10 coisas que eu odeio em você

15 Capítulo 14 - Parece que você se enganou


Notas iniciais
Minna! Consegui cumprir o prometido :). Está aí mais um capítulo, sem atrasos. Gostaria de pedir que lessem as notas finais, tem surpresinha. Boa leitura!

Algumas vezes na vida é preciso ter coragem para ser feliz, mas é preciso ainda mais coragem para se decepcionar. Me enganei por acreditar que não era a segunda opção. É, eu deveria ter ligado antes. Quando olhei pela janela pude ver uma menina muito linda no sofá enquanto o dito cujo se levantava para atender a porta. Uma onda de decepção me atingiu antes que pudesse contê-la. Eu queria correr, mas minhas pernas pareciam feitas de chumbo. Como eu pude achar que Natsu Dragneel estaria à toa em casa em um sábado à noite?

— Luce! Luce! – Dragneel chamou passando a mão na frente do meu rosto, me tirando do transe em que estava não ouvindo nada do que ele disse antes.

— Desculpa. Me distraí – consertei.

— Eu sei que sou lindo, mas não é para tudo isso – falou ele.

— Convencido! Assim você deixa a menina sem graça – falou a garota que apareceu e apoiou o queixo no ombro de Natsu. Ela tinha longos cabelos róseos ondulados, olhos azuis, a mesma altura que eu e parecia ser um pouco mais nova. Era realmente muito bonita – oi, sou Meredy, e você? – me cumprimentou sorrindo.

— O-oi, sou Lucy. Muito prazer – isso era uma mentira, em outras circunstâncias iria adorar conhecê-la. Mas nesse momento apenas questionava os motivos de ela estar ali.

— Entra – disse ela.

— Essa casa ainda é minha, sabia? – suspirou Natsu indignado.

— Ah Nat-kun, você sabe que eu sou de casa – ela retrucou. Então eles se conhecem faz tempo. Nat-kun...

— Eu não sei se devo, não quero interromper nada, só vim devolver seu cachecol – anunciei desenrolando o mesmo do pescoço e estendendo para o verdadeiro dono – espero que não se importe de eu ter usado, acabei ficando com frio.

— Também fica usando essas roupas curtas aí – falou apontando para o vestido preto que eu vestia.

— Seu... – ia retrucar, mas Meredy foi mais rápida.

— Nossa, Nat-kun! Você não escutou nada do que eu disse mesmo, já falei que não é assim que se trata uma...

— Tá, tá – falou ele me arrastando para dentro de casa.

— É serio, não quero atrapalhar – voltei a dizer, tentando me soltar da mão do rosado.

— Você não está atrapalhando, era só uma reunião de família – falou ele. Que? Família? Ele tinha aquele tipo de relação com familiares?

— Família? – questionei.

— Essa é minha prima Meredy Milkovich, embora tenhamos sido criados como irmãos praticamente. Essa peste não saia da minha casa – anunciou e eu pude sentir uma onda de alívio percorrer meu corpo. Meredy, apesar de ter sido chamada de peste, permaneceu com uma expressão pensativa sentada no sofá.

— Hmmmm, como foi que esse cachecol foi parar com ela? Você nunca o esquece nos lugares – maliciou Meredy.

— Ah, foi... Bem, foi – comecei, e maldita seja essa minha habilidade de corar. Entreguei os pontos completamente.

— Já entendi tudo. Está aprovada priminho – falou ela – mas me prometa que não vai ser um completo idiota com ela também – ameaçou se levantando, pegando a gola da camisa dele e lançando-lhe um olhar maligno.

— Não é nada disso – me apressei em explicar.

— Ah! Luce, não precisamos esconder nossa relação dela também – o filho da puta disse me puxando pela cintura e depois desceu levemente a mão em direção a minha bunda.

— Não brinca com essas coisas, Dragneel – ameacei-o.

— Luce, por que você está cheirando a perfume masculino? – perguntou ele estreitando os olhos. Meredy ria no sofá.

— Que perfume? Não estou sentindo – neguei corando, a verdade é que quando estávamos no bar, alguns garotos chegaram para conversar conosco e acabaram se sentando em nossa mesa. Um deles, Hibiki Lates, insistiu em me trazer até minha rua e me abraçou para se despedir. Seu perfume provavelmente deve ter ficado em mim.

— Você deveria ter vergonha de demonstrar esse ciúme todo na frente de outras pessoas – censurou a rosada.

— Não estou com ciúme – ele negou – então, do que estávamos falando? Do tio Tyson, isso! Continue contando enquanto eu pego umas cervejas para tomarmos.

— Nãããão, imagina se estivesse – dissemos em uníssono.

— Ah, você sabe como ele é, não é? Louco de tudo, já está com outra namorada, uns 15 anos mais nova que ele. Bem bonita, se quer saber – contou ela rindo.

— Não acredito! Ele não tem jeito mesmo – falou ele, depositando as long necks de Budweiser na mesa de centro. Peguei uma das cervejas sem pestanejar, porque ainda não havia me recuperado bem do susto que foi essa visita. Estava acabando de conhecer um membro da família do Natsu e já estava passando vergonha.

— Você sabe que se não der um jeito vai acabar que nem ele, não é? – estava gostando daquela menina. Pelo que entendi, esse tio Tyson era um mulherengo que nem o rosado aqui.

— Você não para de me criticar, nem parece que há uns dois minutos estava me abraçando alegando saudade – fez bico. Ele ficava tão fofo assim... Controle-se, Lucy.

– Não falo mais... Mas então Lucy, me fale de você. Eu perguntei para esse idiota, mas ele não quis falar da vida amorosa dele depois que eu contei que estou namorando Luke.

— Ele não é menino para você. E você é uma criança ainda – ele falou, como se fosse óbvio.

— Eu já tenho 16 anos e você nem o conhece direito. Continuando, preciso saber tudo sobre a nova namorada do Natsu.

— A gente não namora.

— Sei, sei – desconsiderando completamente o que eu disse – prossiga.

Comecei a tagarelar sobre a minha vida, como conheci o Natsu e ela acabou me contando um pouco da vida dela também. Ela morava em Magnólia com os pais e se mudou para Acalypha há dois anos, na ocasião em que Natsu se recusou a ir também. Mas antes disso ela e o irmão Zancrow sempre brincavam com o rosado que apesar de não ser primo de sangue de ambos, era como se fosse. Zancrow e ele tinham uma pequena rixa desde pequenos (não pareceu muito pequena pelo tom que Natsu usou para contar). Ela namorava um tal de Luke há dois meses e o Dragneel fez uma careta de desgosto (também sussurrou que se ele comesse sua prima iria definitivamente quebrar a cara dele).

Também pude finalmente observar atentamente como a casa do garoto era, sendo que da ultima vez que estive ali me encontrava bêbada. Não havia muita coisa nova, já que só podia ver a sala, só algo que me chamou bastante a atenção. Um gato azul que entrou miando no ambiente e pulou no meu colo.

— Que kawaii – exclamei fazendo carinho nele.

— Happy! Quase me esqueci de você – disse Meredy.

— Natsu, me da? – pedi, esmagando o gato que fez um som parecido com aye.

— Não – falou pegando o gato de mim – vou te dar é outra coisa, loirinha – completou ao que Meredy revirou os olhos e eu corei.

— Ele é sempre assim, não é? – ela me perguntou.

— Sempre – suspirei – lamento dizer que já estou até acostumada.

— Ei, dá para parar de falar de mim como se eu não estivesse aqui? – reclamou indignado. Então um celular tocou.

— Alô – Meredy atendeu – ah, tia Grandine. Sim, estou saindo aqui na porta já, já. Entendi, viajar de madrugada realmente não é nada bom. Beijo.

— O que ela disse? – questionou Natsu.

— Que não vai entrar porque está com pressa para pegar estrada. Ela não gosta de viajar de madrugada, você sabe. E já está aqui na porta para me buscar.

— Então acho que é tchau – falou meio triste.

— Eu volto logo, seu idiota – respondeu soando irritada, mas parecia igualmente triste. Ambos se abraçaram por alguns segundos e depois fomos para a saída

Na porta nos abraçamos e me despedi dela, havia um Rav4 prata parado na frente, sepadado da casa por um pequeno jardim. Ela sentou no banco da frente e abriu o vidro para acenar. Não pude ver o rosto de Grandine muito bem, mas ela acenou também. O carro saiu e eu achei que ficaria sozinha com Natsu, o que me deixava meio nervosa. Então de repente, o carro parou bruscamente uns metros a frente e deu ré até o local em que estava antes, pude ouvir vidros serem abertos.

— Tchau, namorada do Natsu – gritou uma voz que devia pertencer a Grandine. Meredy apenas sorria grande na janela aberta.

— Tchau, Lucy-san – falou uma garotinha muito fofa da janela de trás, ela possuía cabelos azuis e um sorriso enorme. Eu me limitei a acenar atingindo um novo nível de vergonha. Fiz uma nota mental: matar a Meredy se a vir novamente. Me virei para Natsu na intenção de perguntar o que diabos foi isso e quem era aquela garotinha e vi que o mesmo estava levemente vermelho.

— Parentes... Sempre fazendo você passar vergonha – concluiu ele.

— Isso é porque você não conheceu a Virgo. Ela trabalha na casa do meu pai e me chama de hime na frente de todo mundo. Enfim, acho que já vou indo também...

— Deixe-me perguntar uma coisa, mera curiosidade – perguntou ele se virando para me olhar nos olhos, aí vem merda— você veio com essa roupa aqui em casa, linda desse jeito e achou que eu ia simplesmente te deixar ir embora?

— Achei... E obrigada – agradeci meio sem jeito.

— Parece que você se enganou, eu já tinha avisado que te daria outra coisa hoje – falou ele e deu um beijo. Eu estava me enganando muito hoje, de fato. Fomos para o lado de dentro sem interromper o beijo e quando ia enroscar os dedos em seus cabelos, ele prendeu meus braços para cima na parede com uma mão e separou nossos lábios. Retirou meus cabelos para as costas com a outra e passou o dedo suavemente por meu pescoço. Ao seu toque, senti arrepios.

— Nat-su, eu realmente preciso ir – falei, seu nome sendo interrompido por um pequeno gemido que deixei escapar pelo beijo que ele me deu no pescoço, eu tinha que me controlar mais.

— Você não parece querer muito ir – disse usando um tom sexy, perigosamente próximo de minha orelha direita e liberando meus braços – se você demonstrar vontade na próxima vez que disser isso, eu te deixo ir.

Juntei forças Kami-sama sabe de onde, olhei-o nos olhos e disse:

— Eu vou dificultar um pouco as coisas para você. Então sim, tenho que ir embora. Até segunda Dragneel. Estou ansiosa para ver sua próxima jogada – terminei observando a cara de safado que ele fez após essa frase. Algo me dizia que eu havia acabado de entrar em alguma coisa extremamente perigosa e algo mais.

— Você não vai se arrepender, loirinha.

Continua...

Notas finais
Como podemos ver, Grandine é meio louca, assim como o restante da família. Aqui está um link para a árvore genealógica do Natsu, eu mesma fiz. Espero que de para entender. https://br.pinterest.com/pin/560698222340111679/ E este foi o capítulo de hoje, espero que tenham gostado. O que acharam? Alguma pergunta? Até o próximo ♥