13º Instituto Remanescência
7 Capítulo 7 - Em busca de ajuda
— Onde estão Luana, Rayane e Débora Santos? — pergunta Beatriz a Joana. — Elas correram para o mesmo lado que a gente.
— Eu não sei. Elas sumiram. — responde Joana.
As duas garotas estavam em uma sala de aula. Joana havia trancado a porta e colocado um birô contra ela. Elas falavam muito baixo e faziam o mínimo de barulho possível. Beatriz estava sentada na confortável cadeira do professor, que era acolchoada e tinham cinco rodinhas. Joana estava sentada em uma das cadeiras dos alunos, que era menor que a do professor.
— Estou com medo, Bia. — Sussurrou Joana.
— Não se preocupe. Eu também. — consola Beatriz.
A situação das duas não era das melhores. Estavam sós e, mesmo protegidas na sala, uma hora precisariam se alimentar ou beber água.
— Eu sou muito burra, Bia. Devia ter seguido pelo mesmo lado que os outros. E ainda acabei te trazendo junto comigo. Me desculpe.
— Fique tranquila, Joana. Sem você, nem conseguiria ter chegado aqui. É uma péssima hora para ter uma doença que faz meus ossos serem fracos. — reflete Beatriz.
Joana fica angustiada com a situação.
— Vai dar tudo certo, Bia. A gente vai encontrar os outros e sair dessa escola.
— Eles que precisam encontrar a gente. Eu não vou sair dessa sala.
Beatriz estava nervosa, mas não desesperada. Colocava sua pequena mão sobre a testa e apoiava o cotovelo no braço da cadeira, demonstrando preocupação. Seus cabelos ondulados e pretos caiam sobre seus ombros, alguns fios grudados na testa suada. Sua pele branca estava avermelhada, devido à correria pela qual acabara de passar. Os óculos escorregaram e estavam quase na ponta de seu nariz. Seu olhar estava fixado no chão.
Joana olhava para Bia, para o chão e para a porta através de seus óculos azuis. Seus cachos estavam assanhados, homogeneizando o tom castanho escuro com as luzes loiras. A pele branca não estava tão vermelha quanto à de Beatriz, estava, na verdade, mais pálida ainda. Ela ficou ali um bom tempo, sem dizer uma única palavra.
— Vou procurar alguém. — Joana fala para Beatriz.
— Você tá louca?! Você é louca! Sair sozinha por aí. — reclama Bia.
— Preciso fazer alguma coisa pra tirar a gente dessa situação. Você fica trancada aqui enquanto eu busco alguém para nos ajudar. É só você esperar. Eu vou ficar bem.
— Não, Joana! Você não pode! — Beatriz tenta convencer a amiga do perigo que é aquilo.
— Já me decidi, Bia. Sairei agora mesmo e pode ter certeza que voltarei com ajuda.
Joana dá um abraço forte em Bia.
— Tranque a porta e empurre o birô quando eu sair. Para saber que sou eu quando chamar, darei três batidas rápidas na porta, seguida por duas lentas. Entendeu? Vai ficar tudo bem, Bia. Até logo.
— Ai, Joana. Espero que dê tudo certo mesmo.
Beatriz se levanta e acompanha a amiga até a porta. Joana puxa um pouco o birô, abre a porta e deixa uma brecha pela qual deve passar.
— Boa sorte, Joana. Me desculpe por tudo. — fala Beatriz, se sentindo culpada.
— Eu que deveria me desculpar. Tome cuidado. — se despede Joana, antes de seguir pelo corredor.
Bia fecha a porta e empurra o birô. Volta a se sentar, dessa vez apoiando a cabeça sobre os braços cruzados em cima do apoio de uma cadeira de estudante. Preocupada e cansada.
Joana segue lentamente pelo corredor, sempre tomando cuidado para se esconder atrás de lixeiras e para andar abaixada, em um nível menor que o do parapeito. Ela segue na direção oposta a que fica o Bloco C. Após alguns passos, vê a escada. Desce cuidadosamente, olhando sempre antes de descer cada lance se há algum Crank por perto. A área está vazia. Ela chega ao térreo e segue o caminho à sua esquerda, para onde ficaria a saída da escola.
— Alguém deve ter fugido para a saída — ela pensa.
Joana vê de longe uma movimentação próxima à entrada do Bloco A, então se esconde atrás de uma pilastra e decide voltar para cima e ir ao Bloco C, para onde os garotos fugiram. Ela volta pelo caminho que percorreu. Passa em frente à sala onde está Beatriz e pondera bater na porta para saber como ela está. Mas só faziam alguns minutos que havia saído dali, portanto decidiu seguir em frente.
Ela segue pelo corredor até o ponto onde ele muda de direção, virando à direita. Quando ela se prepara para colocar a cabeça um pouco para a frente para observar o caminho, algo dobra o corredor rapidamente, se chocando contra ela. Ela age rapidamente se lançando sobre o que a atingiu, já percebendo que era uma pessoa. Quando tenta se levantar para fugir, a pessoa pula sobre ela, empurrando o antebraço contra seu pescoço e segurando seus braços com a outra mão. As pernas estavam sobre Joana de maneira a deixarem-na imobilizada. Joana se desesperou e olhou para seu inimigo. Viu lindos cachos pretos caindo como uma cascata em sua direção. O rosto de uma garota estava bem próximo ao seu.
— Me larga! — diz Joana, tentando se desvencilhar.
A garota solta Joana e cerra as sobrancelhas de maneira tão discreta que parecia imperceptível.
— Pensei que fosse um Crank — ela diz — me desculpe.
Joana fica parada observando a garota, que conseguia ser incrivelmente radiante em meio ao caos que permeava a escola no momento. Joana conseguiu notar que a menina também usava óculos e que tinha um nariz bastante afilado.
— Você pode me ajudar? — pergunta Joana.
A garota olha com desconfiança para Joana.
— Eu te explico tudo lá dentro da sala. Me segue. — completa Joana.
Joana rasteja até a porta da sala onde está Bia e dá as batidas combinadas. Certo tempo depois, uma brecha na porta se abre e Joana entra na sala, seguida pela garota. Beatriz acha estranho Joana ter conseguido alguém tão rapidamente.
— Quem é ela? — pergunta Bia.
— Bem, eu não sei... Qual o seu nome? — pergunta Joana.
— Taciana. O que você quer comigo? — rebate a garota.
— Precisamos de ajuda para sair da escola. Bia tem problemas de saúde e não seria fácil pra nós duas chegar à saída do Instituto — responde Joana, apontando para Beatriz — qualquer pessoa é suficiente para aumentar nossas chances de chegar até a frente da escola.
— Eu estava indo para lá. Podem vir comigo. — responde Taciana.
Joana se sente mais esperançosa com o aumento do grupo. Bia não via muita diferença, considerava a situação atual tão ruim quanto à anterior.
— Precisamos agir agora. A única coisa que ganharemos se ficarmos aqui esperando será fome. — sugere Taciana.
Joana acabara de conhecer Taciana, mas já confiava nela. Sentia que podia confiar. Também confiava em suas habilidades que as ajudariam a saírem daquele lugar. As três se reúnem ao redor de uma cadeira e Taciana começa a explicar o plano que tem em mente.
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