10 coisas que eu odeio em você

29 Capítulo 28 - 10 coisas que eu odeio em você


Notas iniciais
Voltei na data certa de novo (que orgulho!), graças aos comentários de vocês. Estou narrando nesse também. Nesse capítulo teremos algumas referências, a primeira é uma crônica, o autor é citado no próprio texto e tudo é de autoria dele. A segunda é o poema do filme 10 coisas que eu odeio em você, aqui a gente vai fingir que foi a Lucy que fez, mesmo que ela fale que esse é o filme preferido dela e tals. Mas os créditos são do autor do filme e a tradução eu que fiz e conferi pra ver se estava certinha mesmo. Sem mais delongas, boa leitura!

— Não precisa explicar, Lucy – ele a interrompeu – se for para ser sua segunda opção, eu prefiro não ser nada seu – concluiu após alguns segundos. E Lucy só pensou que um tiro doeria menos.

— Nat-su... – falou baixinho, mas ele já estava longe.

Lucy decidiu ir para sua casa, pois temia seriamente que algo pudesse desabar em sua cabeça tamanho o azar que provou possuir. Mas antes que de fato fosse, Gray a interceptou. Ele havia ficado alerta após a breve presença de Natsu no recinto e pode perceber que as coisas não tinham ido bem.

— Hey, Lucy. O que houve? – Perguntou quando viu algumas lágrimas se formando no canto dos olhos da Heartfilia.

— É o Natsu, Gray – revelou com algumas gotas rolando pelo rosto – e-le achou que eu estava com Sting, e-e não esperou eu explicar que não queria... Você sabe que eu não ia ficar com ele, não sabe?

— Claro que sei. Você contou na nossa primeira conversa que era uma romântica incurável, não foi? – Gray a consolou puxando-a para um abraço. O garoto havia amadurecido bastante, devia muito disso à Juvia, mas também à Lucy. Passou a vê-la como uma irmã mais nova e simplesmente não conseguia assisti-la chorar sem fazer nada.

— Obrigada, Gray. Juvia vai casar com o melhor do mundo – falou ela com o rosto enterrado no ombro dele e o garoto riu.

— Eu sei, sou maravilhoso – brincou e levou um pequeno tapa – agora vamos para a casa e dê um tempo pro Natsu esfriar a cabeça. Ele é muito explosivo, mas quando pensar no que fez, tenho certeza que irá se arrepender.

Ele a acompanhou até sua casa como um bom cavalheiro e quando voltou ao bar foi questionado por Sting em relação ao paradeiro da loira. Gray “muito educadamente” lhe disse que era melhor deixar Lucy em paz por enquanto. Provavelmente ele não utilizou essas exatas palavras tão doces, mas essa era a mensagem.

Enquanto isso nosso protagonista esquentado, ia andando até sua casa extremamente irritado, mas acima de tudo frustrado. De fato, se ele pudesse furar o chão com os pés ele o estaria fazendo. Ele se recusava a chorar, mas o golpe fora pesado. De todos os possíveis cenários que montou em sua mente, em nenhum deles ele terminava sentado em seu sofá encarando a parede com cara de criança cujo doce fora roubado. Não que ele considerasse Lucy um doce, ela era muito mais que isso para ele a esse ponto.

Nossa protagonista estava confusa. Se Natsu a considerava uma amiga, por que ele ficara tão bravo quando achou que ela ia beijar Sting? Por que ele tinha que bagunçar tudo desse jeito? Por que ele não era honesto com ela de uma vez caso sentisse alguma coisa? Será que ele não queria ser nem mais amigo dela? Essas eram algumas de suas perguntas. Porém não encontrou respostas para nenhuma delas. A frase “se for para ser sua segunda opção, eu prefiro não ser nada seu” girou em sua mente até que pegasse no sono.

No dia seguinte, após uma noite mal dormida para ambos, cada um reagiu de uma forma diferente em relação aos acontecimentos da noite anterior. Enquanto Dragneel atirava uma bolinha na parede de forma que ela voltasse para sua mão com Happy aninhado em seu colo, Lucy estava enrolada em cobertor, comendo um pote de sorvete e relatando pelo celular a Erza, Juvia, Mira e Levy os últimos capítulos da novela, vulgo “sua vida”. As garotas prometeram ir vê-la assim que chegassem de viagem, exceto por Mira que chegaria só de madrugada.

A mão da loira ameaçou pegar o telefone diversas vezes para ligar para o rosado, ou meramente ver se ele havia mandado algo. Todas as vezes que nenhuma das notificações era uma mensagem ou uma chamada não atendida de Natsu Dragneel, sentia-se ficar triste novamente. O mesmo ocorria com Natsu, mas ele sentiu o orgulho lhe dominar novamente. Tudo que havia acontecido o deixou inseguro. Começou a pensar seriamente na possibilidade de Lucy não gostar dele. Claro, se arrependia de ter saído como um louco e nem tê-la ouvido na noite anterior, contudo não ligou. Mas isso não o impediu de olhar para o celular como que esperando um milagre sair de lá.

À noite as garotas chegaram à casa da Heartfilia e se apertaram no sofá dela. Ouviram toda a história novamente por insistência das mesmas e pediram desculpa por não estar com ela nesses momentos. Depois, para descontrair o momento e não falar das próprias histórias de amor que iam muito bem, algo completamente inconveniente para a ocasião, decidiram falar das situações mais estranhas que já passaram durante o tempo em que apenas curtiram a vida de solteira.

— Eu começo. Uma vez um cara chegou em mim dizendo: “Desculpa chegar assim, mas eu te achei muito bonita e queria saber se eu tenho uma chance.” E eu respondi: “Tá desculpado.” – Erza começou contando, era do conhecimento de todos que ela era cruel quando não estava interessada. Um coração quase de pedra. Estudos estavam sendo feitos no que se dizia respeito a como Jellal conseguiu amolecer o coração da ruiva.

As garotas riram do fora criativo de Erza, porque realmente tinha sido. Até o cara que o levou riu na hora, como a ruiva informou. A próxima foi Levy:

— Uma vez eu estava conversando no Whatsapp com um cara que eu já havia ficado e ele me disse que para agradá-lo eu ainda teria que mudar muito. Muito educadamente – continuou com um tom de ironia – lhe informei: “Ainda bem que eu mudo para mim, não para você”.

— Meu Kami, a gente acaba encontrando cada babaca nessa vida – Juvia comentou antes de contar sua história – uma vez eu estava ficando com um cara e acabei engasgando com a bala quando ri e não conseguia desengasgar porque não parava de rir. Não podia ficar tossindo feio perto dele e ficava tentando tossir delicadamente. Foi o pior dia – a garota concluiu e todas já choravam de rir.

— Quando eu ainda morava em Crocus, estava com um grupo de garotas da minha sala no supermercado. Eis que surge um garoto da minha escola e me beija na fila do caixa. Detalhe, a gente só tinha ficado uma vez antes. Ele simplesmente me agarrou e todo mundo ficou encarando. Acho que nunca senti mais vergonha na vida – Lucy revelou sua história embaraçosa.

Depois de uma noite de revelações constrangedoras e, por vezes, engraçadas. Cada uma foi embora para sua casa. Lucy conseguiu se esquecer dos problemas durante o tempo que passaram juntas. Você deve pensar a esse ponto o porquê de eles não acabarem logo com essa agonia? Pergunte ao universo, eu não tenho a mínima ideia.

Pela primeira vez desde que começou a cursar a Fairy Tail High, Lucy chegou atrasada. Adentrou a aula de Literatura correndo e evitou olhar para o lugar onde Dragneel estava sentado. Ela não conseguiria olhá-lo nos olhos.

— Hoje vamos trabalhar o gênero textual crônica. Os principais autores são Rubem Braga, Luís Fernando Veríssimo, Lima Barreto, Fernando Sabino... – a professora começou a explicação. Entretanto o que chamou a atenção dos nossos protagonistas foi o texto lido por ela para exemplificar o tema.

— Vou ler agora um texto escrito pelo Luís Fernando Veríssimo. “Pensando bem em tudo o que a gente vê e vivencia e ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente. Existe uma pessoa que se você for parar pra pensar é, na verdade, a pessoa errada. Porque a pessoa certa faz tudo certinho! Chega na hora certa, fala as coisas certas, faz as coisas certas, mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas. Aí é a hora de procurar a pessoa errada. A pessoa errada te faz perder a cabeça, perder a hora, morrer de amor… A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar que é pra na hora que vocês se encontrarem a entrega ser muito mais verdadeira.”

Natsu e Lucy cruzaram olhares. Ambos se identificaram no poema. Porém assim que isso aconteceu, voltaram a direcionar suas faces para a professora.

— “A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa. Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas. Essa pessoa vai tirar seu sono. Essa pessoa talvez te magoe e depois te encha de mimos pedindo seu perdão. Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado, mas vai estar 100% da vida dela esperando você. Vai estar o tempo todo pensando em você. A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo, porque a vida não é certa. Nada aqui é certo! O que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento, cada segundo, amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo, querendo, conseguindo… E só assim, é possível chegar àquele momento do dia em que a gente diz: “Graças a Deus deu tudo certo!”.”

A frase “a pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa” ficou martelando na cabeça de Lucy. Aquilo fazia tanto sentido agora, era tão obvio, que ela não pode deixar de achar ridículo não ter pensado isso antes ela própria. Entretanto, ele queria amizade e ela teria que encontrar outra pessoa errada, ou pelo menos era isso que ela acreditava. Já Natsu pensava que Lucy era a pessoa errada para ele. Ela o fazia perder a cabeça, a hora e por Kami, morrer de amor também.

E eu já informei que essa história não sobre Carlos Eduardos e Cristinas Marias da vida, então eles não começaram um diálogo constrangedor no meio da sala em que o mocinho diria: “Cristina Maria, eu não aguento mais essa distância entre nós!”, a mocinha responderia: “Ah Carlos Eduardo, não interessam as coisas que nos impedem de ficar juntos. Eu te perdoo por tudo! Vamos ficar juntos para sempre!” e o mocinho a puxaria para um beijo apaixonado. Por isso eles simplesmente permaneceram sentados embora desejassem proceder como os personagens fictícios acima.

E como o destino não pega leve com nosso casal, a próxima aula chegou e você não imagina a surpresa da nossa loira quando descobriu que era o dia da apresentação dos poemas que tinham escrito para o trabalho proposto na última aula de inglês. E se você ainda não entendeu, talvez eu deva voltar um pouco. Se lembra daquele romance que Lucy andava escrevendo? Então, ela escreveu um poema em inglês, um que na história a protagonista tinha escrito para Jace e lhe pareceu uma boa ideia na hora usá-lo como seu trabalho de inglês. Mas isso foi antes de tudo dar errado. Isso foi antes de admitir que Jace fosse baseado em Natsu. E isso foi antes de a possibilidade de ler aquilo na frente dele causar-lhe dor. Com os nervos a flor da pele ela aguardou sua vez. Não queria ler, mas o trabalho valia quase 40% da nota final e ela não poderia se dar o luxo de não apresentar.

— Lucy Heartfilia, sua vez – Guildarts anunciou o que para Lucy soou como uma sentença de morte. Ela caminhou lentamente, ficou de frente para a sala toda e começou:

— O poema que eu vou ler se chama 10 coisas que eu odeio em você, ou, em inglês, 10 things I hate about you.

I hate the way you talk to me

Eu odeio o jeito que você fala comigo

And the way you cut your hair

E o jeito que corta o seu cabelo

I hate the way you drive my car

Odeio o jeito que dirige meu carro

I hate it when you stare

Eu odeio quando você encara

Natsu praticamente bebia cada palavra que saia da boca de Heartfilia, mas ela não havia notado. A loira tomou um pequeno fôlego e partiu para a segunda estrofe:

— I hate your big dumb combat boots

Eu odeio suas estúpidas botas de combate

And the way you read my mind

E o jeito que lê minha mente

I hate you so much it makes me sick

Eu te odeio tanto que me deixa doente

It even makes me rhyme

Mas também me faz rimar

Nesse ponto nossa querida Lucy Heartfilia sentia seu tom de voz ficando embargado. Fora tola ao pensar que ler aquele poema não traria a tona seus sentimentos. Entretanto, se conteve e continuou:

— I hate it

Odeio

I hate the way you're always right

Eu odeio o jeito que você sempre está certo

I hate it when you lie

Eu odeio quando mente

I hate it when you make me laugh

Eu odeio quando você me faz rir

Even worse when you make me cry

Mais ainda quando me faz chorar

Aqui nossa protagonista já segurava as lágrimas, arriscou um olhar em direção a Natsu que a olhava como se tentasse decifrá-la. Aquilo fora um erro, contudo ela leria os próximos cinco versos.

— I hate it when you're not around

Eu odeio quando não está por perto

And the fact you didn't call,

E o fato de que você não ligou,

But mostly I hate the way

Mas, mais que tudo, eu odeio o jeito

I don't hate you, not even close,

Que eu não te odeio, nem perto disso,

Not even a little bit, not even at all.

Nem um pouquinho, nada mesmo.

Lucy nem ao menos pediu licença a Guildarts, apenas largou a folha em sua mesa e já com algumas lágrimas rolando livremente pela face saiu as sala. E se nesse momento você pensa que Natsu deveria encarnar o Carlos Eduardo e ir atrás de Lucy, você está absolutamente certo. Ele deveria. E ele foi, deixando para trás um professor com cara de tacho.

Enquanto Lucy recitava o poema, Natsu percebeu de alguma forma que aquilo era para ele. Quando ela o encarou, foi como se houvessem se entendido em um nível quântico ou algo do tipo. Não pensou duas vezes antes de segui-la porta a fora e quando a alcançou ela já estava sentada no pátio, embaixo da cerejeira.

— Luce – chamou ele.

Ela ergueu os olhos para ele e praticamente sussurrou:

— O que você quer?

Continua...

Notas finais
Então é isso né! Espero que tenham gostado, estou curiosa para saber da opinião de vocês. Se alguém lê o mangá, por favor, vamos falar sobre o que foi esse capítulo 499. Até o próximo, amores!