10 coisas que eu odeio em você
12 Capítulo 11 - Toda resistência é inútil
Notas iniciais
12:35h – Minha casa
Acordei sentindo uma ressaca ainda pior do que aquela de semanas atrás. Minha cabeça doía, não sentia a menor vontade de me levantar e as memórias da noite anterior, que não estavam em minha mente antes, começaram a voltar em flashes. Olhei para o chão, as roupas e a bolsa que eu usava na noite anterior estavam jogadas nele, no criado mudo estavam o celular, um copo com algo que não reconheci dentro e uma... Colher? O que uma colher estava fazendo ali? Ela não é nem minha! Mas aquele nem de longe era o item mais intrigante no quarto, aos pés da cama estava um cachecol branco quadriculado. Esse cachecol... Ah não, o que foi que eu fiz?
Treze horas atrás...
Eu terminava de me arrumar para ir ao tal MacLaren's Pub, estava apenas esperando Erza passar para me buscar. Optei por vestir um cropped branco de decote v aprofundado, uma saia soltinha azul com finas listras brancas horizontais estilo marinheiro e meu scapin vermelho fechado. Na maquiagem usei apenas delineador gatinho, muito rímel e um batom vermelho. Deixei os cabelos soltos mesmo e peguei uma bolsa preta simples.
O barzinho que iríamos era próximo a minha casa, ficava a apenas cinco minutos de caminhada, em uma rua lateral sem saída. A ruiva estacionou um pouco antes do mesmo por conta das mesas que ocupavam a parte da rua em frente a ele (ela insistiu em vir de carro por dois motivos: por causa do salto e da distância do MacLaren's e sua casa ser muito maior). Ela estava linda em seu vestido preto justo, ia até à altura do meio da coxa e realçava suas curvas. Assim que nos aproximamos pude ver que mesas foram colocadas do lado de fora só para que "toda" a Fairy Tail High coubesse naquele bar, de outro modo isso não seria possível, também pude ver um já conhecido BWM azul cobalto estacionando na vaga atrás da nossa.
— Vocês viram quem está aí atrás? – disse a ruiva.
— Vamos fazer uma descida triunfal. Quem topa? – sugeriu Levy.
— Estou dentro, sempre quis imitar aquelas atrizes que saem fodamente do carro – eu concordei.
— Hai – foi apenas o que Juvia pronunciou. Era óbvio que o fato de o Gray tê-la chamado de Kinana a tinha deixado abalada.
E foi o que fizemos, abrimos uma porta de cada vez, a primeira a descer foi Erza. Colocou uma perna, depois a outra e levantou jogando os cabelos levemente. Depois foi a baixinha que estava no banco do carona ao lado da ruiva, já não tão baixinha devido ao salto 15 que usava e que procedeu da mesma forma. Em seguida, Juvia desceu e por último, euzinha. Pude sentir os olhares colados na gente, vindo até mesmo das pessoas que estavam sentadas no MacLaren's, mas principalmente de um grupo de garotos já conhecidos que estavam saindo do carro.
Evitamos olhar para trás por conta de uma certa vergonha que tomou conta do nosso grupo, mas esta foi muito bem escondida das pessoas em nossa frente. Restavam apenas lugares vagos no interior do bar e escolhemos um próximo às bebidas. Além de lá ter mesas e um balcão onde dois barmen atendiam, ao fundo tinha uma pequena pista de dança e um DJ se preparava para substituir a música de fundo (era Do I Wanna Know? — Arctic Monkeys, pude reconhecer) para o que diabos ele tocaria essa noite.
O espírito de comemoração tomava conta de todos naquele recinto, menos de certa azulada. A mesma me puxou para o balcão dizendo:
— Lucy, por favor, me acompanhe nas bebidas, estou precisando afogar as mágoas. Erza não vai poder beber muito porque vai levar a gente pra casa e a Levy disse que também não pretende exagerar, disse que quer estar bem para caso o Gajeel-kun resolva tomar uma atitude. O que você me diz?
— Tudo bem, mas tenho meus limites também. Enquanto a gente bebe, você pode desabafar comigo sobre o que o Gray fez – respondi, eu não deixaria uma amiga minha na mão, mesmo que isso envolvesse muito álcool. E foi aí que eu cometi meu primeiro erro. Nos sentamos nos bancos próximos ao balcão e pedimos quatro doses de tequila acompanhadas de limão e sal para começo. Viramos duas cada e Juvia já pediu mais quatro.
— Sabe Lucy, eu sei que sou muito trouxa por gostar de um cara que mal me da bola e ainda me confunde com uma das putas que fica em volta dele o bajulando, assim como... Assim como eu – disse virando a terceira dose.
— Realmente o Gray vacilou com você e por mais que seja uma mera confusão, machuca. Você é muito melhor do que aquela idiota de cabelo roxo, você o trata bem por que gosta dele, aquela garota é apenas uma oferecida – tentei consola-la embora seja horrível nisso, também virando outra. Após uma hora e um número que não me recordo de doses, mas com certeza mais alto do que deveríamos ter ingerido, chegamos a esse ponto:
— Lucyyy, eu prometo que vou parar de ser trouxa, vou parar de lamber o chão que o Gray-sama pisa – Juvia disse exaltada.
— Então começa parando de se referir a ele como Gray-sama – respondi – você vai conseguir, tenho certeza. Ele ainda vai correr muito atrás de você.
— A partir de hoje será Gray-san! GRAY-SAAAN...
Virei-me para ver porque ela tinha se interrompido e vi que Fullbuster e o algodão-doce estavam lá, o que honestamente me surpreendeu. Quando eles chegaram as outras garotas já partiram pra cima, então imaginei que eles já iriam faturar a noite por ali já que apenas passaram para dar um oi para Erza e Levy na mesa e elas devem ter avisado que eu e a Juvia estávamos tendo uma conversa séria, porque eles apenas acenaram de lá. Mas não, passado um tempo lá estavam os dois falando conosco ao invés disso.
— Estamos interrompendo alguma coisa? – Gray perguntou.
— A gente já tinha acabado, estávamos aqui só pela tequila mesmo – respondi feliz demais.
— Só viemos chamar vocês para a pista de dança, estão todos lá – Natsu convidou. Aquilo não ia bem, mas eu estava muito bêbada para me preocupar.
— Já estamos indo então – respondeu Juvia. Passamos no banheiro e tiramos algumas fotos, a maquiagem permanecia intacta, obrigada Mac. Só que no caminho da pista, um braço me segurou.
— Quem diabos... Ahn, oi Loke – cumprimentei o ruivo.
— Lucy – me cumprimentou de volta – você está ainda mais bonita hoje.
— Obrigada – agradeci sorrindo.
— Me concede uma dança? – convidou pegando mão. Decidi aceitar, por que será, né?
— Por que não? Eu já estava indo pra lá mesmo – e foi aí que eu percebi que a Juvia não estava comigo mais – ai meu Kami, cadê a Juvia?
—Relaxa, já está lá, do lado da Erza – olhei e vi que a ruiva estava bebendo. Kami sabe a hora que volto para casa hoje... Vamos ter que esperar ela se recuperar. Resolvi checar meu celular e descobri que era 02:03h. Uma frase surgiu em minha mente, era do seriado que eu já havia assistido How I met your mother. Quando já é depois das duas da manhã só vá dormir. Porque as decisões que você faz depois das duas da manhã são as decisões erradas. Tarde demais, agora já era.
Infelizmente eu não recordo que música estava tocando, mas ainda lembro que durante a dança nossos rostos começaram a se aproximar e depois não sei mais o que aconteceu direito. Uma hora eu estava com o Loke e depois estava sozinha na pista de dança, e foi aí que eu cometi meu segundo erro. Pude ver que Natsu estava me olhando de um canto da pista, e então as palavras simplesmente saíram da minha boca enquanto eu ia em sua direção e o puxava pelo cachecol quadriculado que ele usava:
— Natsu, vem dançar comigo!
No meio das músicas típicas de balada, não sei dizer o que a gente dançou, nem mesmo o quanto, o DJ anunciou que tocaria uma música para os casais da noite.
— Acho que isso não me dá outra escolha – sussurrou Natsu em meu ouvido enquanto me puxava pela cintura. Estava tocando “Um certo alguém” na voz dos Titãs.
"Quis evitar teus olhos
Mas não pude reagir
Fico à vontade então
Acho que é bobagem
A mania de fingir
Negando a intenção"
Nossos olhares se encontraram, aqueles olhos que jamais conseguiria definir a cor, seu corpo quente contra o meu, eu poderia jurar que havia uma espécie de eletricidade no ponto em que nossos corpos se encontravam. Então quando dei por mim, nossas testas estavam encostadas, nossos lábios já estavam próximos, perigosamente próximos, mas não o suficiente.
"E quando um certo alguém
Desperta o sentimento
É melhor não resistir
E se entregar"
Toda resistência era inútil. Aquele quase beijo na pousada, aquele mínimo segundo em que nossos lábios se tocaram foi um prelúdio da natureza do que aconteceria a seguir. Entretanto, não foi nem um centésimo do que eu senti quando finalmente seus lábios selaram os meus. Lentamente ele foi pedindo passagem com a língua, aprofundando o beijo. Nossas línguas começaram a travar uma batalha lenta, explorando a boca um do outro. Mas o beijo foi se tornando mais necessitado, mais quente, suas mãos pressionavam minha cintura enquanto eu passava os dedos por aqueles cabelos de cor tão exótica. Como se todo aquele tempo de espera estivesse se mostrando presente em forma de desejo. Nos separamos por falta de ar, e maldita seja essa necessidade de oxigênio.
Ele sorriu pra mim, um daqueles seus sorrisos lindos, e eu não pude fazer nada senão sorrir de volta. A música já tinha acabado e resolvemos sair da pista de dança, e eu finalmente sai do estupor em que estava. Eu beijei o Natsu... Eu preciso de uma bebida! O rosado saiu para avisar Gray que a gente ia dar uma volta (ele me chamou quando eu ainda não estava raciocinando, por isso aceitei). Foi então que cometi meu terceiro erro, usei essa oportunidade não para achar minhas amigas, mas sim para beber vodka. Desde então as coisas ficaram nebulosas em minha mente, partes faltavam.
Sei que depois eu já estava na mesa, Juvia estava com uma garrafa de água e Levy com um sorriso extremamente bobo no rosto, pra quem ia se controlar... Erza não se encontrava lá, mas em um canto vi uns cabelos vermelhos e uns... Azuis? Não podia ser... Ainda estou muito tonta, as coisas não param de girar. Só não sabia onde estava o Natsu. O que aconteceu depois? O que aconteceu antes? O que eu fiz com ele? Por que eu sou tão idiota?
A próxima lembrança que tenho é de acordar nesse quarto, apenas de roupas íntimas ao meio dia.
Preciso ligar para a Levy, na verdade preciso falar no grupo do Whatsapp com todas de uma vez. Preciso do máximo de informações sobre a noite passada. Três erros em uma só noite... Que eu me recordo, não é? Se bem que um não foi bem um erro, estar tonta quando o beijei foi um erro. Me admira conseguir lembrar. Na verdade não, surpresa seria esquecer um beijo daqueles...
Mas será que foi só isso? Afinal de contas, eu acordei em roupas íntimas, com coisas estranhas dentro de casa e roupas do Dragneel na cama. Bom sinal não pode ser. Tenho que parar de ter medo e encarar o que eu fiz ontem à noite. Mesmo que isso envolva sexo com... Não gosto nem de pensar nessa possibilidade!
Olhei o celular, três ligações perdidas de Levy, duas da Erza e duas da Juvia, mensagens em todas as redes sociais possíveis e no Whatsapp, além de mensagem das meninas, havia um tal de Hjdrasgnllll me mandando algo. Quem é Hjdrasgnllll? Mais uma pergunta para as meninas.
Lucy: Galera, tô viva. Resolvi mandar no nosso grupo para ser mais prático. Alguém pode me explicar o que porras aconteceu ontem?
Lucy: Minha cabeça está me matando, tem uma colher e um copo com suco de morango que não me pertencem aqui em casa e eu só lembro direito até a parte que o Loke me chamou para dançar.
Lucy: Depois disso minha noite está confusa pra cacete. Alguém me ajuda pelo amor de Kami!!
Lucy: Tava louca demais, ou a Erza deu uns pegas no Jellal?
Levy: Graças a deus, você não morreu!!! Quase matou a gente de preocupação.
Levy: Quando a gente ligar, ATENDA!
Juvia: Desculpa Lucy!
Juvia: Se eu não tivesse te pedido para beber comigo, você não teria ficado nesse estado.
Levy: Hmmmmm. Então você não se lembra de nada? Permita-nos contar pessoalmente kkkkkk
Lucy: Ok, todas na minha casa em uma hora. Porque levantar daqui tá difícil e ainda tenho que ver a extensão da merda que eu fiz aqui em casa.
Erza: Booom diaaa!
Erza: Pode deixar, Lucy!
Continua...
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