10 coisas que eu odeio em você
14 Capítulo 13 - Uma dose de coragem
Notas iniciais
Respirei fundo para afastar os pensamentos e a possível crise de consciência, e abri a porta. Elas entraram e se espalharam pelo meu tapete felpudo e eu deitei na cama, pronta para ouvir qualquer coisa.
— Até onde exatamente você precisa de explicações? – me questionou Levy.
— Desde a parte em que eu estava dançando com o Loke.
— Você estava comigo, não é? E por falar nisso, depois de pensar naquela nossa conversa, decidi que vou mudar mesmo. Cansei de me rastejar atrás do Gray-sama... Quer dizer, Gray-san. E acho que ia me ajudar mudar o estilo e passar o dia em algum salão, ele nunca mais vai me confundir com qualquer uma que dá em cima dele. Então assim que terminarmos aqui, vamos para o shopping almoçar e passar o dia lá? Pooor favooor!
— É assim que se fala Ju! Óbvio que a gente vai com você, acho que todas estamos precisando dar uma recuperada de ontem – concordou logo a ruiva – eu acho que devo contar essa parte porque a Juvia já estava louca. Eu a chamei para dançar para te deixar a sós com o Loke, ele é bem bonito, não adianta fazer essa cara para mim – falou ao que eu fiz uma careta porque ela estava torcendo pra gente ficar, não que ele não fosse bonito – vocês estavam dançando juntos e aí quando estavam quase se pegando, o Natsu surgiu do nada e obviamente não sei o que ele disse, mas você saiu de lá e veio ao meu encontro perguntando o que eu queria falar com você, só que eu não mandei te chamar nem nada...
— Natsu estava na verdade evitando que você ficasse com o Loke e usou a Erza como desculpa – Levy falou interrompendo a outra.
— Eu sei que você shipa os dois... – começou Erza novamente, mas a azulada a interrompeu mais uma vez.
— Quem não ia shipar depois que os vimos dormindo juntos no pátio, naquele dia do simulado. Tão kawaii!
— Vocês viram isso? E não foram lá por quê? Bem que eu achei estranho ninguém aparecer... – falei corada.
— A gente viu tudo, mas era tão bonitinho que deu dó e resolvemos ir para a sala – disse Juvia.
— Mas não me interrompa – Erza ameaçou meio maligna – ficamos dançando até que eu fui buscar mais bebida no bar e uma água para você e para Juvia, eu e a Levy acabamos bebendo também, eu não sei acontece naquele bar que ninguém nunca sai são. Enfim, o fato é que você não quis ir e ficou dançando funk, isso mesmo, funk! – todas caíram na gargalhada pela cara de desacreditada que eu devia estar fazendo.
— Eu não me atrevi... – dignei-me a dizer balançando a cabeça negativamente – e-eu não, não, só não... C-como...
— E tem mais, a gente chegou e você estava dançando funk com o Natsu – gritou Levy animada, como se estivesse dando a melhor notícia do mundo – Lucy? Lucy?
— Eu quero morrer – falei quando consegui levantar o rosto vermelho da cama.
— Foram só duas músicas, para de drama. A gente ia te chamar, mas achamos melhor não. O DJ anunciou que tocaria uma música para os casais e foi aí que vocês dois se beijaram. Como você não lembra? – Levy contou.
— Na verdade eu lembrava só dessa parte – admiti.
— E como...
— Vamos falar disso depois, quero saber o que mais aconteceu. Acreditem, vai levar um tempo explicar isso.
— Ok. Vocês se beijaram por uma eternidade e várias pessoas viram, afinal de contas não é nada discreto beijar no meio da pista. O Loke não viu porque estava com a língua na garganta de uma loira, acho que ela chama Jenny Realight, mas tenho certeza que talvez rolasse alguma confusão entre ele e o Natsu caso contrário.
— Ele gosta de uma loira, nunca vi – comentou Juvia, que havia ficado quieta até então por não lembrar muito bem, assim como eu.
— Foi aí que os garotos chegaram perto da gente para comentar do beijão de vocês. O Gray finalmente largou daquela Kinana, ô garota insuportável. Juvia tem razão em dar um gelo nele depois de ser confundida com ela. Só que adivinha quem estava muito tonto? Jellal. Você talvez queira contar essa parte Erza – provocou Levy, mas se preocupou com a amiga e completou – está tudo bem, mesmo Juvia?
— Não vou mentir, odeio ouvir isso. Mas eu já me decidi, vou superar o Gray-san.
— Eu conto... Ele chegou próximo ao meu ouvido e falou: “Você é a garota mais bonita do bar, na verdade você é a menina mais bonita de muitos lugares”, aí vocês podem imaginar que eu morri depois de ouvir isso. Falei que ele estava muito bêbado e que não sabia o que estava dizendo. Foi então que Natsu chegou para falar com o Gray – relatou a ruiva.
— Eu ouvi, ele disse que ele e a Lucy iam dar uma volta e que não precisavam esperar por ele para ir embora e o Gray-san lhe lançou um olhar malicioso – contou Juvia e todas olharam da mesma forma para mim.
— Então, continue Erza. Você disse que ele estava muito bêbado e... – desconversei, porém não pude evitar corar.
— Aí ele disse que estava assim só para ter coragem de dizer o que disse, e completou falando: “Tem uma coisa que faz um tempo que eu estou querendo fazer” e começou a se aproximar dos meus lábios e me deu um selinho. Como eu não me afastei ele me beijou de verdade e foi com certeza um dos melhores que eu já recebi – eles dois combinam tanto, pensei.
— E eles se pegaram o resto da noite. Eu e a Juvia ficamos conversando com alguns caras aleatórios, que não saíam da nossa mesa, mas nenhuma de nós estava interessada. Ah, e o Gajeel ficou uma menina que eu não conheço. E aí vocês me perguntam: por que você não está triste, Levy? Simples, porque ele a chamou de Levy – falou a baixinha com um sorriso maligno.
— Como você sabe, Levy? – perguntei.
— Eu estava passando perto da mesa em que estavam sentados e a ouvi discutindo com ele, falando que era melhor ele não errar o nome dela de novo, que seu nome não se parecia em nada com Levy – sorriu vitoriosa.
— Você tem muita sorte, Levy-chan – falou Juvia – continuando a história, quando já eram umas quatro e meia da manhã e você apareceu lá no bar de novo. Óbivio que a gente achou muito estranho, ainda mais porque você estava sozinha. Perguntamos onde Natsu estava e você disse que estava dormindo e falou que queria uma água. Tentamos descobrir o que vocês fizeram nesse tempo sozinhos, mas você não tinha nenhuma memória da noite.
E eu só conseguia pensar que eu tive a capacidade de levantar da cama onde eu dormia com o Dragneel só de roupas íntimas, vestir a mesma roupa, ir ao bar, voltar e ficar novamente apenas de roupas íntimas para dormir sozinha, sem nem ao menos dar falta do garoto, mas não conseguia me lembrar de coisas importantes, como ter dançado funk, por exemplo.
– Quando finalmente a Erza desgrudou do Jellal, voltamos para a casa com ela de carro – completou Levy.
— Quando vocês falam assim eu fico pensando que exagerei – reclamou a ruiva.
— Que isso, tem que aproveitar. Não aguentava mais você negar que queria – falei.
— Posso dizer o mesmo da senhorita – retrucou Erza.
— Está na hora de contar sua história, porque eu estou morrendo de fome – pediu Levy.
— Deixa só eu perguntar uma coisa, onde eu consegui aquela colher? – disse apontando para a peça do mistério mal resolvido da noite.
— Você não estava com ela em nenhum momento, não que a gente tenha visto. Agora conta caralho! – falou a rainha da educação Levy McGarden.
Então eu contei tudo para elas, nos mínimos detalhes, porém a parte em que nos beijamos de novo de manhã ficou de fora, falei que ele foi embora uns vinte minutos antes de elas chegarem e que pediu que eu mandasse mensagem quando estivesse à toa. A verdade é que eu estava com medo, agora que toda a adrenalina passou, sinto como se aquilo tudo fosse uma confusão muito grande, eram muitas perguntas sem resposta. O que eu queria? O que eu esperava? O que eu sentia por ele? O que ele sentia por mim? Ele me falou para mandar mensagem... E se eu for só mais uma para ele? Tudo aconteceu muito depressa e eu não tive tempo de pensar nas consequências.
— Ele foi tão fofo, até parece que ele gosta de você. Eu acho que ele merece uma chance, Lucy. Mas tenta levar isso na boa, você sabe o histórico que ele tem – me aconselhou Erza.
— Devolve o cachecol pessoalmente hoje e sonda o terreno – Levy deu a ideia.
— Eu não sei, tenho medo das coisas terem ido muito rápido e se você for pensar, não temos nada. E eu não sei se quero que tenhamos alguma coisa.
— Infelizmente, para descobrir você vai ter que testar, já que pensar está te deixando ainda mais confusa. Uma dose de coragem pode decidir o seu futuro, só estou dizendo – continuou Levy, como se citasse o óbvio.
Enquanto discutíamos minha vida amorosa, fomos para o shopping. Comemos na praça de alimentação e dedicamos várias horas às compras. Juvia comprou algumas roupas extremante estilosas e eu acabei pegando algumas peças também. Depois fomos para o salão, decidi fazer mechas ombré bem suaves, deixando meu cabelo em um degradê de loiro, Juvia cortou as pontas e adotou cabelos ondulados (ela estava perfeita, Gray iria chorar litros por deixa-la passar), Erza também ondulou as madeixas e repicou as pontas levemente e Levy só refez o corte. Fizemos pé e mão e fomos para minha casa. Como estávamos muito bonitas para ficar em casa, nos arrumamos e fomos ao mesmo bar de ontem, o MacLaren’s, que hoje estaria mais calmo e iríamos aproveitar para comer por lá, já que, segundo as meninas, a comida era divina.
Juvia vestiu um blusa curta branca de alcinha, um cardigã vermelho, uma calça preta e uma ankle boot vermelha, eu optei por um vestido decotado preto de mangas ¾, uma meia fina e uma ankle boot preta, Levy vestiu um vestido preto sem alças, meia fina e coturnos, e Erza, colocou um espatilho preto tomara que caia, uma calça preta e saltos vermelhos. Tudo havia sido comprado hoje.
Não pense que eu esqueci que tinha que mandar mensagem para o Natsu, ou devolver seu cachecol, na verdade eu preferia que eu tivesse. Pensei nele mais do que gostaria no decorrer do dia. Eu não demoraria no bar e na volta iria à sua casa deixar o cachecol. Pelo menos esse foi o conselho das meninas e eu acho que vou arriscar.
23:17h — Casa do Natsu
Agora estou aqui na porta dele, minhas pernas querem correr daqui o mais rápido possível. Minhas mãos tremem sob o cachecol e ainda tenho dúvidas se devo realmente tocar a campainha. Mamãe, me deseje sorte.
Apertei. Algumas vezes na vida é preciso ter coragem para ser feliz, mas é preciso ainda mais coragem para se decepcionar. Espero que não seja o caso.
Continua...
Fale com o autor