10 Motivos para Odiar Mary
3 Capítulo 3
Cheguei ao meu apartamento e coloquei as coisas em um canto. Estava demasiadamente cansado demais para colocar tudo em seu lugar. Deitei no sofá e liguei a televisão e fiquei vendo o programa da Oprah.
Levei minha mão à testa enquanto que a outra segurava o controle remoto. Tudo estava ficando trágico demais, os Veins não eram mais os mesmos de alguns meses atrás. Posso dizer em que algum lugar, no meio do caminho, nós nos perdemos. Podem dizer por ai que eu mudei, que fiz minhas escolhas e qualquer outra coisa, mas eu tive meus motivos e hoje me arrependo.
Acordei no sofá com o barulho da televisão ligada. Com um pouco de dores pelo corpo por não ter dormido tão confortavelmente me fizeram ter a preguiça de levantar, pelo menos por enquanto.
"O que foi que eu fiz?" Essa era a pergunta que se repetia por várias durante o dia. Mais o que eu poderia ter feito para não ter tornado tudo menos complicado. Sabe aquela sensação que vem de dentro e que não tem explicação e bem lá no fundo você sente que não deveria ter feito metade das coisas erradas que geraram alguma conseqüência? Sim, isso tem um nome. Chama-se arrependimento. Será que algum dia eu obteria o perdão que tanto desejo e meu pedido de desculpas aceito?
Às vezes eu tinha dom de estragar alguma coisa quando a tocava, mas dessa vez foi diferente. Toquei em mim mesmo e só piorei algumas coisas. Isso me matava por dentro, é a pior dor que já senti.
Ainda era quinta-feira e ate lá, não teria mais nenhum show com o The Old Veins. E nem ensaios. Eu não agüentava mais esses ensaios, porque era sempre a mesma coisa. O Jonathan havia se transformado em alguém bem mais diferente. Ele ficou estranho, como se tivessem feito uma lavagem cerebral. Eu diria ainda que foi uma mudança da água para o vinho. Eu me surpreendi com essa mudança e comecei a pensar que isso fizesse parte de algum plano só dele. Uma espécie de vingança. Que motivos teria Jonathan para se vingar?
Isso seria um motivo para eu pensar em outro momento. A única coisa que eu tinha que fazer agora era me concentrar na conversa com o Spencer e seguir com plano. Spencer apareceu em meu apartamento no horário combinado, bem próximo ao almoço. Conversamos um pouco sobre nossas vidas nesse tempo em que não estivemos juntos e falei o quanto Jonathan tinha mudado depois que saímos do Panic! Salamander. Depois de um tempo em silencio ele fala alguma coisa.
– Ele sente a sua falta, mas evita demonstrar.
– E como você soube disso? – Perguntei evitando demonstrar interesse no assunto.
– Ele mesmo me disse um dia. Você não tem idéia do quanto ele sofre por sua ausência.
– Imagino.
– Você disse que tinha um plano a ser executado, o que é?
– Preste atenção na idéia que tive e você vai me ajudar.
Comecei a contar ao Spencer sobre o meu plano e ele pareceu se interessar bastante. Cada vez que eu falava ele falava alguma coisa ou concordava com a cabeça.
– Entendeu o que quero que você faça Spencer?
– Com certeza. Agora me ensina a tocar guitarra.
– Faz parte do pagamento.
– Quem vê, pensa que é ligado a rede do crime.
– Pode ser.
Ensinei a ele o que se aprende na primeira lição quando se resolve tocar. Falei algumas coisas também e ele entendeu de primeira. Ate ai estava fácil e para ele que tocava apenas bateria ate que ele tinha jeito para tocar instrumentos de corda.
– Ate que você não é ruim nisso.
– Não me amole Alec.
– Acho que é bom a gente parar por aqui.ja esta ficando tarde. Entendeu o que você tem que fazer?
– Se quiser desenhar o seu plano “maléfico”, fique a vontade.
– Eu não vou conquistar o mundo. Ate semana que vem Spencer.
Abri a porta e me despedi do meu velho amigo que já me ajudou tanta outras vezes. A conversa tinha sido boa o suficiente para me deixar cansado e feliz. Finalmente eu conseguiria a minha revanche.
Na sexta-feira resolvi sair e fui para um restaurante bem freqüentado, sentei-me em uma mesa e o garçom me entregou o cardápio. Pedi uma porção de batata frita e um suco de laranja. Coloquei meu celular na mesa e fiquei esperando por uma mensagem de texto.
“Estamos quase chegando. Foi difícil te mandar essa mensagem sem ele perceber. Ate daqui a pouco.”
Era só que me faltava: ele ter percebido e tudo o que foi planejado ir para o espaço. Se isso acontecesse, realmente não seria o meu dia de sorte. Alguns minutos de ansiedade e comendo minhas batatas fritas com muita raiva e bebendo um pouco de suco para conter essa ansiedade.
Quando olhei disfarçadamente para a entrada do local, eis que vejo Spencer, Joshua e para a minha infelicidade, a sua namorada, e sem falar no Zack com a Carol. Minhas mãos começaram a transpirar e minhas pernas começaram a tremer, mas eu me contive e agi normalmente para que aquilo parecesse uma coincidência. Exceto por Spencer e eu, sabíamos que não era bem assim.
Eles entraram e escolheram uma mesa, pediram alguma coisa depois que olharam o cardápio e vi Spencer falando alguma coisa para o Joshua que olhou para mim. Vi Spencer se levantando e vindo em minha direção. Este sentou-se na minha frente.
– Ela precisava ter vindo? – Perguntei a ele me referindo a Mary.
– Ela se intrometeu no meio da minha conversa com o Joshua e já da pra imaginar o que aconteceu depois.
– E o Zack com a Carol?
– Vieram só pra enfeitar nosso plano.
– Não vai dizer que ele esta sabendo?
– Ah não, mas o Joshua ficou um pouco desconfiado e ele mesmo disse que era coincidência estarmos no mesmo restaurante.
– E ele vai ser homem o suficiente para vir falar comigo?
– Só sei que ele falou que vem falar com você depois.
– Vou ficar esperando. Agora acho melhor você voltar lá senão podem desconfiar de alguma coisa. Depois te ligo pra você e marcamos a próxima aula de guitarra.
– E você vai me contar sobre essa conversa de vocês.
– Está bem, agora volte lá Smith e não estrague o meu plano
– Seu plano? Estou te ajudando então esse seria o nosso plano.
– Esta certo, nosso plano. Agora tire a sua bunda da cadeira e vá se sentar lá.
Spencer se retirou e foi sentar com os demais. Chamei o garçom e fiz mais um pedido de porção. Olhei disfarçadamente para a mesa em que eles estavam enquanto bebia meu segundo copo de suco. Notei que nem a namorada dele e nem a Carol estavam na mesa. Devem ter ido ao banheiro e ficar com aquele papo de mulher lá dentro, ou quem sabe retocar a maquiagem. Se bem que, nem com maquiagem a Mary melhora.Vi Joshua se levantando e vindo em minha direção. Ele sentou-se e esbanjou aquele sorriso doce, um sorriso verdadeiro que me fazia ir muito alem da minha imaginação.
– Ola Alec, como vai?
– Bem e você?
– Estou ótimo.
“Aposto mesmo que esta bem com aquela vadia da sua namorada, seu filho da puta desgraçado.” A voz da minha consciência começou a falar comigo.
– E o que esta fazendo de bom? – Perguntei ajeitando-me melhor na cadeira.
– Só trabalhando um pouco com o novo álbum do Panic! e me divertindo. E você?
– Quase nada.
– Se não fosse apenas coincidência, eu diria que esse encontro foi armado.
– Califórnia não é tão pequena assim Josh.
“Mais que merda você acabou de fazer sua anta? Chamar ele pelo apelido carinhoso que você usavam quando vocês ficaram pela primeira vez.
– Eu sei Alec, mas...
“Perai, foi isso mesmo que eu ouvi? Ele te chamou de Alec? Mais que porra é essa?! Isso significa uma única coisa.”
– Joshua, eu quero uma revanche daquela sua lista. Eu faço uma lista com dez motivos para odiar a sua namorada e se você gostar eu faço o que você pedir.
– Nossa, isso me pegou de surpresa. Wow. Eu aceito, mas vou ter que pensar no que vou querer.
– Ótimo. Quer batata frita?
– Claro.
Ele esticou a mão para pegar um pouco e me doeu o coração ao ver aquele anel em seu dedo. Isso podia significar uma coisa: se eu não corresse contra o tempo eu poderia perdê-lo para sempre. Olhei para a mesa onde ele estava e vi que a Mary com a Carol tinha voltado à mesa.
– Acho melhor você voltar para a sua mesa.
– Por quê?
– Tem alguém lá que não esta muito feliz por te ver aqui comigo.
– O problema é desse alguém
– Incrível como eu consigo ser odiado ate por sua namorada. – Desabafei. – Se duvidar, ate os cachorros devem me odiar.
– Não fale assim.
– Assim como? – Dei uma de desentendido.
– Ficar colocando você mesmo para baixo. Quem sabe isso mude depois que eu ver a sua lista. Agora vou voltar para a minha mesa antes que minhas orelhas comecem a arder. Foi bom revê-lo Alec.
– Foi bom revê-lo novamente Joshua.
– Ah, eu ligo para você assim que tiver uma idéia.
– Ligue quando quiser. Eu não me importo.
– Esta bem.
Ele se levantou e caminhou ate sua mesa. Por mais que me doesse vê-lo ao lado dela, eu tinha quase a certeza de que eu conseguiria mudar a linha do nosso destino, tornando-a uma só. Terminei de degustar, paguei a conta e fui embora antes mesmo deles irem primeiro.
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