10 coisas que eu odeio em você
18 Capítulo 17 - Terceira Guerra Mundial
Notas iniciais
Natsu
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Acordei e olhei para o lado observando a loira ao meu lado que ainda dormia. Durante o sono ela acabou virando e agora estávamos cara a cara na cama. Tão linda... Foi a única coisa que me veio à mente observando os fios loiros lhe emoldurando o rosto tranquilo descendo até seus seios... Qual será a reação dela quando acordar? Será que ela vai se arrepender? Porque eu não me arrependi nem um pouco.
— Bom dia, Natsu – ela disse abrindo apenas um pouco das pálpebras – pera, Natsu? O que você está... – sinceramente, ela já havia esquecido? Então ela ficou extremamente vermelha e enfiou a cara no travesseiro.
— Dia? São uma e meia da manha – me limitei a dizer.
— Você deveria dormir em sua própria cama então – falou de forma abafada já que ainda estava com a cara no travesseiro.
— É isso que você quer? Bom, então eu vou indo... – um, dois, três...
— Não Natsu, espera – ela pediu baixinho finalmente olhando para mim. Ela estava muito fofa daquela maneira: levemente corada e com aqueles olhos chocolate brilhantes. Então quando dei por mim, já estava dando um selinho em seus lábios.
— O que foi? – perguntei.
— É, e-eu não sei muito bem o que pensar. Talvez... O que aconteceu muda as coisas entre nós? – ela disse após alguns segundos.
— Nada precisa mudar, não precisamos contar o que houve a ninguém se você não quiser. Vai ser nosso segredo – falei de forma tranquila. Eu não estava entendendo o que ela queria dizer. Será que ela achava que eu pararia de falar com ela? Será que ela achava que eu ia falar disso para alguém? Eu não era babaca a tal ponto. Claro que não, ela quer saber o que somos agora. Amigos, namorados ou ficantes? E com esse pensamento eu entrei em pânico e falei a primeira coisa que me veio à mente – somos amigos, certo? É isso que amigos fazem.
— E-entendi. Acho que as coisas não precisam mudar mesmo. Somos, claro – ela disse, seu rosto estava indecifrável – mas você faz o que você fez comigo com todas as suas amigas?
— Bem, não... Acho que esse está mais para um caso de amizade colorida.
— É, acho que é o mais correto – ela disse e parecia um pouco desanimada. Talvez estivesse cansada.
— Você parece cansada. Vou embora para te deixar descansar e nos vemos mais tarde no colégio, tudo bem?
— Tudo bem.
— Mas agora despede direito de mim – falei manhoso me aproximando de seus lábios róseos e beijando-a logo em seguida.
— Boa noite, Heartfilia.
— Boa noite. Pode deixar a porta só encostada mesmo.
Me vesti rapidamente e passei a mão pelos cabelos. Deixei o quarto e passei pela porta da sala apenas deixando-a encostada conforme Luce pediu. Foi já do lado de fora que me ocorreu. Porra Dragneel, como você consegue ser tão trouxa? Amigos? Era isso mesmo que eu achava que éramos? Por favor, nenhum amigo meu me deu essa quantidade de confusão na vida. Ela chegou toda linda e loira, bagunçando todo meu coreto, não pude evitar senão me sentir atraído logo de início. E diferentemente das outras, ela não cedeu tão fácil aos meus encantos.
Além de me deixar louco, desgraçado da cabeça, irritado, ainda tem o fato de que não consigo tirá-la da mente ultimamente. E, bem, depois dessa noite, minha intenção era de nunca deixa-la sair da minha cama também. Embora a cama não fosse exatamente minha... Enfim, o fato é que eu nunca me senti desse jeito antes, eu faço coisas idiotas como ter ciúme do Gray, sendo que eu sei que ela sabe que a Juvia gosta dele, a roubei do Loke na primeira vez que nos beijamos... Na verdade, eu queria era dar um soco na cara dele por tentar alguma coisa com ela. Será que eu estraguei tudo? E se a Luce ficar magoada por eu aparentemente achar que depois de tudo éramos apenas amigos? O que eu quero da minha vida? Preciso conversar com alguém urgentemente.
Quando percebi já estava em frente à minha casa. Peguei o celular e liguei para Gray. Maldita loirinha, o que você está fazendo comigo?
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Lucy
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Mal aguentei esperar que ele chegasse à sala e senti lágrimas quentes descendo por minhas bochechas. O que eu estava achando que ele diria? Lucy, vamos ficar juntos para sempre? Era isso que eu queria? É vida real, Lucy. Eu e minhas expectativas idiotas de romance... Nunca ia acontecer. E o pior é que eu não podia culpá-lo. Ele não estava errado, éramos amigos antes e ele não pode se obrigar a ficar comigo sendo que ele não gosta de mim. Éramos mesmo? Eu posso não ter certeza de como me sinto em relação a ele, mas ultrapassa amizade. Eu gosto mesmo dele? Bom... Acho que a prova está nessas lágrimas. Por Kami, eu estou tão fudida. Eu, Lucy Heartfilia, gostando de um filho da puta daquele gabarito. Ele é tudo que eu odeio, mas mesmo assim eu me sinto atraída por ele. Como pólos opostos de um imã. Eu preciso falar com alguém, falar comigo mesma está me deixando louca. São perguntas sem resposta demais para mim. E o pior de tudo é que eu não me sentia arrependida.
Sem pensar duas vezes disquei o número de Erza. Ela era a que tinha mais experiência no assunto, já que, como recentemente descobri, ela namorou um tal de Simon por um ano. O relacionamento começou no final do nono ano e terminou antes que o segundo ano do ensino médio começasse. Ela disse que por inocência acabou perdendo sua virgindade com ele e ele foi um babaca, espalhando para todos os meninos da Fairy Tail. Obviamente que ela acabou com a raça dele e o mandou sumir da vida dela, depois telefonou para os pais dele e explicou a situação. Eles sentiram tanta vergonha da atitude do filho que o mudaram de escola, como forma de recompensá-la minimamente pela terrível situação.
— Alô, Erza. Te acordei?
— Não, eu estou com insônia. Preocupada com a chegada de Minerva na escola amanhã e umas outras coisas – ela disse do outro lado da linha.
— Esquece isso, Erza. Às vezes ela fica na dela e você está aí se preocupando a toa.
— Acho que você está certa. Mas o que você queria?
— Eu preciso de colo e conselhos. Você pode, por favor, vir aqui?
— Estou saindo imediatamente – disse e desligou.
Dentro de dez minutos pude ouvir um carro parando em frente a minha casa e depois de um tempo a campainha tocou. Gritei um “tá aberta” e continuei deitada, levantei apenas para colocar o pijama há alguns minutos, já que até então eu estava nua sob os lençóis. Quando ela apareceu na porta do quarto simplesmente me joguei em cima dela e comecei a chorar. Ela me abraçou até que eu parasse, até que toda aquela angústia que estava dentro de mim saísse em forma de lágrimas.
— Quer me contar o que aconteceu agora? – ela perguntou paciente.
— Eu e o Natsu, nós, é... Nós...
— Entendi. Aquele idiota, eu vou amassar a cara dele agora mesmo!
— Não, Erza. Ele não fez nada de errado, é só que depois que acordamos, eu perguntei se aquilo havia mudado algo entre nós e ele hesitou um pouco e disse que podíamos manter o que houve em segredo e que nada precisava mudar. E... Ele terminou dizendo que éramos amigos após alguns segundos. E eu entendo que ele não tem culpa de não gostar de mim e de eu ser uma idiota por me apaixonar por um mulherengo, babaca, pervertido e irresponsável daqueles e...
— Lucy, você não é idiota. Olha pra mim, se você gosta mesmo dele não existe erro em dar uma chance para que dê certo. Ele pode ter todos os defeitos do mundo, mas nunca o vi investir tanto em alguém como ele investiu em você. Pode ser que ele tenha sim sentimentos por você, ele até fica com ciúme. Eu conheço aquele pivete desde pequeno. Ele nunca se apaixonou na vida, aposto que está fazendo a maior confusão por não saber lidar com os próprios sentimentos.
— Eu não sabia disso – falei baixinho.
— Exatamente, vocês ainda não se conhecem direito. E não é como se ele fosse a pessoa mais aberta com os sentimentos que eu conheço. Será que não é melhor dar um tempo, manter as coisas na “amizade” – completou fazendo aspas com os dedos – como ele disse? Deixar que ele descubra como se sente e o que fazer com isso.
— Você tem razão. A gente não se conhece tanto assim – e então me ocorreu – você me julga por ter feito isso com ele sem nem mesmo ter tanto tempo nos conhecendo?
— Claro que não sua idiota. Essas coisas são muito variáveis. Pensando agora, eu preferia ter feito isso com algum amigo meu do que com Simon, por exemplo, aquele bastardo! E Natsu é de confiança. Eu nunca o vi abrir a boca para falar das garotas que ele esteve com para alguém, mas óbvio que quando a garota falava, ele não via problemas em fazer o mesmo.
— Obrigada, Erza. Eu podia te dar um beijo agora – falei brincando a apertando em um abraço.
— Controle-se, Heartfilia.
— Mas... Mas e se tudo der errado, e se ele não gostar de mim?
— Bom, eu vou estar aqui com você, está bem? E eu te ajudo a espanca-lo se quiser.
— Obrigada. Mas me diga uma coisa, como as coisas andam com Jellal?
— Antes de eu falar disso, vou marcar uma consulta com a minha médica para você amanhã, ok? Você precisa se cuidar – ela avisou como se fosse uma mãe. A amei mais por isso naquele instante, já que eu não possuía uma mãe de verdade para compartilhar esse tipo de coisa.
— Sim, mamãe. Agora me conta.
— Repete isso que eu acabo com você, garota – ela falou maligna, mas só de se lembrar que falaria de Jellal já ficou mais doce e completou – ele queria sair sábado a noite, mas eu tinha marcado com vocês e perguntei se não poderíamos marcar no domingo, só que domingo ele não poderia, já que a família dele viria visita-lo. Acabamos não nos encontrando depois de tudo. Porém mantivemos uma conversa banal, sabe.
— Sei, que merda. Queria vocês juntos logo, ia dar menos trabalho para mim – suspirei.
— Tem mais, depois do ensaio ele me chamou para tomar sorvete. Lucy para de fazer essa cara maliciosa que não fui eu que estava aqui dormindo abraçadinha com o Dragneel depois de uma noite de amor.
— Erzaaa!
— Bom, fomos tomar sorvete e depois ele me deixou na porta de casa e nos beijamos. E depois, quando meio fomos entrando ele disse que era melhor não e foi embora. E eu fiquei com uma cara de tacho parada lá por alguns segundos depois que ele se foi.
— Jellal é gay? Meu Kami, falar que era melhor não... Espera, já sei qual é o problema.
— Qual? Porque eu fiquei procurando e não achei nenhum que não envolvesse algo como ele me achando muito fácil, ou não gostando tanto assim de mim.
— Não é nada disso. Eu acho que ele acha que você é muito para ele, que ele não merece tudo isso, é até fofo se você for pensar.
— Você acha mesmo? – ela questionou esperançosa.
— Acho, até porque as outras opções que você disse não fazem o menor sentido.
— É... Talvez – ela disse levemente envergonhada.
— Você vai dormir aqui hoje? Já está tarde.
— Acho que sim, amanhã eu passo em casa para trocar isso pelo uniforme – e foi nessa hora que eu percebi que Erza saiu de casa de pijama para me ver no meio da madrugada.
— Bom, vou só trocar os lençóis da cama então, e podemos dormir. Não quero nem ver o sono que estaremos amanhã cedo.
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Natsu
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Gray atendeu no terceiro toque, parecia estar dormindo pela voz e não ficou nada feliz com a minha ligação.
— Natsu, você não sabe a vontade que eu estou de te dar o soco agora – adorável como sempre.
— Gray, euprecisodeajuda – falei rápido para ser indolor.
— Você o que? – pude ouvir um tom levemente divertido. Ele iria jogar aquilo na minha cara futuramente, eu tinha certeza.
— Eu preciso de ajuda.
— No que?
— Posso ir à sua casa?
— Pode, mas vem aqui na janela quando você chegar para não acordar minha mãe com a porta.
— Tô chegando aí.
Após alguns minutos de caminhada cheguei à casa de Gray. Pulei o portão e bati uma vez em sua janela. Ele abriu e eu pulei para dentro.
— Fala o que foi, cara. Já que me acordou mesmo.
Eu expliquei sem muito detalhe o que houve entre mim e a Lucy e contei a conversa, não deixando nada de fora. Ele fez um pouco (muito) escândalo quando eu disse que fomos até o final dessa vez, me ameaçou um pouco e eu não entendi porque ele estava sendo tão protetor com a Heartfilia. E bem, eu não deveria estar contando isso para ele, mas eu precisava de ajuda. Eu não entendo mais nada.
— Você é burro, Natsu.
— Eu sei.
— Se eu a conheço direito, ela deve estar super mal agora.
—Gray, era para me ajudar e não para reafirmar o óbvio. E eu não sei se ela gosta de mim. Do que adiantaria eu gostar se ela não sentir o mesmo?
— Você está soando como um perdedor, Natsu. Você tentaria conquista-la, idiota. E aí se não funcionasse você poderia desistir.
— Entendi. Mas e agora que eu disse que somos amigos? Como consertar? – suspirei, eu era realmente um idiota. Eu poderia não ter dito nada, que era melhor.
— De repente não foi um erro completo, você pode usar essa “amizade” para conquista-la. E descobrir se você é correspondido, e então, bingo! Você se declara.
— Quem disse que eu gosto dela para precisar ser correspondido, idiota? – perguntei indignado, era assim tão óbvio? Por que eu não via? O moreno se limitou a bater na própria cara.
— Primeiro: você nunca se esforçou tanto para conseguir uma garota na vida. Segundo: você ficou com ciúme de mim, de mim, cara. Terceiro: você veio fazer drama na minha casa às duas da manhã. Se isso não é paixão, eu não sei mais o que é.
— Problema de cabeça?
— Rosinha, só cala a boca antes que eu te afunde no chão.
— Gostaria de ver você tentar.
E começamos a brigar como costumávamos até tia Ur aparecer no quarto e mandar a gente calar a boca e dormir.
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Lucy
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Acordei simplesmente acabada no dia seguinte. Eu troquei de roupa e acompanhei Erza até sua casa. Lá ela se arrumou e seguimos para uma padaria. Após o café da manhã, ela dirigiu até a escola e nos encontramos com as meninas. Estávamos sentadas no pátio esperando o sinal. Gray e Natsu chegaram juntos depois de alguns minutos.
— Graay – já gritei – nós dois precisamos ter uma conversinha – falei o puxando para um canto – que história é essa de mandar o Natsu me pedir desculpas? Você disse...
— Calma, loira. Está tudo bem guardado comigo. Eu só disse que achava que você tinha ficado chateada e que era melhor ele se desculpar.
— Obrigada – disse e o abracei rapidamente.
— Louca. Bipolar.
— O que você disse aí? – disse soando um pouco maligna já eu havia ouvido muito bem.
— Nada não.
Voltamos a nos sentar com os outros e Juvia me olhou de maneira desconfiada e eu apenas digitei em meu telefone que explicava depois e mostrei para ela. E então eu senti uma aura negra ao meu lado. Era Erza. Segui seu olhar e entendi imediatamente o porquê de tal aura. Minerva havia chegado à escola e parado Jellal, provavelmente sob a desculpa de estar perdida. Aquilo não era nada bom. Eu estava presenciando o início da Terceira Guerra Mundial em primeira mão.
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Continua...
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