrom, olhando o rastro de destruição que o novo comandante deixara.
-Ouça Brasil, se encontrar com Paraguai já sabe o que fazer... – mirou sua espingarda em outro soldado moribundo e atirou. – Humilhe-o... o quanto puder.
O jovem esboçou um sorriso. Um sorriso amargo.
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Luciano corria com seu cavalo pela floresta adentro. Podia ver, há alguns metros, Daniel correndo a pé, com as roupas esfarrapadas. O paraguaio era rápido, conhecia o terreno, mas logo o brasileiro o alcançou e saltou do cavalo sobre o inimigo.
-Ah! – gemeu Daniel. Tentou se levantar, mas o brasileiro o agarrou e derrubou-o novamente.
-Onde pensa que vai? – disse rindo. Fazia tempo que não via o inimigo. – Você cresceu...
-¡Suéltame! – bradou o paraguaio.
Ficou por cima e analisou o oponente. Era da sua altura, seu uniforme estava gasto, em farrapos, seus cabelos castanhos bagunçados e seu rosto vermelho de tanto correr.
Daniel aproveitou a distração de Luciano, desferiu-lhe um golpe na perna e pôs-se a correr novamente. Isso despertou a ira do brasileiro, detestava ser enganado...
-Onde pensa que vai, Paraguai? – ajoelhou-se, mirou com seu revólver e atirou.
Atingira-o de raspão na perna, fazendo-o cair.
-Agora você não me escapa. – murmurou, dando-lhe um soco no rosto, quando tentou levantar. – Brincando comigo, hã?!
-Eu... não como há dias.. pare!
-Você matou muitos soldados meus! Agora agüente! – deu-lhe um tapa no outro lado da face. – Onde está seu líder agora?
-Eu...eu... – o sangue escorria pela boca de Daniel. -... não sei...
-... ele te abandonou, não foi?! Recuou como um cachorro assustado...
Daniel desviava o olhar. Estava fraco, lutar agora era loucura. O brasileiro não achava isso. Deu-lhe outro tapa, marcando a face do paraguaio mais uma vez.
-Brasil, por favor...
Desferiu-lhe outro profundo golpe no estômago, fazendo escorrer mais sangue pela boca do adversário. Este caiu, arfando, gemendo, com os olhos semiabertos . Estavam sozinhos.
-Quem mandou invadir meu território?! – disse entre um sorriso, um homem alto, com pele morena, cabelos negros e ondulados, de olhos verdes brilhantes. Trajava uma indumentária militar azul marinho. – Agora você e seu povo pagarão por esse ato...
Chutou as costas do inimigo. Seus cabelos castanhos estavam sujos, seu rosto manchado de sangue, seus olhos cor de mel estavam assustados, sua indumentária, também militar, em farrapos.
-Pena que Argentina e Uruguai não estão aqui...
-Eles...são meus hermanos... como puderam...? – ajoelhou-se, tentando levantar.
-Você quis dar um passo maior que as pernas, Paraguai... – o agressor segurou os cabelos castanhos de Daniel e encarou-o- Seus irmãos não iam te acompanhar nessa burrada! O que farei com você agora...?
-Brasil... por favor...
-Seu líder fugiu, te abandonou... devo apiedar-me? – soltou uma risada amarga. – Acho que não... devo mostrar aos meus inimigos onde é o seu lugar...
Daniel tremeu. Onde estava sua coragem que estivera presente quando invadiu o território brasileiro? Cerrou os olhos.
-Eu... eu desisto, Brasil. Meu exército agora é formado por adolescentes e crianças... a maioria dos homens morreram...
-Por que não se rende?
-Meu líder... – gemeu.
-Seu líder é um idiota... por causa dele, você sofrerá...
Brasil mordeu os lábios do inimigo. Concentrou sua língua no ferimento no canto a boca, arrancando gemidos de dor do paraguaio. Começou a rasgar as roupas de Daniel, não era tarefa difícil, já que estas se encontravam em trapos.
-Por favor... pare... – tentou segurar, mas lágrimas brotaram em seus olhos.
-Eu não quero fazer isso... – Luciano encostou sua testa na do inimigo, segurando seu rosto firmemente. -.... entenda... eu não sou assim... não faz o meu tipo...
-Então por que...?
-Cale a boca, será rápido... – dito isso, beijou a boca de Daniel e passou para o seu pescoço.
O paraguaio não se continha mais, deixava as lágrimas e seus gemidos de dor escaparem. Ficou imóvel, se tentasse fugir seria pior.
-Você... lembra o Argie... as feições – segurou o rosto do inimigo com certa delicadeza.
Aquilo foi um choque para Daniel. Além de traí-lo, seu irmão tinha um caso com o brasileiro?!
Luciano agora rasgava a calça do oponente, arranhava seu tórax. Tinha que ser agressivo, aquele não era Martin e sim Daniel. Mordeu mais uma vez a boca do oponente e em menos de vinte segundos, o havia despido completamente.
-O que você vai...?
Tapou a boca do paraguaio, e lambeu seu lóbulo da orelha.
-Apenas relaxe, será melhor pra nós dois... — murmurou abrindo os botões de sua calça.
-Não.... NÃO...!
Os gritos do paraguaio ecoaram na floresta. Agora sim, Luciano humilhara o inimigo.
Daniel chorava baixinho, em posição fetal, sujo de sangue e totalmente nu. O brasileiro arrumava sua farda.
-Paraguai...
-Sai daqui...- disse Daniel entre os gemidos.
-Paraguai, eu...
-Vá embora! – gritou. Seus olhos, avermelhados pelo choro, reluziam de ódio.
Luciano se calou. Estava se sentindo péssimo, seu coração estava apertado e sua cabeça meio zonza. Qual seria a reação de Martin e Sebastián? Tudo bem que eles estavam também contra Daniel, mas aquilo que ele fez era sujo e imperdoável.
O rapaz retirou a casaca militar e a jogou por cima do corpo do paraguaio, que se manteve imóvel.
-Quando isso tudo acabar, espero que me perdoe... – murmurou, ajeitando a casaca azul marinho de modo que cobrisse a maior parte do corpo de Daniel.
Montou em seu corcel marrom, deu uma última olhadela. Esperava que o pequeno país pudesse se recuperar e fizessem amizade, se é que isso fosse possível. Esporeou o eqüino e sumiu da visão do paraguaio.
Notas finais
[2] - Pelo que estudei/pesquisei, Conde D'Eu não era um "mauricinho dando uma de militar", dizem que ele era bom no que fazia... e era muito sanguinário! D:
[3] BrArg ou ArgBra... vocês que sabem xD (eu shippo os dois n_n )
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