13º Instituto Remanescência
3 Capítulo 3 - Interrupção
Aos poucos, é possível notar que a massa tem braços e pernas, vários. Eles começam a se debater desordenadamente. A massa tem um aglomerado de tecidos também, tecidos azuis, pretos, cinzas e brancos, todos em péssimo estado, rasgados e manchados por um marrom avermelhado. Em seguida, é possível ver cabeças. Umas quatro. É delas que partem os gritos e risadas. Todo esse reconhecimento do que era aquele aglomerado de loucura pareceu durar a eternidade, mas foi preciso apenas um segundo para que todos começassem a fugir daquela ameaça.
Todos correm desenfreados para longe daquela parte do corredor. Vico segue para o corredor largo que dá para o Bloco C e usa palavras de encorajamento para dar forças aos que estão mais distantes. Vitor, Rafaela, Juliana, Thaís e Cláudio estão perto dele.
– O que está acontecendo? — pergunta Thaís.
– Eu não faço a mínima ideia! — responde Vitor.
– Por aqui! Venham! Corram! — grita Vico a plenos pulmões.
Aos poucos os alunos que estavam mais perto vão se juntando no corredor largo. Alguns poucos viram à esquerda e pegam a parte menor do corredor rumo ao outro feixe de salas.
– Não podemos ficar aqui esperando! — diz Juliana — Precisamos achar um lugar seguro para parar e entender o que está acontecendo!
Ela corre para o Bloco C e é seguida por outros alunos.
Longe, estão Jonathan, Fernanda, Luiz, Suzyanny e Débora Costa. Todos correndo de volta. A professora um pouco atrás. Fernanda se vira para olhar a professora e ajudá-la a correr mais rápido, mas se depara com a cena em que a professora cai, torcendo o pé esquerdo sobre seu longo salto alto. Ela ameniza o impacto com os braços e olha para Fernanda pedindo ajuda com sua feição apavorada. Fernanda chega a dar um passo em sua direção, mas é puxada por Jonathan. Ela tenta se soltar, olhando freneticamente de Jonathan para a professora caída e da professora para Jonathan. Seus cabelos cacheados e castanhos balançando loucamente de um lado a outro.
– Já é tarde! — lamenta Jonathan — É melhor corrermos!
– Fernanda! Vem logo! Essas coisas são Cranks! — grita Débora Costa.
Fernanda entende a mensagem quando vê três Cranks sobre a professora, que gritava desesperada enquanto recebia mordidas, arranhões e puxadas de cabelo. Era realmente tarde. Fernanda se vira e passa a correr com os outros. Jonathan ainda segura a sua mão.
Vico continua chamando os outros. Tentando dar forças, mas sabendo que tudo dependia da velocidade com que os outros estivessem correndo.
Aqui! — ele escuta Juliana gritar.
Vico olha para trás e vê que ela está no fim do corredor largo, apontando para a direita. O corredor largo dá no Bloco C e se divide em três direções, uma que leva aos laboratórios de química, outra que leva a outras salas — como o laboratório de física e o almoxarifado — e ao Bloco E e outra que é uma escada que dá no térreo. Juliana está apontando para o lado que os levaria ao Bloco E. Cláudio e Vitor, que estavam com Juliana, correm para perto de Vico.
– A primeira sala, o laboratório de Física, está aberta. Vamos nos esconder lá. Mas alguns de nós precisam despistar essas coisas para que eles não saibam em que sala entramos — diz Cláudio.
– Nós três vamos descer a escada quando todos entrarem na sala. Vamos precisar correr o mais rápido possível pelo térreo, seguindo a lateral do Bloco C até chegarmos à escada do começo do Bloco E. Então subiremos e voltaremos para a sala para nos reunirmos com os outros — completa Vitor.
– Tudo bem. Assim que a última pessoa passar por nós, nós começamos a correr — conclui Vico.
Enquanto a professora grita e é atacada no começo do corredor, Suzy e Luiz estão quase no meio dele, seguidos por Jonathan, Fernanda e Débora. Luiz é um rapaz alto, magro e negro, e se mantém atrás de Suzyanny de modo a protegê-la. Ela corre com medo, seus óculos balançando na face e seus cabelos curtos e cacheados esvoaçando no ar. Atrás deles está Débora, também com seus lisos cabelos castanhos ao vento enquanto corre. Ela tem uma baixa estatura e é bastante delicada, mas apesar de tudo conseguia manter o foco na fuga e ficar cada vez mais longe daqueles monstros. Em seu encalço estão Jonathan e Fernanda de mãos dadas. Mais atrás, o único Crank que decidiu não se divertir com a mulher caída os persegue.
Quando Suzy está exatamente no meio do corredor, um Crank irrompe pela escada e se choca contra ela. A garota bate com força na parede e cai junto ao Crank, que passa a atacá-la. É tudo tão rápido que Luiz acaba tropeçando neles e caindo no chão. O rapaz tenta se levantar e vê o Crank cair ao seu lado, segurando a cabeça com as duas mãos e urrando de dor. Fernanda havia lhe dado um forte chute em uma de suas têmporas e ele havia sido lançado para longe de Suzy. Luiz se levanta e vai até a garota deitada no chão. Mas Débora, que estava abaixada na tentativa de levantar Suzy, se ergue e o manda correr.
– Ela está sem pulso. Deve ter batido a cabeça com muita força — lamenta Débora antes de retornar a corrida.
Luiz para por alguns segundos, olhando a menina no chão. Vê que realmente não há jeito. Ela está morta. Fernanda toca no seu ombro como se quisesse dar apoio e começa a correr. Ele olha mais uma vez para Suzy e corre.
Débora passa por Vico e os garotos. Depois Jonathan, Fernanda e Luiz. Era hora de colocar o plano em ação, mas os Cranks ainda estavam longe. Três acabam de se levantar no começo do corredor, revelando o que deveria ser o corpo da professora. No meio do corredor, um Crank ainda grita segurando a cabeça enquanto o outro mexe no corpo de Suzy como se ela fosse uma boneca de pano. O grupo dos três Cranks torna a correr atrás dos garotos. Vico, Vitor e Cláudio se entreolham, como se quisessem confirmar o momento certo de começar a agir.
Débora e os outros chegam até Juliana, que os indica onde deveriam entrar. Os quatro entram, seguidos de Juliana, que fecha a porta e apaga a luz, torcendo para que o plano dê certo. O laboratório de Física se torna escuro e silencioso.
Os três Cranks chegam quase ao lugar onde estão os outros dois. É a hora. Cláudio, Vico e Vitor começam a correr pelo corredor largo, dando as costas para os monstros que os perseguem. Os garotos viram para descer a escada e veem os cinco Cranks, no meio do corredor, correndo com olhares de ódio acima de largos sorrisos sarcásticos.
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