100 dias
20 Capítulo 20 - O encerramento do Ciclo
Notas iniciais
Após o enterro, os três entram no carro e continuam sua busca, depois três dias de viagem, eles finalmente chegam ao destino.
— Por que estamos parando? -Pergunta Viollet
— É aqui – Responde Leon calmamente enquanto observa a montanha, relembrando o acontecido.
— Leon, você está bem? – Pergunta novamente a garota.
— Sim, estou. Vamos logo pois nosso tempo está se esgotando.
Eles descem do carro, observam em volta, há muitos obstáculos que dificultam a escalada.
— Realmente parece que depois daquele dia ninguém subiu aqui, havia uma trilha para acesso ao topo, como faremos, alguém tem uma ideia? – Questiona Leon.
— Eu vou! -Diz Mia- Não tenho nada a perder, então se eu conseguir, terei um motivo para viver.
— Do que você está falando garota? Claro que tem algo a perder, nós somos seus amigos, não iremos te abandonar, superaremos essa perca juntos.
— Você não entende, eu preciso fazer isso – Retruca Mia em prantos.
— Mas... -Tenta interromper Viollet-
— Deixa -Diz Leon – Se ela precisa disso para superar, então devemos apoiar.
Iniciam os preparativos para a escalada, afiam dois galhos para que ela possa usar como uma espécie de garra para subir.
Ela inicia, pedaço por pedaço até o topo, surpreende a todos enquanto sussurra algo que ninguém consegue entender, talvez um pedido de forças ao espírito da Any, quem sabe?
Ao terminar, ela se deita no topo, corpo virado para o céu, de olhos fechados ouve apenas ao fundo a voz de Viollet e Leon, ao abrir os olhos, vê o sol, as nuvens, por um instante parecia que o mundo estava normal de novo, não havia infectados, e lembranças passam por sua mente, como se ela tivesse sido tele portada para o dia no qual fez piquenique no parque com Any, ambas deitadas na grama, olhando as nuvens e o sol, por alguns instantes ela sentiu os raios de luz preenchendo o vazio do seu coração e esquentando-o novamente, e ela percebeu o quanto ainda tinha para viver e estava disposta a lutar por isso. Levanta-se e procura pela planta com as mesmas descrições que Leon havia passado, é isso! Ela encontrou!
— Eu encontrei! – Grita Mia, lá do topo emergindo alegria em seu ser- Não acredito, eu consegui, iremos salvar o mundo.
— Certo, Mia. Coloque ela em seu bolso e desça devagar – Grita Leon preocupado- Tenha muito cuidado, entendeu? Não tenha pressa.
— Leon, cuidado! – Berra Mia lá de cima apontando para as árvores – Nãoooo!!
Leon vira-se o mais rápido que pode e percebe três criaturas vindo em sua direção.
— Viollet, entra no carro e se esconda.
— O que? Você ficou doido? Ficarei e lutarei com você, você é a nossa esperança.
Vendo todo aquele desespero, Mia tenta descer o mais rápido possível mas fica com o pé preso em um galho no meio da sua descida, ao tentar inúmeras vezes retirá-lo, acabada quebrando e solta um grito desesperador que muda o rumo das criaturas, agora ela é uma presa fácil, eles correm em direção a montanha.
— Leon, precisamos impedir, o que faremos? -Diz Viollet desesperada-
— Vamos para lá, temos que impedir, vamos tentar ataca-los por trás.
Eles correm em direção a Mia que continua presa e sua fratura aumentando cada vez mais conforme ela ficava mais desesperada.
Leon agarra um dos monstros por trás, crava sua faca no crânio da coisa e sobe em direção ao próximo, porém escorrega e tem que começar a subir de novo.
Viollet consegue eliminar um dos monstros, mas ao entrar na luta com o terceiro e último, é jogada em cima do carro que estava no pé da montanha e fica desacordada.
Leon tenta escalar o mais rápido possível para alcançar o último, mas a escalada fica mais complicada após ele ter cortado seu braço direito na queda.
— Está tudo bem – sussurra Mia – Apenas pegue a planta e faça o que deve fazer, talvez assim seja melhor...
Ela não consegue finalizar a frase, porque recebe uma mordida no pescoço antes.
— Não!! -Grita Leon desesperado, seus olhos estão regalados, suas mãos geladas, seu corpo estremece – Não entendo, por que? Outros de vocês não nos atacaram.
Ele ajoelha no chão em prantos, olha ao lado e vê Vi com a cabeça sangrando, não sabe o que fazer. Decide colocá-la no carro, percebe que está bem, porém, ainda desacordada. Ele precisa pegar a planta, terá que encarar o cadáver que ainda está preso ao galho, a criatura já foi embora, não terminou o que havia começado. Limpa o suor e as lágrimas do rosto, fecha as portas do carro e começa a subir, ao abrir a mão de Mia, percebe que ela a observa.
— Você ainda está viva? Como isso é possível? Eu sinto muito, eu não consegui chegar a tempo -Diz ele chorando-
— Leon, faça o que é certo, Vi está ferida, você tem que voltar o mais rápido possível. Acredite, apesar de toda dor, eu estou bem, sinto que minha missão na Terra foi cumprida e posso partir em paz, espero que fiquem bem, saibam que fui tranquila.
Ela tira seu olhar do dele e o torna para o sol, os raios ao alcançarem seu corpo, a envolvem em um calor aconchegante e ela dá seu último suspiro, seu corpo ao relaxar abre a mão e revela a planta.
Leon a retira de sua mão, agradece a amiga e fecha seus olhos com as pontas dos dedos.
— Obrigado, nunca te esqueceremos – Ele sussurra cabisbaixo e emocionado-
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