Em um mirante erguido a beira do rio que cortava a cidade, uma garota observava encostada na barreira de proteção, o movimento do local.

Um bar lotado de pessoas que assistiam a um jogo de futebol, o dono e o garçom se contorcendo entre as mesas para poder atender a todas as pessoas. Turistas andavam e paravam o tempo todo para tirar fotos, capturando a beleza do rio. Vendedores ambulantes conversavam com transeuntes, oferecendo seus produtos.

A uma certa distância, via-se a principal rua comercial da cidade, carros e mais carros passavam, ocasionalmente um ônibus parava, vomitando ainda mais turistas. Era um dia movimentado hoje.

A garota se virou na direção do rio, seus longos cabelos negros balançando junto com o vento. Ela se apoiou com os braços na barreira, e suspirou. Não era possível saber o que se passava em sua cabeça.

Ela não conseguia ficar parada. Martelava o pé no chão, balançava a perna para frente e para trás, batucava no metal da barreira, assobiava. Mas sua expressão nunca mudava. N’um movimento brusco, se ergueu e sentou na barreira, deixando as pernas soltas, os braços ajudando-a a manter o equilíbrio.

Seus cabelos balançavam ao redor de seu rosto, mas ela não fazia nada para pará-los. Eles jaziam parcialmente sobre seu rosto, cobrindo seu rosto., mas seu olhar continuava fixo a frente.

O relógio no bar dizia 16h. Ela já estava esperando há vinte minutos. Mas tudo bem, ela sempre chegava cedo aos eventos que era convidada.

Como passatempo ela começou a contar as coisas que apareciam navegando pelo rio, mas ainda assim, ela permanecia imóvel. Qualquer um que parasse para olhar ao redor pensaria que ela era uma estátua.

Alguém deu um tapinha em seu ombro pouco tempo depois, e como se acordada de um torpor, ela lentamente levantou a cabeça, fazendo uma careta quando sentiu uma pontada aguda em seu pescoço.

Ela observou brevemente o céu, que antes estava azul, agora estava brilhando em todas as cores, com o sol se pondo no horizonte e o rio refletindo a luz dourada. Enquanto se virava e ficava em pé, ela mecanicamente começou a falar.

“16 peixes, 8 canoas, 4 barcos, 1 boto cor-de-rosa, e... muitos pedaços de madeira...”

A pessoa que a ‘acordou’ lhe abraçou, e sua profunda voz ressoou em seus ouvidos. “Eu não acredito que você está aqui desde as quatro da tarde.” Seu tom deixava claro o sorriso que adornava seu rosto.

A garota levantou o olhar, o cara que a abraçava era uma cabeça inteira mais alto que ela. “Foi você que disse para nos encontrarmos aqui às dezesseis horas.” Ela falou, irritada.

Ele riu, a apertando mais em seus braços. “Eu disse seis, não dezesseis.” Ele a soltou, mostrando a rosa que estava em sua mão. Ele a estendeu para a garota. “Aqui.”

“Para quê? E você sabe que eu não gosto de receber flores. Elas morrem muito rápido.” Ela falou, pegando a flor mesmo assim, inspecionando por espinhos no caule.

“Hoje completam 100 dias....” Ele falou com um sorriso bobo. Ela piscou. “100 dias...?” Ele a encarou por um tempo, observando ela franzir as sobrancelhas em concentração. “...de namoro?”

Ele sorriu. “É!” E a abraçou de novo. “Eu não acredito que você estava contando, sinceramente.” Ela disse, sua voz abafada pela camisa do garoto.

Ele a beijou, longa e calmamente. Quando se separaram, ela moveu seus braços para envolvê-lo pela cintura e encostou a cabeça em seu peito.

“Como você sabia que eu estava te esperando desde quatro horas?” Ela perguntou. Ele riu. “Eu te vi sentada lá, então eu fui perguntar do dono do bar, e ele me disse que você estava lá desde por volta dessa hora. Só você mesmo pra confundir seis e dezesseis.”

Os dois começaram a andar pelo lugar, a garota virando a flor em suas mãos, pensativa. “Ei...” Ela chamou de repente. “Hmm?” Ela sorriu, olhando para ele e de volta para a rosa.

“Hoje não é o centésimo dia. É amanhã.”

Ele sorriu. “Oops. Então nós vamos ter que nos encontrar de novo amanhã.”

“Tudo bem."

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“Hoje completam cem dias...” Ela murmurou.

“Cem dias desde o nosso centésimo dia.” Ela olhou para o sol se pondo ao longe.

“Cem dias desde que você morreu.” Ela murmurou. O vento ficou mais forte, fazendo seu cabelo cobrir seu rosto, escondendo a lágrima errante que deslizava pela sua bochecha.

Notas finais
Death fic. Eu estou escrevendo cada vez mais dessas. Eu nem pretendia matar o cara, aconteceu naturalmente. Minha autora preferida vive matando os personagens dela, e eu nunca entendi porque. Mas agora eu sei. É INCRÍVEL! Críticas são bem vindas, elogios são bem vindos, ataques epiléticos são bem vindos, haters são mal vindos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!