1. A partida
2 A partida
Notas iniciais
trilha sonora: https://www.youtube.com/watch?v=o8WZcQ12M4g
— Sério, Vanelope disse “ Que bom, agora você só vai pagar metade do preço na manicure ! “ quando Alajéa perdeu o braço. – Ezarel retrucou, embora àquela altura todos já soubessem que aquela elfa era sempre positiva, mesmo nas questões mais mórbidas.
— Sabe que ela é assim, foi pra isso que veio me ver ? – Valkyon riu, com certeza não era o motivo da visita em seu quarto.— Elfos só se apaixonam uma vez na vida, não é cruel rejeitá-la pela anã? – Ezarel disse, preocupado.Antes que Valkyon respondesse, Jamon entrou na sala e os dois já sabiam que precisavam seguí-lo até a sala do Cristal. Miiko e todos os outros já estavam lá, porém além de restaurado o cristal também estava produzindo uma luz estranha no ar, que começava a formar uma imagem gradativamente mais nítida do outro lado.— Tem certeza que é seguro ? – Taiga balbuciou, encarando aquele portal aberto pela combinação de todos os fragmentos do cristal agora unidos. — Sim, veja. São seus pais: O oráculo deve muito a vocês, por isso está sendo generoso. – Miiko disse, em tom tristonho. Fingia odiar e pegava no pé daquelas garotas, e não seria a mesma coisa com uma faltando. Valkyon segurou nos ombros da pequena Taiga, a empurrando. — Vá. – Era difícil, e pesava o peito ainda mais do o que toda aquela armadura. Ver aquele casal do outro lado chorando era uma cena forte para se observar, pois o motivo era sua amada. — E-eu não quero partir ! – Taiga bateu os pés, assustada. O oráculo não abriria aquele portal por nada, sugava muita energia e provavelmente a deixariam em uma jaula por causar desperdício e não estar feliz com o ‘presente’ — Como não? O oráculo não erra, não abriria se você não desejasse muito quando usaram seus poderes para restaurar o cristal. Você deve ir. – Nevra disse, com a mão no queixo. Ao invés de estar obrigando a ir, na verdade também estava pensativo sobre aquilo.— São sua família. – Vakyon disse, sério. Sendo forte. — Vocês são minha família. – Taiga encolheu os ombros. — Eu nem me lembro deles. Aqui é tudo que eu conheço, aqui é o meu lugar. Você – Ela segurou a mão de Valkyon, colocando em sua bochecha. — é o meu lugar. — Valkyon a beijou. Dentre todas as pessoas emocionadas, Vanelope estava secando as lágrimas de felicidade em assistir aquela cena de amor recíproco e terno. — Oh, disse alguma coisa, Okiku ? – Vanelope aproximou a pelúcia do ouvido, ficando histérica em seguida. Dava seus famosos pulinhos no lugar, emocionada.— Eu preciso de alguma poção que os faça achar que eu pareço com a filha deles. Digo, com a minha aparência. – Vanelope disse, e o casal parou de se beijar para encará-la. —O quê ?- Ezarel disse, surpreso mas já pensando que poderia ter sim algo assim. — Okiku disse que acabou a hora de brincar de esconde-esconde com meus pais. – A elfa apontou para o portal estável mostrando o casal que chorava em um quarto feminino. — Posso abraçar a mamãe de novo. – Vanelope sorriu, olhando Valkyon finalmente deixar lágrimas escorrerem e abraçar Taiga com força por que ela poderia continuar sendo dele. — Tem certeza disso ? Nem é o seu mundo. — Taiga sussurrou, surpresa. Mandar outra pessoa que parecesse com ela parecia assustador, e possivelmente algo sem retorno.— Eu quero abraçar a mamãe de novo. E ela – Apontou para a mulher logo ali no portal. — quer abraçar a filha dela. – Vanelope sorriu, era isso que ela queria. Ezarel foi trazer a poção, mas todos ainda pareciam inquietos com aquela situação. Vanelope bebeu, na visão do espelho suas orelhas encolheram ainda mais rápido do que suas pernas se tornando menores. Ela abraçou a todos ali, um por um. — Eu fiz para você, Vanelope. – Valkyon estendeu uma caixa, e deu um beijo no topo da cabeça da elfa quando a segurou. Sabia que significaria ainda mais para ela do o que para ele, mas era inevitável o fato de que era uma amiga importante.— Para mim ? — Os olhos amarelo brilharam de felicidade, abrindo a caixa. Se era Valkyon quem havia feito, provavelmente seria uma arma. —Uma espada?- Ela indagou, mas riu assim que encarou o objeto na caixa. Ela tirou os sapatos dos pés, calçando aqueles que a fazia sentir todo o carinho que as pessoas naquela sala tinham por ela. — Por que um par de sapatos? — — Para agradecer.- Valkyon sorriu, olhou com o canto do olho para Taiga ao seu lado , Vanelope rapidamente entendeu. — Por tudo. — Soltou uma risada debochada, dando um passo para trás. — Diferente de um machado ou uma espada, é algo que você usaria. – Valkyon abraçou Taiga pela cintura, enquanto assistiam todos juntos Vanelope passando pelo portal. Ele se fechou, a elfa não tinha nem mesmo olhado para trás.
— T-taiga, é você ? – A mulher pálida abraçou a elfa, o que significava que a poção estava funcionando e as pessoas daquela terra acreditariam que ela era aquela humana pequena. Abraçou a ‘ filha ‘, beijando todo seu rosto. O pai abraçou as duas, preocupado. — Te procuramos em todo lugar, a polícia não encontrou nada. Você está bem ? – Ele sussurrou, afinal o casal havia visto o corpo brotar de um portal que nem sabiam estar ali.Vanelope demorou alguns minutos até responder, por que estava ocupada abraçando seus pais. Sentia o amor deles, e também os amava muito. Doeu tanto obedecer Okiku e permanecer longe dos pais por tantos anos, mas agora estava valendo a pena.— Está tudo bem. – Ela soluçou, começando a chorar. A mãe limpou suas lágrimas enquanto seu pai a deu um beijo na testa.Por um breve momento pensou nos momentos em que ficou envolvida nos braços de Valkyon em alguns abraços, na melhor amiga bravinha que jamais viria. O moreno não sentia o mesmo por ela, e mesmo assim era tão cavalheiro que a fazia entender por que ele era tão especial e jamais deixaria de amá-lo. Talvez tivesse sido um erro, mas não conseguia pensar nisso nem por um segundo por que tudo o que mais queria na vida a tanto tempo era poder ser uma filha amada em uma casa segura onde pudesse sorrir todos os dias. Além disso, havia permitido que Taiga e Valkyon ficassem juntos para sempre, eles seriam felizes e ela também se sentia muito feliz em ter tornado uma história romântica do tipo que ela jamais teria fosse possível.Olhando para baixo, avistou novamente seus sapatos novos. Percebeu que quanto mais o tempo passasse, mais distante ficaria daquelas pessoas e os laços criados em Eldarya. Mas sempre que se lembrasse daqueles dias e usasse aquele par de sapatos, poderia andar para frente.— Vai ficar tudo bem. -
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