– Está melhor agora, Senhorita Grey?

– Sou incapaz de sentir. Onde está o Senhor Anderson?

– Ele pediu demissão. Serei eu a lhe interrogar agora. Sou Michelle, prazer.

– Duvido...

– Podemos continuar de onde parou com Anderson?

– Sim, podemos. Depois de dias, indo para a escola depois do incidente da rua sem saída, tentei evitar o viaduto e principalmente o bar, mas sempre me sentia seguida. Um dia, estava chovendo enquanto voltava do serviço e fui obrigada a entrar dentro do bar fechado. ao entrar, encontrei varias cadeiras mofadas e quebradas e mesas reviradas. Fui aos fundos e encontrei uma quitinete com umas velas ao lado. Pensei que fosse algum tipo de macumba ou algo do tipo e decidi me retirar do bar e enfrentar a chuva, mas escutei a porta do bar se abrindo. Para a minha surpresa entrou o menino que eu havia encurralado no beco atras do mesmo bar. Ele estava carregando uma sacola com alguns legumes meio podres e alguns papeis usados dentro. Ele não me perguntou nada. Acho que ele não ligava para o fato de ter invadido o abrigo dele. Ele apenas se virou e pegou uma das mesas e a arrumou. Colocou seu lençol sobre ela e puxou duas cadeiras para perto da mesa. Foi quando entendi que ele queria que eu comesse com ele. De inicio, pensei em recusar, mas fiquei com pena do menino e decidi comer com ele. A comida era velha e podre, e cheirava muito mal, mas mesmo assim, o menino comeu com uma incrível indiferença...

– Característica de um Perfeito.

– Por favor, querida, não me interrompa, sim?

– Claro...

– Enfim, depois de comer, perguntei pra ele se ele estava roubando, pois não gostava da ideia de ver uma criança roubando e hoje entendo, que as vezes é necessário. E ele respondeu que apenas estava roubando livros da livraria em que eu trabalhava. Ele me levou até um depósito de comida e me mostrou a pilha de livros que ele havia roubado. Eram todos os que eu havia vendido. Perguntei se ele estava me seguindo e ele disse que sim e perguntei por que. Ele disse que queria ter certeza de que eu não contaria para o Governo onde ele estava. Não entendi na hora a importancia do garoto, mas afirmei que não iria contar. Quando a chuva havia acabado, fui para casa. Depois disso, sempre arranjava um jeito de poder voltar para casa por um caminho que passasse no bar. Eu deixava uma marmita, com alguns legumes frescos que comprava em uma feira, arroz, feijão e entre outras comidas. Ele nunca estava no bar quando eu ia, mas sabia que ele comia, pois sempre que voltava a passar, encontrava a vasilha de comida vazia e uma flor dentro. Sempre a mesma flor. Não sei que flor era, mas ela era muito linda.

"Depois de algum tempo, comprei algumas roupas de menino e deixei na frente da porta do bar como sempre, com uma marmita, mas por dias, a marmita e o pacote de roupas permanecue intacto. Tive de jogar a marmita fora, já que havia apodrecido. Decidi entrar para ver o que estava acontecendo e ele não estava lá."