Notas iniciais
Minna! Estou de volta mais cedo nessa semana com um especial Gale fresquinho pra vocês. Muito obrigada pelos comentários no capítulo anterior, amei todos. Esse foi narrado pela Levy e pelo Gajeel e está passando no tempo atual da história. Boa leitura!

Levy

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Me levantei naquela manhã de quarta-feira sem nenhuma expectativa. De fato, até um pouco entediada. Naquele dia começariam as provas e naquela semana era recorrente que meus colegas pedissem explicações de última hora e até mesmo cola. As próximas duas semanas seriam um inferno, o que me fazia pensar que ser inteligente às vezes era um fardo. Não que não gostasse de ajudar, era só cansativo. Coloquei uma blusa que ia até o umbigo laranja claro de manga curta uma calça jeans e tênis Vans, deixei os cabelos presos por um arco e passei uma maquiagem leve. Minha mãe já tinha saído para o trabalho e deixou um bilhete informando que deveria fazer meu próprio almoço, já que chegaria tarde. Como nos outros dias daquela semana, não comi nada no café da manhã, o que era anormal. É esse nó na garganta que insiste em permanecer...

Não sabia exatamente o motivo para me sentir dessa maneira, mas a única outra vez em que me senti assim meus pais se separaram. Era como um aviso prévio de que alguma catástrofe estava à espreita. Chegando à escola, encontrei a maioria dos meus amigos sentados no pátio conversando animadamente. Jellal não estava lá. Nem Lucy e Natsu, o que era meio suspeito. Sinto que ela não está me contando alguma coisa, mas vou dar um tempo para que me fale por conta própria. Aqueles dois...

Meu olhar, como de costume, disparou em direção a Gajeel. Algumas vezes eu pensava seriamente em desistir de alimentar esses sentimentos que possuo. Entretanto, em todas as vezes que cheguei a ponto de realmente fazer isso, algo acontecia entre nós que me impedia. Aquela vez no chão da Pousada Tenroujima, depois ele confundindo o nome daquela menina que ele ficou no MacLaren's... Sem contar as vezes em que ele parece que ele se preocupar comigo.

— Ohayo – cumprimentei a todos e fui respondida com uma pergunta direta partindo de Gray.

— Levy, estamos em uma discussão muito séria. Diga a primeira resposta que vier à sua mente. Comportamento passivo-agressivo ou agressivo-agressivo?

— O que? Acho que agressivo-agressivo... – respondi meio incerta.

— Tá vendo, Erza? Todo mundo acha que você devia era achatar a cara dessa Minerva e acabar logo com isso – Gajeel esclareceu exaltado. Aposto que Erza só permitiu esse assunto porque Jellal ainda não havia chegado.

— Eu já disse que não vou enfiar a mão na cara dela, embora vontade seja o que não falta – ela disse muito calma. O que era no mínimo estranho. Mas logo percebi que ela treinou no dia anterior, porque suas mãos estavam levemente feridas. Ótima forma de controlar a raiva, no caso dela.

— Eu não sabia que se tratava disso. Nesse caso eu acho que só se ela passar dos limites. Ainda acho que uma boa discussão em que ela acabe humilhada é a melhor opção – apressei em me explicar. Não era segredo para ninguém que se eu tivesse a possibilidade de ganhar uma briga, não seria batendo que a vitória chegaria.

— Você nunca concorda com nada que eu digo mesmo, não é, baixinha? – Gajeel disse focando seus olhos vermelhos em mim, fazendo cara de poucos amigos.

— Eu concordo com você. Já viu o tamanho do orgulho que aquela garota tem? Ser humilhada seria o fim para ela – Juvia falou.

— Já disse para não me chamar de baixinha – respondi o moreno no automático. Ele sempre me irritava com isso.

—Ah, então quer dizer que vocês acham que eu não ganharia em uma luta física com a Min... – mas não concluiu a frase – minha casa, hoje à noite. Vamos fazer um dormidão – terminou ela de forma apressada, todos fizemos uma cara de tacho pela mudança brusca no diálogo, devido a chegada de Jellal ao grupo.

— A gente mal chega e vocês já estão combinando de sair. Ohayo – cumprimentou ele.

— Então todos vão? – a ruiva perguntou – faço questão da sua presença Mira. Elfman e Lisanna também podem vir se quiserem.

— Pode contar comigo, Erza – Mira respondeu com seu sorriso doce.

Em simpatia a ela, concordamos imediatamente. Inclusive Jellal, que não sabia de nada, inocente. O desenvolvimento dessa história não continuou pela chegada de Natsu e Lucy. Ambos estavam discutindo, Lucy claramente irritada e Natsu parecia estar levando na brincadeira. O motivo nem me passava pela cabeça.

— Não interessa, Natsu! De novo, porque estava aberto não significa que era para ler.

— Mas nem era seu diário. E você só está assim porque só não quer admitir em quem Jace foi inspirado.

— Haha Natsu. Óbvio que eu ia inspirar um dos meus protagonistas em um idiota feito você! Preste atenção!

— Seus cabelos de cor exótica faziam um contraste perfeito com sua pele bronzeada. Não seria a menor surpresa me sentir atraída por Jace.

— Não ouse citar minha história. E você acha que cor exótica de cabelo e pele bronzeada são exclusividade sua por acaso?

Sim, eles estavam discutindo na frente de todo mundo como se ninguém estivesse lá. Eu queria rir muito, a Lu-chan já tinha me mandado fotos do primeiro capítulo do romance que ela está escrevendo, para pedir minha opinião, já que nós duas gostamos muito de ler e escrever. E devo admitir que achei Jace muito parecido com o Natsu. Só não comentei porque 1. ela me mataria, 2. eu queria ler o resto, porque estava ficando bom. Gray fingiu uma tosse chamando a atenção do casal para a realidade e falou:

— Já terminaram a DR?

— Que DR? – Natsu se fez de desentendido – eu só estava zoando a Luce como de costume.

— Ele estava lendo coisas particulares minhas – Lucy informou.

— Espera, tem alguma coisa nessa história – falei sem pensar em como Lu-chan poderia ficar constrangida, após perceber que o romance ficava na casa da loira – por acaso ele estava lendo aquele romance que fica na sua casa?

— Não faça pergunta difícil, Levy-chan – falou corando quase imperceptivelmente, aí tinha— eu só não aguento mais ficar no mesmo lugar que essa coisa rosa. Estou indo para sala.

— Era só pedir desculpa – falei quando vi que o rosado bufou.

— E eu não posso dar uma festa toda vez que eu quiser desviar o assunto – Erza falou baixinho.

— O que? – perguntou Jellal. Tadinha da Erza, estava pensando alto e nem se deu conta.

— Ah nada não! Eu disse que não posso deixar de dar uma olhada no assunto. Dessa prova, sabe?

Erza só pode respirar tranquila na sala. Aquela semana não estava sendo fácil para ela. Estava muito curiosa com o motivo da treta entre os dois que chegaram por último também. E estava recebendo uma enxurrada de perguntas sobre a matéria da prova de Literatura. Eu podia jurar que estava brotando gente do chão para perguntar alguma coisa. A existência de uma prova surpreendeu alguns de meus amigos. Sendo eles Natsu, Gajeel (sério, aquele brutamontes não fazia o mínimo de esforço) e... Lucy? Definitivamente tinha alguma coisa acontecendo.

— Prova hoje?? – exclamaram os três ao mesmo tempo quando Gray falou que não tinha lido o livro que seria tema de algumas das questões.

— Eu estou tão fudido – Gajeel suspirou. Era engraçado como ele quase nunca me pedia ajuda nas provas. Parece que ele sabia que eu ficava desconfortável com aquele excesso de atenção nessa época. Bom, eu não me incomodaria em ajudá-lo. Muito pelo contrário.

— Srta. McGarden – uma voz chamou me tirando de meus devaneios.

— Sim?

— O diretor está solicitando sua presença na sala dele agora – falou a secretária.

— Estou indo – respondi e olhei para em volta. Vi meus amigos com aquela expressão acusatória que perguntava "o que você fez de errado?".

— A baixinha vai levar uma bronca por passar cola – Gajeel falou rindo. Apenas mostrei o dedo do meio para ele, com toda a minha delicadeza natural. Como eu posso gostar de uma praga dessas? Vou marcar um médico, devo ter sérios problemas mentais. Já na sala do velhote, me sentei aguardando o que ele diria.

— Levy, querida. Você sabe que nossa bibliotecária está muito velha, não sabe? – Makarov começou.

— Sim, a Sra. Solange está precisando de alguma coisa?

— De fato, ela está. Ela precisa que você arrume uma estante em ordem alfabética. Nada muito demorado. É só que é a última semana dela conosco e, infelizmente, a Sra. Solange não consegue arrumar as estantes mais altas e nem arrumar a bagunça das outras. Será que você poderia ajudar depois da aula?

— Claro. Mas eu tenho ensaio da Aquarius-sama às duas.

— Eu vou informá-la que você não poderá comparecer.

— Tudo bem. Mais alguma coisa?

— Não, pode voltar para a sala. Muito obrigado!

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Gajeel

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14:00h — Minha casa

Estava dividido entre pedir ajuda para a baixinha e me virar com as provas. Queria mostrar que poderia conseguir sozinho e isso certamente ia impressioná-la. Chegando em casa, decidi que tentaria estudar para a o prova de Química do dia seguinte. Quando se tratava de estudar, eu não era lá muito chegado. Minha atenção desfocada depois de pouquíssimos minutos, e era por isso que o barulho que meu irmão fazia em seu quarto estava me atrapalhando profundamente.

— Cobra, será que não dá pra tocar em outra hora não? – gritei esmurrando a porta dele. Erik, ou Cobra, como ele preferia ser chamado, era meu irmão mais velho. Fazia parte de uma banda de metal. Eu participei como baixista algumas vezes nos shows, quando ainda morávamos em Crocus. Mas prefiro tocar nas horas vagas por diversão mesmo.

Era engraçado como minha vida havia mudado desde que viemos para Magnólia há dois anos. Em Crocus morávamos em uma mansão, a melhor casa que a fortuna Redfox poderia comprar. Eu meio que sentia falta dela agora, pelo menos lá eu não tinha que me preocupar com o barulho que Cobra fazia. Era só mudar de andar. Mesmo tendo morado na mesma cidade que Lucy, não a conhecia. Mas conhecia seu sobrenome, o Heartfilia era sócio do meu pai.

— Sinto muito, irmãozinho! Tenho um show nessa sexta e tenho que ensaiar as músicas novas.

— Ah, que se foda. Vou estudar em outro lugar – bufei.

O motivo morarmos naquela casa de três quartos era para fugir de interesseiros. Foi o que minha mãe usou para justificar, pelo menos. Na verdade eu acho que ela passou por alguma coisa que ela não quer contar e aquilo fez com que ela mudasse completamente. Passou a desconfiar de todos e quando finalmente atingiu o limite, mudou de cidade, nos arrastando junto. Eu não me importava de não viver no luxo, na verdade nunca dei a mínima para nada disso.

Eu gostava da Fairy Tail, de Magnólia e dos meus novos amigos. E talvez até tenha achado alguém especial, mas não tenho certeza. A experiência que tive com minha primeira e única namorada não havia sido das melhores. Mas eu não falo sobre isso. Está enterrado em Crocus, e lá ficará. Estava meio perdido em pensamentos nostálgicos que não combinavam em nada comigo quando cheguei à biblioteca da FT.

Escolhi uma mesa mais afastada das estantes e da bibliotecária, um lugar bem isolado. Sra. Solange me disse que podia sentar onde eu quisesse desde que não atrapalhasse a organização das prateleiras. Abri o livro e comecei a ler sobre Química Orgânica, quando cheguei num tal de benzeno e anel aromático eu já não estava entendendo mais nada.

— Meu Kami, devo estar tendo visões – falou uma voz que eu conhecia muito bem – você sentado em uma biblioteca estudando?

— Haha, não posso?

— P-pode, só não é comum – respondeu Levy levemente envergonhada. Devo admitir que ela ficava muito fofa daquela maneira. Droga! Que pensamentos são esses?

— Resolvi me esforçar dessa vez.

— Hmm... Por quê? – perguntou.

— Por causa de uma garota – fui direto. Na maioria das vezes eu era mesmo.

— Ela é... Hm, deve ser uma garota especial então – ela falou em tom baixo – nunca te vi estudando em dois anos que te conheço – finalizou de forma apressada.

— É, acho que ela é sim – respondi. Estava esperando que ela percebesse.

— Bom, eu tenho que terminar de arrumar uns livros ali atrás. Boa sorte com a sua garota – ela disse e havia algo estranho no modo como ela disse garota. Parecia meio triste. Será que ela não percebeu de quem eu estava falando o tempo todo?

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Levy

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Aquelas palavras me atingiram como facadas. Fiz o possível para ignorar o nó que havia atingido um nível crítico em minha garganta. Teria que manter a pose diante dele, mesmo após ele dizer sem rodeios que estava interessado em outra garota. Talvez aquela fosse a catástrofe que eu estava prevendo.

Quando finalmente eu me afastei o suficiente dele permiti que algumas lágrimas quentes rolassem por minha face. Eu me sentia tão idiota naquele momento que palavras não eram suficientes para descrever. Aquilo era definitivo, era o sinal de que devia esquecer Gajeel por completo. Finalmente me percebi arrumando uma prateleira alta sendo sustentada por uma escada bamba. Meus movimentos estavam no piloto automático e me levaram até ali. Decidi terminar o mais rápido possível para que pudesse sumir dali e me afundar na leitura de um bom livro acompanhada de um sorvete cheio de Nutella por cima. De repente perdi o equilíbrio e me vi caindo em direção ao chão. O qual, por acaso, eu não atingi.

— Ga-gajeel? – chamei ao ver que cai sobre o moreno.

— Acho que está mais para colchão nesse momento – sempre engraçadinho – a gente devia parar de se encontrar assim. Pelas minhas contas, já é a segunda vez.

— Me desculpe.

— Eu é que vou pedir perdão depois.

— O que? Por quê?

— Por isso.

Em alguns segundos eu já estava por baixo dele no chão e seus lábios selados aos meus. Aquilo me surpreendeu mais do que qualquer coisa. Ele pediu passagem com a língua, a qual eu dei. Nossas línguas se enlaçariam de forma lenta e talvez delicada, se não se tratasse do Gajeel. Mas eu gostava daquele jeito. Era engraçado como você poderia imaginar uma mesma cena inúmeras vezes e a realidade ainda conseguir ser uma surpresa. Pois de todas as vezes que imaginei aquilo acontecendo, nunca pensei que seria naquelas circunstâncias.

Seu beijo era envolvente, quente. Sentia o peso de seu corpo contra o meu enquanto uma de suas mãos estava em punho ao do meu rosto e a outra puxava meu pescoço para si. Eu não sabia que queria tanto até finalmente ter a sensação de seus lábios nos meus. E então eu finalmente saí daquele estupor. Porém, não tive coragem de interromper aquele contato, só nos separamos quando o fôlego fez necessário.

— Por que você fez isso?

— Melhor pedir perdão do que permissão – ele respondeu me olhando nos olhos. Fiz um esforço para sustentar seu olhar, mas acabei desviando, minha face rubra.

— Você não devia ter feito isso... Quer dizer, você está interessado em outra garota e eu...

— Para alguém tão inteligente, você pode ser meio burra às vezes – ele disse se sentando ao meu lado e eu fiz o mesmo.

— Nani? – perguntei ainda com a mente dividida em pensar no que acabara de acontecer e no que ele queria dizer.

— É, eu... Eu vou voltar para casa enquanto você pensa – e podia ser ilusão minha, mas achei que ele havia corado minimamente e estava um pouco sem graça.

­– E eu vou voltar a arrumar aqueles livros ali – disse finalmente tomada pelo desconforto. Não queria que ele fosse embora, mas a presença dele não me deixava pensar com clareza. Fiquei encarando seus ombros largos passarem pela porta repassando cada trecho de conversa que tivemos naquele dia. E então a verdade daqueles fatos me abateu e eu voltei a sentar-me no chão. Tudo indicava que eu era a garota especial de que Gajeel estava falando antes. E eu fui muito trouxa para perceber antes que ele saísse. Eu deveria dizer alguma coisa para ele, mas o que? Eu gosto de você faz dois anos? Derramei algumas lágrimas quando achei que você tinha interesse em outra pessoa e isso nublou meus pensamentos me impedindo de ver que na verdade você se referia a mim? Eu tinha que consertar aquilo. Não me surpreende ele ter saído constrangido.

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Gajeel

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Essa baixinha me tira do sério! Eu sou indireto, ela não percebe. Eu sou direto, ela não percebe. Só o que eu posso fazer é esperar... E que se fodam os anéis aromáticos, eu estou caindo fora daqui. Espero que até a “festa” da Erza hoje à noite ela entenda. Por falar em Erza, estou com vontade de socar o Jellal por ser tão... Tão... Panaca, pastel, idiota. Ainda não entendi o problema desse cara. Ele arrasta um caminhão por causa da ruiva e não faz nada a respeito, ou faz merda. Pelo menos uma pessoa tem que ter atitude naquele grupo! Além de mim, claro.

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Continua...

Notas finais
E aí? Gostaram desse beijo, desse Gajeel cheio de atitude e ousadia? Deixem a opinião de vocês nos comentários. Espero que o capítulo tenha agradado vocês. O próximo especial será de Jerza e eu ainda não sei exatamente quando vai ficar pronto. E se der tudo certo, postarei um novo capítulo domingo (torçam por minha inspiração). Beijos!