0 The Legend Of a Fighter

7 Capítulo 007: Investigação


Capítulo 007: Investigação.

No interior do quarto de Ryan, Cadu ainda está sentado na cama ainda segurando o panfleto de propaganda do torneio de artes marciais, olhando para o dono do aposento.

Cadu: Então está decidido, não é, Ryan? Iremos falar com a organização do The International Torunament of Fighting antes de tudo, certo?

Ryan: Sim, Cadu, eu acho que realmente é a decisão mais sensata a se fazer no momento.

Cadu: Sim... mas você tem alguma idéia de onde fica... sei lá, a sede da organização ou alguma coisa assim?

Ryan fica com uma expressão de dúvida por alguns segundos até que seus olhos se dirigem às mãos de Cadu.

Ryan: Eu acho que deve ter alguma informação sobre isso no panfleto, não é?

Cadu olha para as suas mãos.

Cadu: Sim, claro... deixa eu ver...

Ele fica examinando o panfleto por alguns segundos até que vê um site escrito no final do panfleto, bem lá embaixo, com letras bem pequenas.

Cadu; Aqui, Ryan, aqui!

Ryan: Deixa eu ver.

Ryan se senta na cama, ao lado de Cadu, e examina o panfleto também.

Cadu: Olha aqui, tem um site deles.

Ryan: É, lá eles devem dar o endereço.

Cadu: Sim.

Ryan lentamente apanha o panfleto das mãos de Cadu e logo em seguida se levanta da cama.

Ryan: A gente precisa ver esse site bem rápido no computador, Cadu, vem.

Cadu: Já e.

Cadu também se levanta da cama e acompanha Ryan, que sai do quarto, fechando a porta ao sair. Os dois seguem pelo corredor na direção oposta à da escadaria que dá acesso à cozinha, até que chegam em uma porta de madeira escura, idêntica à porta do quarto de Ryan.

Cadu: Aqui é o quarto dos seus pais, não é?

Ryan: Sim.

Cadu: Haha! Você não vai levar bronca se entrar sem permissão não, não é, Ryan? Vê lá hein, moleque!

Ryan: Heh! Não se preocupe com isso, eles nem ligam, afinal, se o computador fica no quarto deles, eu tenho mais é que entrar mesmo...

Cadu: Hehehe! É, pois é...

Ryan gira a maçaneta e os dois entram no quarto. O local é bastante largo e meio comprido, com uma grande cama de casal ao fundo, recoberta com lençóis bem brancos e arrumados, defronte a uma larga janela. Na parede localizada à direita da cama, um guarda-roupa bem grande feito de madeira escura e contendo diversas pinturas ornamentadas, além de um luxuoso espelho na porta. Um TV fica embutida na parede logo ao lado esquerdo da porta de entrada e, ao lado direito, uma grande cômoda, também de madeira escura, contendo diversos papeis, além de pastas, alguns livros e, na parte superior desta cômoda, está o monitor do computador, bem grande, com um contorno prateado. A CPU, também preta, está na parte mais debaixo, ao lado das pastas e papeis. Uma cadeira contendo rodinhas e acolchoada está posta diante do computador.

Cadu: Puxa, eu sempre estou aqui na sua casa, mas raramente eu venho até aqui no quarto dos sesu pais, eu sempre me esqueço de como ele é bonito.

Ryan: Hum, mas nós não estamos aqui pra admirar o lugar onde eles dormem, garotão, a gente precisa se apressar.

Cadu: Ah, pode crer. Vamos pro computador logo ver o site então?

Ryan: Sim, sim, vamos.

Em pouco tempo, Ryan liga o computador e logo depois se dirige ao lado do guarda-roupa de seus pais, apanha uma cadeira de plástico e a coloca ao lado da cadeira rolante.

Ryan: Pode sentar aí, Cadu.

Cadu: Ah ta, valeu.

Cadu se senta na cadeira de plástico e Ryan se senta na cadeira com rodinhas. Neste momento, o computador já está ligado e ele rapidamente acessa a internet.

Cadu: Puta merda, teu computador ta mais rápido do que da última vez que eu mexi nele, hein! Tu melhorou ele, cara?

Ryan: O que...? Ah, sim, sim, meu pai que decidiu melhorar no mês passado

Cadu: Saquei... eu acho que vou tentar melhorar um pouco o meu esse mês também porque ta foda...

Nesse momento, Ryan, olha atentamente para o panfleto do torneio e começa a digitar o site.

Cadu: Porra, tomara que a gente ache onde eles se localizam...

Ryan: Sim, tomara mesmo.

Em poucos segundos, o monitor do computador está tomado por uma tela com fundo bem azul, com diversas escritas e colunas, além de figuras de fogos de artifício por todos os lados. No topo da tela, está escrito em letras bem grandes e vermelhas “The International Tournament of Fighting” Mais ao lado, está a foto de uma armadura bastante imponente e, logo abaixo, está escrito “O melhor prêmio de todos! A Armadura de Orymon!”

Cadu: Hum, ainda bem, pelo menos o site existe...

Ryan: É. Agora a gente só tem que procurar algum lugar onde possa estar mostrando o endereço deles.

Cadu: Sim.

Os dois garotos aproximam bastante os seus rostos na tela e passam seus olhos por todo o site.

Cadu: Aqui!

Cadu aponta para a parte mais inferior da tela onde está escrito “Fale Conosco”.

Cadu: Clica aí, deve ter algum endereço com certeza.

Ryan: Haha! É isso aí, beleza!!

Ryan clica e uma nova tela se abre, também com fundo azul. Na parte mais de cima, está o e-mail deles e uma escrita “envie um e-mail para nós”. Logo abaixo, uma faixa em branco para que o internauta colocasse seu e-mail.

Ryan: Deve ser mais pra baixo...

Cadu: Sim, provavelmente.

Ryan abaixa mais a tela e vê o telefone deles. Logo abaixo, vê o endereço escrito.

Ryan: Perfeito! Aqui está o endereço!

Cadu: É, isso aí, achamos!

Ryan: E não é muito longe daqui, é na Avenida Rio Branco, lá no Centro da Cidade!

Cadu: Beleza, vamos lá logo então?

Ryan: Sim, sim, eu quero ir lá agora! Mas...

Cadu: Mas o que?! A gente não pode perder tempo, cara, essa coisa toda é um assunto bem sério e você sabe muito bem disso.

Ryan: Sim, claro que eu sei. Eu só estou preocupado por aquilo que eu te falei, cara.

Cadu: O que?!

Ryan: A minha mãe agora fica toda preocupada quando eu saio e bem, eu já saí hoje pra ir lá ver a academia do Maciel, e agora sair de novo, ainda mais depois de ter recebido um aviso do meu pai em relação a isso... ah, e a propósito, eu menti pra eles e disse que fui caminhar com você na orla da praia quando eu fui La na academia, beleza?

Cadu: Porra, e só agora você me avisa, seu vagabundo! Sorte que eles não perguntaram nada quando eu cheguei até aqui, senão você já tava fudido, tu sabe!

Ryan: É, pode crer, comi mosca mesmo. Mas... ah, sei lá, eu não vou conseguir ficar tranqüilo até saber o que aqueles seres realmente estão querendo... não sei, eu vou tentar arranjar um jeito de sair, quando eu cheguei em casa, o meu pai me disse que ela estava deitada no quarto, mas se ela já não está aqui, com certeza se levantou... puxa, eu queria que ela ainda estivesse aqui, convencer o meu pai com certeza seria bem mais fácil.

Cadu: Bem, eu não sei se ajuda, mas por que não vamos nós dois? Com um amigo do lado, talvez ela fique preocupada, mas não tanto e acabe deixando você ir.

Ryan: É, eu sei, acho que você tem razão.

A atenção de Ryan se volta momentaneamente para o computador e depois começa a mexer nos diversos papeis da cômoda. Pega um pequeno bloco e arranca uma folha, logo em seguida, apanha uma caneta dentro de um objeto de ferro ao lado do monitor e rapidamente copia o endereço deles no papel. Então, ele fecha a página do site e começa a desligar o computador. Os dois garotos se levantam.

Ryan: Bem, e então? Vamos lá?

Cadu: Certo, certo, vamos.

Eles saem do quarto, fechando a porta ao sair. Seguem rapidamente pelo corredor e descem as escadas até a cozinha. Lá, a mãe de Ryan está mexendo em alguns armários. Ryan olha para Cadu por um momento e ambos engolem um breve seco com a garganta.

Cadu (cochichando): Vai, cara, é você que tem que começar falando.

Ryan (cochichando): É, eu sei, eu sei.

Ambos se aproximam um pouco dela, que está de costas para os garotos e percebe a presença deles, se virando rapidamente.

Ryan: Oi mãe, como você ta?

Mãe: Oi, Ryan!

Ela vai rapidamente até ele e lhe dá um forte abraço. Assim eles ficam por alguns segundos até que ela se volta para Cadu.

Mãe: Oi, Cadu, ta tudo bem com você também?

Cadu ( meio confuso): Sim, sim, ta tudo bem sim...

Mãe: Eu acabei nem vendo vocês dois chegando, eu estava descansando mais cedo... como foi o passeio lá na praia?

Ryan olha para Cadu com o canto dos olhos, mas rapidamente volta seu olhar para a sua mãe.

Cadu: Ah, foi... foi ótimo, muito bom mesmo pra relaxar e tudo mais, principalmente pra um sábado de manhã.

Mãe: Certo... mas vocês demoraram muito, gente, eu realmente fiquei preocupada.

Ryan: Ah, sim, sim... quanto a isso, eu peço desculpas, mãe, eu acabei perdendo a hora...

Cadu: É, a gente ficou conversando bastante e tal, aí acabamos demorando mais do que devíamos, a minha mãe também não gostou, sabe...

Mãe: Sei...

O local fica em silêncio por alguns segundos.

Mãe: Bom, e então. Vocês querem comer alguma coisa? Eu vou servir um lanche pra vocês.

Ela se vira de costas e vai caminhando na direção dos armários do aposento. Neste momento, Ryan e Cadu se olham rapidamente, mas, logo em seguida, se viram para ela de novo.

Ryan: Ah, escuta, mãe, eu queria te pedir uma coisa...

Ela pára e volta a se virar para os dois garotos.

Mãe: Fala.

Ryan: Bem, eu... é que eu quero sair de novo, tava a fim de ir no shopping e tal... bem, eu e o Cadu, vamos encontrar alguns amigos da nossa escola lá...

Mãe (alterando um pouco a sua voz): Mas você vai sair de novo, Ryan?! Você já passou quase que a manhã inteira fora!

Ryan: É, é... eu sei, mas...

Mãe: Olha, Ryan, eu não ia falar nada disso porque o Cadu poderia ficar meio constrangido e tudo mais... mas eu, eu...

Algumas lágrimas começam a escorrer dos olhos dela.

Mãe: Eu fiquei muito, muito preocupada mesmo, Ryan! Eu fiquei apavorada, o que aconteceu no show de ontem à noite pode voltar a acontecer a qualquer momento, meu filho! Eu não quero que você fique saindo de casa e muito menos demorando lá fora do jeito que você demorou hoje!

Ryan: Mas... mas, mãe...

Mãe: Sem “mas”, Ryan! Me desculpa mesmo, mas eu não vou deixar você ir pro shopping, não posso permitir que você fique saindo desse jeito de casa com esses assassinos a solta!

Ryan: Ah, cara, que merda!

Cadu rapidamente se aproxima da mãe de Ryan.

Cadu: Escuta, senhora, me perdoe por interromper, eu sei que não tenho nada a ver com a educação que você dá pro Ryan, mas eu só queria dizer que... bem, o shopping é bem seguro e além disso vai estar todo o pessoal da escola lá. A segurança ta toda reforçada depois do que aconteceu e é de dia...

Mãe: Eu já sei de tudo isso, Cadu! Mas deixa eu te perguntar uma coisa! Ontem naquele show, não tinha bastante segurança reforçada também? Não estava todo o pessoal da escola também? Mas o ataque aconteceu, não foi?

Cadu se cala e fica olhando para os lados, com uma expressão confusa e sem saber o que dizer. Nesse momento, o pai entra rapidamente na cozinha, vindo da sala.

Pai: Mas o que é que está acontecendo aqui?!

Mãe: O Ryan! Ele não entende que é perigoso ficar muito tempo aí fora de casa! Depois de ter demorado o que demorou durante a manhã, agora ele quer sair de novo com os colegas pra ir pro shopping! Ele não vai, eu não posso deixar!

Pai: Espere, meu amor, ele não pode ficar... quero dizer, nós não podemos ficar presos por causa do que aconteceu, a gente tem que se acostumar com essa idéia, querida. Mas eu concordo em uma aspecto com ela, Ryan!

O garoto rapidamente se volta para o seu pai.

Pai: Você não vai ficar saindo e demorando do jeito que demorou! Então preste muita atenção no que eu vou te falar agora! Você pode ir pro shopping, mas eu quero você com os pés aqui dentro de casa daqui a uma hora!

Ryan arregala os olhos.

Ryan: Uma hora, você disse?! Mas só uma hora não...

Pai: Ou é isso, ou você realmente não vai sair de casa, Ryan!!

O garoto se cala imediatamente e a cozinha fica em silêncio por alguns segundos, silêncio este que é interrompido algumas vezes pelos soluços da mãe do garoto.

Ryan (numa voz bem mais baixa): Sim, ta certo então, pai, eu vou subir pra me arrumar rapidinho e já estou saindo...

Pai: Certo...

Ryan: Venha, Cadu!

Os dois garotos rapidamente voltam a subir a escadaria da cozinha e se dirigem para o quarto de Ryan. Na cozinha, o pai volta a abraçar a mãe do garoto, que continua com seus leves choros.

Ryan: Puta merda, ninguém merece!

Ryan está indo na direção da porta do banheiro de seu quarto, enquanto Cadu volta a se sentar sobre a sua cama.

Ryan: Ninguém merece a minha mãe, cara, porra! Quantas vezes um ataque daqueles aconteceu?! Ela acha que isso vai ficar acontecendo todos os dias?!

Cadu: É... mas ela sempre foi bastante protetora em relação a você, Ryan, desde que a gente se conheceu quando éramos crianças, ela é assim.

Ryan vai no banheiro e deixa a porta aberta, liga a torneira e começa a passar uma água no cabelo.

Ryan: O problema, Cadu, é que eu não sou mais uma criança, mas ela parece que se recusa a entender isso, que saco!

Cadu: Sim, mas se acalme, cara, ela só ta mais assim desse jeito por causa do que aconteceu, logo ela vai voltar ao normal, não se preocupe.

Ryan: Ou o quão normal é possível ficar pra ela, não é?

Cadu: Haha! Sinceramente, tu fica muito engraçado quando ta boladão desse jeito, hahaha!

Ryan: Heh! E você ri, seu vagabundo!

Ele sai do banheiro com o cabelo meio molhado, apanha seu celular e o coloca no bolso.

Ryan: Bem, eu já to com uma grana aqui no bolso... vamos indo então?

Cadu: Já é, vamos logo! Afinal, a gente só tem uma hora, não é, haha!

Ryan: Sim, pois é, só uma hora...

Os dois rapidamente saem de casa, com Ryan cumprimentando seus pais ao passar por eles na sala e o mesmo faz o Cadu. Em alguns minutos, eles pegam um ônibus em um ponto próximo, que começa a caminhar pela cidade. Os dois se sentam um do lado do outro.

Ryan: Sabe, eu, de certa forma, estou até um pouco ansioso!

Cadu: Sim, eu também to me sentindo mais ou menos desse jeito...

Ryan: Descobrir algo sobre essa armadura... puxa, será mesmo que existe alguma coisa assim no mundo?! Alguma coisa que realmente tenha poderes especiais, essas coisas...

Cadu: Pois é, eu nunca imaginaria... mas o que mais me preocupa é se a organização do torneio tratar a gente como nada.

Ryan: Como assim?!

Cadu: É... tipo, eles podem simplesmente chegar e falar “não podemos atendê-los”, ou até podem atender a gente, mas se questionarmos sobre a armadura, falarem que não é da nossa conta... ah, sei lá, isso não é impossível de acontecer, não é?

Ryan: Sim, de fato, não é... mas pensa bem, a gente vai chegar falando que estamos muito interessados em participar do torneio e com certeza isso é vantajoso pra eles, certo? Não acho que eles serão tão arrogantes com... bem, digamos, com os “clientes” deles... não acha?

Cadu: É, pode ser que você tenha razão. Bom, mas de qualquer maneira, só saberemos mesmo na hora que chegarmos lá.

Ryan: Sim.

O ônibus caminha por mais alguns minutos, até que eles descem em um ponto da Avenida Rio Branco e, se guiando pelo endereço copiado no papel, Ryan e Cadu procuram pelo local até que param diante de um grande prédio, com uma grande porta automática de vidro escurecido. O prédio também é revestido totalmente com diversas janelas refletoras, e, na frente da porta, estão dois seguranças vestidos com uma roupa azul. Um deles é relativamente velho, com barba e bigode bem pretos e o outro parece ser um pouco mais novo, sem barba, porém, com bigode preto.

Cadu: É aqui?

Ryan (olhando para o papel): Sim, parece que é esse prédio aqui mesmo.

Cadu: Beleza. Vamos entrar então.

Ryan: Já é.

Os dois se aproximam da porta até que o mais velho dos seguranças se vira rapidamente para eles.

Segurança: O que vocês desejam?

Ryan e Cadu se olham momentaneamente, mas logo em seguida se voltam para o segurança.

Ryan: Bem, senhor, é que... bem, é aqui que se localiza a organização do The International Tournament of Fighting, certo?

Segurança: Sim, a sede da organização brasileira desse torneio é aqui sim.

Ryan: É que nós gostaríamos de tirar umas dúvidas pessoalmente sobre esse torneio, nós estamos muito interessados em participar dele, sabe...

Segurança: Entendo... mas receio que não poderão entrar sozinhos aqui. Eu irei conduzi-los até o segurança do interior para que eles possam ajudar vocês.

Ryan: Ah, sim, certo, certo.

Segurança: Juliano, cuide das coisas aqui por alguns segundos, viu...

O outro segurança mais jovem se vira para ele.

Juliano: Sim, pode deixar, não se preocupe.

Então, o segurança mais velho se vira e a porta de vidro se abre. Ele entra, sendo seguido pelos dois garotos. Um salão bem largo se revela diante deles, muito semelhante ao salão de entrada de um hotel. Ele é recoberto de azulejos claros e brilhantes, no teto, um lustre contendo uma luz amarela bem brilhante, as paredes são decoradas com diversos ornamentos e quadros artísticos. Na parede da esquerda, está um grande sofá azul, onde estão sentadas algumas pessoas e, na parede da direita, estão cinco elevadores e algumas pessoas em fila esperando por eles. Logo ao lado dos elevadores, está a entrada para uma longa escadaria. Num local bem próximo aos elevadores, estão mais quatro seguranças, vestidos com o mesmo uniforme dos da entrada. Ryan e Cadu se olham e acenam positivo com a cabeça.

Ryan (cochichando): Puxa, é bem luxuoso aqui, não é?

Cadu (cochichando): Heh, até demais!

O segurança então se vira para eles.

Segurança: Me acompanhem.

Ryan: Sim.

O segurança se dirige aos outros quatro que estão próximos aos elevadores.

Seguranças: Bem, vejamos...

Ele fica olhando para os quatro até que seus olhos param em um homem bem alto e bem largo, careca e moreno.

Segurança: Você, Heitor.

O segurança se aproxima.

Heitor: Sim?

Segurança: Escute, você poderia conduzir esses meninos até a Sala de Recepções? Eles desejam tirar algumas dúvidas sobre o torneio...

Heitor: Entendo. Ela está um pouco cheia, mas acho que posso levá-los sim.

Segurança: Certo, então, vão com ele, meninos.

Ryan: Valeu, obrigado.

O segurança acena positivo com a cabeça e se dirige de volta para a entrada do prédio. Nisso, Heitor agarra rapidamente os dois garotos pelos ombros e os levam para a fila de um dos elevadores.

Ryan: É, parece que nós vamos conseguir descobrir alguma coisa...

Cadu: Tomara.

Depois de alguns segundos, o elevador chega e todas as pessoas entram. O interior fica um pouco apertado, e Heitor aperta o botão do sexto andar. Mais alguns segundos se passam e o elevador chega. Apenas os três descem. Diante deles, está um longo corredor, com azulejos idênticos aos da entrada e com diversas lâmpadas muito luxuosas em forma de fila por todo o teto. Heitor fica olhando para os dois lados por alguns segundos até que se vira para o esquerdo e começa a andar.

Heitor: Por aqui, garotos.

Ryan: Certo.

Eles então se dirigem a porta mais ao fundo do corredor, que é de madeira bem escura e com escritas douradas no topo “Sala de Recepções”.

Heitor: Bem, é aqui. Entrem e esperem até poderem ser atendidos.

Ryan: Sim... agradecemos, senhor, muito obrigado.

Heitor: Certo.

E então, Heitor sai andando de volta ao elevador. Ryan bate na porta e a abre lentamente. Os dois entram, fechando a porta em seguida. Uma grande sala, com azulejos um pouco mais simples e paredes relativamente mais altas aparece diante dos dois. Por todo o local, estão diversas pessoas sentadas em cadeiras acolchoadas, diante de uma grande parede com cinco portas, também de madeira escura. Na parte mais de trás da sala, estão mais cadeiras, só que vazias. Cadu e Ryan passam seus olhos por todo o local.

Cadu: Puta merda, eu não acredito nisso, olha como isso ta cheio!!

Ryan: É, mas aquele tal de Heitor até que tinha falado que tava cheia, não é?

Cadu: Sim, mas eu não imaginava tanto...

Então, uma voz começa a falar com eles.

Voz: Vocês dois não vão se sentar?

A voz vem de trás deles e os dois rapidamente se viram. Mais um segurança, com o mesmo uniforme que os demais, está parado do lado de dentro da sala logo ao lado da porta de entrada. Alguns fios de cabelo loiro caem na testa, vindos debaixo do chapéu e ele parece ser o mais jovem de todos até agora.

Segurança: Vocês podem se sentar até a vez de vocês chegarem, garotos. Chamarão vocês ali daquelas portas.

Ele aponta para as cinco portas diante das cadeiras.

Ryan: Ah ta... certo.

Eles dois vão até duas cadeiras vazias mais atrás e se sentam um do lado do outro.

Cadu: Ae, isso vai demorar pra cacete hein, que merda, cara!

Ryan: Nem fala, isso vai me fazer tomar uma baita de uma bronca da minha mãe!

Cadu: Sim, com certeza.

Ryan: Mas paciência, agora que nós estamos aqui, não vamos voltar, vamos esperar até que a gente seja atendido pra ver se descobrimos alguma coisa.

Cadu: Sim, claro.

Os minutos vão se passando. De tempo em tempo, homens trajando paletó e gravata, além de mulheres com vestidos sociais, saem das portas chamando pelo próximo a ser atendido. Quase uma hora e meia se passa até que Ryan e Cadu são os únicos da sala. Até este momento, o celular de Ryan já havia tocado mais de seis vezes, com ligações de sua mãe Os rostos dos dois já estão com uma intensa expressão de sono e cansaço. Então, um homem alto, de cabelos ruivos, e relativamente jovem, sai da porta do meio.

Homem: Próximo, por favor. Só sobraram vocês dois, certo?

Cadu (cochichando): Puta merda, finalmente, tava quase dormindo nessas cadeiras, caramba!

Ryan rapidamente se levanta e Cadu faz a mesma coisa.

Ryan: Sim, sim, só sobramos nós dois.

Homem: Certo, certo, já podem entrar.

Os dois se apressam a cruzar a sala, passando entre as diversas cadeiras até que entram na sala do meio. Logo após os dois entrarem, o homem fecha a porta. O local é relativamente pequeno, com o chão revestido de um tapete bem luxuoso, com uma estante cheia de livros na parede da esquerda, uma janela aberta ao fundo e, na frente desta janela, uma mesa de madeira, recoberta de vários papéis e um computador mais à esquerda. Defronte à mesa, estão duas cadeiras acolchoadas e do outro lado, uma outra cadeira, tão acolchoada quanto as outras, só que com um tamanho um pouco maior. O homem passa pela sala e se senta nessa cadeira, por trás da mesa.

Homem: Bem, vocês podem se sentar, meninos, não se acanhem!

Ryan: Ta.

Os dois se sentam e ficam olhando para o homem.

Homem: Bom, vamos direto ao assunto, em que posso ser útil para vocês?

Ryan e Cadu se olham bem brevemente, mas logo se voltam para o homem.

Ryan: Bom, nós estamos muito interessados em participar do evento que está sendo organizado aqui no Brasil por vocês, sabe, o The International Tournament of Fighting.

Homem: Sim. Mas sabe, garotos, este torneio não é exatamente organizado por nós, entendem?

Cadu (com uma expressão de surpresa): Como assim?!

Homem: Bem... é agora, mas não é um evento especialmente nosso. Eu vou explicar. Este torneio é um evento de luta internacional entre jovens, que acontece de dois em dois anos. Neste ano, o torneio acontecerá no Brasil, por isso é que agora nós é que estamos cuidando das maiores partes da organização, entendem? Mas nós não somos os únicos relacionados a este torneio que existem, uma grande quantidade de países têm sedes de organização deste torneio. É como se fosse, digamos... uma franquia, entenderam?

Ryan: Ah, sim, sim, acho que entendi. Então, se o próximo torneio, for, por exemplo, nos Estados Unidos, então haverá uma sede que irá cuidar da organização do torneio lá também, certo?

Homem: Sim, é isso mesmo.

Cadu: Ah, ta, agora eu entendo. Bem... mas eu acho que então, você pode nos dar uma ajuda no que queremos saber... certo, Ryan?

Ryan: Sim, eu acho que sim.

Homem: Então, tudo certo! Podem perguntar, o que vocês querem saber em especial sobre o torneio?

Ryan: Não é exatamente sobre o torneio, sabe...

Cadu: Pois é, é mais sobre...

Ryan e Cadu se olham mais uma vez.

Homem: Podem falar...

Ryan: Sobre o prêmio do torneio. A Armadura de Orymon.

A sala fica em silêncio por alguns segundos em que os dois garotos permanecem olhando para o homem com uma expressão de leve ansiedade. Então, a voz do homem quebra o silêncio.

Homem: Ah, sim, entendo, a Armadura de Orymon... sim, ela, de fato, é o prêmio para o campeão do torneio, mas o que vocês querem saber sobre ela?

Ryan: Bom, realmente é verdade que ela é um item poderoso, como diz no panfleto de propaganda de vocês? Quero dizer, é verdade que ela tem poderes especiais, ou alguma coisa parecida?

Mais alguns poucos segundos de silêncio, mas ele é interrompido novamente.

Homem: Sim. É algo estranho, certo? Algo que as pessoas que não são lutadoras e que nunca participaram desse torneio sempre tem um espírito de desconfiança, não é verdade?

Ryan e Cadu parecem ficar meio envergonhados.

Ryan: Sim, mas... sei lá, acho que não é desconfiança, é mas uma... curiosidade.

Homem: Sim, sim, eu entendo. É natural.

Cadu: Certo, você disse que ela tem sim poderes especiais, certo? E que poderes seriam esses?

Homem: Bem, são habilidades muito boas. Pra falar a verdade, quem coloca essa armadura no corpo, conforme os testes que nós realizamos, se torna um humano praticamente invencível, sabem.

Ryan: Por que?

Homem: Porque ela tem poderes de defesa absurdos! Podem resistir a qualquer tipo de ataque, até mesmo balas de canhão, por exemplo... não! Muito mais que uma bala de canhão, talvez, a pessoa que a vestir possa resistir até ao efeito de uma bomba atômica!

Um leve riso sai das bocas de Ryan e Cadu, que se olham rapidamente.

Cadu (pensando): Puta que pariu, esse cara ta se empolgando, olha isso, hahaha!

O homem faz uma expressão um pouco mais séria e os dois garotos cessam o leve riso imediatamente.

Homem: Eu estou falando sério, meninos!

Ryan: Ta bom, então, você disse que uma pessoa com essa armadura se torna praticamente invencível e vocês chegaram a essa conclusão com testes que realizaram, é isso?

Homem: Sim...

Ryan: E você falou também que essa armadura poderia resistir talvez até a uma bomba atômica e a pessoa não seria atingida... agora me diz uma coisa, cara. Que tipo de teste vocês poderiam ter feito pra confirmar algo assim? Você chegaram a... sei lá, explodir uma bomba atômica pra confirmarem isso que você ta falando pra gente?

Homem: Não! Não são esses tipos de testes que nós fazemos aqui, garoto!

Cadu: Ah, beleza, então desembucha ae que testes vocês fizeram pra confirmar o poder da armadura.

O homem faz uma expressão de dúvida, mas rapidamente ela volta ao normal.

Homem: Ta certo, eu vou falar porque estou vendo que vocês dois estão sendo muito desconfiados sobre isso. Os nossos testes não são físicos, entendem? Eles são realizados com base na força sobrenatural.

Ryan e Cadu arregalam os olhos.

Cadu: Força sobrenatural, você disse?!

Homem (com uma expressão bem séria): Sim. Escutem, deixem eu lhes contar uma coisa. Em todos os torneios, o prêmio é um item extremamente poderoso, e quando digo isso, quero dizer que é um item que contém um grande nível de força sobrenatural. Sempre que achamos um objeto assim, realizamos os testes para confirmar exatamente um nível de poder para ele, e, esses testes, são realizados através de um maquinário... um conjunto de equipamentos com uma tecnologia bem alta.

Ryan: Sim... e como vocês usaram essas tal máquinas pra definir o poder da armadura?

Homem: Bem, quando encontramos a armadura, ela foi levada diretamente para a realização desses testes, ou melhor, para o teste. Ela foi colocada dentro de uma câmara, cujas paredes e o teto eram revestidos por saídas de inúmeras máquinas. Essas máquinas, por sua vez, são capazes de despejar uma grande quantidade de força sobrenatural, e foi justamente isso que aconteceu no teste. A câmara rapidamente se encheu dessa força e devo dizer que a quantidade de energia era tanta, que se um ser humano comum ou até mesmo um objeto comum estivesse ali dentro... iria se corroer em menos de um segundo.

Cadu solta mais um pequeno riso.

Cadu: Ah que isso, cara, ta falando sério?! Não é possível!

Homem: É claro que eu estou falando sério!

Ryan: Hum... certo, certo, continue então. Com certeza a armadura deve ter resistido, não é?

Homem: Sim. Além dessas máquinas, nós colocamos um pequeno medidor de força sobrenatural no interior da armadura. Ele permite analisar as faixas de poder do objeto em que é colocado. Geralmente, esse é o teste mais realizado nos itens que usamos como prêmios nos torneios. Então, para que o objeto não corra o risco de ser destruído, sempre que o medidor indica que a força sobrenatural do objeto começa a diminuir, nós cessamos o teste e então vemos o quanto o item conseguiu resistir, ou seja, o quanto de energia ele agüentou, antes de ser destruído, é óbvio.

Ryan: Entendi...

Homem: E devo dizer que até o momento... nenhum item suportou o total de energia que as máquinas da câmara despejam, isso é... todos os objetos apresentaram uma redução de sua força sobrenatural antes que o total de energia fosse despejado. Com exceção...

Cadu: Ah, não me diga que...

Homem: Sim! Pra nossa própria surpresa... a armadura de Orymon conseguiu suportar! Toda a energia que as máquinas da câmara conseguem lançar foi despejada sobre a armadura e, de acordo com o medidor... a força sobrenatural dela não reduziu nem um pouco, absolutamente nada! Foi o único objeto até hoje que não sofreu nenhuma redução!!!

Ryan e Cadu se olham mais uma vez, mas logo depois, seus olhos voltam a encarar o homem, dessa vez, com uma expressão bem mais séria.

Ryan: Em outras palavras... até agora, a Armadura de Orymon... é o prêmio mais valioso desse torneio, certo?

Homem: Sim!

Ryan: Entendo... mas eu ainda não saquei uma coisa.

Homem: E o que foi?!

Ryan: Como vocês conseguiram achar a Armadura de Orymon?

Homem: Ah, é isso... bem, não só a armadura, mas todos os outros prêmios na história do torneio... nós usamos os detectores de força sobrenatural. Eles indicam as fontes dessa força que existem em toda a Terra. Então, quando vemos que a energia é consideravelmente alta, vamos conferir, pra checarmos se tarat-se de algum objeto ou de um humano.

Cadu: De um humano?!

Homem: Sim...

Ryan: Espera... você até disse antes que “se um ser humano comum ou até mesmo um objeto comum estivesse ali dentro” homem comum, você falou... e agora diz também que sempre que os detectores captam força sobrenatural na Terra, vocês vão conferir se é objeto ou humano... isso quer dizer que humanos também tem força sobrenatural?!

O homem faz uma expressão que mescla surpresa e estranhamento.

Homem: Garotos... vocês realmente pretendem participar desse torneio?

Ryan: Sim... por que está perguntando isso?!

Homem: Então eu aconselho vocês a pesquisarem mais sobre o assunto! Por que nesse torneio, todos os participantes possuem força sobrenatural! Isso é fato! Até porque, caso contrário, não é possível participar!

Ryan e Cadu arregalam os olhos.

Ryan (com uma expressão de surpresa e desapontamento): Eu... eu... eu... não acredito... força sobrenatural... humanos tendo poderes! Está falando sério?! Todos os lutadores que participam...tem força sobrenatural?!

Homem: Mas é claro! Eu achei que vocês já soubessem disso, uma vez que chegaram aqui dizendo que estavam muito interessados em participar do torneio. E antes, eu achei que estavam rindo do que eu tava falando sobre a armadura porque pensei que vocês não acreditassem na existência de força sobrenatural nos objetos, mas nos humanos... é claro que existe! São poucos os que despertam, mas existe! Sinceramente... por que vocês não procuram alguém que possa dar conselhos de luta? Alguém que, naturalmente, além de lutas, conheça o torneio. Uma pessoa assim, sem dúvidas, conhece sobre a força sobrenatural nos humanos.

Cadu: Ah, fala sério! O Ryan aqui visitou hoje mesmo uma academia de luta! Foi até o professor de lá que falou pra ele sobre o torneio! Se ele soubesse sobre essa força sobrenatural, ele teria mencionado, caramba!

Ryan: Sim, realmente, senhor. Ele me falou sobre o torneio, e devo dizer que ele também é muito bom em lutas! É rápido, é forte... todos os professores que eu conheci lá são assim, e... espera... ESPERA!!!

Cadu: O que foi, Ryan?!

Um rápido flashback passa na cabeça de Ryan. Imagens de quando ele estava na academia The Young Fighter aparecem em sua mente.

“Ryan: Por que você interrompeu o Lúcio? Ele estava dizendo que era importante que eu despertasse algo dentro de mim pra conseguir bastante força e velocidade, mas... “

“Maciel: Eu o interrompi porque não é necessário que você saiba disso agora, Ryan. Caso você decida entrar para a nossa academia e começar a treinar em um de nossos estilos de luta, aí sim, a gente fala mais sobre este assunto.”

A mente de Ryan volta à atualidade.

Ryan: Era isso! Era isso!!! Aquilo que eu estava tão curioso pra saber!!! O que Maciel me escondeu! Era a existência da força sobrenatural!!!!