10 coisas que eu odeio em você
13 Capítulo 12 - Seria engraçado se não fosse trágico
Notas iniciais
Como dentro de uma hora eu poderia saber tudo sobre ontem, resolvi criar coragem para levantar e tomar um banho, avaliaria os danos depois. Levei alguns minutos no chuveiro deixando a água lavar minhas preocupações, quando sai enrolada na toalha com os cabelos molhados, vi no espelho algo que me assustou. Eu estava com um chupão no pescoço e uma marca de mordida um pouco mais abaixo. Kami-sama por que me abandonaste? Resolvi que era hora de investigar a casa a procura de pistas.
Olhei o banheiro e não achei nada suspeito no lixo ou no chão. Depois passei para o quarto, olhei minhas roupas, nada, minha bolsa, além de ter gastado todo meu dinheiro, nada surpreendente também. Olhei o criado mudo e achei uma nota do Rei dos Sucos, bom isso explicava o copo de suco, mas também significava que eu roubei minha loja de suco preferida e nunca mais ia poder voltar lá. Agora a colher realmente não tinha o menor sentido. Lembrei que eu e Juvia tiramos algumas fotos e resolvi checar meu celular com calma para ver se não publiquei nada em nenhuma rede social ou mandei mensagens estranhas. Quanto às fotos, dentre as 23 que tiramos tinha umas quatro que valiam a pena e decidi guardar. Tinha também fotos que eu não me lembrava de tirar: uma com o Natsu em que eu estava com o cachecol dele, três com as meninas no meio da pista de dança e uma minha rindo espontaneamente, esta última não foi tirada por mim porque minhas duas mãos apareciam na foto e pelo fundo pude reconhecer que era no Rei dos Sucos. O que diabos eu fiz noite passada?
Passei reto pela sala ainda olhando para o celular e fui à cozinha, meu corpo pedia litros de água imediatamente. Na cozinha também não havia nada estranho. Finalmente terminei de checar as redes sociais nas quais não achei nada exceto aquela mensagem de alguém estranho. Abri a mensagem do tal de Hjdrasgnllll, pensando bem, aquele nome lembrava Dragneel, será que era ele? O que eu li, porém, me surpreendeu. Eu havia iniciado aquela conversa. As coisas só ficam cada vez mais sem sentido.
Lucy: Euw sai rarpidinhols e prwa encontrar ass meniunas, nao sse prewecvpe.
Hjdrasgnllll: Lucy, cadê você?
Hjdrasgnllll: To aqui na sala te esperando.
Como assim? Por que eu estava dando satisfações para esse Hjdrasgnllll? O que ele estava fazendo na minha casa? Por que eu estava saindo para ver as garotas às quatro da manhã? Resolvi mandar mensagem perguntando algumas das muitas dúvidas que tinha.
Lucy: Quem é você? O que você estava fazendo na minha casa?
E então algo inesperado aconteceu, imediatamente após o envio da mensagem, um bipe indicando que algum celular havia recebido mensagens pode ser ouvido dentro da minha casa. E não era o meu! Minha conclusão foi imediata, o celular do tal Hjdrasgnllll estava na minha sala. Fui até lá preparada para, bem, para qualquer coisa.
Mas não para o que veio a seguir. Para minha surpresa, encontrei um ser de cabelos exóticos sem camisa despertando no sofá e olhando o celular. Eu quase caí de costas. Natsu havia passado a noite aqui em casa, meus piores temores estavam se concretizando. Natsu era realmente o tal Hjdrasgnllll. Gastei alguns segundos o encarando, não queria aceitar a verdade estampada diante dos meu olhos.
— Bom dia, Luce – ele disse com um sorriso enorme.
— Não me venha com “bom dia, Luce”, o que você está fazendo aqui? Não me diga que nós... – não terminei a frase, já estava corada, não sabia se era de raiva ou vergonha.
— Você não se lembra de nada mesmo? – perguntou, parecia um pouco chateado ao dizer isso – até quando você pretende ficar de toalha na minha frente, eu sou legal Luce, mas ainda sou um homem – completou já voltando ao seu modo normal.
— Até quando eu quiser, essa casa é minha – ele estava me irritando, mas precisava que me contasse o que aconteceu, porque se eu saí com ele realmente, nenhuma das meninas vai saber me contar o que ocorreu durante esse tempo, apenas esse idiota saberia.
– Tá bom, loirinha. Se eu te incomodo tanto assim eu vou, mas você nunca vai saber o que realmente aconteceu aqui – provocou ele abrindo um sorriso malicioso.
— Você venceu, só vista uma camisa primeiro – respondi.
— Está no seu quarto – disse ele despreocupado.
— Como assim no meu quarto? Eu já olhei tudo lá – perguntei assustada.
— Eu te mostro – disse seguindo em direção ao meu quarto. Esse desgraçado já está se achando o dono da casa! Enquanto o seguia, reparei que havia arranhões em suas costas, nada muito profundo, apenas marcas vermelhas. Eu fiz isso?
De fato sua camisa se encontrava no meio das minhas cobertas, por isso não vi. Ele a vestiu e foi ao banheiro lavar o rosto. Fiquei esperando por ele sentada na cama, esquecendo completamente o fato de que ainda usava apenas uma toalha.
— Vou contar minha versão da noite, mas a parte em que você sumiu sozinha é uma incógnita para mim, então...
— Eu sumi sozinha? Claro, esqueci que eu sou a pessoa retardada quando tonta. Prossiga Dragneel.
— Jellal veio me buscar para que chegássemos juntos, causando aqueles típicos comentários do público feminino – ele riu quando eu fiz um bico diante desse comentário e continuou – assim que ele estacionou, fomos agraciados com uma visão dada por Kami-sama, você descendo do carro daquele jeito. Embora tenha ficado de olho em você, tenho uma reputação a zelar e tive que dar atenção às outras garotas presentes.
— Tá bom, Natsu! A gente já entendeu que você é requisitado – tive que zoar.
— Continuando... Eu e os outros passamos na mesa de vocês, porém você e Juvia estavam no balcão parecendo ter uma conversa séria e achamos que era melhor não interromper. Depois de um tempo, resolvi ir até lá chamá-las para dançar porque todos estavam na pista e vi que você já estava beeem alegrinha, se é que me entende. Vocês disseram que iriam ao banheiro e encontrariam a gente lá. Depois de uns vinte minutos te procurei e vi que você estava dançando com o Loke e que ele ia te beijar. Não achei justo ele se aproveitar enquanto estava tão bêbada e fui interromper o momento...
— Ah, você não acha justo, entendi. Então por que você me...
— Ainda vamos chegar nesse ponto. Hmm, disso você lembra então – falou ele rindo – sabia que eu não era assim tão fácil de esquecer.
—Só isso também. Continue.
— Cheguei lá e o chamei, elogiando um passe dele no jogo que foi mesmo ótimo e disse que a Erza estava te chamando. Você se despediu dele e saiu para onde a Erza estava – nesse momento respirei aliviada, pelo menos eu não beijei dois colegas de sala na mesma noite e pensei também que Natsu, mesmo não admitindo, ficou com ciúme – elas te deixaram sozinha na pista de dança não sei o porquê e do nada você veio em minha direção e me chamou para dançar me puxando pelo cachecol. Depois de algumas músicas, o DJ anunciou que tocaria uma música para os casais e eu puxei você para perto para que pudéssemos dançá-la. Devo dizer nessa parte que eu mesmo já havia bebido um pouco e não estava na melhor condição de julgamento – falou se aproximando de mim na cama onde ele também estava sentado – então como estávamos muito próximos, não resisti e fiz isso – terminou e em seguida me beijou. Um beijo parecido com aquele primeiro, sentir aqueles lábios nos meus de novo foi bom, porém eu estava sã e curiosa, então espalmei a mão em seu peito o afastando antes que ficasse difícil parar.
— C-calma, Natsu. Termine de contar a história primeiro e depois a gente decide sobre isso – disse corada apontando um dedo para ele e depois para mim.
— Ai, Luce... Tudo bem, mas spoiler: a gente fez muito isso ontem então você devia parar de ficar envergonhada. Não tem necessidade.
— Seu...
— Te convidei para sair de lá e você aceitou. Te deixei por dois segundos para avisar o Gray e quando voltei você deixando um copo no balcão, segundo você era água. Mas era vodka – disse me olhando reprovador – enfim, saímos e você disse que estava muito, muito tonta e que queria suco de morango para melhorar então te levei para o Rei dos Sucos 24h. Eu comecei a ficar mais consciente e achei que foi um erro tirar proveito da sua condição de tonta e jurei que não faria mais nada essa noite...
— Mas você não disse que teve mais beijos? Do que a gente conversou?
— Luce, tenha paciência. Sentamos numa das mesas e você começou a falar que não tinha meu número e que se você se esquecesse, não teria como saber o que aconteceu caso não o tivesse. Peguei seu celular e digitei o número, porém você insistiu em salvar o número você mesma...
— Isso explica seu contato estar salvo como Hjdrasgnllll – revelei e ele riu. Enquanto isso, eu levantei da cama e peguei uma roupa qualquer e um conjunto de lingerie preto e entrei no banheiro para me trocar, não iria correr o risco de ele me beijar de toalha de novo – pode continuar contando, da para ouvir daqui – gritei de dentro do banheiro.
— Ok. Seu suco chegou e você me ofereceu um pouco, daí eu recusei e isso te deixou chateada, você quase chorou. Eu não entendi o motivo e você disse: “Você rejeitou... Rejeitou meu suco. Eu te odeio”, perguntei “Ah, você odeia, é?” e você disse “Odeio, posso inclusive fazer uma lista de 10 coisas que eu odeio em você”. Como eu duvidei, você começou a listar o que você odiava em mim. Começou muito bem, disse que eu era pervertido, que a fazia ficar sem graça ou com vergonha 80% do tempo, que eu me acho, só que depois começou a se repetir, não conseguindo achar mais que três itens, então eu não aguentei, comecei a rir muito. Você acabou me acompanhando e tirei uma foto sua nessa hora, era para te zoar depois mais acabou ficando bonita.
— Obrigada, eu vi essa foto hoje de manhã. Tem uma nossa também. Quando foi? – perguntei saindo do banheiro já arrumada e com os cabelos ainda úmidos.
— Sou um fotógrafo incrível. Depois decidi que era hora de te levar para casa e te por para dormir porque você ainda não tinha melhorado, então viemos para sua casa. No caminho você sentiu frio e eu te dei meu cachecol, então você sugeriu que nós tirássemos uma foto juntos porque segundo sua pessoa, aquele cachecol ficava mais bonito em você e isso deveria ser registrado, e eu aceitei, você pediu de um jeito muito fofo, oras. Não faça essa cara para mim – disse ao ver minha cara de reprovação – chegamos aqui e vi que você tinha trazido o copo de suco e me xinguei mentalmente por não ter percebido antes. Não devia te deixar roubar as coisas desse jeito. Então quando fui me despedir de você, o que era para ser apenas um selinho, acabou virando um beijo mais demorado. Depois do que aconteceu a seguir, eu resolvi dormir aqui com você por preguiça de voltar para casa. Quando acordei por volta das cinco você tinha sumido, fiquei preocupado até que vi sua mensagem dizendo que tinha ido ver as meninas e fiquei na sala te esperando voltar. Acabei pegando no sono no sofá e não sei como você chegou.
— A gente dormiu junto? Fala logo o que aconteceu nesse quarto – pedi. Aquele suspense estava me matando.
– Acho melhor eu demonstrar o que aconteceu – disse me puxando e mais uma vez me beijando. Um beijo calmo que começou a ficar mais intenso, mais selvagem. Ele passou suas mãos para dentro da minha blusa pressionando minha cintura e depois as desceu até minha bunda, minhas mãos automaticamente subiram para sua nuca e depois para seus cabelos. Droga, por que eu não parava aquilo? Depois invertemos papéis, ele entrelaçou seus dedos em meus cabelos quando eu passei a mão por suas costas o arranhando levemente, isso o deixou arrepiado.
O rosado então interrompeu o beijo e passou a beijar meu pescoço dando suaves mordidas, também me causando arrepios. Cara, aquele desgraçado era bom. Ele parou e eu comecei a fazer uma trilha de beijos até seu lóbulo da orelha e o mordi nesse local, esse foi o golpe de misericórdia. Depois disso ele me jogou na cama ficando por cima de mim e me lançou um olhar malicioso:
— Acho que você ainda está usando roupas demais.
— Posso dizer o mesmo de você – o respondi da mesma forma. Então eu também podia ser uma pervertida? Com isso nossas blusas foram para o chão, a visão daquele peitoral nu em minha frente foi o suficiente para continuar aquilo.
– É realmente uma bela visão – afirmou enquanto me observava apenas de sutiã.
— Para de encarar – respondi em um surto de vergonha.
Natsu então começou a descer uma trilha de beijos até meus seios e se demorou ali, deixei escapar um pequeno gemido de prazer por conta dos arrepios que aquilo gerava. Em seguida, ele desceu as mãos até minha saia e a tirou. Passou a mão por minhas coxas e subiu até minha calcinha que a essa altura já estava ficando molhada. Percebendo o caminho que as coisas iam tomando, disse:
— Ainda não – e inverti as posições, ficando por cima dele.
— Você disse exatamente a mesma coisa ontem e... – não terminou a frase porque comecei a descer beijando-o do pescoço até o cós da calça. Voltei a beijá-lo na boca enquanto descia uma das mãos até seu membro que já se avolumava dentro da calça. Então ele interrompeu o beijo e sussurrou em meu ouvido:
— Aqui foi onde a gente parou ontem, conforme te disse ontem, apesar de você me deixar louco, não poderia conviver comigo mesmo se continuasse isso sabendo que você estava bêbada. E foi sincero.
— Nat-su... – eu não sabia o que dizer, o que ele falou me impressionou.
— Mas hoje não temos esse problema... – foi nesse momento que a campainha tocou.
— Merda. Eu esqueci que chamei as meninas aqui para me explicar o que aconteceu comigo ontem e sobre a Erza e o Jellal ao vivo – disse – você tem que sair daqui.
— Droga! Por que, Lucy, por quê? – perguntou frustrado se levantando – eu devo ter feito algo muito errado mesmo. Duas vezes no mesmo dia! Tão injusto! Malditos preceitos morais... Espera, a Erza e o Jellal? Então o desgraçado conseguiu! – eu estava rindo da reação exagerada dele.
— Porque elas nunca vão acreditar que nós não fizemos nada. Talvez eu core tanto que minha cabeça exploda – falei me vestindo apressadamente – e sim, tudo indica que a Erza e o Jellal se pegaram.
— Tudo bem, mas quando elas forem embora me chame. Nós não terminamos de conversar e eu quero saber o que mais você aprontou – concordou já vestido.
— Eu te mando mensagem. Agora vai – a campainha soou novamente e eu gritei um já vai – e Natsu, obrigada por cuidar de mim, por tudo. Te devo uma.
— Não foi nada.
E foi assim que puder ver Natsu Dragneel fugir pelos fundos da minha casa com as roupas de ontem e uma ereção aparente. Seria engraçado se não fosse trágico. Essa frase pode ser considerada um resumo da minha noite até então, com algumas exceções. Em meio a esses pensamentos, fui abrir a porta para minhas queridas amigas.
Continua...
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