13º Instituto Remanescência
2 Capítulo 2 - Colisão
Estavam diante do quadro digital Maynara e Juliana, ambas escrevendo letras com as canetas digitais enquanto o quadro as reconhecia e as alterava para tipografia característica do equipamento, a fonte Tahoma. A professora apenas olhava para as duas meninas e as corrigia quando necessário. Essa metodologia era apavorante para todos os alunos, que precisavam estudar bastante antes das aulas para apresentarem um bom desempenho caso fossem chamados para explicar o assunto do dia.
As duas garotas, de costas, pareciam irmãs gêmeas. Pele escura e negros cabelos cacheados e volumosos faziam ambas parecerem a mesma pessoa quando vistas por trás. De frente, elas eram muito diferentes. Maynara tinha um dos maiores sorrisos do mundo — algo bom de ser ver em meio aquele planeta devastado — e uma cicatriz na testa. Juliana era diferente, tinha bochechas bem fofas que contrastavam com sobrancelhas que davam a ela um olhar de atitude.
Vico estava tão disperso na aula que, após olhar a cicatriz na testa de Maynara, começou a pensar em um livro que lera na infância. Pensou nos boatos que ouviu, que diziam que o livro teria mais seis continuações e que a história não terminara ali, no primeiro. Pensou em como queria encontrar as outras relíquias, que faziam tanto sucesso séculos atrás.
A movimentação fez Vico acordar de seu transe e notar que a aula tinha acabado. Levantou-se e dirigiu-se à frente da sala de aula, esperando os outros saírem para baterem um papo, como de costume. Havia mais vinte alunos na sala e aos poucos cada um foi saindo. Vitor, Cláudio, Juliana, Thaís e Rafaela ficaram conversando com Vico na frente da sala. Quando todos os alunos saíram, formaram vários grupos no corredor para conversarem sobre diversos assuntos ou para se despedirem. A professora fechou a porta, se despediu dos alunos e andou pelo corredor, seus sapatos fazendo toc toc à medida que se afastava. Alguns alunos se despediram e pegaram o mesmo caminho que a mulher, entre eles Jonathan, Fernanda, Débora Costa, Suzyanny e Luiz.
A sala de aula ficava no primeiro andar do Bloco B do Instituto. O bloco tinha um formato retangular, com uma abertura também retangular no centro. Uma fileira de salas em cada um dos lados maiores do retângulo. O corredor tinha então um formato quadrangular. Partindo do centro do lado menor para o qual estava indo a professora e alguns alunos, havia um corredor menor que ligava o Bloco B ao Bloco A e que tinha escadas que levavam ao térreo. Do outro lado menor do corredor e como uma continuação do lado maior onde estavam os garotos partia um corredor mais largo que ligava o Bloco B ao Bloco C. No centro de cada um dos lados maiores do corredor do Bloco B havia uma escada de dois lances que também dava no térreo.
Vico e os outros estavam conversando distraidamente quando escutam um barulho que não era normal no Instituto, muito menos às cinco horas da tarde de um sábado, quando a escola costuma ficar mais deserta. Eram gritos de raiva misturados a gargalhadas se sobrepondo ao barulho de passos fortes e desorganizados. Todos acham estranho e ficam atentos. A professora para a uns dez passos de dobrar o corredor. Os alunos que estavam indo embora fazem o mesmo atrás dela. Ficaram todos ali, parados, ouvindo os sons exóticos.
O barulho começa a ficar mais alto e as pessoas cada vez mais em alerta. Automaticamente, a professora e os alunos começam a recuar devagar, de costas, no instinto de se unirem perto da sala. De repente, um estrondo, como uma forte batida em uma parede. Em seguida uma grade massa estranha se choca contra a parede do parapeito do corredor onde estão todos, fazendo o mesmo barulho de segundos antes. Era como se ela tivesse vindo do lado menor do corredor e não tivesse conseguido fazer a curva para o lado maior, passado direto e se chocando com o parapeito.
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